Naringina

A naringina é um glicósido flavonoide que atua como o principal princípio amargo dos citrinos, sendo particularmente abundante na casca e nas membranas internas da toranja (Citrus paradisi), do pomelo e da laranja-azeda. Do ponto de vista químico, a sua molécula é composta por uma aglicona central flavanónica (a naringenina) ligada a um dissacárido (a neo-hesperidose), cuja junção molecular específica é a responsável direta por estimular os recetores do paladar amargo na boca. Produzida naturalmente pelas plantas como um mecanismo de defesa biológica contra patogénios e herbívoros, esta substância tem despertado elevado interesse na investigação médica devido às suas promissoras propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e hepatoprotetoras, além de atuar positivamente na regulação dos perfis lipídicos e da sensibilidade à insulina. Contudo, a naringina exige vigilância clínica devido ao conhecido efeito do sumo de toranja: após a sua ingestão, o composto é metabolizado e passa a inibir fortemente a isoenzima CYP3A4 do complexo do citocromo P450 no intestino humano. Esta interferência bloqueia a degradação normal de múltiplos medicamentos de uso diário — como certas estatinas para o colesterol e fármacos anti-hipertensores —, elevando a concentração destas drogas no sangue para níveis potencialmente tóxicos. Para além do panorama farmacológico, o composto detém uma relevância económica significativa na indústria alimentar, onde é aproveitado como aditivo amargante em bebidas tónicas ou transformado quimicamente em di-hidrocalcona de neo-hesperidina (NHDC), um edulcorante artificial de alta intensidade muito utilizado em produtos dietéticos.

Referências

  1. ↑ Peng, Yuan; Qu, Ruyi; Xu, Shuqin; Bi, Hongsheng; Guo, Dadong (2023). «Regulatory Mechanism and Therapeutic Potentials of Naringin Against Inflammatory Disorders». doi.org. Consultado em 26 de outubro de 2026
  2. ↑ Flores-Peña, Roberto; Monroy-Ramirez, Hugo Christian; Caloca-Camarena, Fernando; Arceo-Orozco, Scarlet; Salto-Sevilla, Jorge Alejandro; Galicia-Moreno, Marina; Armendariz-Borunda, Juan (10 de agosto de 2025). «Naringin and Naringenin in Liver Health: A Review of Molecular and Epigenetic Mechanisms and Emerging Therapeutic Strategies». Antioxidants (em inglês). 14 (8). 979 páginas. ISSN 2076-3921. PMC 12382628Acessível livremente. PMID 40867875. doi:10.3390/antiox14080979
  3. ↑ Ribeiro, Maria H.; Lage, Patricia (2023). Xiao, Jianbo, ed. «Naringin: Advances on Resources, Biosynthesis Pathway, Bioavailability, Bioactivity, and Pharmacology». Cham: Springer International Publishing (em inglês): 1–50. ISBN 978-3-030-94753-8. doi:10.1007/978-3-030-94753-8_29-1
  4. ↑ Salehi, Bahare; Fokou, Patrick Valere Tsouh; Sharifi-Rad, Mehdi; Zucca, Paolo; Pezzani, Raffaele; Martins, Natália; Sharifi-Rad, Javad (10 de janeiro de 2019). «The Therapeutic Potential of Naringenin: A Review of Clinical Trials». Pharmaceuticals (em inglês). 12 (1). 11 páginas. ISSN 1424-8247. PMC 6469163Acessível livremente. PMID 30634637. doi:10.3390/ph12010011
  5. ↑ Cheng, Keling; Zeng, Xuan; Wu, Hao; Su, Weiwei; Fan, Weiyang; Bai, Yang; Yao, Hongliang; Li, Peibo (dezembro de 2019). «Effects of Naringin on the Activity and mRNA Expression of CYP Isozymes in Rats». Natural Product Communications (em inglês). 14 (12). ISSN 1934-578X. doi:10.1177/1934578X19894180
  6. ↑ Alotaibi, Faisal (27 de março de 2023). «Naringenin alters the pharmacokinetics of ranolazine in part through the inhibition of cytochrome P450 (3A4) and P-glycoprotein». Future Journal of Pharmaceutical Sciences. 9 (1). 23 páginas. ISSN 2314-7253. doi:10.1186/s43094-023-00477-1
  7. ↑ Adams, Jose A.; Uryash, Arkady; Mijares, Alfredo; Eltit, Jose Miguel; Lopez, Jose R. (17 de agosto de 2025). «Endothelial and Cardiovascular Effects of Naringin: A Systematic Review». Nutrients. 17 (16). 2658 páginas. ISSN 2072-6643. PMC 12389103Acessível livremente. PMID 40871686. doi:10.3390/nu17162658
  8. ↑ Fotouhi, Soroush; Yavari, Aida; Bagheri, Amir Reza; Askari, Vahid Reza; Gholami, Yazdan; Baradaran Rahimi, Vafa (janeiro de 2025). «Exploring the promising impacts of naringin and its aglycone constituent naringenin as major citrus flavonoids on diabetes and its complications». Journal of Functional Foods (em inglês). 124. 106643 páginas. ISSN 1756-4646. doi:10.1016/j.jff.2024.106643. Cópia arquivada em 30 de março de 2026