A naringina é um glicósidoflavonoide que atua como o principal princípio amargo dos citrinos, sendo particularmente abundante na casca e nas membranas internas da toranja (Citrus paradisi), do pomelo e da laranja-azeda. Do ponto de vista químico, a sua molécula é composta por uma aglicona central flavanónica (a naringenina) ligada a um dissacárido (a neo-hesperidose), cuja junção molecular específica é a responsável direta por estimular os recetores do paladar amargo na boca. Produzida naturalmente pelas plantas como um mecanismo de defesa biológica contra patogénios e herbívoros, esta substância tem despertado elevado interesse na investigação médica devido às suas promissoras propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e hepatoprotetoras, além de atuar positivamente na regulação dos perfis lipídicos e da sensibilidade à insulina. Contudo, a naringina exige vigilância clínica devido ao conhecido efeito do sumo de toranja: após a sua ingestão, o composto é metabolizado e passa a inibir fortemente a isoenzima CYP3A4 do complexo do citocromo P450 no intestino humano. Esta interferência bloqueia a degradação normal de múltiplos medicamentos de uso diário — como certas estatinas para o colesterol e fármacos anti-hipertensores —, elevando a concentração destas drogas no sangue para níveis potencialmente tóxicos. Para além do panorama farmacológico, o composto detém uma relevância económica significativa na indústria alimentar, onde é aproveitado como aditivoamargante em bebidas tónicas ou transformado quimicamente em di-hidrocalcona de neo-hesperidina (NHDC), um edulcorante artificial de alta intensidade muito utilizado em produtos dietéticos.