Neoophora |
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Neoophora é uma infraclasse de vermes planos pertencente ao subfilo Rhabditophora e ao filo Platyhelminthes, definida evolutivamente pela transição da condição reprodutiva primitiva (arcófora) para a condição neoófora. A principal sinapomorfia do grupo é a presença de ovos ectolecíticos, uma inovação biológica em que os ovócitos femininos são desprovidos de reservas nutritivas internas; em vez disso, o vitelo necessário para o desenvolvimento do embrião é sintetizado externamente por glândulas acessórias especializadas, os vitelários (ou glândulas vitelinas), que partilham a mesma origem embrionária que os ovários (germários) mas formam órgãos anatomicamente separados no adulto. Esta separação funcional alterou drasticamente a embriogénese clássica destes organismos: com a introdução de células vitelinas extraembrionárias dentro da cápsula do ovo, a maioria dos Neoophora (especialmente os agrupados no clado Euneoophora) abandonou a clivagem espiral padrão observada em outros espiralados, adotando modos divergentes de desenvolvimento e gastrulação, incluindo fenómenos complexos como a «anarquia de blastómeros», onde células embrionárias temporárias formam membranas especiais para englobar e digerir o vitelo circundante. Do ponto de vista filogenético, a monofilia dos Neoophora é alvo de disputa na biologia molecular moderna; estudos genómicos sugerem que ordens basais como Lecithoepitheliata (que possuem glândulas mistas chamadas germovitelários) podem estar mais próximas de grupos não neoóforos como Polycladida, o que indicaria que a condição ectolecítica evoluiu de forma convergente mais do que uma vez na história evolutiva do filo. Ecologicamente, o grupo exibe um sucesso adaptativo massivo e divide-se entre formas de vida livre predominantemente predadoras em habitats aquáticos e terrestres — distribuídas por ordens como Tricladida (as planárias), Rhabdocoela e Proseriata — e a totalidade do clado Neodermata, um grupo estritamente parasítico que inclui os Trematoda (os dísticos) e Cestoda (as ténias), cujas adaptações reprodutivas neoóforas permitiram uma produção massiva de ovos encapsulados capaz de sustentar ciclos de vida biológicos complexos com múltiplos hospedeiros.