
A região neotropical é a região biogeográfica que compreende a América Central, incluindo a parte sul do México e da península da Baja California, o sul da Florida, todas as ilhas do Caribe e a América do Sul.
Apesar do seu nome, esta região biogeográfica inclui, não só regiões de clima tropical, mas também de climas temperado e de altitude. É uma região de grande biodiversidade, com ecossistemas tão diversos como a floresta amazónica, a floresta temperada valdiviana do Chile, a floresta subpolar de Magalhães da Patagónia, o cerrado, a mata atlântica, o pantanal, os pampas e a caatinga.
A região Neotropical é delimitada em 57 províncias biogeográficas, organizadas em três sub-regiões principais: Antilhana, Brasileira e Chaquenha, além da Zona de Transição Mexicana e da Zona de Transição Sul-Americana. Essa regionalização baseia-se em padrões de endemismo associados a fatores climáticos, geológicos e ecológicos, permitindo integrar áreas com características ambientais semelhantes e relações evolutivas compartilhadas.
A definição do que seria região Neotropical iniciou com a divisão do mundo em seis regiões a partir da taxonomia de grupos de aves. A partir desta primeira aplicação, estudiosos passaram a aderir esse termo em outros estudos com vertebrados, delimitando essa região à América do Sul, América Central, se estendendo até o Centro do México. Entretanto, cientistas que trabalhavam com invertebrados delimitaram esta região aos trópicos do Novo Mundo: América do Sul (com exceção da porção andina), América Central, Sul do México e Índias Ocidentais.
Com o conceito de Região Neotropical já estabelecido, foram propostos sub-regiões e domínios para essa região. A primeira explanou a existência de quatro sub-regiões: Mexicana (Sul do México e América Central), Antilhana (Índias Ocidentais, Brasileira (América do Sul Tropical) e Chilena (América do Sul meridional ou temperada). Posteriormente, algumas áreas da América do Sul, como Guiano-Brasileira, Andino-Patagônica e Argentina, foram reconhecidas como sub-regiões. Por algumas décadas, a regionalização dessas áreas foram baseadas exclusivamente em táxons vegetais ou animais, pesquisadores propuseram uma integralização entre plantas e animais, chegando ao reconhecimento de cinco domínios dentro da região Neotropical: Caribenho (México, América Central e Antilhas), Amazônico, Guianense, Chaquenho e Andino-Patagônico.
Mais recentemente, análises biogeográficas cladísticas passaram a revisar essa divisão tradicional. Diferentes estudos sugeriram que as sub-regiões Amazônica e Caribenha podem não representar áreas naturais únicas, indicando relações biogeográficas mais complexas entre os componentes da região Neotropical. Em uma análise posterior, baseada em cladogramas táxon-área de 36 grupos de plantas e animais, foi proposto um cladograma geral no qual as Antilhas aparecem como o primeiro grupo isolado. As áreas continentais foram então divididas em dois componentes principais: um componente noroeste, abrangendo Amazônia setentrional, Amazônia sudoeste, noroeste da América do Sul e Mesoamérica; e um componente sudeste, formado por Amazônia sudeste, Chaco e Paraná.
As Américas Central e do Sul faziam parte do supercontinente Gondwana, juntamente com as regiões que são hoje a África, a Austrália, a Índia e a Antártida. Por essa razão, a região neotropical mantém ainda marsupiais e espécies da flora antártica. Quando este “novo” continente se juntou à América do Norte, há cerca de três milhões de anos, houve alguma troca de material genético com aquele continente, incluindo os antepassados dos actuais tatus e gambás, migrando para norte, e os antepassados dos actuais camelídeos sulamericanos, como a llama e a alpaca, migrando para sul e extinguindo-se na sua pátria de origem.
Trinta e uma famílias de aves são endémicas dos neotrópicos, duas vezes mais do que em qualquer outra região biogeográfica e incluem a ema (família Rheidae), a azulona e os inhambús (família Tinamidae), os mutuns (família Cracidae) e os tucanos. As famílias de aves originárias desta região incluem os colibris (família Trochilidae) e os pássaros da subfamília Troglodytinae).
Os mamíferos originários desta região incluem:
As regiões tropicais úmidas ou áridas do mundo apresentam peculiaridades distintas das regiões temperadas no que concerne ao clima, ao solo, à vegetação e à ação antropomórfica. No que concerne ao clima deve ser dado destaque à chuva devido à grande variação de precipitação pluvial que ocorre dentro do período chuvoso bem como à existência de períodos de secas prolongadas, como aquele recentemente experimento no Nordeste brasileiro entre os anos de 1979 e 1983. Uma classificação do Nordeste baseada na quantidade e distribuição da chuva foi feita por Hargreaves (1974). As variações de solo e temperatura não são tão contrastantes quanto à precipitação pluvial, contudo a interação de tais fatores e da altitude chegam a causar mudanças de grande significação na vegetação, dando origem a formações vegetais distintas dentre as quais a mais extensa é a caatinga, com suas características próprias e com grandes implicações nas formas de utilização pelo homem.