| Águia-de-Flores | |||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Em perigo (IUCN 3.1) | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||
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A águia-de-flores (Nisaetus floris) é uma grande ave de rapina da família Accipitridae. Trata-se de uma espécie endêmica das Pequenas Ilhas da Sonda, na Indonésia. Membro do gênero Nisaetus, foi considerada uma subespécie e coespecífica do gavião variável, mas estudos genéticos demonstraram que se trata de uma espécie legítima. Predadora habitante de florestas, esta espécie é classificada como em perigo devido à perda de habitat e à perseguição.
Os adultos apresentam partes superiores de cor marrom-escura, cauda marrom com seis listras, uma mancha branca nas asas visível em voo, partes inferiores brancas e cabeça branca com finas estrias acastanhadas na coroa (muitos livros ilustram erroneamente os adultos com cabeças predominantemente marrons). Além disso, apresentam manchas claras e escuras esparsas nas coxas. As manchas brancas na face superior das primárias constituem um caráter diagnóstico da espécie. A cauda possui 6 listras, e não 4–5. Tradicionalmente foi tratada como subespécie do gavião-variável; pelo menos em parte devido à confusão sobre a verdadeira plumagem adulta da águia-de-flores, que se assemelha à do juvenil da gavião-variável. Diferentemente daquela espécie, adultos e juvenis da águia-de-flores são bastante semelhantes. Ao contrário de alguns gaviões-variáveis e de muitas outras espécies de Nisaetus, a águia-de-flores não possui crista na cabeça.
Os dados disponíveis mostram que as águias-de-flores são um pouco maiores que o gavião-variável. O comprimento total é geralmente relatado entre 75 a 79 cm, mas pode variar de 71 a 82 cm. Alegações de que possa medir apenas 60 cm provavelmente se devem a confusão com outras espécies de Nisaetus. Os comprimentos totais relatados a colocam em disputa com a águia-montês como a maior de todos as Nisaetus, mas a águia-montês parece ser significativamente maior nas asas e mais robusta do que a águia-de-flores, que apresenta uma forma esguia e cauda longa, semelhante a do gavião-variável. Contudo, não se conhecem pesos publicados para a águia-de-flores. Um artigo estimou uma massa corporal de cerca de 2 kg para a águia-de-flores. A corda máxima da águia-de-flores mede de 430 a 462 mm.
É uma espécie endêmica da Indonésia e ocorre nas florestas de Flores, Lombok e Sumbawa, nas Pequenas Ilhas de Sonda. Habita principalmente as terras baixas, mas foi registrada em altitudes de até 1.600 m. A águia-de-flores depende de florestas tropicais úmidas. Com maior frequência, é vista voando sobre o dossel em encostas suaves da floresta. Às vezes é relatada forrageando em áreas cultivadas, mas apenas em locais adjacentes a extensas áreas florestais. O uso tanto de florestas de baixas altitudes quanto de florestas um tanto montanas pode ser determinado pela extensão de florestas remanescentes.

Embora claramente sedentária e não migratória, como a maioria das aves de rapina tropicais, as águias-de-flores podem dispersar-se amplamente, principalmente após os jovens deixarem o território dos pais. Claramente, dada sua distribuição em várias ilhas, são capazes de cruzar estreitos pequenos. O chamado foi registrado como um assobio alto, estridente e prolongado. Quase nada se sabe sobre a dieta das águias-de-flores. O que se presume é em grande parte foi suposto a partir de espécies relacionadas, como sua presumida propensão à caça a partir de poleiros. A dieta presumida pode consistir em aves, lagartos, serpentes e mamíferos, mas novamente isso foi extrapolado da dieta de outras Nisaetus. Foram observados casos de predação desta espécie sobre serpentes e uma águia-de-flores foi vista carregando o que se acreditava ser um frango-d'água. Suspeita-se de predação por águias-de-flores sobre grandes morcegos da espécie Pteropus vampyrus. Foi relatada atividade de nidificação dessa espécie nos meses de março, abril, maio e agosto, tendo os moradores locais relatado que uma árvore caída em um mês de agosto continha um ninho com uma grande filhote de águia. Com base na pouca atividade registrada, parece que a estação reprodutiva da águia-de-flores ocorre durante a estação seca. Não se conhecem mais detalhes sobre seus hábitos reprodutivos, incluindo tamanho da ninhada, aparência dos ovos, incubação, comportamento parental ou emplumagem.
Devido à contínua perda de habitat em sua pequena área de distribuição, à captura para o comércio de aves em gaiolas e à perseguição por causa de seu hábito de caçar galinhas, a águia-de-flores é avaliada como em perigo na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Provavelmente é a espécie de águia mais rara do mundo. Pode estar ocorrendo a caça furtiva e capturadores podem até vir de outras ilhas para matar essas aves. Contudo, a águia-de-flores já foi considerada no oeste de Flores um “totem” ou “empo”, isto é, um ancestral humano, e não era perseguida nem morta, embora a destruição do habitat possa ter afetado negativamente a espécie por muito tempo. Foram empreendidos esforços educativos para tentar garantir a coexistência das populações locais com esta ave predadora. Estima-se que restem menos de 100 casais, com base em uma ocupação de cerca de 40 km2 por casal. Uma estimativa mais específica apontou um total de cerca de 75 casais previstos, sendo 10 casais em Lombok, 38 em Sumbawa e 27 em Flores.