
O Oriente (1814) é um poema épico, em doze cantos, de José Agostinho de Macedo.
A chegada dos Lusíadas ao Oriente — leia-se, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, o tema desta epopeia — tinha já sido cantada em Os Lusíadas (1572) por Luís de Camões, autor que José Agostinho critica duramente no Discurso Preliminar do seu poema.
Enquanto que o Herói cantado por Camões é coletivo — "o peito ilustre lusitano", ou seja, o povo português –, já n'O Oriente o Herói é um apenas: Vasco da Gama.
Algumas partes do poema narrativo anterior de José Agostinho, o Gama (1811) — também escrito em oitava rima — foram adaptadas e incluídas no novo poema.
O Oriente é publicado pela primeira vez em Lisboa, em 1814.
Começa o poema (Canto I. 1.) —
Podem ser citados também, para exemplo, os seguintes versos:
As primeiras críticas ao poema O Oriente surgiram sobretudo como resposta ao seu Discurso Preliminar, em que José Agostinho de Macedo põe em causa o estatuto "divino" de Luís de Camões. O autor foi acusado de tentar "emendar Camões", e de querer suplantar as Lusíadas. José Agostinho, assumidamente, considerava que a sua própria Epopeia era "a menos defeituosa possível."
António Maria do Couto publica, em 1815, um folheto intitulado "Manifesto critico, analytico, e apologetico", "em que se defende o insigne vate Luiz de Camõs, da mordacidade do discurso preliminar, que precede ao poema Oriente; e se demonstrão os infinitos erros do mesmo poema." Nuno Álvares Pereira Pato Moniz, por seu turno, publica também em 1815 o seu "Exame analytico e parallelo do poema Oriente do R. do José Agostinho de Macedo com a Lusiada de Camões." José Agostinho, em resposta, funda O Espectador Portuguez, jornal de crítica em que várias vezes defende o seu Oriente, "depenando" a análise do "senhor Pato".
Já a obra de Raymundo Manoel da Silva Estrada, "Confrontação minuciosa dos dois poemas Lusiadas, e Oriente", ou "Defensa imparcial do grande Luiz de Camões contra as invectivas, e embustes do discurso preliminar do Oriente composto pelo padre José Agostinho de Macedo, em que se prova as suas falsas originalidades", só foi impressa em 1834, apesar de ter sido escrita durante a vida do autor.
Juízo sobre O Oriente por José Maria da Costa e Silva:
Segundo António Pedro Lopes de Mendonça, O Oriente "é o poema mais abstruso e incongruente que tem produzido a inteligência humana. José Agostinho de Macedo resolveu um difícil problema, o de escrever milhares de versos, sem um único raio de poesia."