| Inglês antigo Englisċ | ||
|---|---|---|
| Falado(a) em: | Inglaterra (exceto o extremo sudoeste e extremo noroeste), partes sul e orientais da Escócia, e partes orientais do País de Gales moderno. | |
| Total de falantes: | Extinta, evoluiu ao inglês médio. | |
| Família: | Indo-europeia Germânico Germânico ocidental Ingveônico Anglo-frísio Inglês antigo | |
| Escrita: | Rúnico, posteriormente latino (Alfabeto inglês antigo). | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | ang | |
| ISO 639-3: | ang
| |
| Glottolog: | olde1238
| |
O inglês antigo, ou arcaico, também denominado de anglo-saxão ou inglês saxônico (conhecido como Englisċ (pronunciado: [ˈeŋɡliʃ]), por seus falantes e Old English ou Anglo-Saxon em inglês moderno) é a forma mais antiga da língua inglesa, falado onde hoje é a Inglaterra e o sul da Escócia, entre meados do século V e meados do século XII.
Trata-se de uma língua germânica ocidental, do grupo anglo-frísio e é, portanto, próximo ao frísio antigo e ao saxão antigo. No entanto, alguns linguistas, como o professor de linguística da Universidade de Oslo Jan Terje Faarlund, consideram o inglês uma língua nórdica. Outros autores, como Richard W. Bailey e Karl Maroldt, classificam o inglês médio (descendente imediato do inglês antigo a partir do qual se desenvolveu o inglês moderno) como uma língua crioula que teria sido resultado da mistura do inglês antigo e o francês normando. O inglês antigo se desenvolveu a partir de um conjunto de dialetos anglo-frísios ou ingvaeônicos falados originalmente por tribos germânicas tradicionalmente conhecidas como anglos, saxões e jutos.
O inglês antigo não foi um idioma estático. Seu uso cobre um período de aproximadamente 600 anos, das migrações anglo-saxãs no século V até a invasão normanda de 1066, quando a língua sofreu uma mudança radical por causa da invasão normanda de Guilherme, o Conquistador, que trouxe muitas palavras e influências normandas para o inglês. Deste ponto em diante, a língua é conhecida como inglês médio.
O inglês antigo se dividia em quatro dialetos: o saxão ocidental, no qual foram escritos os primeiros documentos em inglês antigo, incluindo o Beowulf; o kentiano, mércio, dialeto no qual o inglês tem importantes raízes; e o nortúmbrio.
Englisċ, do qual a palavra English é derivada, significa 'pertencente aos anglos'. No inglês antigo, essa palavra foi derivada de Angles (uma das tribos germânicas que conquistou partes da Grã-Bretanha no século V). Durante o século IX, todas as tribos germânicas invasoras eram chamadas de Englisċ. Foi levantada a hipótese de que os anglos adquiriram seu nome porque as terras onde eles viviam na costa da Jutlândia (hoje Dinamarca continental) se assemelhavam a um anzol. *Anguz, do protogermânico, também significava "estreito", referindo-se às águas rasas perto da costa. Essa palavra no final das contas remonta à palavra *h₂enǵʰ, do protoindo-europeu, também significando 'estreito'.
Outra teoria é que a derivação de 'narrow' (estreito, em português) é a mais provavelmente conectada com angling (pesca com anzol, em português), que se originou de uma raiz protoindo-europeia que significa dobra, ângulo. O elo semântico seria fishing hook (anzol de pesca, em português), que é curvo ou dobrado em um ângulo. Em qualquer caso, os anglos podem ter sido chamados assim porque eram pescadores ou descendiam originalmente deles e, portanto, a Inglaterra significaria 'terra dos pescadores' e o inglês seria 'a língua dos pescadores'.
A fonologia do inglês antigo é similar à do inglês moderno, a maior diferença está na existência de vogais longas que mudavam o significado de palavras e algumas consoantes. Haviam também variedade fonológica entre os dialetos, como por exemplo, no saxão ocidental, [æ] e [io] se convertiam em [ie].
O sistema de consoantes do inglês é essencialmente idêntico ao do inglês moderno. No entanto, existem diferenças ortográficas, como o uso de ð e þ para, respectivamente, os sons [ð] e [θ]; o uso de ƿ para a aproximante labiovelar; o cg para [dʒ]; c para representar tanto [k] quanto [tʃ]; o f usado para simbolizar tanto o [f] (surdo) quanto o [v] (sonoro); o g usado para demonstrar [ɡ], bem como [j] e também [ɣ]; e, por fim, o uso de h para representar [x] assim como [h]. Abaixo há uma tabela das consoantes do inglês antigo.
| Labial | Dental | Alveolar | Pós-alveolar | Palatal | Velar | Glotal | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Nasal | m | n | ŋ | ||||
| Oclusiva | p b | t d | k ɡ | ||||
| Africada | tʃ dʒ | ||||||
| Fricativa | f v | θ ð | s z | ʃ | x ɣ | h | |
| Aproximante | l | j | |||||
| Vibrante | r |
No inglês antigo, a quantidade das vogais importava no significado das palavras, algo que não existe mais no inglês moderno. Portanto, existiam palavras como āc ("carvalho", em português) e ac ("mas, e", em português). Abaixo há uma tabela de vogais e ditongos do inglês antigo.
| Anterior | Posterior | |||
|---|---|---|---|---|
| não arredondada | arredondada | não arredondada | arredondada | |
| Fechado | i iː | y yː | u uː | |
| Média | e eː | o oː | ||
| Aberta | æ æː | ɑ ɑː | ||
| Monomoraico | Bimoraico | |
|---|---|---|
| Fechado e semiaberto | iɛ | iːɛ |
| Médio e semiaberto | eːɔ | |
| Semiaberto | ɛɔ | |
| Aberto | æa | æːa |