| Oljaitu | |||||
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Representação de Oljaitu recebendo embaixadores da dinastia Iuã, segundo o Majma' al-Tavarikh de 1438 | |||||
| 8.º ilcã do Ilcanato | |||||
| Reinado | 19 de julho de 1304 – dezembro de 1316 | ||||
| Antecessor(a) | Gazã | ||||
| Sucessor(a) | Abuçaíde Baadur Cã | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 24 de março de 1282 | ||||
| Morte | dezembro de 1316 Soltania, Ilcanato | ||||
| Sepultamento | Mausoléu de Oljaitu, Soltania | ||||
| Cônjuge | Tesbina Catum | ||||
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| Dinastia | Borjiguim | ||||
| Pai | Argum Cã | ||||
| Mãe | Uruque Catum | ||||
| Religião |
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Oljaitu ou Oljeitu (em mongol: ᠥᠯᠵᠡᠢᠲᠦ; romaniz.: Öljeitü; 24 de março de 1282 (744 anos) – dezembro de 1316), conhecido igualmente como Maomé Codabanda (em persa: محمد خدابنده; romaniz.: Moḥammad Khodābande, «servo de Deus»), Oljaitu Codabanda e Oljaitu Cã, foi o oitavo governante do Ilcanato, estado mongol estabelecido no Irã e em regiões vizinhas do Oriente Médio, entre 19 de julho de 1304 e sua morte. Filho de Argum Cã e irmão e sucessor de Gazã, pertencia à linhagem de Hulagu Cã, neto de Gêngis Cã, e governou numa época de progressiva integração da dinastia mongol às tradições políticas, religiosas e culturais do mundo islâmico. Recebeu na infância os nomes Oljai Buca, Matemudar e Carbanda (Kharbanda), este último interpretado como «condutor de burros» e posteriormente substituído pela forma honorífica Codabanda. Criado num ambiente de diversidade religiosa, foi batizado com o nome de Nicolau, aproximou-se do budismo e converteu-se ao islamismo durante o reinado de Gazã. Antes de assumir o trono, exerceu o governo do Coração, onde enfrentou incursões chagataídas e disputas com governantes locais. Sua ascensão ocorreu após a morte do irmão e a eliminação de seu primo Alafrangue, concorrente ao poder, sendo ratificada pelos principais emires mongóis reunidos em curiltai.
Durante seu reinado, Oljaitu procurou consolidar a autoridade ilcânida e preservar a posição de seu Estado entre os diferentes ramos do Império Mongol. Participou da reconciliação dinástica anunciada em 1304, que envolveu o grande cã Temur Oljaitu, os governantes do Canato de Chagatai e a Horda Dourada, embora o entendimento não tenha impedido o ressurgimento de conflitos. Nas fronteiras orientais, combateu incursões chagataídas, interveio em Herate e procurou assegurar a influência mongol sobre regiões próximas à Ásia Central e ao subcontinente indiano. Em 1307, submeteu Guilão, ao sul do mar Cáspio, numa campanha custosa que resultou na morte de Cutlugue Xá Noiane. No Ocidente, manteve a rivalidade com o Sultanato Mameluco do Cairo, culminando na expedição de 1312–1313 contra a fortaleza de Arraba, cujo resultado é apresentado de maneira divergente pelas fontes. Paralelamente, desenvolveu relações diplomáticas com Filipe IV de França, Eduardo II de Inglaterra e o papa Clemente V, propondo formas de cooperação militar contra os mamelucos. Essas negociações não produziram uma aliança efetiva, enquanto as relações com o Reino Armênio da Cilícia, tradicional parceiro dos ilcãs, se deterioraram.
Internamente, Oljaitu preservou parte das reformas administrativas de Gazã, mas seu governo caracterizou-se pelo fortalecimento dos comandantes militares e pelas rivalidades entre os altos funcionários civis. O vizir Raxidadim de Hamadã permaneceu como uma das figuras centrais da administração, inicialmente ao lado de Sadadim Assauaji e, posteriormente, de Tajadim Ali Xá. Entre os emires, destacou-se Chupane, cuja influência aumentou após a campanha de Guilão. A autonomia crescente da aristocracia mongol, especialmente na administração das províncias e na arrecadação de tributos, limitou a capacidade de intervenção direta do soberano. Sua política religiosa também distinguiu o reinado: depois de aderir ao islamismo sunita e aproximar-se sucessivamente das escolas hanafita e xafeíta, converteu-se ao xiismo duodecimano em 1309–1310. A mudança manifestou-se nas inscrições monetárias e nos sermões públicos, que passaram a destacar Ali e os doze imames. Sua aproximação com o teólogo Alhili e outros estudiosos xiitas integrou um esforço de legitimação religiosa da monarquia, mas encontrou resistência entre setores sunitas e comandantes ligados às tradições mongóis.
Oljaitu destacou-se ainda pelo patrocínio da arquitetura, da historiografia e das artes do livro. Desenvolveu Soltania como importante centro político e cerimonial do Ilcanato e mandou construir ali seu monumental mausoléu, conhecido pela grande cúpula e pela elaborada decoração arquitetônica. Também promoveu obras em outras localidades, entre elas a Mesquita de Sexta-Feira de Ispaã, e teve seu nome associado à Madraça Iacutia, em Erzurum. Seu reinado coincidiu com a ampliação do Jami' al-Tawarikh, história universal elaborada por Raxidadim, e com a produção de manuscritos históricos e religiosos ricamente ilustrados, incluindo um Alcorão em trinta volumes encomendado em seu nome. O soberano também acolheu cronistas como Vassafe e estimulou atividades intelectuais relacionadas à religião, à geografia e à administração. Morreu em Soltania, em dezembro de 1316, após uma enfermidade cuja natureza exata permanece incerta, e foi sepultado no mausoléu que mandara erguer. Sucedeu-lhe seu filho Abuçaíde, ainda menor de idade, circunstância que favoreceu a consolidação do poder dos emires, sobretudo de Chupane, e marcou uma nova etapa na transformação da autoridade política ilcânida.
Oljaitu nasceu em 12 de Dulrija de 680 A.H. (24 de março de 1282), filho de Argum Cã, governante do Ilcanato, e de Uruque Catum, sua terceira esposa, que professava o cristianismo nestoriano. Seu pai professava o budismo, e o príncipe recebeu na infância diferentes nomes, entre eles Oljai Buca, Matemudar e Carbanda, este último interpretado como «condutor de burros». Segundo J. A. Boyle, as tradições explicavam a atribuição desse nome tanto pelo costume mongol de nomear uma criança a partir da primeira pessoa ou objeto visto pela mãe após o parto quanto pela prática de modificar nomes infantis para protegê-las do mau-olhado. O historiador também registra que a forma Codabanda, interpretada como «servo de Deus», substituiu Carbanda por razões ao menos parcialmente eufemísticas. Em 694 A.H. (1295), converteu-se ao islamismo juntamente com seu irmão mais velho Gazã e adotou o nome de Maomé Codabanda, passando a ser conhecido também como Oljaitu Codabanda ou Oljaitu Cã. A crônica Ulus-i arba-yi Chingizi, escrita por Ulugue Begue em 1425, também associa sua conversão ao reinado de Gazã e registra a adoção do nome Maomé Codabanda. O testemunho, preservado numa tradição historiográfica timúrida posterior aos acontecimentos, apresenta a islamização do príncipe como um elemento fundamental de sua legitimidade dinástica.
Após a morte de Argum, em 1291, e o assassinato de Gaicatu, o poder ilcânida passou por um período de instabilidade, encerrado com a ascensão de Gazã em 1295. Oljaitu recebeu a administração e a defesa do Coração, província oriental de importância estratégica para a dinastia. Enquanto Gazã combatia os mamelucos na Síria, seu irmão enfrentou as incursões dos chagataídas. Entre os adversários encontrava-se Cutlugue Coja, que atravessou o Amu Dária à frente de forças chagataídas e realizou ataques e pilhagens no Coração. Segundo o relato apresentado por Yuvalı, Oljaitu conseguiu obrigar os invasores a retirar-se, assegurando a defesa da província. A atuação de Oljaitu no Coração, entretanto, também foi marcada por dificuldades. Segundo Michael Hope, o príncipe havia sido enviado ao Oriente em 1298 para combater grupos negudéridas que desafiavam a autoridade ilcânida e permaneceu na região como representante de Gazã. Sua nomeação possuía considerável significado político, pois vários governantes anteriores, entre eles Abaca, Argum e o próprio Gazã, haviam exercido o governo do Coração antes de ascender ao trono. Oljaitu posteriormente apresentou essa tradição como um indício de que seu irmão o considerava sucessor legítimo. Apesar disso, não conseguiu submeter completamente os negudéridas e sofreu uma derrota diante do governante cártida de Herate, Facradim Carte, pouco depois de chegar à província. O episódio prejudicou sua reputação militar, e o cronista Ibne Adaudari retratou-o como um príncipe mais inclinado aos prazeres da corte do que à guerra.
As dificuldades administrativas também comprometeram sua autoridade. Em 1303, diante das reclamações contra os funcionários provinciais, Gazã transferiu a administração financeira do Coração para seu tio, Mulei Noiane, que já exercia considerável influência militar na região. A partir de então, o poder efetivo na província passou a depender sobretudo dos emires mongóis, circunstância que teria consequências importantes para a sucessão ilcânida. O debate sobre a designação de Oljaitu também envolve um testamento político atribuído a Gazã, preservado por Abedalá Alcaxani e pelo cronista Vassafe. Charles Melville observa que as duas versões, aparentemente derivadas de um documento ditado quando a morte do ilcã se aproximava, confirmam Oljaitu como sucessor e recomendam que ele e a elite governante preservem os princípios administrativos do reinado anterior. O texto dirige-se não apenas aos membros da família imperial e aos principais emires, mas também a comandantes militares, funcionários civis, autoridades religiosas e diferentes grupos da população. Melville ressalta que Raxidadim faz referência ao testamento, mas não reproduz seu conteúdo. Sua preservação por outros cronistas acrescenta um testemunho à tradição sucessória, sem resolver por si só a controvérsia sobre a data e as circunstâncias de uma eventual designação anterior à morte de Gazã. A utilização da narrativa de Alcaxani também exige considerar sua posição no ambiente político ilcânida. Segundo Priscilla P. Soucek, o historiador esteve associado aos círculos de dois vizires rivais, Raxidadim e Tajadim Alixá, aos quais dedicou diferentes versões do prefácio de uma de suas obras. Essa proximidade com facções concorrentes da administração constitui um elemento relevante para a avaliação de seu testemunho, embora não determine, por si só, a confiabilidade de cada informação transmitida. A formação de Alcaxani também ultrapassava a atividade cronística: no prefácio de sua obra mais antiga, identificava-se como historiador e especialista em cálculo, qualificações que Soucek relaciona a uma possível atuação na administração mongol. Sua produção compreendia ainda um tratado sobre minerais, pedras preciosas e perfumes, no qual registrou preços e informações econômicas do período. Soucek identifica Alcaxani como integrante de uma família de ceramistas e assinala que sua crônica sobre Oljaitu se estendia até a morte do soberano, em 716 A.H. (1316). O autor afirmou ter participado da redação de material histórico apresentado a Oljaitu por Raxidadim e ressentiu-se de não ter recebido recompensas comparáveis às concedidas ao vizir. Seu relato das rivalidades administrativas é abertamente favorável a Tajadim, a quem provavelmente se aproximou depois da nomeação deste para o vizirato em 711 A.H. (1312); o manuscrito preservado mais antigo da crônica data de 725 A.H. (1325).
A questão sucessória ganhou importância durante uma enfermidade de Gazã em 1303. Entre os principais candidatos ao trono encontravam-se Oljaitu e seu primo Alafrangue, filho de Gaicatu. Ambos contavam com partidários entre os comandantes do Coração. Segundo Raxidadim, os apoiadores de Alafrangue pretendiam impor sua candidatura pela força, razão pela qual Gazã teria ordenado a repressão do grupo e o afastamento do príncipe. Hope ressalta, contudo, que essa descrição foi produzida por um historiador posteriormente associado ao governo de Oljaitu e deve ser considerada à luz de suas possíveis preferências políticas. A tradição historiográfica favorável a Oljaitu sustenta que Gazã, sem um filho apto a sucedê-lo, havia formalizado a escolha do irmão como herdeiro. O próprio Oljaitu afirmou posteriormente que sua designação ocorrera em 1301. Entretanto, Hope observa que os testemunhos conhecidos dessa nomeação foram redigidos depois de sua ascensão ao trono, incluindo o relato de Raxidadim, concluído em 1307. Por esse motivo, a existência de uma designação formal anterior à morte de Gazã permanece discutível, e alguns estudiosos consideram possível que a narrativa tenha sido elaborada posteriormente para legitimar o novo soberano.
Quando Gazã morreu, em 1304, a disputa entre os dois candidatos ainda não estava resolvida. Alafrangue contava com o apoio do emir Harcudaque, antigo servidor de Argum e participante da ascensão de Gazã. Oljaitu, por sua vez, havia conquistado o apoio de Mulai Noiane e de Sevinche Aca, filho de Xixi Baquexi, antigo preceptor quitai de Gazã. Após receber a notícia da morte do ilcã, Sevinche enviou mensageiros ao Coração para informar Oljaitu, que ordenou a seus aliados que eliminassem Alafrangue e Harcudaque antes que a notícia se difundisse amplamente. Segundo o cronista Hafize Abru, Alafrangue foi atraído para uma emboscada e morto a golpes de arma branca. Boyle situa seu assassinato em 30 de maio de 1304 e acrescenta que o emissário encarregado de executá-lo também morreu pouco depois, num confronto com as forças de Harcudaque; este, por sua vez, foi capturado e executado sumariamente. A eliminação dos rivais permitiu a Oljaitu dirigir-se ao Azerbaijão e reivindicar o trono. A ausência de outros concorrentes capazes de disputar efetivamente o poder também favoreceu a ascensão de Oljaitu. Peter Jackson observa que, antes de 1304, as sucessões ilcânidas frequentemente haviam sido resolvidas pela força e pela execução dos pretendentes derrotados, mesmo quando posteriormente ratificadas por assembleias dinásticas. Segundo o historiador, a relativa facilidade com que Oljaitu assumiu o trono pode ter resultado não apenas da morte prematura do único filho de Gazã, mas também da eliminação de numerosos membros da dinastia com pretensões sucessórias durante os reinados de Argum e Gazã. Dessa perspectiva, a transição de 1304 representou uma exceção à instabilidade que caracterizara a transmissão do poder entre os ilcãs desde a morte de Abaca, em 1282.
Segundo a narrativa de Ulugue Begue, Oljaitu deixou o Coração ao receber a notícia da morte do irmão e chegou à região de Ujã em 5 de Dulrija de 703 A.H. (9 de julho de 1304). Ali iniciou as cerimônias de luto prescritas pelas tradições dos soberanos mongóis, concluindo-as posteriormente em Tabriz. A descrição ressalta a observância dos costumes dinásticos antes da investidura, embora não mencione a eliminação dos candidatos rivais relatada por outras fontes. Oljaitu assumiu o trono em 15 de Dulrija de 703 A.H. (19 de julho de 1304), aos 22 anos, segundo a cronologia de seu nascimento, embora Ulugue Begue lhe atribua 23 anos na ocasião. A sucessão dependera do apoio dos principais comandantes militares, que se reuniram num curiltai para reconhecer o novo soberano e realizar as cerimônias tradicionais de investidura. A participação dos emires foi decisiva para conferir legitimidade à sua ascensão, evidenciando a importância das instituições políticas mongóis na escolha do governante. Boyle observa que a cerimônia ainda seguia, aparentemente, os ritos tradicionais descritos por João de Plano Carpini cerca de sessenta anos antes. À investidura seguiram-se três dias de festejos, após os quais Oljaitu passou a tratar dos assuntos de Estado.
A crônica de Ulugue Begue registra que uma das primeiras decisões de Oljaitu foi confiar a Cutlugue Xá Noiane o cargo de amir alumara, comandante supremo das forças militares. O novo ilcã também confirmou Raxidadim de Hamadã e Sadadim Assauaji como vizires, preservando inicialmente a estrutura administrativa herdada de Gazã. Essas nomeações ilustram a continuidade institucional entre os dois governos e a importância de assegurar a colaboração tanto dos comandantes mongóis quanto dos funcionários civis persas. Em 6 de agosto de 1304, Oljaitu partiu de Ujã para Tabriz, onde visitou o túmulo de Gazã no dia seguinte. Mais tarde, após passar por Maraga, voltou a prestar homenagem ao irmão no monumento funerário conhecido como Gunbad-i Ali. A continuidade da organização doméstica e militar mongol também se manifestou na composição da corte. Melville identifica entre os servidores de sucessivos ilcãs o emir Ramadã Baiuta, que já desempenhara funções sob Argum e Gaicatu, levara a Gazã a notícia da morte deste último e permaneceu em atividade sob Oljaitu. O historiador destaca ainda que, pouco depois de sua ascensão, o novo soberano incorporou Ali Cuxechi e outros dignitários ao seu círculo pessoal. Esses exemplos demonstram a persistência do quexigue, a casa militar e doméstica do soberano, como instituição central da autoridade ilcânida, apesar das mudanças religiosas e administrativas ocorridas sob Gazã.
Logo no início do reinado, Oljaitu recebeu uma embaixada conjunta enviada pelo grande cã Temur Oljaitu e pelos governantes mongóis da Ásia Central, comunicando-lhe o estabelecimento da paz entre os diferentes ramos da dinastia. Pouco depois, o cã Tocta Cã, da Horda Dourada, enviou representantes para anunciar sua adesão ao acordo. A reconciliação representou uma tentativa de superar os conflitos que haviam dividido o Império Mongol desde a morte de Mangu Cã, em 1259, e de restabelecer uma ordem política comum sob a autoridade nominal do grande cã. Oljaitu procurou aproveitar essa aproximação para fortalecer sua posição internacional e comunicou os acontecimentos aos governantes cristãos da Europa. A iniciativa diplomática de 1304 teve origem nas negociações entre os governantes mongóis da Ásia Central. Segundo Jackson, Duá Cã persuadiu Chapar Cã a propor uma reconciliação geral entre os ramos da dinastia e a reconhecer a autoridade de Temur. A proposta foi acolhida favoravelmente, e Oljaitu recebeu uma embaixada do grande cã acompanhada de representantes de Chapar, Duá, Tocta, dos domínios de Orda e de outros príncipes mongóis. A amplitude da missão demonstrava a tentativa de reconstruir uma comunidade política dinástica que ultrapassasse as fronteiras dos canatos, embora a paz alcançada tenha se revelado passageira. Segundo Boyle, Oljaitu encontrou os enviados de Temur, Chapar e Duá nas proximidades de Maraga, possivelmente no vale do Jagatu. O historiador distingue essa missão da embaixada de Tocta, recebida posteriormente, em 9 de dezembro de 1304, nos acampamentos de inverno de Mugã.
Oljaitu procurou conferir significado diplomático mais amplo à reconciliação. Numa carta enviada em 1305 ao rei Filipe IV de França, apresentou o acordo como o encerramento de quarenta e cinco anos de disputas entre os mongóis e insinuou consequências para aqueles que persistissem em hostilizar tanto os mongóis quanto os francos. Jackson observa que a correspondência retomava a linguagem tradicional da diplomacia imperial mongol, embora a reivindicação explícita de domínio universal aparecesse de forma atenuada. Amitai observa que essa aproximação inicial coexistia com a continuidade da rivalidade ilcânida com os mamelucos, revelando os limites da reconciliação entre os ramos mongóis como fundamento de uma política externa comum. O acordo de 1304, entretanto, não inaugurou uma paz duradoura: as rivalidades entre os diferentes ramos da dinastia ressurgiram, e a unidade política do antigo império não foi restabelecida.
Ao assumir o governo, Oljaitu procurou melhorar as relações com os mamelucos. Seu irmão havia sofrido uma importante derrota diante dos mamelucos em 1303, mas ainda pretendia retomar a guerra. O novo ilcã preferiu uma política de conciliação e libertou os emissários mamelucos que Gazã mantinha presos em Tabriz, permitindo que regressassem ao Egito. Posteriormente, porém, a necessidade de consolidar a autoridade interna e a chegada de refugiados provenientes dos territórios mamelucos contribuíram para a retomada das hostilidades. Boyle observa que a libertação dos emissários egípcios ocorreu em dezembro de 1305 e que eles regressaram acompanhados por representantes do próprio Oljaitu. Segundo a interpretação do historiador, a mensagem transmitida ao sultão, tal como preservada por Uassafe, não exprimia uma renúncia à guerra: o ilcã procurava ganhar tempo para preparar suas forças e avaliar a possibilidade de auxílio dos governantes cristãos. A aparente conciliação diplomática, portanto, coexistia com a manutenção dos objetivos militares de seus predecessores. Reuven Amitai observa que as propostas de paz enviadas aos mamelucos podiam encobrir tanto uma exigência de submissão quanto uma tentativa de ganhar tempo enquanto o ilcã aguardava uma resposta dos governantes francos ao projeto de ofensiva conjunta. Sem obter essa colaboração, Oljaitu decidiu empreender a campanha com suas próprias forças.
Donald P. Little examina o episódio a partir das narrativas mamelucas e chama a atenção para as diferenças entre os testemunhos. Segundo a versão atribuída por Ibne Adaudari ao emissário Huçamadim Ozdemir Almujiri, este fora detido durante o governo de Gazã, depois de um confronto verbal com o ilcã, e recuperou a liberdade sob Oljaitu. O enviado teria sido recebido pessoalmente pelo novo soberano, que lhe concedeu cavalos, vestes honoríficas, presentes e uma carta de recomendação para as autoridades de seus domínios. Little adverte, porém, que a atribuição de algumas dessas conversas a testemunhas presenciais é problemática. A tradição preservada por Alaini apresenta a mensagem enviada por Oljaitu ao Egito em 704 A.H. (1304–1305) como uma proposta de fraternidade e paz entre muçulmanos, interpretação distinta da leitura de Uassafe adotada por Boyle. A divergência mostra que a orientação da embaixada não pode ser determinada apenas por uma das versões transmitidas. A crônica Ulus-i arba-yi Chingizi, de Ulugue Begue, apresenta a chegada de emires dissidentes do Egito e da Síria como um dos motivos imediatos para a retomada da guerra. Entre os refugiados, menciona Jamaladim Urum e Carassum Cur, que teriam abandonado o serviço do sultão mameluco Anácer Maomé e buscado proteção junto a Oljaitu. Segundo a narrativa, os recém-chegados denunciaram os abusos do governante egípcio e estimularam o ilcã a organizar uma expedição contra seus territórios. O testemunho, redigido mais de um século depois dos acontecimentos, oferece uma explicação para a mudança de orientação diplomática, embora não permita estabelecer que as denúncias dos refugiados tenham sido sua única causa.
A retomada da ofensiva ocorreu depois de vários anos durante os quais Oljaitu concentrou sua atenção nos problemas militares e políticos das regiões setentrionais e orientais de seus domínios. Em 712–713 A.H. (1312–1313), empreendeu uma campanha contra o território mameluco e sitiou a fortaleza fronteiriça de Arraba, às margens do Eufrates. Segundo a cronologia transmitida por Ulugue Begue, o exército ilcânida atravessou o Eufrates no início de Ramadã de 712 A.H. (31 de dezembro de 1312) e chegou às proximidades da fortaleza em 6 de Xaual (3 de fevereiro de 1313). Seguiram-se combates entre os sitiantes e os defensores, até que, conforme a mesma crônica, uma decisão de paz foi alcançada mediante os esforços do vizir Raxidadim de Hamadã. Oljaitu iniciou a retirada em 24 de Xaual (21 de fevereiro de 1313). A cronologia apresentada por Boyle difere daquela atribuída a Ulugue Begue. Segundo o historiador, Oljaitu partiu de Soltania no início de outubro de 1312, atravessou o Eufrates em Circésio e iniciou o cerco de Arraba em 23 de dezembro. Os refugiados mamelucos Cara Soncur e Aquecuxe Alaframe, anteriormente governadores de Damasco e Trípoli, respectivamente, haviam incentivado a expedição, sugerindo que o comandante da fortaleza poderia entregá-la. Oljaitu concedera-lhes os governos de Maraga e Hamadã, mas a expectativa de rendição não se confirmou. Diante da resistência dos habitantes, das baixas e da escassez de provisões, os sitiantes levantaram o cerco em 26 de janeiro de 1313. Essas datas não coincidem com as transmitidas pela crônica timúrida, devendo ambas as cronologias ser mantidas como testemunhos divergentes.
O resultado da operação é apresentado de maneira diferente pelas fontes modernas: Özgüdenli registra a tomada da fortaleza, mas considera que a expedição não alcançou outros resultados importantes, enquanto Morgan e Jackson descrevem o cerco como malsucedido. O relato de Ulugue Begue, ao atribuir a retirada a uma decisão de paz, acrescenta outra perspectiva sobre o encerramento da operação, sem esclarecer definitivamente se a fortificação chegou a ser ocupada. Em qualquer caso, a campanha não produziu uma alteração duradoura do equilíbrio militar entre o Ilcanato e o Sultanato Mameluco. Amitai acrescenta que os sitiantes sofreram com doenças e outras dificuldades e identifica a operação como a última tentativa ilcânida de invadir a Síria com um grande exército, embora os combates fronteiriços não tenham cessado imediatamente. No Oriente, Oljaitu enfrentou as investidas do cã chagataída Quebeque Cã, que procurava ampliar sua influência sobre o Coração. Em 713 A.H. (1313–1314), o ilcã conduziu uma campanha contra os invasores e os perseguiu até Bucara. A crônica de Ulugue Begue identifica também o príncipe Iassavur Oglã entre os comandantes chagataídas que atravessaram o Amu Dária à frente de um numeroso exército. As forças invasoras enfrentaram os emires ilcânidas estacionados no Coração, entre eles Iassavul, Ali Cuxechi, Bujai, filho de Danismende Baadur, e Maomé Doldai. Segundo essa narrativa, os comandantes ilcânidas foram derrotados, levando Oljaitu a preparar uma intervenção pessoal. Ao saberem da aproximação do soberano, os invasores retiraram-se para seus territórios.
A atuação ilcânida no Oriente não se limitou à contenção das incursões chagataídas. Em 706 A.H. (1306–1307), as forças de Oljaitu restabeleceram o controle sobre Cuistão, enquanto outra expedição impôs novamente a suserania ilcânida sobre Herate e substituiu o governante cártida Facradim Carte por seu irmão Guiatadim Carte. Jackson observa que, embora Cuistão tenha sido incorporado à administração direta do ilcã, em outras regiões a autoridade mongol continuou a ser exercida por intermédio de dinastias e governantes locais. O historiador interpreta essas iniciativas como parte de uma política oriental mais ativa do que sugerem as avaliações centradas apenas na ausência de grandes conquistas contra os mamelucos. Em 712 A.H. (1312), as forças ilcânidas também expulsaram da região de Gásni o príncipe chagataída Daúde Coja, filho de Cutlugue Coja, após receberem o apoio de chefes negudéridas contrários a seu governo. A região permanecia sujeita a sucessivas disputas entre os chagataídas e os ilcãs, e Jackson assinala que não é possível determinar se uma expedição de represália enviada por Essene Buca conseguiu restabelecer o príncipe expulso.
A política oriental de Oljaitu alcançou igualmente o subcontinente indiano. Em 710 A.H. (1311), enviou uma embaixada ao sultão de Déli, Alaudim Calji, exigindo sua submissão. Jackson considera possível que a pressão exercida sobre Cuistão, Herate e Gázni, bem como a campanha de Guilão, estivesse relacionada a uma intenção mais ampla de reabrir a frente de expansão ilcânida em direção ao norte da Índia. Trata-se, contudo, de uma hipótese interpretativa, e não de um plano de conquista comprovado pelas fontes. As rivalidades entre os próprios príncipes chagataídas agravaram a situação das populações da Ásia Central. Segundo Jackson, durante os conflitos de 713–714 A.H. (1313–1314), antes de se submeter a Oljaitu, Iassavur saqueou Samarcanda, Sagraje, Quexe, Naquexabe e Cufim. Bucara e Cujande teriam escapado de destruição semelhante graças à intervenção do xeique Badradim Mandani. Numerosos habitantes foram deslocados à força para além do Amu Dária e, em consequência da continuação das hostilidades, conduzidos da região de Murgabe para os arredores de Herate. Uma tradição citada pelo historiador calcula em até cem mil as mortes provocadas pelo frio e pela fome, número que deve ser entendido como uma estimativa transmitida pelas fontes, e não como uma contagem comprovada.
Boyle oferece uma cronologia mais precisa para a ofensiva chagataída de 1314. Segundo ele, Quebeque, Daúde Coja e Iassavur atravessaram o Amu Dária em meados de janeiro, derrotaram o exército do Coração nas proximidades do rio Murgabe e perseguiram os sobreviventes até Herate. Oljaitu deixou Soltania em 18 de fevereiro para enfrentar os invasores, que se retiraram à medida que se aproximava, possivelmente por ordem de Essene Buca, então pressionado pelas forças do grande cã. O historiador acrescenta que, depois de ser acusado por Quebeque de colaborar com os ilcãs, Iassavur recebeu apoio militar de Oljaitu contra seus antigos aliados e obteve autorização para ocupar as pastagens de Badeguis, no Coração. Após a retirada chagataída, Oljaitu confiou o governo do Coração a seu filho Abuçaíde e designou o emir Sevinche como seu atabegue e comandante militar superior. Segundo Ulugue Begue, os principais emires e dignitários da corte enviaram filhos ou irmãos mais novos para integrar o séquito do príncipe, que partiu para a província em 713 A.H. (1313–1314). A crônica apresenta sua chegada como o início de um período de pacificação e afirma que, posteriormente, surgiram desavenças entre Quebeque e Iassavur, levando este último a procurar uma aproximação com os ilcãs. A nomeação de Abuçaíde consolidou sua posição como herdeiro e demonstrou a importância estratégica do Coração para a continuidade da dinastia. A posição sucessória do príncipe seria confirmada pela sua ascensão ao trono após a morte de Oljaitu, em 1316, quando ainda era menor de idade.
Ao norte, a rivalidade com a Horda Dourada pelo domínio do Cáucaso levou Oljaitu a adotar uma postura cautelosa. As disputas entre os dois estados remontavam aos primeiros tempos do Ilcanato e envolviam especialmente o controle das regiões situadas ao sul das montanhas caucasianas. Durante o governo de Gazã, Tocta havia tentado invadir o norte do Azerbaijão em 1301 e, dois anos depois, exigira por intermédio de embaixadores o reconhecimento de seus direitos sobre a região. Gazã rejeitou a reivindicação, mantendo a disputa territorial que seria herdada por Oljaitu. Apesar dessas tensões, Oljaitu procurou preservar os canais diplomáticos com os governantes da Horda Dourada. Após a ascensão de Usbeque Cã, em 1313, as relações foram marcadas por novas tentativas de aproximação. Entre os opositores do novo cã encontrava-se Babaque, que se refugiou no território ilcânida depois de participar de uma conspiração contra Usbeque. Por iniciativa de Cutlugue Timur, governante do Corásmia, Usbeque enviou uma missão diplomática destinada a encerrar o estado de hostilidade entre os dois canatos. Os embaixadores foram recebidos por Oljaitu em Soltania em 25 de Moarrão de 714 A.H. (11 de maio de 1314).
A aproximação foi comprometida em 715 A.H. (1315), quando Babaque, acompanhado de suas forças, realizou uma incursão contra os domínios de Cutlugue Timur, obrigando-o a retirar-se. Em resposta, Usbeque enviou uma nova embaixada, chefiada pelo emir Aqueboga Quiate, exigindo a punição do refugiado e ameaçando Oljaitu com represálias. Para restabelecer as relações entre os dois estados, o ilcã mandou trazer Babaque à sua presença e executá-lo diante dos embaixadores. A medida demonstrou a disposição do soberano de preservar a paz com a Horda Dourada, mesmo diante das tensões provocadas pela proteção concedida a adversários políticos de Usbeque. A incursão de Babaque teve consequências mais extensas do que uma simples disputa entre refugiados e autoridades da Horda Dourada. Jackson registra que, em Jumada I de 715 A.H. (agosto de 1315), suas tropas devastaram diversas localidades do Corásmia, entre elas Hazaraspe, Cate e Quiva, e levaram consigo cerca de cinquenta mil cativos, segundo o cronista Alcaxani. Parte desses prisioneiros foi libertada durante um ataque inesperado de Iassavur, mas retornou em condições extremamente precárias. Jackson ressalta que Babaque empreendera a campanha sem autorização de Oljaitu; por isso, embora o ilcã tenha ordenado sua execução diante do representante de Usbeque, não ofereceu outras reparações pelas destruições.
A correspondência com a Inglaterra revela os limites práticos dessas iniciativas. Boyle registra duas respostas de Eduardo II de Inglaterra em 1307: a primeira, datada de 16 de outubro, reconhecia uma carta dirigida anteriormente a seu pai, Eduardo I; a segunda, de 30 de novembro, respondia a uma comunicação aparentemente transmitida oralmente pelos enviados mongóis. Embora desejasse êxito ao ilcã, o rei inglês alegou a distância e outras dificuldades para justificar a impossibilidade de participar da campanha. Sua resposta também interpretou a iniciativa como uma guerra contra o islamismo em geral, compreensão que não correspondia necessariamente aos objetivos políticos e militares de Oljaitu. Paralelamente, Oljaitu manteve relações diplomáticas com o papado e diferentes governantes cristãos da Europa, que ainda alimentavam expectativas de uma possível aliança contra os poderes muçulmanos do Mediterrâneo oriental. Em 1305, enviou uma embaixada ao rei Filipe IV de França, acompanhada de uma carta em língua mongol que anunciava a reconciliação entre os canatos e o reconhecimento da autoridade de Temur Oljaitu sobre o mundo mongol. O documento afirmava que as hostilidades entre os descendentes de Gêngis Cã haviam terminado depois de aproximadamente 45 anos de conflitos. O ilcã também manifestava satisfação com o restabelecimento da paz entre os soberanos da Europa ocidental e sugeria que a nova situação poderia favorecer ações conjuntas contra seus inimigos.
A correspondência expressava, contudo, uma concepção de autoridade que não coincidia inteiramente com as expectativas dos governantes cristãos. Ao descrever a reconciliação mongol, Oljaitu afirmou que as estações do sistema imperial de correios estavam novamente conectadas desde o sul da China até o oceano que, segundo a concepção geográfica mongol, circundava as terras habitadas. Peter Jackson interpreta essa formulação como uma manifestação da pretensão de domínio universal herdada de Gêngis Cã, e não simplesmente como uma referência aos limites territoriais efetivamente controlados pelos mongóis. Nas duas traduções italianas produzidas na corte francesa, a passagem foi modificada de modo a atenuar essa reivindicação. Uma interpretação igualmente restritiva foi transmitida à corte inglesa, onde a extensão do domínio mongol foi apresentada como limitada às fronteiras do Oriente latino. As propostas de cooperação também incluíam auxílio material para uma eventual campanha militar. Em 1305, os representantes de Oljaitu ofereceram cem mil cavalos a Filipe IV, destinados a apoiar uma expedição ocidental contra os mamelucos. A oferta inseria-se numa tradição diplomática estabelecida pelos ilcãs anteriores, que procuravam compensar as dificuldades logísticas de suas campanhas na Síria mediante a colaboração de forças cristãs. A escassez de pastagens adequadas para grandes contingentes de cavalaria mongol constituía um obstáculo importante à permanência prolongada de seus exércitos na região.
As iniciativas ilcânidas despertaram expectativas na corte pontifícia. Em 1307, o papa Clemente V chegou a considerar plausível que Oljaitu contribuísse para a restituição da Terra Santa aos cristãos. Uma nova embaixada mongol enviada naquele ano foi recebida favoravelmente pelo pontífice, que interpretou os contatos como um sinal promissor para os projetos de cruzada. A correspondência diplomática prosseguiu nos anos seguintes e incluiu uma missão enviada ao rei Eduardo II de Inglaterra, em 1313. Não está estabelecido, entretanto, se essa última embaixada esteve diretamente relacionada à campanha ilcânida contra Arraba. As expectativas de cooperação militar também aparecem numa carta enviada por Clemente V em 1.º de março de 1308. Segundo o documento, o pontífice recebera uma proposta que previa o fornecimento de 200 mil cavalos e 200 mil cargas de cereais, a serem disponibilizados na Armênia Cilícia quando chegassem as forças cristãs. A oferta incluía ainda a participação pessoal de Oljaitu numa campanha conjunta, à frente de cem mil cavaleiros. Embora essas promessas demonstrassem o alcance das negociações diplomáticas, o papa não apresentou um plano concreto de operações militares. A proposta registrada em 1308 deve ser distinguida da oferta de cem mil cavalos dirigida a Filipe IV em 1305, pois ambas aparecem em documentos de datas e destinatários diferentes.
Apesar das expectativas suscitadas pelas negociações, a aproximação não resultou numa aliança militar efetiva. Os interesses estratégicos dos dois lados eram distintos: os ilcãs procuravam sobretudo enfraquecer seus adversários regionais e consolidar sua própria autoridade, enquanto os governantes cristãos concebiam a cooperação como um meio de recuperar os territórios perdidos no Levante. Jackson também destaca que as pretensões mongóis de supremacia política universal não eram inteiramente compatíveis com a autonomia reivindicada pelos soberanos europeus. Assim, a diplomacia de Oljaitu manteve a possibilidade de cooperação sem superar os obstáculos que haviam frustrado as negociações de seus predecessores. As relações com o Reino Armênio da Cilícia, tradicional aliado dos ilcãs nas guerras contra os mamelucos, deterioraram-se durante o reinado de Oljaitu. Após sucessivas invasões mamelucas, os governantes armênios haviam assumido obrigações tributárias perante o sultanato, enquanto as guarnições mongóis instaladas em seu território se ocupavam sobretudo da cobrança de impostos, oferecendo proteção militar limitada. Em julho de 1304, depois da tomada de Til Hamedume pelos mamelucos, os soberanos armênios aceitaram um novo acordo para o pagamento de dois anos de tributos. Diante da ausência de auxílio mongol, o rei Hetum II da Armênia procurou apoio nas cortes de Roma e Paris. As negociações com Clemente V estimularam a aproximação entre a Igreja Armênia e a Igreja Católica, culminando num sínodo realizado em Sis, em 1307, cuja decisão favorável à união religiosa encontrou resistência entre os próprios armênios.
O projeto de uma campanha conjunta enfrentava ainda obstáculos de coordenação militar. Boyle recupera as advertências de Hetum de Coricos, que recomendava aos cristãos evitar a integração direta de seus contingentes a um grande exército mongol: a cavalaria ilcânida avançava mais rapidamente que as forças ocidentais, compostas em parte por soldados a pé, e os comandantes mongóis poderiam exigir obediência de seus aliados. A alternativa proposta era uma ofensiva simultânea por itinerários separados, com os mongóis avançando sobre Damasco e os cristãos em direção a Jerusalém. A proposta evidencia que a eventual aliança exigia não apenas acordo diplomático, mas também uma solução para as diferenças de comando e mobilidade entre os exércitos. A crise da aliança agravou-se em 17 de novembro de 1307, quando Hetum II e seu sobrinho, o jovem corregente Leão IV da Armênia, foram assassinados em Anazarbo pelo comandante mongol Bilargu, responsável por uma guarnição estacionada em Sis. As fontes apresentam explicações diferentes para o crime. Uma tradição armênia atribui ao comandante a intenção de apoderar-se da Cilícia, enquanto relatos árabes afirmam que ele agiu depois de saber que Hetum o denunciara a Oljaitu por supostos entendimentos com os mamelucos. Alinaque, irmão de Hetum, dirigiu-se à corte ilcânida para exigir a punição do responsável. Oljaitu ordenou posteriormente a execução de Bilargu, mas a medida não impediu que o assassinato dos soberanos armênios se tornasse um marco do enfraquecimento das relações entre os dois estados.
Com a ascensão de Oxine da Armênia, em 1308, o reino armênio passou a enfrentar os mamelucos e os principados turcomanos da Anatólia sem a colaboração militar anteriormente oferecida pelos ilcãs. Em 1315, depois de conflitos ocorridos em Malátia, Oxine renegociou as condições do acordo tributário de 1304, aceitando um aumento das obrigações impostas pelo sultanato. Segundo Bayarsaikhan Dashdondog, nesse período Oljaitu já não atribuía à aliança com a Cilícia a importância estratégica que ela tivera sob seus predecessores. A historiadora observa, em particular, que as fontes muçulmanas não registram a participação de forças armênias na campanha ilcânida contra os mamelucos em 1312–1313. A campanha de Guilão é descrita por Boyle como uma operação conduzida em quatro frentes. Chupane avançou de Ardabil, Cutlugue Xá de Calcal, enquanto Tugã e Mumine partiram de Gasvim; Oljaitu seguiu por Tarum em direção a Laijã. Embora os governantes de Astara e Gascar se rendessem a Chupane sem combate e o próprio ilcã recebesse a submissão de Laijã, a coluna de Cutlugue Xá sofreu um revés decisivo. Depois de vitórias iniciais, seu filho Sibaúchi recusou uma oportunidade de negociação e avançou contra os defensores locais; os mongóis foram derrotados entre Raste e Tulim, onde o terreno pantanoso dificultou a retirada da cavalaria. Cutlugue Xá morreu atingido por uma flecha. Boyle considera que a campanha terminou, em 29 de junho de 1307, com uma vitória de custo tão elevado que pode ser caracterizada como pírrica; sua consequência política mais importante foi abrir caminho para a ascensão de Chupane ao comando supremo. A ascensão do emir deve ser entendida no contexto da influência exercida pelos comandantes mongóis sobre a condução das campanhas e a distribuição dos principais cargos militares do Ilcanato. Melville registra ainda que Chupane foi associado à retirada do cerco de Arraba, em 1312–1313, e que sua posição diante dos mamelucos gerou atritos com o emir refugiado Cara Soncur. Segundo fontes mamelucas, este chegou a ameaçar revelar suposta correspondência entre Chupane e o sultão do Egito; o historiador ressalta, porém, que os relatos persas não confirmam essa rivalidade nos mesmos termos.
O governo também enfrentou dificuldades em diferentes províncias. Em Herate, a crescente autonomia do governante cártida Facradim Carte motivou uma campanha conduzida pelo emir Danismende Baadur, sem resultados decisivos imediatos. Na Anatólia, revoltas surgidas após o enfraquecimento definitivo do domínio seljúcida foram reprimidas com dificuldade pelo emir Chupane. Charles Melville situa uma intervenção de Chupane na Anatólia em 714 A.H. (1314–1315), quando o emir foi enviado para conter uma revolta desencadeada pela administração opressiva de Irinjine. O episódio contribuiu para a hostilidade posterior deste último contra Chupane e ilustra a competição entre os comandantes mongóis pelo controle das províncias. Oljaitu também apoiou o Império Bizantino contra os principados turcomanos da região e estabeleceu vínculos matrimoniais com a família do imperador Andrônico II Paleólogo (r. 1282–1328), casando-se com Maria, conhecida como Tesbina Catum. Özgüdenli identifica Maria como irmã do imperador, enquanto Yuvalı a apresenta como sua filha. Uma das principais conquistas territoriais de seu reinado foi a submissão de Guilão, região montanhosa situada ao sul do mar Cáspio, em Dulrija de 706 A.H. (junho de 1307). Segundo o historiador Abedalá Alcaxani, a campanha teria sido desencadeada depois que um príncipe chagataída ridicularizou Oljaitu por não conseguir subjugar uma pequena província de seus próprios domínios, embora pretendesse conquistar a Síria. O ilcã organizou expedições sucessivas, confiadas aos comandantes Chupane, Cutlugue Xá, Tugã e Mumine. Cutlugue Xá comandou um dos principais confrontos e morreu durante a campanha, levando Oljaitu a intervir pessoalmente à frente do exército imperial. Os habitantes de Guilão acabaram submetidos à autoridade ilcânida e obrigados a reconhecer suas exigências tributárias, embora a extensão e a estabilidade desse domínio devam ser distinguidas das submissões pontuais obtidas durante a campanha. A interpretação do resultado permanece controversa: a síntese dinástica de Reuven Amitai enfatiza o insucesso militar da expedição e as perdas mongóis, ao passo que Boyle descreve uma vitória pírrica. A conquista, contudo, exigiu consideráveis recursos militares e financeiros, evidenciando as dificuldades de submeter uma região caracterizada pelo relevo montanhoso e pela resistência de seus governantes locais. Ao lado das campanhas contra os mamelucos e os chagataídas, constituiu uma das três principais expedições militares empreendidas por Oljaitu durante seu reinado.
A administração de Oljaitu contou com a participação de importantes funcionários civis e comandantes militares. Entre os principais responsáveis pelos assuntos internos estavam o historiador e vizir Raxidadim de Hamadã, Sadadim Assauaji e Tajadim Ali Xá, enquanto a condução das principais operações militares coube inicialmente a Cutlugue Xá Noiane e, posteriormente, ao emir Chupane. Seu governo apresentou considerável continuidade em relação ao de Gazã, sobretudo pela permanência de Raxidadim na administração e pela manutenção de parte das reformas promovidas pelo antecessor. Entretanto, a eficácia dessas medidas diminuiu progressivamente, e os padrões monetários estabelecidos por Gazã deixaram de ser aplicados com o mesmo rigor. A documentação produzida durante o reinado permite acompanhar alguns dos mecanismos dessa administração para além dos relatos dos cronistas. Entre os testemunhos preservados encontra-se o Saadate Nama, manual de contabilidade elaborado por Aladim Falaqui Tabrizi. Jackson identifica a obra como um dos raros guias administrativos ilcânidas que chegaram à atualidade. Seu caráter técnico oferece uma perspectiva distinta da historiografia de corte, particularmente relevante para o estudo dos procedimentos financeiros e burocráticos empregados sob Oljaitu.
A continuidade das reformas de Gazã não significou, contudo, a preservação de seu modelo de governo. Segundo Michael Hope, o antecessor de Oljaitu havia concentrado o poder político e financeiro em sua própria pessoa, restringindo a autonomia dos comandantes militares e subordinando a distribuição de cargos à lealdade pessoal ao soberano. Oljaitu, ao contrário, procurou consolidar sua posição mediante o reconhecimento dos privilégios anteriormente concedidos aos emires. Após sua entronização, confirmou os decretos e as disposições de Gazã e manteve os principais funcionários civis e militares em seus cargos. Embora essa medida lhe assegurasse o apoio da aristocracia mongol, também contribuiu para o fortalecimento dos comandantes que haviam participado de sua ascensão. Durante o curiltai de 1304, Oljaitu confirmou Cutlugue Xá Noiane no cargo de amir alumara, comandante supremo das forças mongóis. Segundo o historiador Abedalá Alcaxani, o posto conferia-lhe autoridade sobre o exército e o conjunto dos domínios mongóis. O cronista Vassafe afirmou que Cutlugue Xá também recebeu responsabilidades na condução dos assuntos do Estado e passou a figurar nos documentos oficiais expedidos em nome do soberano. Algumas fontes chegaram a atribuir-lhe a manutenção de um divã próprio, indicando a extensão de sua influência sobre a administração central. Abaixo dele encontravam-se quatro comandantes superiores, conhecidos como emires do ulus, que concentravam o controle das principais forças militares. Segundo o geógrafo Alumari, as ordens emitidas pela corte dependiam da aprovação desses emires para entrar em vigor.
A importância dessas nomeações também aparece na crônica Ulus-i arba-yi Chingizi, escrita por Ulugue Begue em 1425. Segundo a narrativa, logo após sua entronização, Oljaitu confiou a Cutlugue Xá o comando supremo das forças militares e nomeou Raxidadim e Sadadim Assauaji para os cargos de vizir. O cronista apresenta a composição inicial do governo como parte das primeiras medidas do soberano, antes de relatar as rivalidades que posteriormente provocariam alterações na administração civil. Por se tratar de um testemunho elaborado mais de um século depois dos acontecimentos, sua narrativa deve ser considerada em conjunto com as fontes contemporâneas e com a análise da historiografia moderna. Entre os principais emires do ulus estavam Chupane, Bolade Chingsangue, Huceine Cureguém e Essém Cutlugue. Chupane, que já havia adquirido prestígio militar durante o reinado de Gazã, tornou-se progressivamente uma das figuras mais influentes da corte. Após a morte de Cutlugue Xá, assumiu a posição predominante anteriormente ocupada por ele. Segundo Ibne Adaudari, sua autoridade era tão ampla que controlava praticamente todos os assuntos do reino. A ascensão de Chupane refletiu a transformação da aristocracia militar numa força política relativamente independente da vontade do ilcã. O verbete biográfico de Charles Melville sobre Chupane também situa sua ascensão no contexto da morte de Cutlugue Xá durante a campanha de Guilão, em 1307. Sua posição na hierarquia militar, portanto, resultou tanto do prestígio acumulado sob Gazã quanto da reorganização do comando durante o reinado de Oljaitu. Melville também o identifica como integrante da tribo mongol dos suldus e assinala que seu avô Todavone Baadur havia servido Hulagu Cã e Abaca, antes de morrer na batalha de Albistã, em 1277. Essa trajetória familiar ajuda a explicar sua inserção nas redes militares ilcânidas anteriores à ascensão de Oljaitu. Melville registra ainda que Chupane se casou com a filha de Oljaitu, Daulandi Catum, em 30 de setembro de 1307, depois de ter sido prometido a ela em março de 1305. A união estreitou os vínculos do comandante com a família reinante, enquanto sua permanência frequente nos acampamentos de inverno de Arrã e Mugã não impedia visitas regulares à corte de Soltania.
Oljaitu manteve o sistema de administração compartilhada por dois vizires, instituído durante o governo de Gazã. Raxidadim, que havia participado ativamente das reformas do reinado anterior, foi confirmado no cargo de saibedivã, enquanto Sadadim Assauaji continuou responsável por parte dos assuntos do divã. A posição de Raxidadim fortaleceu-se durante o novo governo, especialmente em razão do interesse de Oljaitu por questões religiosas e intelectuais. A influência do vizir também se estendeu à organização da corte e à nomeação de seus familiares para cargos administrativos. O patrocínio historiográfico de Raxidadim constituiu outra dimensão de sua atuação: o Jame Atauarikh, inicialmente concebido em ligação com Gazã, foi ampliado durante o reinado de Oljaitu, ultrapassando a história dos mongóis para abranger outros povos e tradições históricas. Quando Abuçaíde foi enviado ao Coração como herdeiro e governador, Oljaitu designou Abede Alatife ibne Raxidadim, filho de Raxidadim, para exercer o cargo de vizir do príncipe. Outro filho do historiador, Jalaladim ibne Raxidadim, tornou-se vizir de Timurtaxe, filho de Chupane e governador-geral da Anatólia. Segundo J. A. Boyle, Tajadim Ali Xá atuara anteriormente no comércio de joias e tecidos preciosos e não possuía experiência prévia em contabilidade pública quando ascendeu ao vizirato. O historiador também ressalta que a nomeação não eliminou os problemas de probidade da administração: embora Ali Xá tenha sobrevivido às investigações sobre suas contas, continuou envolvido nas rivalidades com Raxidadim.
A ascensão de Tajadim Ali Xá também evidencia a ligação entre a burocracia civil e as casas dos emires mongóis. Charles Melville observa que o futuro vizir foi promovido por intermédio do emir Huceine Cureguém, durante o reinado de Oljaitu. O historiador situa esse caso numa prática mais ampla pela qual funcionários do divã alcançavam cargos elevados graças ao patrocínio de comandantes militares. Assim, a influência dos emires não se restringia ao comando das tropas ou à administração provincial, mas também se manifestava no recrutamento e na promoção dos principais agentes do governo central. A trajetória de Alcaxani oferece outro exemplo das relações entre produção historiográfica e disputas no vizirato. Priscilla P. Soucek registra que o cronista esteve ligado aos círculos de Raxidadim e de Tajadim Ali Xá e que diferentes dedicatórias de sua obra refletem essas relações de patronato. O episódio recomenda cautela ao interpretar os relatos contemporâneos sobre as rivalidades administrativas, pois seus autores também dependiam da proteção de figuras influentes da corte. Alcaxani chegou a atribuir a si mesmo a redação de parte da história apresentada a Oljaitu por Raxidadim e afirmou não ter recebido as propriedades concedidas ao vizir como recompensa. Sua crônica do reinado elogia Tajadim e manifesta hostilidade a Raxidadim, circunstâncias que tornam especialmente importante confrontar sua narrativa com outros testemunhos. A estabilidade política do reinado foi comprometida pelas rivalidades entre os principais vizires. As relações entre Raxidadim e Sadadim Assauaji deterioraram-se à medida que o primeiro ampliava sua influência sobre o soberano. Acusado de corrupção, Sadadim foi afastado do poder e executado em 10 de Xaual de 711 A.H. (19 de fevereiro de 1312). Sua posição foi ocupada por Tajadim Ali Xá, que passou a compartilhar a administração com Raxidadim. A substituição também é registrada por Ulugue Begue, segundo o qual Sadadim foi acusado de dissipar os bens do divã e executado, sendo sucedido por Tajadim Ali Xá Gilani. O cronista, contudo, não desenvolve as circunstâncias políticas da acusação, limitando-se a relacionar a destituição às irregularidades financeiras atribuídas ao vizir. As relações entre os dois novos vizires também se deterioraram, levando à divisão das responsabilidades administrativas em duas esferas distintas, com o objetivo de reduzir os conflitos e impedir a sobreposição de suas atribuições. Raxidadim ficou encarregado dos assuntos relativos ao centro e ao sul do império, enquanto Tajadim assumiu a administração das regiões do noroeste, da Mesopotâmia e da Anatólia. Spuler registra ainda que Tajadim, antes de alcançar o vizirato, trabalhara como mercador de tecidos e joalheiro e participara do desenvolvimento de Soltania. Sua ascensão ocorreu em 710 A.H. (1311), antes da execução de Sadadim, quando passou a integrar o grupo de altos responsáveis pela administração. Segundo Bertold Spuler, Oljaitu também procurou conter as rivalidades entre Raxidadim e Tajadim por meio de um regime de alternância anual no exercício das funções, além das tentativas de dividir os assuntos do governo entre ambos. Essa solução é apresentada como uma das medidas experimentadas pelo soberano, não como uma substituição definitiva da administração conjunta.
A administração financeira também contou com funcionários especializados na fiscalização das receitas provinciais. Em 1311, o historiador e geógrafo Hamade Almustaufi, que havia adquirido experiência nos serviços do divã, recebeu a incumbência de inspecionar as finanças de Casvim, Abhar, Zanjã e Tarimaim. O exercício dessas funções levou-o a percorrer importantes centros administrativos e culturais do Ilcanato, entre eles Soltania, Tabriz, Baguedade e Ispaã, onde também consultou bibliotecas e reuniu informações que posteriormente contribuíram para sua produção historiográfica. Apesar da permanência de funcionários persas nos postos centrais, a administração das províncias passou gradualmente para as mãos dos comandantes mongóis. No Coração, a distância em relação à corte favoreceu a autonomia dos emires, que controlavam a arrecadação e a distribuição das receitas locais. Segundo a crônica Tārīkhnāma-yi Harāt, o emir Doladai Noiane transferia regularmente os governadores militares entre os distritos de Herate, permitindo-lhes explorar sucessivamente os recursos das comunidades submetidas à sua autoridade. Outros comandantes, entre eles Iassavul e Bujai, impuseram aos habitantes a construção de oficinas destinadas à produção de mercadorias para comercialização em outras regiões. As reclamações contra esses abusos raramente resultavam em punições efetivas, pois os comandantes locais dispunham de considerável influência sobre os órgãos encarregados da fiscalização.
A situação não era diferente na Anatólia. O emir Irinjine, sogro de Oljaitu por intermédio de sua filha Cutlugue Xá Catum, exercia ampla autoridade sobre o divã provincial. O representante civil Amade Lacuxi reconheceu que sua permanência no cargo dependia mais do apoio do emir do que da autoridade de Raxidadim e entregou-lhe metade das receitas provinciais para assegurar sua posição. Irinjine também interferiu diretamente na arrecadação de impostos e na administração do patrimônio governamental. Segundo o cronista Aqueçarai, chegou a exigir pessoalmente as receitas da cidade de Niquissar, sem apresentar uma justificativa administrativa clara. Irinjine conservou sua influência até a ascensão de Chupane à posição predominante na corte. O novo comandante nomeou seu filho Timurtaxe para substituí-lo no governo da Anatólia. A mudança, entretanto, não restabeleceu a autoridade da administração central, pois o novo governador continuou a exercer o poder de maneira semelhante à de seu antecessor. Amade Lacuxi e os demais funcionários provinciais transferiram sua lealdade para Timurtaxe, demonstrando a dependência da burocracia em relação aos comandantes militares. Para Hope, esses acontecimentos evidenciam que Oljaitu não possuía autoridade suficiente, ou não estava disposto a utilizá-la, para limitar os privilégios dos antigos companheiros de Gazã.
A permanência de tributos de origem mongol constitui outro limite à aplicação das reformas fiscais. Jackson observa que a cobrança do cubechur (qubchur) não foi abolida por Gazã, apesar das medidas destinadas a disciplinar a arrecadação e reduzir exigências arbitrárias. Um decreto de 1303, relacionado à concessão de terras e receitas aos militares, previa a suspensão de uma modalidade desse tributo incidente sobre os rebanhos dos nômades mongóis, mas conservava expressamente sua cobrança aos camponeses, que deveriam pagá-lo aos beneficiários das concessões. Mais importante para o governo de Oljaitu, um manual administrativo datado de seu reinado confirma que o cubechur continuava a incidir sobre a população não nômade. O testemunho demonstra que a islamização da dinastia e as reformas fiscais não significaram o desaparecimento imediato das obrigações tributárias herdadas da administração mongol. A tributação dos súditos não muçulmanos sofreu igualmente alterações. Segundo I. P. Petrushevsky, Gazã restabeleceu a jizia em outubro de 1295, mas revogou a cobrança no ano seguinte após a intervenção do patriarca nestoriano Mar Iabalá III. Em 1306, Oljaitu voltou a instituir o tributo. O historiador distingue essa obrigação, fundamentada na legislação islâmica e incidente sobre os não muçulmanos, do imposto pessoal de origem mongol conhecido como sarxumara ou cobchur; acrescenta que as fontes não esclarecem se os contribuintes sujeitos à jizia também pagavam o imposto mongol ou se uma cobrança substituía a outra.
A política tributária ilcânida também provocou forte descontentamento na Grande Armênia. Segundo Bayarsaikhan Dashdondog, Oljaitu impôs à população encargos elevados, especialmente mediante a cobrança do caraje. O continuador da crônica de Samuel de Ani atribuiu à política fiscal do ilcã um acentuado declínio da economia local, afirmando que os habitantes haviam empobrecido a ponto de não conseguir adquirir roupas e recorrer ao uso de peles de animais. Embora essas descrições reflitam a perspectiva crítica dos cronistas armênios, constituem testemunhos importantes sobre as consequências sociais da tributação mongol. Um colofão redigido em Erzurum, em 1314, apresenta um quadro semelhante. Seu autor descreveu o reinado de Oljaitu como um período de tributação generalizada e sofrimento para a população armênia, mencionando a diminuição do número de habitantes, a destruição de igrejas na cidade e a conversão de alguns cristãos ao islamismo. O testemunho também lamenta a ausência de lugares onde a população pudesse refugiar-se das exigências impostas pelas autoridades. A linguagem religiosa e o caráter crítico do documento exigem cautela quanto à generalização dessas afirmações, mas evidenciam a hostilidade que a administração ilcânida despertava entre determinados setores das comunidades cristãs.
Em 1314, Oljaitu promoveu um recenseamento de seus domínios. Segundo um colofão armênio do Mosteiro de Glazor, os recenseadores e cobradores de impostos chegaram à região de Vaiote Zor, onde registraram até mesmo crianças com apenas um mês de idade. O episódio demonstra a abrangência do levantamento populacional e a estreita relação entre os procedimentos censitários e a administração tributária. Dashdondog observa que a severidade dessas práticas contribuiu para a imagem particularmente negativa de Oljaitu transmitida pelas fontes armênias. A rivalidade entre Raxidadim e Tajadim persistiu durante o restante do reinado e agravou-se após a morte de Oljaitu. Durante o governo de Abuçaíde, Tajadim conseguiu afastar seu adversário da administração em 717 A.H. (1317). No ano seguinte, Raxidadim foi acusado de envolvimento no suposto envenenamento de Oljaitu e submetido a julgamento, no qual também intervieram Tajadim e Chupane. Condenado, foi executado em 17 de Jumada I de 718 A.H. (17 de julho de 1318), juntamente com seu filho Izadim Ibraim, acusado de ter administrado o veneno ao antigo ilcã. Seus bens foram confiscados, e parte de suas fundações foi destruída. A eliminação de Raxidadim permitiu a Tajadim assumir o controle exclusivo da burocracia civil, posição que conservou até sua morte, em 1323. Diferentemente de muitos outros vizires ilcânidas, morreu de causas naturais. Bertold Spuler também situa a morte de Tajadim no início de 724 A.H. (1324) e observa que Abuçaíde o visitou pouco antes de seu falecimento. Peter Jackson, contudo, situa sua morte em 724 A.H. (1324), divergindo da data de 1323 apresentada anteriormente; o historiador observa ainda que Raxidadim havia sido temporariamente afastado e depois reconduzido ao cargo por intervenção de Chupane antes de seu julgamento e execução.
Oljaitu nasceu numa família em que coexistiam diferentes tradições religiosas. Foi batizado como cristão em 1291 e recebeu o nome de Nicolau, em homenagem ao papa Nicolau IV, com quem seu pai mantinha relações diplomáticas. A notícia de seu batismo foi recebida com grande satisfação pelo pontífice, que alimentava expectativas de aproximação religiosa entre a corte ilcânida e a Igreja de Roma. Posteriormente, porém, o príncipe tornou-se budista, abandonando a religião de sua infância. Após a conversão de Gazã ao islamismo, em 1295, também adotou a nova religião, inicialmente segundo a tradição hanafita do islamismo sunita. Durante os anos seguintes, aproximou-se igualmente da escola xafeíta, mudança que Özgüdenli atribui à influência do vizir Raxidadim. A experiência cristã de sua infância também ajuda a explicar por que os contatos diplomáticos com o papado podiam ser interpretados na Europa como indícios de uma possível reaproximação religiosa, mesmo depois de sua conversão ao islamismo. A trajetória religiosa de Oljaitu foi particularmente complexa, compreendendo sucessivas aproximações com o cristianismo nestoriano, o budismo e diferentes escolas do islamismo. Segundo Peter Jackson, as fontes também levantam a possibilidade de um retorno ao sunismo depois de sua adesão ao xiismo, embora essa última mudança não seja apresentada como um acontecimento comprovado. O historiador observa que essas sucessivas transformações religiosas aparentemente passaram despercebidas na Europa ocidental, onde o batismo do príncipe continuou a alimentar expectativas de uma eventual aproximação com o cristianismo.
Boyle descreve uma disputa teológica realizada na presença do ilcã, provavelmente em Arrã, durante o inverno de 1307–1308, entre representantes das escolas hanafita e xafeíta. Segundo o relato utilizado pelo historiador, as acusações recíprocas desagradaram tanto a Oljaitu quanto a membros da aristocracia mongol, alguns dos quais questionaram a conveniência de ter abandonado as crenças ancestrais. Em outra ocasião, após a morte de integrantes do séquito atingidos por raios, alguns emires propuseram que o soberano passasse entre duas fogueiras para se purificar segundo um costume mongol; os especialistas rituais convocados atribuíram o desastre à sua conversão ao islamismo e aconselharam que a abandonasse. Boyle não considera que Oljaitu tenha efetivamente retornado à religião tradicional, mas associa esses acontecimentos ao descontentamento do soberano com as disputas sunitas e situa sua decisão definitiva de adotar o xiismo depois de uma visita a Najafe, no inverno de 1309–1310. Em 709 A.H. (1309–1310), Oljaitu adotou o xiismo duodecimano, associado à crença na sucessão legítima de doze imames descendentes de Ali. Sua mudança de orientação religiosa influenciou a apresentação pública da autoridade ilcânida e as relações da corte com diferentes comunidades muçulmanas. Reuven Amitai situa a adesão ao xiismo no contexto da rivalidade com o Sultanato Mameluco, admitindo que o conflito possa ter influenciado indiretamente a opção religiosa do ilcã. O historiador observa ainda que notícias mamelucas de um suposto abandono do xiismo nos últimos anos de vida de Oljaitu provavelmente refletiam os desejos de seus autores, não uma mudança de fé comprovada. Segundo Michael Hope, a adesão ao xiismo também pode ser compreendida como parte da concepção política do soberano, que procurava fortalecer a legitimidade hereditária da dinastia ilcânida. Oljaitu apresentava sua autoridade como decorrente de sua descendência de Gêngis Cã e procurava estabelecer paralelos entre a sucessão dos governantes mongóis e a transmissão da autoridade religiosa na família de Maomé. Essa interpretação permitia contrapor o direito dinástico dos descendentes de Gêngis Cã às reivindicações de autoridade dos emires, fundamentadas sobretudo na tradição e nos serviços prestados aos governantes anteriores. A analogia, portanto, não dizia respeito apenas à escolha de uma escola religiosa: servia também para sustentar uma concepção da sucessão política que subordinava a precedência dos comandantes ao pertencimento à linhagem reinante.
A associação entre legitimidade dinástica e sucessão religiosa aparece num episódio registrado no Fawāʾid-i Ūljāytū. Durante uma discussão sobre os primeiros sucessores de Maomé, alguns participantes afirmaram que Abu Becre havia sido o primeiro califa. Oljaitu respondeu comparando essa situação à hipótese de antigos companheiros de seu pai, mais velhos e experientes do que ele próprio, reivindicarem o trono ilcânida em detrimento dos descendentes da família reinante. Os presentes reconheceram que tal sucessão seria ilegítima e concordaram com a posição favorável a Ali como sucessor legítimo de Maomé. Segundo Hope, o relato tinha a função de apresentar a transmissão hereditária da autoridade como superior às reivindicações baseadas na antiguidade, na experiência ou na proximidade pessoal com o governante anterior. A adesão ao xiismo teve manifestações públicas na administração religiosa e na cunhagem de moedas. Segundo a crônica Ulus-i arba-yi Chingizi, escrita por Ulugue Begue em 1425, a mudança foi estimulada por partidários da doutrina dos imames, entre eles Jamaladim Haçane ibne Saíde Badradim, religioso de Alepo que teria se empenhado na difusão do xiismo. A crônica atribui à influência desse grupo a decisão de Oljaitu de modificar as inscrições monetárias e os sermões religiosos em 709 A.H. (1309–1310). Trata-se, contudo, de uma explicação transmitida por uma fonte posterior aos acontecimentos, que não exclui outros fatores políticos e religiosos envolvidos na conversão.
Nas moedas, Oljaitu determinou que a profissão de fé islâmica fosse acompanhada da fórmula ʿAlī walī Allāh, que afirmava a condição de Ali como representante ou protegido de Deus. A crônica também registra a inclusão dos nomes dos doze imames nas inscrições monetárias, em consonância com a doutrina duodecimana. Nos sermões da oração de sexta-feira, ou cutba, os nomes dos três primeiros califas foram suprimidos, passando-se a mencionar Ali, seus filhos Haçane e Huceine e o Mádi. Essas alterações demonstravam que a adesão do soberano ao xiismo não se limitava às suas convicções pessoais, mas também se manifestava nos instrumentos públicos de legitimação religiosa do governo. A moeda e a cutba constituíam meios especialmente visíveis de proclamar a orientação oficial do soberano, de modo que a substituição dos nomes invocados tinha alcance político além de sua dimensão doutrinária. Ulugue Begue também registra a existência de diferentes interpretações do nome religioso do ilcã. Segundo sua narrativa, os sunitas o chamavam de Maomé Carbanda, enquanto os xiitas e seus partidários utilizavam Maomé Codabanda. A distinção expressava a oposição religiosa que acompanhou a mudança de orientação do soberano e revela como sua imagem podia variar conforme as convicções dos grupos que transmitiam sua memória.
A política religiosa do ilcã encontrou resistência entre importantes comandantes militares. Chupane e Essém Cutlugue permaneceram vinculados ao sunismo e recusaram-se a acompanhar a conversão do soberano ao xiismo. Cutlugue Xá também teria manifestado preocupação com o abandono das tradições políticas mongóis, defendendo a preservação da iassa e do iosune de Gêngis Cã em detrimento das disputas entre as diferentes correntes religiosas islâmicas. Essas divergências evidenciaram os limites da autoridade de Oljaitu sobre a aristocracia militar e a persistência de concepções concorrentes de legitimidade política no interior do Ilcanato. A permanência de emires sunitas em posições de destaque mostra, igualmente, que a opção religiosa do ilcã não implicou uma adesão uniforme dos principais responsáveis pelo comando militar. Segundo o cronista Afláqui, Oljaitu proibiu a menção dos três primeiros califas nos sermões religiosos da Anatólia. Diante dessa decisão, o mestre sufi Sultão Ualade teria planejado enviar seu filho Ulu Arife Chelebi a Soltania para persuadir o ilcã a abandonar o xiismo. A missão, contudo, não se realizou em razão das mortes de Sultão Ualade e do próprio Oljaitu.
A percepção da religião do ilcã nas cortes cristãs permaneceu bastante distante da realidade. Os emissários enviados por Gazã e Oljaitu aos governantes europeus não comunicaram a conversão de seus soberanos ao islamismo, circunstância que contribuiu para a manutenção de interpretações equivocadas sobre suas convicções. Em 1307, o rei Eduardo II de Inglaterra chegou a escrever a Oljaitu congratulando-o por sua suposta intenção de combater e eliminar a religião de Maomé, sem demonstrar conhecimento de que o próprio ilcã era muçulmano. Para Jackson, o episódio evidencia a distância entre as expectativas religiosas dos governantes ocidentais e os objetivos efetivos da diplomacia ilcânida. A adesão ao islamismo tampouco impediu Oljaitu de manter relações diplomáticas com os estados cristãos e de procurar sua colaboração militar contra os mamelucos. Jackson considera que as preferências religiosas pessoais dos ilcãs tiveram influência limitada sobre sua política externa, que continuou orientada principalmente por interesses territoriais e estratégicos. Mesmo as medidas repressivas adotadas por Oljaitu contra seus súditos cristãos não impediram a continuidade dos contatos com os governantes europeus. A distinção entre política religiosa interna e diplomacia externa ajuda a explicar a permanência das negociações com o papado e as monarquias ocidentais durante um reinado marcado pela consolidação do islamismo na corte mongol.
O ilcã manteve contatos com representantes de diferentes correntes religiosas e intelectuais, entre eles o mestre cubravia Sadradim Hamuaia, Safiadim Ardabili, o religioso calândari Baraque Baba, o teólogo xiita Alhili e o emir de Meca, Humaida ibne Abi Numai. A aproximação com essas figuras refletia o interesse do governante por debates teológicos e pela legitimação religiosa de seu poder. O interesse da corte pelo sufismo também se inseria num processo mais amplo de expansão das ordens e instituições sufis durante o período ilcânida, favorecido pelo patrocínio dos governantes e de seus vizires. Böwering e Melvin-Koushki ressaltam o papel político e religioso dos xeiques sufis na integração dos mongóis ao ambiente persa-islâmico, sem reduzir essa aproximação à adoção de uma única orientação doutrinária. A presença de representantes de tradições distintas, como a cubravia, a calândari e o xiismo duodecimano, também recomenda distinguir o patrocínio a autoridades religiosas da adesão pessoal e exclusiva do soberano às doutrinas de cada uma delas. A tradição historiográfica representada por Ulugue Begue também apresenta Oljaitu como um soberano especialmente dedicado à religião islâmica. O cronista afirma que ele procurou fortalecer as leis do islamismo e passou parte considerável de seu reinado na companhia de saídes, estudiosos, juristas e outras autoridades religiosas, manifestando particular simpatia pelos descendentes de Ali. Essa caracterização favorável, embora reflita uma interpretação posterior de seu governo, é coerente com a importância atribuída às discussões religiosas na corte e com o patrocínio concedido pelo ilcã a representantes de diferentes correntes intelectuais e espirituais.

Oljaitu promoveu a construção de Soltania como uma das principais capitais do Ilcanato. A cidade, situada numa planície a sudeste da atual Zanjã, havia sido fundada por Argum e teve suas obras concluídas durante o reinado de Oljaitu, entre 1305 e 1313. Apesar da transferência da capital, o governante preservou os hábitos nômades de seus antepassados, deslocando-se sazonalmente entre residências de verão e de inverno. Soltania tornou-se, assim, um importante centro administrativo e cerimonial, sem que a corte abandonasse inteiramente sua organização itinerante. Entre as principais realizações arquitetônicas A organização da nova capital também compreendeu uma cânaca, instituição destinada à residência, à reunião e ao ensino de comunidades sufis, incorporada por Oljaitu ao programa construtivo de Soltania. Gerhard Böwering e Matthew Melvin-Koushki situam essa iniciativa na expansão do patrocínio às instituições sufis durante o período ilcânida, promovida igualmente pelo vizir Raxidadim em diferentes partes do império. do reinado destacou-se o mausoléu destinado ao próprio ilcã, construído em Soltania. Segundo uma tradição mencionada por Morgan, Oljaitu teria inicialmente planejado transferir para o monumento os restos mortais de Ali e de seu filho Huceine, dois personagens centrais da veneração xiita, provenientes de seus santuários no Iraque. O projeto não foi concretizado, e o edifício acabou destinado ao sepultamento do próprio governante. O mausoléu, caracterizado por sua grande cúpula, tornou-se uma das realizações mais conhecidas da arquitetura ilcânida e um importante testemunho da produção monumental do período mongol no Irã. Bernard O’Kane situa o monumento entre as duas grandes realizações funerárias abobadadas do período ilcânida, ao lado do mausoléu de Gazã em Tabriz, hoje desaparecido. Segundo o historiador da arquitetura, a construção de Soltania procurava rivalizar com a magnificência do túmulo de seu antecessor, mas apresentava uma solução arquitetônica própria, marcada pela monumentalidade da cúpula e pelas galerias distribuídas na parte superior do edifício octogonal.
A disposição arquitetônica do monumento também revela a permanência de tradições mongóis anteriores à conversão da dinastia ao islamismo. Peter Jackson observa que o túmulo de Oljaitu não foi orientado para sudoeste, na direção da quibla de Meca, mas segundo um eixo norte–sul. Essa orientação correspondia ao costume das estepes de dispor as entradas dos acampamentos e das tendas voltadas para o sul, direção também associada à realização de rituais xamânicos. O edifício constitui, assim, um exemplo da coexistência de práticas tradicionais mongóis com formas monumentais de sepultamento características do mundo islâmico. O’Kane calcula em aproximadamente cinquenta metros a altura da cúpula e em quase 25 metros seu diâmetro. Sua estrutura apresenta duas cascas relativamente delgadas, reforçadas por arcos intermediários, enquanto a decoração combina azulejos, estuques e pintura. O historiador destaca ainda que as galerias superiores eram facilmente acessíveis, característica que antecipou soluções retomadas em edifícios funerários timúridas e posteriores. Sheila S. Blair Peter Morgan registra a descoberta de fragmentos de azulejos estrelados da técnica lajvardina, caracterizada pelo emprego de esmalte azul-cobalto e decoração sobre o vidrado, na área funerária a leste do mausoléu e em outros pontos de Soltania. Também foram identificados fragmentos de azulejos azuis e brancos nas proximidades do monumento. Esses vestígios permitem relacionar o conjunto funerário à produção cerâmica ilcânida, sem pressupor que todas as peças encontradas tenham integrado originalmente a decoração do túmulo. identifica nas inscrições pintadas sobre o revestimento de estuque do interior do mausoléu um dos primeiros exemplos iranianos preservados de uma composição caligráfica na qual uma segunda inscrição se entrelaça aos prolongamentos verticais da primeira. Esse recurso demonstra que a ornamentação epigráfica do monumento participou das experiências com formas cursivas monumentais desenvolvidas no início do século XIV. Segundo I. P. Petrushevsky, a permanência sazonal da corte em Soltania também repercutia diretamente na economia urbana. Com base nos dados de Hamade Almustaufi, o historiador assinala que a arrecadação da tamga, tributo incidente sobre atividades comerciais, passava de 200 mil para 300 mil dinares quando o ilcã ali estabelecia sua residência. As necessidades de abastecimento da corte e as trocas com os acampamentos de verão ofereciam oportunidades de trabalho e comércio à população de artesãos e mercadores da cidade.
O ilcã também demonstrou interesse pela geografia e pela infraestrutura de seu território. Ordenou a medição de estradas e a instalação de marcos de distância. Segundo Boyle, em 1311, Hamade Almustaufi calculou a altura do monte Beistum, por determinação do ilcã e com o auxílio de engenheiros, provavelmente no contexto da fundação de Sultanabade Chemchimal. O soberano também apoiou atividades científicas no observatório de Maraga e promoveu a fundação de Sultanabade Chemchimal, nas proximidades do monte Beistum, como outro centro de residência governamental. Durante seu reinado, foram realizadas obras na Mesquita de Sexta-Feira de Ispaã, incluindo a ampliação do edifício e a construção de um grande mirabe, enquanto a Madraça Iacutia, em Erzurum, foi edificada em sua homenagem em 710 A.H. (1310). Entre os conjuntos arquitetônicos associados ao período encontra-se o complexo de Xeique Abede Açamade de Ispaã, em Natanz, formado por mesquita, mausoléu e convento sufi. Oljaitu também patrocinou diferentes formas de arte islâmica, incluindo a produção de manuscritos do Alcorão ricamente iluminados. A importância do mausoléu A madraça de Soltania também recebeu estudiosos de diferentes disciplinas. Entre os professores que nela atuaram durante o reinado de Oljaitu estava Xameçadim Maomé Amoli, erudito xiita que posteriormente compôs a enciclopédia Nafāʾis al-funūn fī ʿarāʾis al-ʿuyūn, dedicada às ciências e aos saberes antigos e islâmicos. A presença do estudioso atesta a atividade de ensino superior na capital ilcânida. também se manifesta em suas soluções arquitetônicas. Oleg Grabar descreve o edifício como uma construção octogonal com cerca de 25 metros de diâmetro interno e destaca a elaboração das galerias situadas em torno da zona de transição para a cúpula. Para o historiador da arte, esse tratamento constitui uma realização particularmente desenvolvida das experiências arquitetônicas iranianas destinadas a conferir maior leveza visual à estrutura superior dos edifícios monumentais.
A decoração do mausoléu de Soltania também permite observar a circulação de modelos entre diferentes artes. Jonathan M. Bloom descreve as abóbadas de cerca de duas dezenas de galerias exteriores do monumento, ornamentadas com padrões geométricos e inscrições em estuque pintado de vermelho, amarelo, verde e branco. A semelhança desses motivos com os empregados na iluminação de manuscritos contemporâneos levou o historiador a sugerir que desenhos preparados em papel poderiam servir de modelos comuns a iluminadores e artesãos responsáveis pela decoração arquitetônica. Trata-se de uma interpretação sobre a circulação de projetos ornamentais, não da identificação documental de um artista específico como autor das abóbadas. A atividade construtiva de Oljaitu também esteve associada à apresentação pública de sua autoridade. Segundo Michael Hope, o soberano demonstrou preferência pelo título de sultão, em detrimento das designações mongóis tradicionais de cã e ilcã, e procurou associá-lo a diferentes fundações urbanas. Entre as cidades que receberam nomes relacionados ao seu título estavam Soltania, Sultanabade e Oljaitu-Sultanabade. O uso reiterado dessa designação levou o historiador Hamade Almustaufi a afirmar, equivocadamente, que Oljaitu havia sido o primeiro governante ilcânida a adotar o título de sultão. Na interpretação de Hope, essa preferência representava uma continuidade da política de Gazã, que havia recorrido à simbologia islâmica da autoridade monárquica para fortalecer a legitimidade de seu governo.
O patrocínio intelectual estendeu-se particularmente à historiografia. Raxidadim havia iniciado a composição do Jami' al-Tawarikh a pedido de Gazã, que pretendia reunir a história dos mongóis e de seus governantes. Após a morte deste, o historiador apresentou a obra a Oljaitu e propôs dedicá-la ao novo ilcã. O soberano, entretanto, solicitou que a dedicatória original fosse mantida em homenagem ao irmão. Em seguida, Raxidadim ampliou o projeto historiográfico, incorporando relatos sobre outros povos que haviam entrado em contato com os mongóis. Dessa iniciativa resultaram as seções de história universal da obra, que passaram a constituir uma das mais importantes realizações historiográficas do período ilcânida. Charles Melville esclarece que o programa concebido sob Oljaitu compreendia também uma história do próprio reinado, a ser redigida à medida que os acontecimentos se desenrolassem, e um volume geográfico dedicado às regiões do mundo e às rotas que as interligavam. Embora Raxidadim tenha mencionado a conclusão desse último volume, nenhum exemplar foi identificado. O projeto ultrapassava, portanto, a simples continuação da história dinástica encomendada por Gazã e procurava organizar conhecimentos históricos e geográficos de alcance mais amplo. O patrocínio de Raxidadim também se apoiava numa estrutura permanente de produção livresca. Conforme Blair, seus ateliês de manuscritos funcionavam não apenas no complexo de Rab-i Raxidi, em Tabriz, mas também em fundações de Soltania, Hamadã e Iázide. O documento de fundação de Rab-i Raxidi, datado de 709 A.H. (1309), determinava a produção anual de um Alcorão em trinta volumes e de uma coletânea de hádices em quatro volumes; um aditamento de 713 A.H. (1314) acrescentou a cópia anual dos próprios escritos do vizir. Essas disposições demonstram que a atividade intelectual e artística da corte se articulava a instituições dotadas de recursos e obrigações regulares de produção.
A expansão da obra de Raxidadim integrou um movimento mais amplo de produção e ilustração de manuscritos históricos. Oleg Grabar identifica exemplares ilustrados do Jami' al-Tawarikh datados de 1306 e 1314, conservados respectivamente na Biblioteca da Universidade de Edimburgo e na Sociedade Asiática Real. O historiador associa esse desenvolvimento ao interesse dos governantes mongóis, especialmente Gazã e Oljaitu, pela preservação escrita das tradições e dos feitos de sua dinastia, inseridos numa história de alcance universal. Segundo Stefano Carboni, um exemplar ilustrado da Cronologia das Nações Antigas, de Albiruni, datado de 707 A.H. (1307–1308) e provavelmente produzido em Tabriz ou no norte do Iraque, constitui um testemunho importante da renovação pictórica desse período. Suas ilustrações, particularmente as de temática xiita, combinam elementos provenientes de diferentes tradições regionais com modelos do leste asiático. Carboni ressalva, contudo, que não é possível estabelecer se o manuscrito foi uma encomenda da corte de Oljaitu. A produção de manuscritos religiosos durante o reinado também envolveu a colaboração direta entre o soberano e seus vizires. Sheila S. Blair identifica um Alcorão em trinta volumes, copiado em Moçul entre 706 e 710 A.H. (1306–1311) pelo calígrafo xiita Ali ibne Maomé ibne Zaíde. Os certificados de encomenda registram que a obra se destinava a Oljaitu e fora produzida sob a supervisão conjunta de Raxidadim e Sadadim Assauaji. A menção expressa dos vizires nesses documentos era incomum; Blair considera possível que ambos tenham coordenado os pagamentos e assegurado a uniformidade e a qualidade dos diferentes volumes. A circulação dos manuscritos do Jami' al-Tawarikh também revela a dimensão coletiva dessa produção. Melville observa que Raxidadim recorreu a auxiliares e informantes de diferentes procedências, entre eles estudiosos chineses, uigures e de outras comunidades presentes na corte mongol. Um dos testemunhos mais antigos preservados da versão árabe da obra data de 714 A.H. (1314) e contém ilustrações que revelam influência da pintura chinesa. Carboni observa ainda que, do manuscrito árabe ilustrado do Jami Atauarikh produzido em 714 A.H. (1314–1315), sobreviveram aproximadamente duzentas páginas e pouco mais de cem imagens, fração reduzida da composição original. A documentação da fundação de Raxidadim previa a realização periódica de exemplares ilustrados, o que demonstra que a produção do texto estava ligada a um programa de reprodução e circulação de manuscritos, e não apenas à confecção de um volume isolado.
Oljaitu também recebeu pessoalmente obras de outros historiadores que atuavam nos círculos administrativos do império. Em 24 de Moarrão de 712 A.H. (1.º de junho de 1312), o cronista Vassafe apresentou-lhe em Soltania o quarto volume de sua crônica, o Tārīkh-i Waṣṣāf. O encontro foi intermediado por Raxidadim, que anteriormente havia auxiliado o historiador a apresentar os primeiros volumes da obra a Gazã. Oljaitu recebeu favoravelmente o trabalho. O cronista também ficou conhecido pelo título honorífico de Vassafe, abreviação de Vassāf al-ḥażra, que lhe fora concedido pelo soberano. Raxidadim também compôs escritos dedicados às conversas religiosas e filosóficas que manteve com Oljaitu, entre eles o Kitāb al-Sulṭāniyya e o Bayān al-ḥaqāʾiq, este último dedicado à exposição de vinte questões relacionadas ao soberano. A relação entre os historiadores de corte nem sempre foi harmoniosa. Segundo Melville, Alcaxani acusou Raxidadim de se apropriar de parte de seu trabalho, controvérsia que se relaciona à composição coletiva das histórias universais do período e à dificuldade de determinar a contribuição exata de cada colaborador. O pesquisador considera que as acusações não devem ser descartadas automaticamente, embora não bastem para negar a autoria geral de Raxidadim. Peter Jackson observa que Banacati, cuja história universal foi concluída em 717 A.H. (1317), compôs uma obra em grande parte abreviada do Jami Atauarikh, mas que a seção referente aos anos de 703–717 A.H. (1304–1317) apresenta informações próprias e constitui um dos testemunhos mais antigos sobre o reinado de Oljaitu. A importância desse trecho contrasta com o caráter predominantemente compilatório das partes anteriores da obra. O historiador Abedalá Alcaxani dedicou-lhe o Tārīkh-i Ūljāytū, enquanto outros estudiosos, entre eles Alhili e Banacati, também produziram obras em sua homenagem. A imagem de Oljaitu A memória historiográfica do reinado também sobreviveu em obras dedicadas a Gazã. Charles Melville registra que o Gazã Nama, crônica versificada iniciada em 1357 e concluída em 1362 por Nuradim ibne Xameçadim Maomé Ajdari, termina com um breve relato em prosa da morte de Oljaitu em 716 A.H. (1316). A obra é conhecida por um manuscrito copiado em 1469 e, segundo Melville, ainda não foi explorada sistematicamente como fonte histórica. como protetor dos estudiosos também foi preservada pela historiografia timúrida. Na crônica Ulus-i arba-yi Chingizi, escrita em 1425, Ulugue Begue distinguiu o soberano de outros governantes gengiscânidas por sua atenção aos estudiosos e aos representantes da religião islâmica. Segundo a interpretação apresentada por Zh. M. Tulibayeva, o cronista atribuiu especial importância ao empenho de Oljaitu em fortalecer as leis do islamismo e ao convívio do ilcã com as autoridades religiosas. Embora essa caracterização reflita uma tradição historiográfica posterior e favorável ao soberano, ela complementa os testemunhos sobre a intensa atividade intelectual de sua corte e sobre a associação entre patrocínio cultural, religião e legitimidade política.
Oljaitu morreu em Soltania, em dezembro de 1316, após sofrer uma grave enfermidade. Özgüdenli situa sua morte em 27 de Ramadã de 716 A.H. (13 de dezembro de 1316), enquanto Bayarsaikhan Dashdondog, com base em testemunhos historiográficos persas, apresenta a data de 17 de dezembro e atribui o falecimento a distúrbios digestivos. Algumas tradições históricas também relacionaram a morte do soberano a um possível envenenamento, embora essa explicação não seja consensual. Seu corpo foi sepultado no mausoléu que mandara construir em Soltania. J. A. Boyle atribui a enfermidade fatal a um distúrbio digestivo que teria sido agravado pelo emprego excessivo de medicamentos adstringentes. Sua interpretação relaciona a doença aos hábitos alimentares e de consumo atribuídos aos príncipes mongóis, mas não estabelece uma causa médica demonstrável. O historiador adota a data de 17 de dezembro de 1316 para o falecimento, em concordância com uma das cronologias já mencionadas.
A sucessão coube a seu único filho sobrevivente, Abuçaíde, que havia sido designado herdeiro ainda durante o reinado paterno. O príncipe tinha doze anos quando foi coroado, circunstância que favoreceu a intervenção dos principais comandantes militares nos assuntos do governo. Segundo Michael Hope, os emires receberam sua candidatura com entusiasmo, pois a menoridade do novo ilcã lhes oferecia a oportunidade de ampliar a autonomia que haviam conquistado durante o governo de Oljaitu. A instalação de Abuçaíde no trono não ocorreu imediatamente após a morte paterna. Conforme Boyle, o herdeiro encontrava-se em Mazandarão durante a última enfermidade de Oljaitu e só chegou a Soltania na primavera de 1317. O historiador registra duas cronologias para sua entronização: meados de abril, segundo uma tradição, ou 4 de julho, conforme o Mujmal-i Faṣīḥī. O atraso é relacionado à atuação do atabegue Sevinche, que inicialmente ambicionava o comando supremo dos emires, posição disputada com Chupane.
Entre os principais beneficiários da transição destacou-se Chupane, que passou a exercer influência predominante sobre o novo soberano. Algumas tradições históricas afirmam que Oljaitu havia confiado expressamente ao emir a administração do império até que Abuçaíde atingisse a maioridade. Segundo Hafize Abru, o antigo ilcã teria designado Chupane como responsável pela proteção do exército e pela condução dos assuntos do reino. Hope observa que esses relatos também serviam para legitimar a autoridade exercida pelo emir durante os primeiros anos do novo reinado. A posição de Chupane fortaleceu-se progressivamente, e sua família passou a ocupar os principais postos administrativos e militares do Ilcanato. Seu filho Timurtaxe permaneceu no governo da Anatólia, enquanto Maomé ibne Chupane recebeu o comando das forças encarregadas da defesa do Cáucaso meridional. Outro filho, Haçane ibne Chupane, foi designado governador do Coração, e Damasco Coja assumiu funções de administração da corte e de supervisão direta da pessoa de Abuçaíde. Essas nomeações contribuíram para transformar o governo ilcânida num sistema fortemente dependente da família de Chupane.
A transição também intensificou as rivalidades entre os altos funcionários civis, particularmente entre Raxidadim de Hamadã e Tajadim Ali Xá. Em 717 A.H. (1317), Raxidadim foi afastado de suas funções em consequência das intrigas de Tajadim. Posteriormente, foi acusado de envolvimento no suposto envenenamento de Oljaitu e condenado num julgamento em que também interveio Chupane. Em 17 de Jumada I de 718 A.H. (17 de julho de 1318), foi executado juntamente com seu filho Izadim Ibraim, apontado como responsável pela administração do veneno. A condenação ocorreu no contexto das disputas políticas que marcaram os primeiros anos do novo reinado. A eliminação do antigo vizir permitiu a Tajadim assumir o controle da administração civil, enquanto Chupane consolidava sua supremacia sobre os assuntos militares e políticos do império.
A sucessão de Oljaitu também aparece na crônica de Ulugue Begue, que dedica a Abuçaíde uma narrativa própria, preservada na tradução comentada de Tulibayeva. O testemunho insere a transmissão do trono na continuidade da dinastia gengiscida, mas também permite acompanhar as relações entre o novo soberano, os comandantes mongóis e os príncipes dos demais ramos da família imperial. Entre os acontecimentos destacados encontra-se a atuação de Iassavur Oglã, príncipe descendente de Chagatai, cujas relações com os ilcãs constituíram um dos problemas políticos e militares enfrentados durante o governo de Abuçaíde. Segundo Hope, a morte de Oljaitu marcou uma etapa importante no enfraquecimento da autoridade pessoal dos ilcãs. Embora o soberano tivesse procurado preservar a tradição de governo centralizado estabelecida por Gazã, sua dependência dos principais comandantes militares havia permitido o fortalecimento de uma aristocracia relativamente autônoma. Durante o reinado de Abuçaíde, esse processo intensificou-se, e os emires passaram a controlar diretamente grande parte da administração civil e militar, reduzindo progressivamente a capacidade do soberano de exercer autoridade independente.