Opy

Opy (casa de reza). Foto tirada na Comunidade Fontin Mbororé, Puerto Iguazu.

Opy, traduzido para a língua portuguesa como "casa de reza", constitui a parte mais importante de aldeias dos povos Guaranis. Neste local são realizadas cerimônias religiosas da aldeia, como funerais, rituais de cura, bênção do milho antes do cultivo, entre outros. É um espaço que reúne as pessoas mbyás para práticas específicas, mobilizando o silêncio e a palavra, geralmente conduzidas pelo petynguá (cachimbo sagrado Guarani). Além disso, é um lugar de aprendizagem e diálogo da comunidade, pois é onde se aprende a ser guarani, a cultura, as histórias ancestrais, rituais, cantos e danças. É na Opy onde os xeramõi (ancião, pessoas mais velhas) reúnem os mais jovens e compartilham seus saberes e conhecimentos. Opy é referência mbyá arandu (conhecimento Guarani), onde se discute educação, saúde e outros assuntos. Por isso, o termo "reza" utilizado para traduzir o que acontece na Opy, aproximando à ideia ocidental de religião, não dá conta do amplo significado das práticas que se dão neste espaço. Para o povo Guarani, a Opy é uma sala de aula, pois é onde aprendem sobre a espiritualidade e o modo de viver Guarani com a voz dos anciãos e anciãs (pessoas mais velhas da comunidade), os professores.

Construção

Geralmente, a Opy é construída no centro da comunidade e a frente da casa de reza é voltada para o leste. É feita de pau a pique, e nas construções antigas, os telhados eram de taquara batida, atualmente usam sapê, Brasilit ou telha de barro. As paredes devem ser muito bem vedadas, os Guaranis acreditam que assim os espíritos indesejados não entram. O interior das Opys não há divisórias. Nas laterais colocam bancos e no fundo o fogo. O espaço central é reservado para as danças.

Organização espacial

Denominações das áreasː

O Amba´i fica ao fundo, na parede voltada para o leste. Nas laterais colocam bancos e no fundo o fogo. O espaço central é reservado para as danças.

Função religiosa e cultural

Para os guaranis a Opy é um lugar sagrado. A Opy é o lugar onde ocorre o batismo que a criança recebe o nome, onde as sementes do primeiro plantio de milho são abençoadas, o local tido como mais apropriado para fumar o petygua, onde as reuniões acontecem, onde acontecem os funerais, as atividades religiosas e onde as brigas acabam.

Nela os xamãs pronunciam belas palavras provindas de espíritos através de sonhos. As paredes da Opy são coberta com barro para que espíritos ruins e indesejáveis não consigam entrar. A Opy representa a preservação da cultura e aproximação dos membros da aldeia. "Com ela, poderemos recuperar nossa dignidade", disse o guarani Karaí Mirim.

A Opy não se limita ao seu sentido religioso, pois também é um espaço dedicado à transmissão do conhecimento e da cultura do povo Guarani. Por isso, a Opy é considerada a primeira escola (ou a escola tradicional) deste povo, no qual os anciãos e anciãs são responsáveis por transmitir as histórias e conhecimentos para as gerações mais novas.

Por seu caráter sagrado e por seu papel na resistência, na preservação e na transmissão da cultura Guarani, a Opy aproxima-se mais da ideia de uma escola do que da de uma igreja, especialmente quando se busca estabelecer uma analogia com instituições não indígenas. Reduzi-la a um espaço estritamente religioso não contempla a amplitude de seus significados e de suas funções na vida do povo Guarani.

Referências

  1. 1 2 Cadogan, León (1997). Ayvu Rapyta; textos míticos de los Mbyá-Guaraní del Guairá. Asunción del Paraguay: Biblioteca Paraguaya de Antropología. p. 88
  2. ↑ Os Guaranis no Rio de Janeiro. Área de Proteção Ambiental Cairuçu. Site da ICMBio-MMA
  3. 1 2 Ferraz, Ana Lucia (2019). «"Jajeroky". Corpo, dança e alteridade entre os Mbya Guarani». Revista de Antropologia. 62 (2) – via JSTOR
  4. ↑ Pereira, Luely Miguel; Samaniego, Vilmone Benites (2025). «Diálogo Intercultural entre os conhecimentos do povo Guarani Mbyá/Nhandeva e o ensino de Química». Educación Química. 36 (Número especial)
  5. 1 2 3 Ciochetti, Vitor Miranda (27 de dezembro de 2024). «A Casa De Reza como a escola tradicional do povo Guarani». Ponto Urbe. 32 (2): e225644–e225644. ISSN 1981-3341. doi:10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2024.225644
  6. ↑ Delane, Janaina (2021). «A importância da casa de reza "Opy'i para a permanência da identidade dos indígenas guarani na aldeia Palmeirinha do Iguaçu (PR): t.i Mangueirinha». Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Consultado em 19 de abril de 2023
  7. 1 2 3 4 Oliveira, Joana Cabral de. (2013). Inventário Nacional de Referencias Culturais. Ficha de Identificação. Ministério da Cultura. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).