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Organicismo é uma posição filosófica segundo a qual o universo e suas diversas partes, incluindo as sociedades humanas, devem ser compreendidos como entidades vivas e naturalmente ordenadas, à semelhança de um organismo vivo. Um princípio fundamental do organicismo é a ideia de que seus elementos não são "coisas" inertes per se, mas componentes dinâmicos de um sistema integrado que, considerado como um todo, está em constante transformação.
O organicismo está relacionado ao holismo, embora os dois conceitos não sejam equivalentes. O organicismo antecede historicamente o conceito de holismo e, tradicionalmente, é empregado sobretudo nos campos da filosofia e da biologia. O holismo, por sua vez, possui uma aplicação mais ampla, abrangendo as relações entre partes e totalidades em áreas como a antropologia e a sociologia. Além disso, o organicismo se contrapõe ao reducionismo por considerar a existência tanto de relações causais ascendentes quanto descendentes, isto é, tanto dos componentes individuais para o sistema como um todo quanto do sistema sobre seus componentes.
Considerado um princípio fundamental da filosofia natural, o organicismo permaneceu como uma importante corrente do pensamento moderno, ao lado do reducionismo e do mecanicismo, correntes que vêm orientando a investigação científica desde o início do século XVII.
Embora existam divergências entre historiadores da ciência acerca das origens do organicismo, a maioria dos estudiosos considera a Atenas Antiga seu local de origem. O pensamento organicista aparece nos escritos atenienses do século IV a.C., e Platão foi um dos primeiros filósofos a conceber o universo como um ser vivo dotado de inteligência, quase senciente. Essa concepção é apresentada principalmente em seus diálogos Filebo e Timeu.
Na virada para o século XVIII, Immanuel Kant contribuiu para a retomada do pensamento organicista ao enfatizar, em suas obras, a inter-relação entre o organismo e suas partes, bem como a "causalidade circular" decorrente da inseparabilidade entre o todo e seus componentes.
O organicismo ganhou destaque durante o movimento intelectual do romantismo alemão. O filósofo Friedrich Wilhelm Joseph Schelling considerava-o um princípio importante para o então emergente campo dos estudos biológicos.
Na biologia contemporânea, o organicismo enfatiza a organização dos organismos, particularmente suas propriedades de auto-organização, em vez de sua composição ou da redução dos organismos aos seus componentes biológicos. John Scott Haldane foi o primeiro biólogo moderno a empregar o termo para caracterizar e ampliar sua posição filosófica, em 1917. Outros acadêmicos e pesquisadores do século XX, entre eles Theodor Adorno e Albert Dalcq, também desenvolveram ideias organicistas.
O interesse científico pelo organicismo na biologia foi recentemente renovado com o desenvolvimento da síntese evolutiva estendida, que incorpora aspectos da organização e da interação entre diferentes níveis dos sistemas biológicos à compreensão dos processos evolutivos.