Otite é um termo genérico usado para inflamações ou infecções que acontecem em alguma parte da orelha. Ela é uma das doenças mais comuns do sistema auditivo, principalmente em crianças devido ao formato de estruturas como a tuba auditiva que possui um formato mais horizontalizado do que a dos adultos; fazendo com que essa infecção seja muito mais frequente em crianças do que em adultos. A orelha humana divide-se em: orelha externa, orelha média e orelha interna. Dependendo do local da região afetada, a otite recebe um nome diferente.
Otite (do grego oûs; ōtós, ´´ouvido´´ + ite, sufixo médico para inflamação.)

É o tipo de inflamação que atinge o pavilhão auricular e o meato acústico externo (MAE), estrutura que se estende da orelha até a membrana timpânica. Essa condição ocorre quando a pele que reveste o canal auditivo sofre irritação, lesão, ou é invadida por microrganismos, principalmente bactérias e fungos.
O canal auditivo possui mecanismos naturais de proteção, como o cerúmen (cera), que ajuda a impedir a entrada de microrganismos e mantém o ambiente com características adequadas para a saúde do ouvido. Quando essa proteção é alterada por fatores como excesso de umidade, limpeza inadequada com cotonetes ou pequenos traumas na pele do canal auditivo, aumenta o risco de desenvolvimento da otite externa que pode acontecer de forma aguda ou se tornar crônica.
Os sintomas mais frequentes são: prurido, dor e eritema, mas com a progressão da doença, outros problemas como edema, otorreia (secreção) e perda auditiva condutiva podem ser manifestados.
É o tipo de inflamação que atinge a orelha média, podendo afetar os ossículos (martelo, bigorna e estribo) e a membrana timpânica. A inflamação pode ser aguda ou se tornar crônica. Os tipos de otite média são:

A otite interna é uma inflamação que acomete o ouvido interno, região responsável pela audição e pelo equilíbrio. Embora seja menos frequente que a otite externa e a otite média, pode causar sintomas mais intensos devido ao comprometimento das estruturas vestibulares e auditivas.
Entre as principais causas estão a disseminação de infecções do ouvido médio, infecções virais e, mais raramente, infecções bacterianas. Os sintomas mais comuns incluem tontura, vertigem, desequilíbrio, náuseas, vômitos, zumbido e redução da audição.
O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica e, quando necessário, de exames audiológicos e vestibulares. O tratamento varia de acordo com a causa e pode incluir medicamentos para controlar a infecção, a inflamação e os sintomas vestibulares.
As otites externa e média podem causar alterações auditivas, principalmente do tipo perda auditiva condutiva, devido à dificuldade de transmissão do som pelo ouvido externo ou médio. Na otite externa, o inchaço e o acúmulo de secreções no canal auditivo podem reduzir temporariamente a audição. Já na otite média, a presença de líquido e a inflamação no ouvido médio comprometem a vibração do tímpano e dos ossículos, causando diminuição da sensibilidade auditiva.
Nos exames audiológicos, é comum observar limiares auditivos elevados, alterações na timpanometria e dificuldades na percepção da fala. Em crianças, episódios recorrentes podem interferir no desenvolvimento da linguagem, na aprendizagem e na comunicação, tornando o acompanhamento audiológico e fonoaudiológico fundamental.
Quando diagnosticada e tratada precocemente, a otite externa geralmente apresenta boa evolução e recuperação completa. No entanto, a ausência de tratamento adequado pode levar a complicações, como dor intensa e persistente, edema acentuado com estreitamento ou fechamento do canal auditivo, acúmulo de secreções e redução temporária da audição. Em casos mais graves, a infecção pode se espalhar para tecidos adjacentes, tornando o tratamento mais complexo. Além disso, o comprometimento auditivo temporário pode prejudicar a comunicação e a percepção dos sons durante o período da infecção.
A otite possui grande relevância para a Fonoaudiologia devido aos seus possíveis impactos na audição e na comunicação. As otites, especialmente a otite média, podem causar perda auditiva condutiva temporária, dificultando a percepção adequada dos sons da fala. Em crianças, episódios frequentes ou prolongados podem interferir no desenvolvimento da linguagem oral, da fala, da aprendizagem e das habilidades auditivas.
Nesse contexto, o fonoaudiólogo atua na identificação de possíveis alterações auditivas, no acompanhamento do desenvolvimento da comunicação e na orientação de familiares e cuidadores. O acompanhamento fonoaudiológico é importante para minimizar os impactos da redução auditiva e favorecer o desenvolvimento adequado da linguagem e da comunicação.