Pagode de viola (também conhecido como pagode caipira ou pagode sertanejo) é uma variante da música caipira, marcada pelo ritmo diferente dado ao modo de tocar juntos o violão e a viola caipira, que incluía um "recortado", comumente acompanhado pelo ritmo cipó preto, que pode ser executado pela própria viola caipira ou, na maioria dos casos, no violão. É uma vertente do ritmo do catira, o primeiro tocado com violão, e o segundo, com a viola. O Pagode de viola é o resultado de uma fusão rítmica que inclui influências do coco, do calango e do cipó preto, todos estilos comuns no norte de Minas Gerais.
Foi inventado por Tião Carreiro em 1959, nos fundos da Rádio Cultura na cidade paranaense de Maringá juntamente com Lourival dos Santos; como sugere o nome, foi feito para ser executado na viola caipira. Nesse ritmo, a dupla compôs sucessos da época como "Jangadeiro Cearense", "Pagode em Brasília", "A Viola e o Violeiro" e vários outros. Em 1979, Tião Carreiro lançou o LP O criador e o rei do pagode em solo de viola caipira.
O ritmo do Pagode é binário (possui 2 tempos), mas é executado com seis movimentos diferentes inseridos nesses dois tempos. Os movimentos 1 e 4 são geralmente mais longos, e os movimentos 3 e 5 são executados com um rasqueado fechado (movimento rápido e percussivo dos dedos sobre as cordas). O violão atua no acompanhamento e geralmente executa o ritmo cipó preto. Este ritmo é fundamental para a harmonia e para criar o balanço característico, funcionando como um contratempo ou síncope da pulsação principal da viola, preenchendo os espaços vazios e garantindo a cadência percussiva.
O Pagode de viola, junto com a catira e o cururu, consolidou-se como uma das expressões mais tradicionais e autênticas da música caipira e regional brasileira. O gênero e o trabalho de Tião Carreiro influenciaram gerações de violeiros de diversas vertentes da música sertaneja. Artistas como Almir Sater e a cantora Bruna Viola são exemplos de músicos que reverenciam e se inspiram na obra de Tião Carreiro.