Pandemia de COVID-19

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a pandemia. Para o vírus, veja SARS-CoV-2. Para a doença, veja COVID-19. Para a pandemia no Brasil, veja Pandemia de COVID-19 no Brasil. Para a pandemia em Portugal, veja Pandemia de COVID-19 em Portugal.

A pandemia de COVID-19, também conhecida como pandemia de coronavírus, é uma pandemia em curso de COVID-19, uma doença respiratória aguda causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). A doença foi identificada pela primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China, em 1 de dezembro de 2019, mas o primeiro caso foi reportado em 31 de dezembro do mesmo ano. Acredita-se que o vírus tenha uma origem zoonótica, porque os primeiros casos confirmados tinham principalmente ligações ao Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, que também vendia animais vivos. Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto uma pandemia. Até 8 de março de 2021, pelo menos 116 822 839 casos da doença foram confirmados em pelo menos 192 países e territórios, com 2 593 073 mortes e 66 117 757 pessoas curadas.

Os cientistas chineses isolaram um novo coronavírus, o SARS-CoV-2, 70% semelhante na sequência genética ao SARS-CoV, e posteriormente mapearam e disponibilizaram a sua sequência genética. Inicialmente, o vírus não mostrou a mesma gravidade do SARS, porém com um contágio maior. As questões levantadas incluem se o vírus está circulando há mais tempo do que se pensava anteriormente, se Wuhan é realmente o centro do surto ou simplesmente o local em que foi identificado pela primeira vez com a vigilância e os testes em andamento, e se poderia haver uma possibilidade de que Wuhan seja um evento de superdispersão.

Em 22 de janeiro de 2020, foi discutido por um comitê de emergência organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) se o incidente constituía uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC) sob os Regulamentos Internacionais de Saúde. A decisão foi adiada por falta de informação. Em 23 de janeiro de 2020, a OMS decidiu não declarar o surto uma PHEIC. Entretanto, em 30 de janeiro de 2020, a OMS declarou o surto uma PHEIC, pedindo que "uma ação coordenada de combate à doença deverá ser traçada entre diferentes autoridades e governos". A declaração fez com que esta fosse apenas a sexta vez que essa medida foi invocada pela OMS, desde a pandemia de H1N1 em 2009. Na primeira semana de fevereiro de 2020, o número de mortes causado pelo novo coronavírus ultrapassou 800, superando o SARS, que matou 774 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2003. Posteriormente, no mês de fevereiro, o número de mortes subiu para mais de 1 400, e ultrapassou 3 000 em março.

De acordo com as pesquisas da Universidade de Agricultura do Sul da China, o pangolim pode ter sido o hospedeiro intermediário do vírus, enquanto pesquisas do Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças, encontraram similaridade com a genética de morcegos e cobras. Os cientistas estudaram mil amostras de animais selvagens e determinaram que os genomas das sequências de vírus estudadas no pangolim eram 99% idênticos aos dos pacientes infectados pelo coronavírus em Wuhan. Em 11 de fevereiro de 2020, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da OMS, anunciou o nome oficial da doença, que passaria a ser chamada de COVID-19, porque a palavra coronavírus refere-se ao grupo que o vírus pertence, e não à última cepa descoberta, sendo que o vírus em si foi designado por SARS-CoV-2. O epidemiologista americano e consultor da OMS, Ira Longini, alertou que cerca de dois terços da população mundial podem ser infectados pela COVID-19. No dia 9 de março de 2020, o canal de notícias CNN passou a considerar o surto uma pandemia, sob justificativa de que o vírus encontrou um ponto de apoio em todos os continentes, exceto na Antártida, e que em vários países do mundo os casos continuam a crescer. No dia 11 de março de 2020, a OMS declarou o surto como pandemia. Os efeitos mundiais da pandemia incluem instabilidade social e econômica (queda do mercado global de ações), corridas às compras, xenofobia e racismo contra pessoas de descendência chinesa e do leste asiático, a disseminação on-line de informações falsas e teorias da conspiração sobre o vírus, e o encerramento de escolas e universidades em pelo menos 115 países, afetando mais de 1.6 bilhão de estudantes. Até ao momento, a transmissão a animais de companhia como cães e gatos ainda não foi confirmada, sendo considerado que estes animais não transmitem a doença, embora em um caso raro, um gato na Bélgica testou positivo.

Causa

Ver artigos principais: COVID-19 e SARS-CoV-2

A causa da pandemia é uma doença respiratória denominada COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019). A doença é causada pela infeção com o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).

O SARS-CoV-2 é um vírus ARN de cadeia simples positiva e pertence a uma grande família de vírus denominada coronavírus. Os coronavírus causam várias infeções respiratórias em seres humanos, desde simples constipações até doenças mais graves como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) ou a síndrome respiratória aguda grave (SARS). O SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus conhecido a poder infetar seres humanos, sendo os restantes o 229E, NL63, OC43, HKU1, MERS-CoV e o SARS-CoV original.

O SARS-CoV-2 foi identificado pela primeira vez em seres humanos em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China. É provável que o vírus tenha tido origem numa mutação dos coronavírus de morcegos. Pensa-se que antes de ser transmitido aos seres humanos tenha passado por um reservatório animal intermédio, como o pangolim. Estima-se que o número básico de reprodução do vírus seja de entre 1,4 e 3,9. Isto significa que é esperado que cada infeção pelo vírus resulte em 1,4 a 3,9 novas infeções quando nenhum membro da comunidade é imune e não é tomada nenhuma medida preventiva.

Não existem medicamentos antivirais aprovados para o tratamento de COVID-19, embora estejam vários a ser desenvolvidos e a serem testados medicamentos já existentes. Em casos ligeiros, o alívio dos sintomas pode ser tentado com os mesmos medicamentos para o alívio de sintomas da constipação, ingestão de líquidos e repouso. Em casos mais graves pode ser necessária hospitalização com oxigenoterapia, soro e ventilação mecânica. A administração de corticosteroides pode agravar o prognóstico.

Sinais e sintomas

Sintomas mais comuns de COVID-19

A gravidade dos sintomas varia, desde sintomas ligeiros semelhantes à constipação até pneumonia viral grave com insuficiência respiratória potencialmente fatal. Em muitos casos de infeção não se manifestam sintomas. Nos casos sintomáticos, os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar. A perda de olfato e paladar são também sintomas comuns da COVID-19. Entre outros possíveis sintomas menos frequentes estão garganta inflamada, corrimento nasal, espirros ou diarreia. Entre as possíveis complicações estão pneumonia grave, falência de vários órgãos e morte.

Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.

O período de incubação entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é, em média, de 5 dias, embora possa variar entre 2 e 14 dias. A doença é contagiosa durante o período de incubação, pelo que uma pessoa infetada pode contagiar outras antes de começar a manifestar sintomas.

Epidemiologia

Surto inicial

Wuhan, China, onde a doença foi detectada pela primeira vez.
Número de casos na China.

Os primeiros casos suspeitos foram notificados em 31 de dezembro de 2019, com os primeiros sintomas aparecendo algumas semanas antes, em 1 de dezembro de 2019. O Mercado foi fechado em 1 de janeiro de 2020 e as pessoas com os sintomas foram isoladas. Mais de 700 pessoas, incluindo mais de 400 profissionais de saúde, que entraram em contato próximo com casos suspeitos, foram posteriormente monitoradas. Com o desenvolvimento de um teste de PCR de diagnóstico específico para detectar a infecção, a presença de COVID-19 foi então confirmada em 41 pessoas em Wuhan, das quais duas foram posteriormente relatadas como sendo um casal, um dos quais não tinha estado no Mercado e outros três membros da mesma família que trabalhavam nas bancas de produtos do mar do mesmo Mercado.

A primeira morte decorrente da epidemia ocorreu em 9 de janeiro de 2020. A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou, em 20 de janeiro de 2020, que o novo coronavírus pode ser transmitido entre seres humanos. Na altura, vários profissionais de saúde também foram infectados. A OMS alertou que era possível um surto mais amplo. Houve também preocupações de se espalhar mais durante a alta temporada de viagens da China por volta do Ano-Novo Chinês.

A 20 de janeiro, a China registrou um aumento acentuado nos casos com quase 140 novos pacientes, incluindo duas pessoas em Pequim e uma em Shenzhen. Em 23 de janeiro de 2020, Wuhan foi colocada em quarentena, no qual todo o transporte público dentro e fora de Wuhan foi suspenso. Huanggang e Ezhou, adjacentes a Wuhan, também foram colocadas em quarentena semelhante em 24 de janeiro de 2020. Em 24 de janeiro de 2020, o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado na Europa, mais precisamente em França.

A 13 de fevereiro de 2020, após dois casos confirmados em condomínio, autoridades investigam transmissão entre pacientes sem qualquer tipo de relação. A suspeita é de que o vírus tenha se espalhado pela canalização de um edifício. Um prédio de 35 andares foi evacuado e mais de cem pessoas não puderam voltar para casa após a confirmação de que dois moradores estavam com o vírus: uma mulher de 62 anos, que mora no 3.º andar, e um vizinho não identificado do 13.º.

No mesmo dia, Robert Redfield, diretor do Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), disse a CNN que a transmissão assintomática do novo coronavírus é possível. Redfield disse que uma pessoa infectada que não apresenta sintomas ainda pode transmitir o vírus a outra pessoa.

Expansão global

Mapa de países e territórios infectados pela COVID-19 no mundo (em 8 de março de 2021):
  +10 000 000 casos confirmados
  +1 000 000 casos confirmados
  100 000–999 999 casos confirmados
  10 000–99 999 casos confirmados
  1 000–9 999 casos confirmados
  100–999 casos confirmados
  1–99 casos confirmados
  Nenhum caso confirmado, nenhuma população ou nenhum dado disponível
Total de casos de COVID-19 por cada milhão de habitantes.
Total de mortes de COVID-19 por cada milhão de habitantes.
2020 coronavirus cases by date of report.svg

A 15 de fevereiro, foi confirmado o primeiro caso do novo coronavírus — de uma norte-americana de 83 anos — envolvendo o navio de cruzeiro Westerdam, que tinha um total de 1455 passageiros e 802 tripulantes a bordo e não estava em quarentena. Vários países asiáticos recusaram-se a deixar o Westerdam atracar em seus portos antes de serem autorizados a desembarcar no Camboja no dia 14 de fevereiro.

No dia 26 de fevereiro, uma mulher japonesa pegou o vírus pela segunda vez. A mulher, que tem por volta de 40 anos, fez o teste pela segunda vez após ter dor de garganta e no peito. A primeira vez havia sido infectada no fim de janeiro, ficou internada e recebeu alta do hospital em 1 de fevereiro. Embora esse seja o primeiro caso conhecido no Japão, infecções reincidentes foram relatadas na China.

No dia 18 de março de 2020, dado a situação alarmante que a pandemia chegou, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump em entrevista, anunciou que vai invocar a lei de guerra e comparou esforços à Segunda Guerra Mundial; uma analogia ao cenário da segunda Guerra.

A partir de meados de janeiro de 2020, ocorreram os primeiros casos confirmados fora da China continental. O primeiro caso confirmado fora da China foi na Tailândia, em 13 de janeiro. Após isso, casos da doença foram confirmados no Japão (16 de janeiro); Coreia do Sul (20 de janeiro); Taiwan e Estados Unidos (21 de janeiro); Hong Kong e Macau da China (22 de janeiro); Cingapura (23 de janeiro); França, Nepal e Vietnã (24 de janeiro); Malásia e Austrália (25 de janeiro); Canadá (26 de janeiro); Camboja (27 de janeiro); Alemanha (28 de janeiro); Finlândia, Emirados Árabes Unidos e Sri Lanka (29 de janeiro); Itália, Índia e Filipinas (30 de janeiro); Reino Unido (31 de janeiro).

No dia 10 de abril, a pandemia atingiu mais de cem mil mortes no mundo, com o número total de casos ultrapassando 1,6 milhão, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. No dia 15 de abril, o número de infectados pela doença ultrapassou dois milhões; no entanto, esse número apenas revela uma parte do total de contágios, uma vez que as políticas de detecção variam entre os países, alguns contando apenas os pacientes hospitalizados. Em 28 de setembro, o mundo ultrapassou a marca de 1 milhão de mortos por COVID-19.

Casos de reinfecção global

Em 12 de outubro de 2020, foi divulgado pela Revista Galileu, que um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Saúde Pública do Estado de Nevada e da Universidade de Nevada, confirmou o primeiro caso de reinfecção pela Covid-19 nos Estados Unidos, sendo esse o quinto caso reconhecido em todo o mundo, o que indica que a exposição ao vírus pode não trazer imunidade total.

Prevenção

Ver artigo principal: COVID-19#Prevenção

Vacina

Ver artigo principal: Pesquisa de vacina para COVID-19

Uma vacina para a COVID-19 é um produto biotecnológico destinado a fornecer imunidade adquirida contra a COVID-19. Trabalhos anteriores para desenvolver uma vacina contra as doenças por coronavírus SARS e MERS estabeleceram conhecimento sobre a estrutura e função dos coronavírus, o que acelerou o desenvolvimento durante o início de 2020 de plataformas tecnológicas variadas para uma vacina contra a COVID-19.

Em dezembro, cerca de 59 vacinas candidatas estavam em investigação clínica, 42 em testes de Fase I–II e 17 em testes de Fase II–III. Nenhuma vacina candidata ainda completou totalmente um ensaio de Fase III.

Em novembro de 2020, a Pfizer Inc., Moderna e a Universidade de Oxford (em colaboração com a AstraZeneca) anunciaram resultados positivos de análises provisórias de seus ensaios de vacinas de Fase III. Em 2 de dezembro, a aprovação regulatória temporária foi concedida pela reguladora de medicamentos do Reino Unido, a MHRA, para a vacina Pfizer-BioNTech, que também está sob avaliação para status de autorização de uso de emergência pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos e de diversos outros países.

História

2019

Existem várias teorias sobre quando e onde o primeiro caso (o chamado paciente zero) se originou. De acordo com um relatório não divulgado do governo chinês, o primeiro caso pode ser rastreado até 17 de novembro; a pessoa era um cidadão de 55 anos da província de Hubei. Quatro homens e cinco mulheres foram infectados em novembro, mas nenhum deles era o "paciente zero". A partir de dezembro, o número de casos de coronavírus em Hubei aumentou gradualmente, atingindo 60 em 20 de dezembro e pelo menos 266 em 31 de dezembro.

De acordo com fontes oficiais chinesas, esses primeiros casos foram relacionados principalmente ao Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, que também vendia animais vivos. No entanto, em maio de 2020, George Gao, diretor do Centros de Controle e Prevenção de Doenças da China (CDC), disse que amostras de animais coletadas no mercado de frutos do mar deram resultado negativo para o vírus, indicando que o mercado não foi a fonte do surto inicial.

Em 24 de dezembro, o Hospital Central de Wuhan enviou uma amostra de fluido de lavagem broncoalveolar (BAL) de um caso clínico não resolvido para a empresa de sequenciamento Vision Medicals. Em 27 e 28 de dezembro, a Vision Medicals informou ao Hospital Central de Wuhan e ao CDC chinês sobre os resultados do teste, mostrando um novo coronavírus. Um aglomerado de pneumonia de causa desconhecida foi observado em 26 de dezembro e tratado pelo médico Zhang Jixian no Hospital Provincial de Hubei, que informou ao Wuhan Jianghan CDC em 27 de dezembro.

Em 30 de dezembro, um relatório de teste dirigido ao Hospital Central de Wuhan, da empresa CapitalBio Medlab, afirmava que havia um resultado positivo errôneo para o SARS, fazendo com que um grupo de médicos do Hospital Central de Wuhan alertasse seus colegas e autoridades hospitalares relevantes sobre o resultado. Oito desses médicos, incluindo Li Wenliang (que também recebeu uma punição em 3 de janeiro), foram posteriormente advertidos pela polícia por espalharem falsos rumores; e outro médico, Ai Fen, foi repreendido por seus superiores por dar o alarme sobre o surto. Naquela noite, a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan emitiu um aviso a várias instituições médicas sobre "o tratamento de pneumonia de causa desconhecida". No dia seguinte, a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan fez o primeiro anúncio público de um surto de pneumonia de causa desconhecida, confirmando 27 casos — o suficiente para desencadear uma investigação.

2020

Médicos chineses na cidade de Huanggang, Hubei, em 20 de março de 2020

Durante os primeiros estágios do surto, o número de casos dobrou aproximadamente a cada sete dias e meio. No início e em meados de janeiro de 2020, o vírus se espalhou para outras províncias chinesas, devido à migração do Ano Novo Chinês e por Wuhan ser um centro de transporte e um importante intercâmbio ferroviário. Em 20 de janeiro, a China relatou quase 140 novos casos em um dia, incluindo duas pessoas em Pequim e uma em Shenzhen. Um estudo oficial retrospectivo publicado em março descobriu que 6 174 pessoas já haviam desenvolvido sintomas até 20 de janeiro (a maioria delas seria diagnosticada mais tarde) e mais podem ter sido infectadas. Um relatório publicado no The Lancet em 24 de janeiro indicou a transmissão humana, recomendou fortemente equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde e disse que o teste do vírus era essencial devido ao seu "potencial pandêmico". Em 30 de janeiro, a OMS declarou o coronavírus uma emergência de saúde pública de âmbito internacional.

Em 31 de janeiro, a Itália teve seus primeiros casos confirmados, dois turistas da China. Em 26 de fevereiro, o Brasil teve seu primeiro caso confirmado, um homem de 61 anos de São Paulo, que tinha retornado ao país após uma viagem à Itália. Em 2 de março, Portugal teve seus primeiros casos confirmados, quando foi reportado que dois homens, um médico de 60 anos que esteve na Itália e um homem de 33 anos que esteve na Espanha, testaram positivo para a doença. Em 11 de março, a OMS reconheceu a propagação da COVID-19 como uma pandemia. Dois dias depois, a OMS considerava a Europa o epicentro da pandemia. Em 16 de março, Portugal registrou sua primeira morte devido à COVID-19. No dia seguinte, o Brasil também registrou sua primeira morte devido à doença, um homem de 62 anos no estado de São Paulo. Em 19 de março, a Itália ultrapassou a China como o país com o maior número de mortes relatadas. Uma semana depois, os Estados Unidos ultrapassaram a China e a Itália com o maior número de casos confirmados no mundo. Pesquisas sobre genomas de coronavírus indicam que a maioria dos casos de COVID-19 em Nova Iorque veio de viajantes europeus, e não diretamente da China ou de qualquer outro país asiático. O novo teste de amostras anteriores encontrou uma pessoa na França com o vírus em 27 de dezembro de 2019 e uma pessoa nos Estados Unidos que morreu da doença em 6 de fevereiro de 2020.

Em 11 de junho, após 55 dias sem que um caso transmitido localmente fosse oficialmente relatado, a cidade de Pequim relatou um único caso de COVID-19, seguido por mais dois casos em 12 de junho. Em 15 de junho, 79 casos foram oficialmente confirmados. A maioria desses pacientes vieram do Mercado Atacadista de Xinfadi.

Em 29 de junho, a OMS alertou que a propagação do vírus ainda está se acelerando à medida que os países reabrem suas economias, embora muitos países tenham feito progressos na redução da propagação.

Em 15 de julho, um caso de COVID-19 foi oficialmente relatado em Dalian, depois de mais de três meses sem nenhum caso confirmado. O paciente não viajou para fora da cidade nos 14 dias anteriores ao desenvolvimento dos sintomas, nem teve contato com pessoas de "áreas de atenção".

2021

Em 25 de janeiro de 2021 o site worldometers.info, que reúne números oficiais da pandemia por país, indicava total de casos a nível mundial chegou a 100 milhões, com cerca de 2 150 000 mortes.

Estado atual

Até 8 de março de 2021, pelo menos 116 822 839 casos da doença foram confirmados em pelo menos 192 países e territórios, com cerca de 2 593 073 fatalidades reportadas e 66 117 757 pessoas curadas. Em novembro de 2020, as primeiras vacinas começaram a entrar na fase de testes clínicos em larga escala ao passo que em dezembro do mesmo ano, diversas nações no mundo (como Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e China) começaram o longo processo de imunizar suas populações.

Reações

Organizações internacionais

Nações Unidas

No dia 30 de março, em um relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para comércio e desenvolvimento, as Nações Unidas pediram um pacote de 2,5 trilhões de dólares para nações de países em desenvolvimento, de forma a transformar manifestações de solidariedade internacional em ação global efetiva. No dia primeiro de abril de 2020, o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a crise do novo coronavírus é o maior desafio da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial, tanto pela ameaça às vidas quanto pelas consequências à economia mundial.

Organização Mundial da Saúde

O objetivo das medidas de mitigação são atrasar o pico epidemiológico e suavizar a pressão do pico nos sistemas de saúde, um processo denominado "achatar a curva".

A 10 de fevereiro, a conselheira sênior do Departamento de Gestão de Contágios da Organização Mundial da Saúde (OMS), Nahoko Shindo, em entrevista à NHK, na sede da ONU, em Genebra, afirmou que o novo vírus teria aparecido entre seres humanos por volta de novembro do ano passado, embora sua origem continue desconhecida. A conselheira da OMS disse ser extremamente difícil criar uma vacina que possa prevenir completamente uma doença contagiosa do sistema respiratório, e acrescentou que será necessário agregar conhecimentos de todo o mundo para combater o vírus. A 11 de fevereiro de 2020, cerca de 300 cientistas, representantes de agências de saúde pública, de ministérios da Saúde e financiadores de pesquisas reuniram-se para um encontro de dois dias na OMS com o objetivo de compartilhar as informações mais recentes sobre o vírus e decidir qual a melhor forma de combate-lo. A 15 de fevereiro de 2020, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, pediu aos governos que intensifiquem seus esforços para se preparar para o coronavírus e disse que "é impossível prever que direção essa epidemia tomará". A 23 de fevereiro de 2020, Tedros Adhanom afirmou que a agência vai investir 675 milhões de dólares em um plano de resposta à doença para apoiar os países, especialmente os mais vulneráveis. Adhanom disse que a OMS identificou 13 países prioritários na África por serem locais com alto número de voos diretos para a China, e que a preocupação da organização no momento é o aumento no número de casos de COVID-19, sem que a pessoa infectada tenha viajado à China ou tido contato com alguém que esteve lá. No dia 24 de fevereiro, Adhanom pediu ao mundo que se prepare para uma pandemia. "Temos que fazer todo o possível para nos prepararmos para uma potencial pandemia.", disse o diretor-geral da OMS. O cenário mudou rapidamente em poucos dias. Passou-se de uma situação com os casos na China contidos e o resto do mundo as infecções escassas a outra situação com surtos descontrolados na Itália, na Coreia do Sul e no Irã. No dia 9 de março de 2020, em entrevista coletiva, Tedros Adhanom Ghebreyesus, abordou o surto em suas observações iniciais, dizendo que é importante lembrar "de todos os casos relatados globalmente até agora, 93 por cento são de apenas quatro países".

Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS.
Representantes da OMS em reunião conjunta com administradores de Teerã.

A OMS elogiou os esforços das autoridades chinesas na gestão e contenção da epidemia, tendo o diretor-geral Tedros Adhanom expressado confiança na abordagem da China no controlo da epidemia e apelando ao público para manter a serenidade. A OMS salientou o contraste entre a epidemia de SARS de 2002-2004, em que as autoridades chinesas foram acusadas de secretismo que impediu medidas de prevenção e contenção, e a crise atual em que o governo central forneceu atualizações regulares para evitar o pânico antes do ano novo chinês.

Em 23 de janeiro, reagindo à decisão das autoridades centrais em impôr uma proibição de transportes em Wuhan, o representante da OMS Gauden Galea salientou que embora não tenha sido recomendação da OMS, foi no entanto um sinal muito importante no compromisso de conter a epidemia no local de maior concentração e sem precedentes na história da saúde pública. Em 30 de janeiro, após a confirmação de transmissão comunitária fora da China e do aumento do número de casos noutros países, a OMS declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPAI), a sexta desde que a medida foi invocada pela primeira vez durante Pandemia de gripe de 2009. O diretor-geral clarificou que a ESPAI, neste caso, não representou falta de confiança na China, mas se deveu ao risco de transmissão global, especialmente em países com menos recursos e sem sistemas de saúde robustos. Em resposta à implementação de restrições de viagem, Tedros afirmou que não existiam razões para medidas que interfiram de forma desnecessária com as viagens e comércio internacionais e que a OMS não recomendava limitar o comércio e a deslocação de pessoas.

Em 5 de fevereiro, a OMS fez um apelo à comunidade mundial para que contribuísse com 657 milhões de dólares para o financiamento de meios de prontidão estratégicos em países de baixo rendimento, citando a urgência em apoiar países que não têm os sistemas para detectar pessoas que contraíram o vírus. Tedros declarou em seguida que "somos apenas tão fortes como o nosso elo mais fraco" e apelou a que a comunidade internacional investisse hoje ou mais tarde acabaria por pagar as consequências. Em 11 de fevereiro, a OMS anunciou numa conferência de imprensa que COVID-19 seria o nome da doença. No mesmo dia, Tedros anunciou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, concordou em disponibilizar todo o poder da ONU para responder à epidemia. Consequentemente, a ONU formou uma Equipa de Gestão de Crise, permitindo a coordenação da resposta das Nações Unidas, que a OMS afirma que lhe irá permitir focar na resposta de saúde, enquanto outras agências trazem a sua experiência para lidar com as implicações sociais, económicas e de desenvolvimento do surto. Em 14 de fevereiro, foi ativada uma missão conjunta entre a OMS e a China, que disponibilizou no terreno peritos internacionais e da OMS para prestar assistência na gestão doméstica do surto e avaliar a gravidade e transmissão da doença. A equipa conduziu várias reuniões de trabalho com as principais instituições nacionais de forma a conduzir visitas ao terreno para avaliar o impacto das medidas de resposta a nível regional, tanto em contextos urbanos como rurais. Em 25 de fevereiro, a OMS declarou que a comunidade internacional deveria fazer mais para se preparar para uma possível pandemia de coronavírus, afirmando que embora ainda fosse cedo para ser classificada como pandemia, os países ainda assim deveriam estar numa fase de preparação. Em resposta ao surto que se começava a desenvolver no Irão, a OMS enviou no mesmo dia uma missão conjunta ao terreno para avaliar a situação.

Em 28 de fevereiro, funcionários da OMS afirmaram que o nível de ameaça global do coronavírus seria aumentado de "elevado" para "muito elevado", o nível mais alto. Mike Ryan, diretor executivo do programa de emergências da OMS, apelou novamente à necessidade de preparação por parte dos governos e que as medidas de resposta corretas poderiam ajudar o mundo a evitar o pior. Afirmou também que, com base nos dados até à data, não era ainda possível declarar uma pandemia, já que essa classificação implica uma previsão que todos os seres humanos no planeta serão potencialmente expostos a esse vírus. Em 11 de março, a OMS classificou oficialmente o surto de coronavírus como pandemia. O diretor-geral afirmou que a OMS estava profundamente preocupada com os níveis alarmantes de propagação e gravidade do vírus, e também com os níveis alarmantes de inação dos governos.

No início de abril de 2020, a OMS anunciou preparar um novo projeto internacional para mapear a real extensão da COVID-19 pelo mundo, propondo executar testes em massa para identificar anticorpos contra o vírus na população, contabilizando também os casos assintomáticos ou leves, que em sua maioria passam em branco.

No dia 11 de abril de 2020, a OMS anunciou que investiga se pessoas que foram curadas da COVID-19 podem novamente ser infectadas pelo novo coronavírus, após a Coreia do Sul anunciar que 91 pacientes que tiveram alta voltaram ser diagnosticados com a doença.

Em 17 de abril, a OMS alertou que muitos países terão que revisar o número de mortos pelo novo coronavírus. De acordo com Maria Van Kerkhove, a contagem dos mortos tornou-se difícil por fatores como excesso de trabalho por parte do pessoal de saúde, que dá prioridade aos doentes, o isolamento dos pacientes em suas casas ou por causa de processos burocráticos.

Reações domésticas

Mapa de quarentenas nacionais e subnacionais em 13 de setembro de 2020
  Países que estão de quarentena a nível nacional
  Países que estão de quarentena a nível subnacional
  Países que não mais estão de quarentena a nível nacional
  Países que não mais estão de quarentena a nível subnacional
  Sem quarentena

Alguns países exigem que as pessoas relatem sintomas semelhantes aos da gripe ao seu médico, especialmente se estiverem visitado a China continental. Em 20 de janeiro de 2020, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, pediu esforços decisivos e eficazes para prevenir e controlar a epidemia de pneumonia causada pelo novo coronavírus.

No dia 10 de março de 2020, o Google recomendou que todos os funcionários da América do Norte trabalhem em casa pelo próximo mês.

No dia 25 de março, o governo de Narendra Modi (Índia) decretou o confinamento da população por 21 dias, o maior do mundo, numa tentativa desesperada de conter a pandemia. Nas ruas, as forças de segurança impõem, por vezes à força, a quarentena. No dia 27 de março, na África do Sul, entrou em vigor o isolamento obrigatório de 21 dias. O presidente Cyril Ramaphosa convocou o exército para reforçar o confinamento da população.

Banimento de viagens e evacuações

Países que implementaram banimentos de viagens internacionais por conta da pandemia

Devido à implementação de medidas de quarentena e paralisação dos transportes públicos em Wuhan e Hubei, vários países levaram a cabo evacuações dos respetivos cidadãos e corpo diplomático na região, principalmente através de voos charter com autorização especial de circulação pelas autoridades chinesas. Entre os países que levaram a cabo evacuações dos seus cidadãos, estão o Canadá, Estados Unidos, Japão, Índia, Itália, França, Austrália, Sri Lanka, Alemanha, Tailândia, Brasil. Países como Estados Unidos, Hong Kong, Canadá e Itália precisaram fazer evacuações no navio de cruzeiro Diamond Princess atracado em Yokohama, uma cidade portuária a sudoeste de Tóquio, colocado em quarentena com mais de 3 600 pessoas a bordo.

Como resultado do surto, muitos países e regiões impuseram quarentenas ou proibições de entrada a cidadãos ou visitantes das áreas mais afetadas da pandemia. A União Europeia rejeitou a ideia de suspender a zona de livre circulação do Espaço Schengen e introduzir controles de fronteira com a Itália, uma decisão que foi criticada por alguns políticos europeus. Depois que alguns estados membros da UE anunciaram o fechamento completo de suas fronteiras nacionais para estrangeiros, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "certos controles podem ser justificados, mas as proibições gerais de viagens não são consideradas as mais eficazes pelo Organização Mundial da Saúde." Os Estados Unidos suspenderam as viagens do Espaço Schengen e, posteriormente, das Ilhas Britânicas.

Impacto

Ver artigo principal: Impactos sociais, políticos e religiosos

A epidemia coincidiu com o Ano-Novo Chinês, que marca uma grande temporada de festivais para a região e o período mais movimentado de viagens na China. Vários eventos envolvendo grandes multidões foram cancelados pelos governos nacionais e regionais, incluindo o festival anual de Ano Novo em Hong Kong.

Na Itália, o governo decidiu fechar escolas e universidades até 15 de março para tentar conter o vírus e determinou que todos os principais eventos esportivos do país, sejam disputados sem a presença de público.

A nível mundial, o medo do surto resulta em pessoas optando por evitar atividades que poderiam expô-las ao risco de infecção, como sair para fazer compras, por exemplo. Restaurantes, revendedoras de carros e lojas têm registrado quedas na demanda mundial. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em razão do surto, a economia global pode crescer na taxa mais baixa desde 2009.

Educação

Ver artigo principal: Impactos na educação
Estudantes afetados pelo encerramento de escolas causado pela COVID-19 à data de 17 de setembro de 2020
  Encerramento de escolas a nível nacional
  Encerramento de escolas a nível local
  Sem encerramento de escolas
  Interrupção lectiva
  Sem dados

À data de 17 de março, o encerramento temporário ou por tempo indeterminado de escolas para controlar a propagação da doença tinha deixado sem aulas mais de 960 milhões de crianças e jovens. 105 países tinham decretado o encerramento de escolas a nível nacional. Em 15 países foram encerradas escolas a nível local, afetando mais 640 milhões de crianças e jovens.

Mesmo que temporários, os encerramentos têm custos sociais e económicos elevados. Embora as consequentes perturbações afetem pessoas em toda a comunidade, o impacto é maior em crianças e famílias desfavorecidas, não só pela interrupção da aprendizagem, mas também pelo comprometimento da nutrição, pelo potenciação de problemas no cuidado infantil e pelo custo económico em famílias que não podem trabalhar.[necessário esclarecer]

Em resposta aos encerramentos de escolas causados pela COVID-10, a UNESCO recomenda o recurso a programas de ensino à distância e plataformas e recursos educacionais abertos, de forma a escolas e professores poderem chegar a alunos de forma remota, diminuindo o impacto do encerramento na aprendizagem.

Socioeconômico

A apreensão associada à pandemia levou a uma corrida às compras de bens essenciais em vários países

A pandemia de coronavírus tem sido associada a vários casos de ruptura de stocks causados pelo aumento de procura de equipamento para combater o surto, corridas às compras e perturbações nas operações de produção e logística das empresas. As autoridades de saúde emitiram avisos de possíveis rupturas de stock de medicamentos e equipamento médico devido ao aumento exponencial de procura e perturbação dos canais de distribuição. Em vários países ocorreram corridas às compras que levaram a rupturas de stock de produtos de mercearia essenciais como comida, papel higiénico e água engarrafada. De acordo com o diretor-geral da OMS, a procura por equipamento de proteção individual aumentou 100 vezes, o que levou a um aumento de preços, em alguns casos de vinte vezes o preço normal, e também induziu atrasos de quatro a seis meses no fornecimento de equipamento médico. A falta de equipamento de proteção individual em todo o mundo levou a OMS a alertar que a situação colocava em risco os profissionais de saúde.

Uma vez que a China é uma potência económica e um grande centro de produção industrial, o surto constitui uma ameaça de desestabilização à economia global. Agathe Demarais da Economist Intelligence Unit prevê que os mercados continuem voláteis até que haja uma ideia mais clara do desfecho da pandemia. Em janeiro de 2020, alguns analistas estimaram que as consequências económicas da pandemia de COVID-19 no crescimento global poderiam ser superiores aos do surto de SARS em 2002-2004. Uma estimativa calculava que o impacto na cadeia de fornecimento seria superior a 300 mil milhões de dólares e poder-se-ia prolongar por mais dois anos. A OPEC reportou uma queda no preço do petróleo devido à diminuição da procura por parte da China. Em 24 de fevereiro os mercados de ações tiveram a primeira queda expressiva devido ao aumento significativo do número de casos fora da China. Em 27 de fevereiro, devido a preocupações crescentes com o surto, vários índices norte-americanos, incluindo o NASDAQ-100, o S&P 500 Index e o Dow Jones Industrial Average, reportaram a maior queda desde 2008, com o Dow Jones a cair 1191 pontos, a maior queda num dia desde a crise financeira de 2007–2008. No fim da semana, os três índices tinham caído mais de 10%. Nas semanas seguintes os mercados continuaram a cair, sendo a maior queda registada no dia 16 de março. Muitos analistas consideram provável uma recessão económica global.

Aeroporto Internacional de Incheon na Coreia do Sul praticamente vazio em 6 de março.

O turismo é um dos setores mais afetados, devido às restrições de circulação, ao encerramento de espaços públicos, incluindo monumentos, e às recomendações governamentais em todo o mundo para não viajar. Consequentemente, várias companhias aéreas cancelaram voos devido à baixa procura, enquanto outras abriram falência. Várias estações de comboio e portos de ferries também encerraram. A epidemia na China ocorreu durante o Chunyun, o feriado de ano novo chinês, durante o qual eram esperados milhões de turistas. Inúmeras atrações e eventos de grande audiência foram cancelados ou encerrados por governos nacionais e regionais, incluindo a Disneyland de Hong Kong e Shangai. Diversos navios de cruzeiro fora afetados pelo novo coronavírus. Dentre eles, os navios Costa Serena, Diamon Princess, World Dream, MS Westerdam. e Grand Princess.

Apesar da elevada prevalência de casos de COVID-19 no norte de Itália e na região de Wuhan, e da consequente elevada procura por produtos alimentares, em nenhuma das regiões se verificou escassez de alimentos. As medidas implementadas contra a acumulação e comércio ilegal de bens essenciais evitaram a escassez de alimentos que tinha sido antecipada. A existência de prateleiras vazias foi apenas temporária, mesmo na cidade de Wuhan, onde as autoridades libertaram reservas de porco de forma a assegurar a alimentação da população. Em Itália existem leis semelhantes, que obrigam os produtores de alimentos a manter reservas para este tipo de emergências.

Meio ambiente

Imagens do Observatório da Terra da NASA mostram uma grande redução na poluição em Wuhan, China, comparando os níveis de NO 2 no início de 2019 (acima) e no início de 2020 (abaixo).

Devido ao impacto da pandemia nas viagens e na indústria, em muitas regiões registou-se uma diminuição na poluição do ar. Entre 1 de janeiro de 11 de março de 2020, a Agência Espacial Europeia observou um declínio acentuado nas emissões automóveis de óxido nitroso, centrais elétricas e fábricas na região do vale do Pó no norte de Itália, coincidente com os encerramentos na região. Os métodos para conter o avanço do vírus, como as quarentenas e as restrições de viagens, resultaram numa diminuição de 25% nas emissões de gases de efeito de estufa na China. No primeiro mês de quarentena, a China emitiu menos cerca de 200 milhões de toneladas dióxido de carbono do que no período homólogo de 2019, devido à redução no tráfego aéreo, refinamento de petróleo e consumo de carvão.

Apesar do declínio temporário nas emissões a nível global, a Agência Internacional de Energia lançou o aviso de que as perturbações económicas causadas pela pandemia podem impedir ou atrasar o investimento das empresas em energia sustentável. A pandemia também tem servido como incentivo à adoção de políticas de teletrabalho.

Cultura

Uma mesquita fechada temporariamente por conta da pandemia em Rey, no Irão.

Uma das consequências mais visíveis da pandemia tem sido o cancelamento de cerimónias religiosas, eventos desportivos, festivais de música, concertos, estreias de cinema, conferências tecnológicas e espetáculos de moda. O Vaticano anunciou o cancelamento das cerimónias da Semana Santa em Roma. Muitas dioceses recomendaram aos fiéis que se mantivessem em casa em vez de assistir à missa, embora algumas disponibilizem a cerimónia em livestream ou na televisão.

A pandemia causou a mais significativa perturbação no calendário desportivo mundial desde a Segunda Guerra Mundial. A maior parte dos grandes eventos desportivos agendados foi cancelada ou adiada, incluindo a Liga dos Campeões da UEFA de 2019–20, a Premier League de 2019–20, o Campeonato Europeu de Futebol de 2020, a Temporada da NBA de 2019–20, e a temporada da NHL de 2019–20. A pandemia também incitava dissabor entre comitês olímpicos quanto aos Jogos de Verão de 2020, que estavam previstos a iniciar-se em 2020, até o COI declarar, oficialmente, o adiamento do episódio para o ano seguinte.

A indústria de entretenimento também foi afetada, com várias bandas a suspender ou cancelar digressões e concertos. Muitos teatros também suspenderam todas as exibições. Alguns artistas têm explorado formas de continuar a produzir e partilhar as suas obras através da internet como alternativa aos concertos ao vivo, como concertos em streaming, ou criando festivais web com presença de vários artistas.

Potencial impacto a longo prazo

O impacto político, cultural e socioeconômico da pandemia pode causar alterações profundas na sociedade humana. Entre estas possíveis alterações, estão o aumento do teletrabalho, a regionalização de cadeias de fornecimento globais e o aumento da polarização política.

Alguns autores alegam que a pandemia está a causar uma revolução no forma como é encarado o trabalho a partir de casa, uma vez que, para conter o avanço do vírus, várias grandes empresas aderiram ao teletrabalho. Este efeito também tem sido observado no aumento do ensino à distância no ensino superior. A pandemia pode também resultar numa diminuição das viagens em trabalho e conferências internacionais, substituídas pelos análogos virtuais.

Tem também sido discutida uma possível reversão da globalização mais ampla, sobretudo no que diz respeito a cadeias de fornecimento. O ministro da economia alemão tem apoiado uma regionalização das cadeias de fornecimento em reação à pandemia.

Xenofobia e racismo

Cartaz antixenofobia no metrô de Nova Iorque.

Desde o início da pandemia que se tem observado um aumento da discriminação, xenofobia e racismo contra pessoas de ascendência chinesa ou do extremo oriente, com incidentes em vários países, sobretudo na Europa, América do Norte e região da Ásia-Pacífico, mas também em alguns países de África. Muitos residentes de Wuhan e Hubei têm relatado sentir-se discriminados com base na sua origem regional. Desde o avanço do surto para outros países, cidadãos italianos têm também sido alvo de suspeição e xenofobia.

Em vários países, incluindo Malásia, Nova Zelândia, Singapura e Coreia do Sul, têm havido petições online com o intuito de criar pressão nos governos para impedir a entrada no país de cidadãos chineses. No Japão, uma hashtag com o nome #ChineseDontComeToJapan esteve nas tendências do Twitter. Vários cidadãos chineses no Reino Unido relataram um aumento de racismo, tendo sido feitas queixas de casos de agressão. Vários protestantes na Ucrânia atacaram autocarros que transportavam cidadãos ucranianos e estrangeiros que tinham sido evacuados de Wuhan. Estudantes do nordeste da Índia, que faz fronteiras com a China, e que estudam nas principais cidades indianas, têm relatado episódios de assédio relacionados com o surto de coronavírus. Autoridades locais na Bolívia colocaram em quarentena cidadãos japoneses, apesar de não terem nenhum sintoma da doença. Nas cidades russas de Moscovo e Ecaterimburgo cidadãos chineses foram alvo de campanhas de quarentena forçada e rusgas policiais, que foram condenadas por ativistas dos direitos humanos como tendo critérios racistas. A embaixada chinesa na Alemanha reconheceu um aumento de casos de hostilidade contra os seus cidadãos desde o início do surto. Em escolas da região de Paris, várias crianças de ascendência asiática foram ostracizadas e humilhadas com base na sua origem. Muitos franco-vietnamitas relatam também ter sido assediados desde o início do surto.

Em 30 de janeiro, o Comité de Emergência da OMS emitiu um comunicado aconselhando todos os países a ter presente os princípios do 3º Artigo do Regulamento Sanitário Internacional, que afirma ser necessária prudência contra ações que promovam estigma ou discriminação ao conduzir medidas de resposta nacionais ao surto.

Saúde mental

Tanto a pandemia como as medidas de contenção adotadas por governos possuem impactos psicossociais profundos e duradouros, estando associados com ansiedade, depressão, stress, e aumento do número de suicídios. O medo de contágio e o isolamento social são alguns dos fatores estressantes resultantes da pandemia e das medidas de controle impostas por autoridades, como quarentenas, que podem contribuir para uma piora no quadro de saúde mental da população. Profissionais da saúdes, e estudantes são alguns grupos particularmente afetados.

Desinformação

Ver artigo principal: Desinformação e negacionismo
O presidente brasileiro Jair Bolsonaro tentou repetidamente minimizar a pandemia e até tentou forçar os estados brasileiros a revogar medidas de isolamento social.

Após o surto inicial começaram a circular na internet diversas teorias da conspiração e desinformação sobre a origem e escala do coronavírus da COVID-19. Várias histórias nas redes sociais alegavam, entre outras coisas, que o vírus seria uma arma biológica, um esquema de controlo populacional ou o resultado de uma operação de espionagem.

O Facebook, Google e Twitter anunciaram que tomariam medidas rigorosas contra possível desinformação. No seu blog, o Facebook afirmou que removeria qualquer conteúdo assinalado pelas principais organizações de saúde e autoridades locais que violasse a sua política de conteúdo sobre desinformação e que pudesse levar a potenciais prejuízos físicos.

Em 2 de fevereiro, a OMS afirmou existir uma epidemia massiva de desinformação a acompanhar o surto e a resposta ao surto, citando uma superabundância de informação sobre o vírus, correta ou falsa, que fazia com que fosse difícil às pessoas encontrar fontes fidedignas e recomendações confiáveis quando precisavam. A OMS afirmou ainda que a elevada procura por informação atualizada e de confiança incentivou à criação de uma linha de apoio permanente para desmistificar mitos, e que as suas equipas de comunicação e redes sociais têm estado a monitorizar e combater a desinformação através do seu site e páginas nas redes sociais. A OMS tem desmascarado diversas falsidades que circulam nas redes sociais, incluindo a alegação de que uma pessoa pode saber se tem o vírus ou não apenas sustendo a respiração, de que beber bastante água oferece proteção contra o vírus, ou de que gargarejar água com sal previne a infeção.

Ver também

Ligações externas

Uses material from the Wikipedia article Pandemia de COVID-19, released under the CC BY-SA 3.0 license.