Papiro de Edwin Smith

Painéis VI e VII do Papiro Edwin Smith, em exposição na Academia de Medicina de Nova Iorque.

O papiro de Edwin Smith é um texto de medicina da antiguidade egípcia e o mais antigo tratado de cirurgia traumática conhecido na actualidade. Data de cerca de 1700 a.C., entre as dinastias 16 e 17 do segundo período intermédio. Trata-se de uma obra única entre os quatro principais papiros relativos à medicina que se conhece. Enquanto os restantes, como o Papiro Ebers e o Papiro Médico de Londres são textos de medicina baseados sobretudo em magia e superstição, o Papiro de Edwin Smith apresenta uma abordagem racional e científica à medicina praticada no antigo Egipto, na qual ciência e magia não entram em conflito, recorrendo-se a esta última apenas para explicar os casos de doenças misteriosas, como as doenças dos órgãos internos.

O papiro tem 4,68 m de comprimento, dividido em 17 páginas. A frente possui 377 linhas e o verso 92 linhas. À excepção da primeira folha, bastante fragmentada, a quase totalidade do papiro encontra-se praticamente intacta. Está escrito em hierático com tinta vermelha e preta. A quase totalidade do documento refere-se ao trauma e à cirurgia, com breves passagens de ginecologia e cosmética no verso. O verso consiste em oito feitiços mágicos e cinco receitas. Este conteúdo, para além de dois incidentes expostos nos casos 8 e 9, constitui a única excepção à natureza prática e racional deste texto de medicina, e podem ter sido usados apenas como último recurso em casos terminais.

A autoria é ainda alvo de debate, tendo a maioria do documento sido escrita por um único escriba, e apenas secções muito pequenas copiadas por um segundo escriba. O papiro termina abruptamente a meio de uma linha de texto, não havendo qualquer nota explicativa. Pensa-se que o documento será uma cópia de um eventual manuscrito de referência mais antigo, em função da gramática arcaica, terminologia, forma e notas. O texto é atribuído por alguns a Imhotep, arquitecto, alto sacerdote e médico do Império Antigo.

Ver também

Referências

  1. ↑ Wilkins, Robert H. Neurosurgical Classics. USA: American Association of Neurological Surgeons, Thieme, 1992. Print.
  2. ↑ James P. Allen, "The Art of Medicine in Ancient Egypt". (New York: The Metropolitan Museum of Art, 2005), 70.
  3. ↑ Lewkonia, Ray. “education” The Oxford Companion to Medicine (2001). Oxford Reference Online. Web. Oct. 2011.
  4. ↑ Paul Ghalioungui, "Magic and Medical Science in Ancient Egypt". (New York: Barnes and Noble, Inc ,1965), 58.
  5. ↑ Ritner, Robert K. “Magic” The Oxford Encyclopedia of Ancient Egypt (2001). Oxford Reference Online. Web. Oct. 2011.
  6. 1 2 Allen, pp.70
  7. 1 2 Ritner, Robert K. “Medicine” The Oxford Encyclopedia of Ancient Egypt (2001). Oxford Reference Online. Web. Oct. 2011.
  8. ↑ Ritner, Robert K. “Magic” The Oxford Encyclopedia of Ancient Egypt (2001). Oxford Reference Online. Web. Oct. 2011..
  9. ↑ Allen, pp.71
  10. ↑ James Henry Breasted, "The Edwin Smith Surgical Papyrus: published in facsimile and hieroglyphic transliteration with translation and commentary in two volumes". (University of Chicago Oriental Institute publications, v. 3-4. Chicago: University of Chicago Press, 1991),9.

Bibliografia

Ligações externas