Parque Buenos Aires

Parque Buenos Aires
Praça Buenos Aires
Vista do Parque Buenos Aires
TipoParque urbano
País Brasil
LocalizaçãoHigienópolis, São Paulo, São Paulo
Área20.745,67 m²
Criação1913
Inauguração24 de setembro de 1913 (113 anos)
ProprietárioPrefeitura de São Paulo
AdministraçãoSecretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente
Coordenadas23° 32′ 44″ S, 46° 39′ 32″ O

O Parque Buenos Aires, anteriormente denominado Praça Buenos Aires, é um parque urbano público situado no bairro de Higienópolis, no distrito da Consolação, região central da cidade de São Paulo. Ocupa o quarteirão delimitado pela Avenida Angélica e pelas ruas Piauí, Alagoas e Bahia e possui área de 20.745,67 metros quadrados.

Inaugurado como praça em 1913 e classificado como parque em 1987, o espaço conserva elementos de seu desenho paisagístico original e um conjunto de esculturas públicas. O parque é protegido como patrimônio cultural nas esferas municipal e estadual.

História

A área que deu origem ao parque foi desapropriada pela Prefeitura de São Paulo em 1912. A criação do jardim havia sido mencionada no relatório de remodelação urbana apresentado em 1911 pelo urbanista francês Joseph-Antoine Bouvard, cuja proposta também contou com a participação do paisagista Gérard Cochet. Segundo pesquisa publicada pela revista Casa e Jardim, o desenho específico da praça foi elaborado pelo engenheiro-arquiteto Heribaldo Siciliano.

O cadastro da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente registra 24 de setembro de 1913 como a data de inauguração. O espaço foi chamado inicialmente de Praça Higienópolis e, ainda em 1913, recebeu o nome de Praça Buenos Aires. Seu desenho seguia princípios do jardim paisagístico inglês, com caminhos sinuosos, relevo aproveitado para contemplação e vegetação disposta de maneira informal.

O parque em 1928, quando ainda era denominado praça.

Na parte mais elevada do terreno havia um mirante, posteriormente substituído por um observatório astronômico utilizado pela Escola Politécnica. Entre 1913 e 1964, o observatório serviu a aulas práticas de topografia, geodésia e astronomia. A verticalização do entorno e o aumento da iluminação artificial reduziram sua utilidade, levando à desativação da estrutura em 1964.

Na década de 1950, parte do terreno foi destinada à instalação da Escola Municipal de Educação Infantil Monteiro Lobato. Em 1987, a praça foi transformada administrativamente em parque e passou à responsabilidade do então Departamento de Parques e Áreas Verdes. Uma intervenção paisagística conduzida por Miranda Martinelli Magnoli, em 1999, procurou recuperar características de seu desenho original.

Paisagismo

O projeto paisagístico foi concebido em contraste com o traçado ortogonal das ruas de Higienópolis. Em vez de grandes eixos retilíneos, foram empregados caminhos curvos e sucessivos espaços de contemplação. A configuração atual compreende bosque heterogêneo, áreas ajardinadas, alamedas e gramados.

Entre os elementos remanescentes da configuração histórica estão os traçados dos passeios, as orlas cerâmicas que separam alguns canteiros, o mirante, uma mureta de arrimo em pedra voltada para a Rua Piauí e um pilar do antigo muro de fechamento na Rua Alagoas.

Patrimônio cultural

Em julho de 1992, a Resolução nº 10 do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) abriu o processo de tombamento da Praça Buenos Aires e de outros espaços verdes paulistanos.

O tombamento municipal definitivo foi estabelecido pela Resolução nº 32/CONPRESP/2013. O ato reconheceu os valores histórico, arquitetônico, paisagístico e ambiental do parque e determinou que intervenções em seus elementos protegidos fossem submetidas à análise dos órgãos municipais de preservação.

Em 2019, o parque foi incluído no tombamento estadual do Conjunto de Bens Imóveis do Bairro de Higienópolis, determinado pela Resolução SC nº 49 do CONDEPHAAT.

Obras de arte

Próximos à entrada principal encontram-se os grupos escultóricos “Leão lutando com uma serpente” e “Veado lutando contra três tigres”. As peças foram executadas em ferro fundido pela Fonderies d'Art du Val d'Osne. Adquiridas pela prefeitura durante a administração de Raymundo Duprat, provavelmente foram instaladas por volta de 1920.

A escultura “Mãe”, de Caetano Fraccaroli.

O acervo também inclui “Mãe”, de Caetano Fraccaroli, esculpida em um único bloco de mármore; “O Tango”, de Roberto Vivas, realizada em bronze e granito em 1996; e uma cópia em bronze de “Emigrantes”, de Lasar Segall. O chafariz histórico é ornamentado pelo conjunto “Anfitrite e Tritão”.

Biodiversidade

O inventário municipal registra oitenta espécies de plantas vasculares no parque. Entre os exemplares presentes estão o alecrim-de-campinas (Holocalyx balansae), a embaúba-branca (Cecropia pachystachya), a falsa-seringueira (Ficus elastica), o ipê-amarelo (Handroanthus chrysotrichus) e a pitangueira (Eugenia uniflora).

Quatro espécies registradas no local constam em listas de plantas ameaçadas de extinção: o palmito-jussara (Euterpe edulis), o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), o pau-brasil (Paubrasilia echinata) e o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia).

Foram catalogadas 57 espécies de animais, das quais cinquenta são aves. Entre as aves observadas estão o tico-tico, o sabiá-laranjeira, o sanhaço-cinzento, o periquito-rico e a rolinha. Também foram registrados gambás-de-orelha-preta e saguis.

Equipamentos e uso público

O parque possui playground, aparelhos de ginástica, gramados para piqueniques, área para apresentações culturais, espelho d'água, sanitários e um cercado para cães. A entrada, as áreas de circulação, os sanitários e parte dos equipamentos possuem recursos de acessibilidade.

A área denominada Praça das Mães fica nas proximidades da escultura de Caetano Fraccaroli. Os demais espaços são destinados a atividades como caminhadas, exercícios físicos, recreação, contemplação e eventos culturais.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Buenos Aires». Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo. 18 de fevereiro de 2026. Consultado em 12 de setembro de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 Borin, Carolina (24 de fevereiro de 2026). «Conheça a curiosa história do parque em SP que já abrigou observatório». Casa e Jardim. Consultado em 12 de setembro de 2026
  3. 1 2 «Resolução nº 32/CONPRESP/2013» (PDF). Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. 17 de dezembro de 2013. Consultado em 12 de setembro de 2026
  4. ↑ «Resolução SMC/CONPRESP nº 10, de 13 de julho de 1992». Catálogo de Legislação Municipal da Prefeitura de São Paulo. 13 de julho de 1992. Consultado em 12 de setembro de 2026
  5. ↑ «Resolução SC nº 49, de 19 de dezembro de 2019» (PDF). Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. 19 de dezembro de 2019. Consultado em 12 de setembro de 2026
  6. ↑ «Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo». Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. 27 de maio de 2008. Consultado em 12 de setembro de 2026
  7. ↑ «Patrimônio de Higienópolis, Parque Buenos Aires completa 108 anos desde que foi criado como uma praça». Prefeitura de São Paulo. 24 de setembro de 2021. Consultado em 12 de setembro de 2026

Ligações externas

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