Partido Republicano (Estados Unidos)

O Partido Republicano dos Estados Unidos, comumente referido em seu país como GOP (abreviatura de Grand Old Party), é um dos dois grandes partidos políticos dos Estados Unidos, sendo seu principal adversário histórico o Partido Democrata. O partido tem esse nome após o republicanismo, dominante durante a Revolução Americana. Foi fundado por abolicionistas, modernistas, ex-Whigs e ex-Soilers livres em 1854. Os republicanos, como são conhecidos, dominaram a política nacional dos EUA e na maioria dos estados do norte durante a maior parte do período entre 1860 e 1932.

Até o presente momento houve 19 presidentes republicanos, sendo que o primeiro foi Abraham Lincoln (1861-1865), que foi assassinado e o mais recente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, após vencer as eleições de 2016, colocando os republicanos de volta na presidência depois de oito anos.

A plataforma do partido tem como base fundamental o conservadorismo norte-americano, posição que contrasta com a do Partido Democrata, em que os membros adotam uma postura mais voltada para políticas liberais (o sentido de "liberal" nos Estados Unidos costuma ser diferente do conhecido em outros lugares, pois enquanto a palavra em quase todo o mundo costuma remeter ao liberalismo clássico — que inclusive é defendido pelos republicanos —, nos EUA usa-se normalmente para descrever os defensores de políticas intervencionistas voltadas à social-democracia ou ao liberalismo social). Sendo assim, sua plataforma envolve o apoio ao capitalismo de livre mercado, à livre iniciativa, ao conservadorismo fiscal, a uma forte defesa nacional, desregulamentação e restrições aos sindicatos. Além de defender políticas econômicas conservadoras, o Partido Republicano é socialmente conservador e busca manter valores tradicionais baseados principalmente na ética judaico-cristã. O GOP estava fortemente comprometido com o protecionismo e as tarifas desde a sua fundação até a década de 1930, quando se baseava no Nordeste industrial e no Centro-Oeste. Desde 1952 houve uma reversão contra o protecionismo e o apoio central do partido desde a década de 1990 vem principalmente do Sul, das Grandes Planícies, dos Estados de Montanha e dos distritos rurais do Norte, bem como dos católicos conservadores, Mórmons, e Evangélicos em todo o país.

Até as eleições de 2016, houve um total de dezenove Presidentes Republicanos (mais do que qualquer outro partido), vencendo 24 de 40 eleições presidenciais. Contudo, desde 1992, os republicanos perderam seis das últimas sete eleições no voto popular, com sua base demográfica eleitoral (religiosos, brancos e suburbanos) reduzindo em número. Após as eleições de 2018, o Partido Republicano permanece como a principal força política dos Estados Unidos, controlando a presidência (Donald Trump), a maioria do Senado e dos governadores e legislaturas estaduais (30 de 50).

Características do Partido Republicano

John Charles Frémont foi o primeiro candidato à presidência pelo Partido Republicano, em 1856.

Foi organizado em Ripon, Wisconsin em 28 de fevereiro de 1854, como um partido oposto à expansão da escravatura nos novos territórios apresentada no Ato de Kansas-Nebraska.

Não deve ser confundido com o Partido Democrata-Republicano de Thomas Jefferson ou com o Partido Republicano Nacional de Henry Clay. A primeira convenção do Partido Republicano dos EUA foi em 6 de julho de 1854 em Jackson, Michigan. Muitas das suas políticas iniciais foram inspirados no já extinto Partido Whig. Desde seu início, os seus opositores principais são o Partido Democrata.

O símbolo oficial do Partido Republicano é um elefante. Apesar do elefante já ter sido associado ao partido anteriormente, o primeiro uso importante do símbolo foi associado a uma caricatura política de Thomas Nast, publicada na revista Harper's Weekly, em 7 de novembro de 1874. No início do século XX, o símbolo tradicional do Partido Republicano nos estados de Indiana e Ohio era a águia, em oposto ao galo dos democratas. O símbolo ainda aparece nas urnas de Indiana.

O partido é gerido pelo Comité Nacional Republicano (Republican National Committee), o órgão que promove a plataforma política e coordena as atividades eleitorais e de angariação de fundos. O atual presidente do Comité Nacional é Reince Priebus, advogado natural do Wisconsin.

Alas e facções

O partido está dividido em diversas alas, podendo ser citado;

Eleitores com esse perfil se concentram em estados do Sul, como Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Alabama, Mississípi, Louisiana, Kentucky, Tennessee, Virgínia (região conhecida como Bible Belt ou "Cinturão da Bíblia"), no meio-oeste em estados como o Texas, Virgínia Ocidental, Missouri, Kansas, Arkansas, Iowa, Nebraska, Dakota do Sul e Dakota do Norte e oeste do país em estados como Utah, Arizona, Wyoming, Idaho, Montana e Colorado.
  • Conservadores sociais - é uma facção muito semelhante à direita religiosa, ambas alas são contrárias ao aborto, casamento gay, eutanásia e à liberação das drogas. Os eleitores dessa ala são defensores dos valores morais e da família tradicional, mas não são necessariamente religiosos, agem independentemente de suas comunidades religiosas ou de seus líderes religiosos. Os ex-presidentes Ronald Reagan, George H. W. Bush e George W. Bush são importantes membros desta ala.
  • Conservadores fiscais - esta ala é composta por republicanos que defendem o direito a propriedade privada, o estado-minimo, a redução ou o corte de impostos, privatizações e o fim de programas sociais. Também são contrários ao aborto, ao casamento gay, à legalização das drogas, ao fim da pena de morte e à eutanásia. São favoráveis ao porte legal de armas e são defensores dos princípios morais e familiares, no entanto a maior parte destes eleitores não tem perfil religioso, o que difere da direita cristã e os torna muito semelhantes aos conservadores sociais.
Os principais membros desta ala são o ex-congressista da Geórgia, Newt Gingrich, o atual presidente do Congresso, John Boehner, o congressista do Wisconsin Paul Ryan, o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, o ex-governador da Carolina do Sul, Mark Sanford e o governador de Indiana, Mitch Daniels, entre outros. Os eleitores dessa ala do partido podem ser encontrados em todas as regiões do país, e geralmente são grandes empresários, fazendeiros, jornalistas, advogados ou protestantes (não-praticantes), mórmons, católicos e judeus.
  • Neoconservadores - são defensores da política intervencionista do governo norte-americano, com ações militares em vários países onde os interesses dos EUA estejam ameaçados. Eram defensores da Guerra do Iraque e muitos destes neoconservadores se originaram no Partido Democrata, sendo considerados liberais, mas que ao longo do tempo migraram para o Republicano. O ex-vice-presidente Dick Cheney e o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld são os maiores expoentes dessa ala.
  • Moderados - é composta por políticos e eleitores que não se preocupam tanto com questões religiosas, defendem o fim da pena de morte, o fim do porte legal de armas, legalização da maconha, as pesquisas em células-tronco e defendem alguns programas sociais. Se concentram nos estados da costa oeste como a Califórnia, Oregon e Washington e da costa leste como Nova York, Maine, Flórida, entre outros. É a maior ala, no entanto, desde o inicio da década de 1990 ela tem visto perder sua influência dentro do partido para os conservadores, seus maiores representantes são os ex-governadores do Massachusetts, Mitt Romney, William Weld, Paul Cellucci, o governador de Nova Jersey, Chris Christie, ex-governador de Nova York, George Pataki, o ex-governador do Utah, Jon Huntsman, a ex-governadora do Connecticut, Mary Jodi Rell, o ex-governador de Rhode Island, Donald Carcieri, as senadoras pelo Maine, Olympia Snowe e Susan Collins. O ex-presidente Gerald Ford pertenceu à essa ala.
  • Libertários - é o grupo daqueles que se opõem a gastos sociais do governo, são favoráveis à redução de impostos e à privatizações, ou seja são favoráveis à política do estado-minimo e também são defensores das liberdades individuais, o que difere dos conservadores sociais e das direitas religiosa do partido. No entanto, seus pensamentos se assemelham muito aos dos conservadores fiscais. Seus maiores representantes são o congressista Ron Paul, do Texas, o senador Rand Paul do Kentucky, o ex-governador do Novo México, Gary E. Johnson, o senador do Arizona, Jeff Flake, o jornalista da Fox News, Tucker Carlson e o ator Clint Eastwood são personalidades desta ala do partido.
  • Liberais - é uma antiga ala do partido, sempre teve força nos estados do Nordeste americano, principalmente no estado de Nova York. Os republicanos dessa ala são chamados de liberais porque na década de 1930, apoiaram as políticas liberais do então presidente Franklin Roosevelt, do Partido Democrata, tomadas para recuperar a economia americana após a Queda de 1929, também apoiam a existência de um estado maior e muito participativo na economia, defendem a existência de programas sociais, o aumento de alguns impostos e são mais tolerantes às causas sociais, como casamento gay, aborto, controle de armas, toleram os imigrantes ilegais, opõem à pena de morte e os eleitores dessa ala não são religiosos. O ex-presidente Richard Nixon e o ex-vice presidente Nelson Rockefeller pertenciam a esse grupo, atualmente fazem parte dele o ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, o congressista de Iowa, Jim Leach, o congressista da Louisiana, Joseph Cao, o ex-secretário de estado, Colin Powell, o senador do Arizona, John McCain e o ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Essa ala já foi considerada a maior do partido, conseguiram liderar a agremiação na década de 1950 e na década de 1960, mas perderam força no final da década de 1970, após a renúncia de Nixon e da saída de Rockefeller da política.

Tea Party

O Movimento Tea Party não chega a ser uma ala do partido Republicano, mas sim um movimento conservador fiscal, anti-governo, anti-impostos, anti-imigração, que tem apoio entre eleitores e políticos republicanos, como a congressista Michele Bachmann, de Minnesota, o senador Jim DeMint, da Carolina do Sul, o senador Marco Rubio, da Flórida, entre outros. Ron Paul também é um importante integrante do Tea Party.

Perfil dos eleitores

Segundo estatísticas, os republicanos recebem mais apoio de homens do que mulheres. Enquanto a extratos socioeconômicos, a classe obreira e de baixo ingresso tende a ser democrata, já os republicanos recebem o apoio dos setores de classe alta, dos pequenos, médios e grandes empresários, dos setores vinculados à industria e dos militares de carreira ou que tenham exercido serviço militar. Etnicamente, os republicanos recebem o apoio maioritário dos brancos, de origem européia. Enquanto 60% dos brancos não hispânicos são republicanos, 80% dos negros, 50% dos latinos e 61% dos judeus são democratas. Em todos estes grupos, menos de 10% destes se identificam como republicanos. Desta porcentagem se excetua os cubano-estadunidenses que são o único grupo hispano que vota majoritariamente republicano.

Religiosamente os protestantes brancos em 67% (em 2010) e os mórmons (73% em 2010) apoiam abrumadoramente o Partido Republicano, enquanto que os protestantes negros, os católicos de todas as etnias e os muçulmanos são em sua maioria democratas. Apenas 27% dos ateus e agnósticos estadunidenses são republicanos frente a 64% democrata.

Geografia política

Atualmente os republicanos governam quase todos os estados conservadores e com população altamente religiosa, na denominada Bible Belt ou Cinturão da Bíblia e também possuem força em estados rurais, como por exemplo o Idaho, mas também mostram força em estados menos conservadores, como Ohio e Pensilvânia e com economia forte, exemplo Texas e Flórida, enquanto os democratas possuem mais força nos estados da costa oeste (Califórnia), costa leste (Nova York) e norte (Minnesota).

Em muitos desses estados a população pode variar o voto, votando em um candidato republicano para o senado ou para o governo do estado e em um democrata para presidente, ou vice-versa, grandes exemplos disso são a Pensilvânia e Nova York, há muitas décadas um candidato presidencial republicano não ganha a eleição nesses estados, mas em compensação a população local tradicionalmente vota em candidatos republicanos para o senado e governo estadual.

Resultados eleitorais

Eleições presidenciais

Presidentes republicanos dos Estados Unidos

Ver também

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