| Pedro Simas | |
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| Cidadania | Portugal |
| Ocupação | virologista, pesquisador, professor universitário, político |
João Pedro Monteiro e Louro Machado de Simas, conhecido profissionalmente como Pedro Simas, é um virologista, investigador científico, professor universitário e político local português. Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, é investigador na área da patogénese viral, com trabalho centrado em herpesvírus associados a tumores. Em Portugal, tornou-se uma das figuras científicas mais mediáticas durante a pandemia de COVID-19, intervindo regularmente nos meios de comunicação social sobre vírus, vacinas, variantes e medidas de saúde pública.
Pedro Simas licenciou-se em Medicina Veterinária pela Universidade de Lisboa em 1991 e, no mesmo ano, concluiu um mestrado em Biotecnologia pela Universidade de Newcastle, no Reino Unido. Em 1994, doutorou-se em patogénese viral pela Universidade de Cambridge, onde trabalhou posteriormente como bolseiro da Wellcome Trust e investigador de pós-doutoramento.
Entre 1996 e 2001 foi professor auxiliar no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Em 2001 ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde foi professor auxiliar e, a partir de 2006, professor associado. Foi investigador principal no Instituto Gulbenkian de Ciência entre 1999 e 2004 e, a partir desse ano, no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, em Lisboa, onde manteve o seu laboratório até 2021.
Em 2021 ingressou na nova Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, sendo nomeado director do Católica Biomedical Research Centre. Na mesma universidade concluiu provas públicas de agregação em junho de 2021. É actualmente professor catedrático da mesma faculdade.
A sua investigação tem incidido sobre patogénese viral, em particular sobre herpesvírus associados a tumores. O seu laboratório estuda mecanismos moleculares usados por vírus herpes para estabelecer infecções persistentes e modular o funcionamento celular, com foco no vírus associado ao sarcoma de Kaposi e em linfomas relacionados com infecção viral, sendo considerado um cientista de topo em Portugal.
Na Universidade Católica Portuguesa, o seu grupo de investigação tem estudado o modo como o vírus herpes associado ao sarcoma de Kaposi estabelece infecção ao longo da vida e contribui para o desenvolvimento de sarcoma de Kaposi e linfoma primário de efusão. A Faculdade de Medicina da UCP apresenta o trabalho do grupo como centrado na proteína viral LANA, essencial para a manutenção do genoma viral nas células tumorais e, por isso, considerada um possível alvo terapêutico.
Ao longo da carreira orientou teses e projectos nas áreas da microbiologia, virologia e doenças infecciosas, orientando trabalhos académicos em temas como gama-herpesvírus, vírus emergentes e patogénese molecular de herpesvírus.
Durante a pandemia de COVID-19 em Portugal, Pedro Simas tornou-se uma presença frequente nos meios de comunicação social como comentador e explicador de temas relacionados com virologia, evolução do SARS-CoV-2, variantes, vacinação e medidas de desconfinamento. O Expresso, incluiu Pedro Simas entre os cientistas que se tornaram protagonistas do espaço mediático durante a crise sanitária, ao lado de Ricardo Mexia, Tiago Correia e Raquel Duarte.
Foi descrito em 2021, como um dos virologistas mais presentes na televisão portuguesa durante a pandemia, sendo descrito pela imprensa de sociedade como “o virologista mais famoso” da fase de combate à COVID-19.
As suas intervenções públicas incidiram, entre outros temas, sobre a evolução do vírus, a vacinação e a transição da pandemia para uma fase endémica. Em fevereiro de 2021, afirmou que o SARS-CoV-2 continuaria a adaptar-se ao ambiente e que a evolução viral era um processo que não podia ser travado, num contexto de discussão pública sobre variantes. No final de 2021, em declarações à Agência Ecclesia, perspectivou a passagem para uma fase endémica e defendeu uma utilização inteligente das vacinas em grupos vulneráveis.
A mediatização da sua imagem gerou também polémica. Em 2021, uma campanha publicitária da Zeiss que usava a imagem de Pedro Simas e de Catarina Furtado foi suspensa após decisão da Auto Regulação Publicitária, por alegações consideradas enganosas relativas a uma lente apresentada como capaz de eliminar vírus e bactérias. A decisão foi noticiada pelo Jornal de Notícias e por outros órgãos de comunicação social, que sublinharam o uso da imagem de Simas enquanto figura pública associada à comunicação sobre a pandemia.
Em 2020, prefaciou a edição portuguesa de Contágio: Uma História dos Vírus que Estão a Mudar o Mundo, de David Quammen, publicada pela Objectiva.
Participou ainda em iniciativas públicas de reflexão sobre a pandemia e o período pós-pandémico. Em 2020, integrou o conjunto de autores da obra Pensar o Futuro — Portugal e o Mundo Depois da Covid-19, coordenada por Alexandre Quintanilha, Jaime Quesado, José Manuel dos Santos e Pedro Morgado.
Em 2021, integrou a candidatura de Carlos Moedas à Câmara Municipal de Lisboa pela coligação Novos Tempos, surgindo como candidato e como membro da equipa política ligada à área da saúde. Após a vitória de Carlos Moedas nas eleições autárquicas de 2021, passou a exercer funções como vereador em regime de substituição e assessor de Carlos Moedas na área da saúde.
Em 2022, o seu papel na autarquia foi objecto de controvérsia política devido a uma alegada incompatibilidade entre a celebração de um contrato de prestação de serviços com o município e a sua condição de vereador em substituição. Simas fora o oitavo candidato da coligação Novos Tempos e, como primeiro não eleito, assumia funções de substituição no executivo municipal.
Pedro Simas envolveu-se no projecto de geladaria artesanal Sorbettino, no Chiado, em Lisboa, projecto que surgiu em 2017, durante um jantar com o filho mais novo, Vicente. Simas conciliou o projecto pessoal com a actividade académica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a investigação científica no Instituto de Medicina Molecular, onde trabalhava sobre vírus herpes e respectivas infecções.
Em 2018, atravessou Portugal de norte a sul em bicicleta todo-o-terreno, no âmbito da prova TransPortugal, numa iniciativa de sensibilização para o cancro da mama realizada em parceria com o Fundo iMM-Laço.