O pentacorde (do grego pente, cinco, e chorde, corda ou som) constitui uma unidade estrutural fundamental na teoria musical, definindo-se como qualquer coleção, segmento ou sucessão de cinco notas distintas, cujo significado e função variam profundamente consoante o enquadramento histórico e analítico adotado. Na tradição teórica ocidental, cujas raízes remontam aos modelos de afinação e à harmónica da Grécia Antiga, o termo designa tipicamente uma sequência diatónica de cinco notas consecutivas confinadas ao intervalo de uma quinta perfeita (como a sucessão dó-ré-mi-fá-sol), servindo historicamente de base modular — complementar ao tetracorde — para a edificação do sistema de modos e das escalas maiores e menores. Esta conceção linear e intervalar mantém-se viva na pedagogia instrumental contemporânea, nomeadamente no ensino inicial do piano, onde os padrões de cinco dedos (five-finger patterns) isolam o pentacorde para consolidar a articulação técnica, o repouso da mão e a leitura elementar antes de se introduzir a passagem do polegar. Em contrapartida, a musicologia do século XX e a análise pós-tonal redefiniram conceptualmente o termo através da teoria de conjuntos de classes de altura (pitch-class set theory) de Allen Forte, convertendo o pentacorde num agregado não ordenado de cinco classes de notas (5-element set); sob esta perspetiva matemática, as trinta e oito categorias possíveis de pentacordes são catalogadas de acordo com as suas propriedades de simetria e os seus vetores de conteúdo intervalar, revelando como compositores modernistas como Arnold Schönberg, Ígor Stravinsky ou Béla Bartók manipularam estas coleções de cinco sons através de operações de transposição e inversão para forjar a matriz coerente e a assinatura harmónica das suas obras atonais.