
Uma peregrinação é uma jornada a um lugar sagrado, que pode levar a uma transformação pessoal, após a qual o peregrino retorna à sua vida diária. Um peregrino (do latim peregrinus) é um viajante (literalmente, aquele que veio de longe) que está em uma jornada para um lugar sagrado. Normalmente, trata-se de uma jornada física (frequentemente a pé) para algum lugar de significado especial para o adepto de um determinado sistema de crenças religiosa.
Peregrinos e a realização de peregrinações são comuns em muitas religiões, incluindo religiões do antigo Egito, Pérsia, no mitraísmo, Índia, China e Japão. Os costumes grego e Romano da consulta aos deuses locais e oráculos, tais como o de Dodona e o de Delfos, são amplamente conhecidos. Na Grécia antiga, as peregrinações podiam ser pessoais ou patrocinadas pelo estado.
No início do período da história hebraica, peregrinos viajaram para Siló, Dan, Betel, e, eventualmente, Jerusalém (os Três Festivais de Peregrinação, uma prática seguida por outras religiões Abraâmicas). Um grupo de peregrinos no início de cristianismo céltico foram os Peregrinari Pro Cristo (Peregrinos de Cristo), ou "brancos mártires", que deixaram suas casas para passear no mundo. Este tipo de peregrinação era uma prática religiosa ascética, com o peregrino deixando a segurança da casa e do clã para um destino desconhecido, confiando totalmente na Providência Divina. Essas viagens, muitas vezes, resultaram na fundação de novas abadias e na propagação do cristianismo entre os pagãos europeus.
Muitas religiões ainda são fiéis à peregrinação como uma atividade espiritual. A peregrinação a Meca por exemplo, é um dever obrigatório pelo menos uma vez para cada muçulmano que seja capaz de fazer a viagem. Outras peregrinações, especialmente para os túmulos dos Imames xiitas ou sufis santos, são também populares em todo o mundo islâmico.Tal como na Idade Média, os atuais peregrinos cristãos podem escolher entre visitar Roma (onde, segundo a Tradição Cristã, foram martirizados os apóstolos São Pedro e São Paulo), lugares na Terra Santa ligados à vida de Jesus Cristo (como Belém, Jerusalém e o Mar da Galileia), ou locais católicos associados a santos, aparições e milagres, tais como Lourdes, Santiago de Compostela e Fátima.


Lugares de peregrinação Budista do mundo incluem os relacionados com a vida do Buda histórico: o seu suposto local de nascimento e a casa de infância (Lumbini e Kapilavastu, no Nepal) e o lugar da iluminação (Bodh Gaya, no norte da Índia), outros lugares que se acredita que ele tenha visitado e o lugar de sua morte (ou Parinirvana), Kushinagar, na Índia. Outros incluem os muitos templos e mosteiros com as relíquias do Buda ou santos Budistas, tais como o Templo do Dente no Sri Lanka e os inúmeros lugares associados com os professores e os patriarcas das diversas tradições budistas. Destinos hindus de peregrinação podem ser as cidades santas (Varanasi, Badrinate); rios como o Ganges, o Jamuna); montanhas (vários picos do Himalaia são sagrados para ambos, Hindus e Budistas); cavernas (como as cavernas de Batu perto de Cuala Lumpur, na Malásia); templos; festivais, como o Kumbh Mela, em 2001, a maior reunião pública na história; ou os túmulos e lugares de habitação de santos (Alandi, Shirdi).
A partir de 1894, ministros Cristãos, sob a direção de Charles Taze Russell, foram nomeados para viagens a congregações de Estudantes da Bíblia; depois de alguns anos, esses ministros foram, formalmente, designados como "peregrinos", atuando, duas vezes por ano, em uma semana de visitas a cada congregação local. Os peregrinos da International Bible students Association (IBSA) peregrinos foram considerados excelentes oradores. Os proeminentes Estudantes da Bíblia A. H. Macmillan e J. F. Rutherford foram ambos indicados peregrinos antes de integrar o conselho de administração da Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania; a IBSA, mais tarde, adotou o nome de Testemunhas de Jeová e renomeou os peregrinos como bispos viajantes.

Um fenômeno moderno é o centro cultural de peregrinação que, embora envolvendo uma jornada pessoal, é secular na natureza. Destinos para tais peregrinos podem incluir sítios históricos nacionais ou de importância cultural, e podem ser definidos como lugares "de significado cultural: um artista local, o local de um evento fundamental ou um ícone turístico". Um exemplo pode ser um fã de beisebol visitar Cooperstown. Destinos culturais peregrinos incluem o campo de concentração de Auschwitz, o lugar da Batalha de Gettysburg, a casa de Ernest Hemingway ou até mesmo a Disneyland. Peregrinos culturais também pode viajar em rotas de peregrinação religiosa, como os Caminhos de Fátima e os Caminhos de Santiago, com a perspectiva de torná-los num passeio histórico ou arquitectónico, ao invés de considerá-los uma mera experiência religiosa. Sob regimes comunistas, devotos seculares peregrinos visitaram locais como o Mausoléu de Lenin, o Mausoléu de Mao tsé-tung e o local de Nascimento de Karl Marx. Tais visitas eram, por vezes, patrocinados pelo estado. Locais como estes continuam a atrair visitantes. A distinção entre peregrinação e turismo religioso não é, sempre, clara ou rígida. A peregrinação pode, também, referir-se simbolicamente a viagens, em grande parte a pé, para lugares onde a pessoa poderá buscar a sua salvação pessoal. Nas palavras do aventureiro-autor Jon Krakauer em seu livro Na Natureza Selvagem, por exemplo, Christopher McCandless foi "um possível peregrino para o Alasca em busca de bem-aventurança espiritual".