Pirarara

Como ler uma infocaixa de taxonomiaPirarara
Pirarara em aquário
Pirarara em aquário
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Siluriformes
Família: Pimelodidae
Género: Phractocephalus
Espécie: P. hemioliopterus
Nome binomial
Phractocephalus hemioliopterus
(Bloch & Schneider, 1801)
Uma pirarara

A pirarara (nome científico: Phractocephalus hemioliopterus) é um peixe da família Pimelodidae que pode ser encontrado na bacia dos rios Araguaia, Tocantins, Amazonas, Orinoco e Essequibo, localizados no Brasil, Venezuela, Peru, Equador, Colômbia, Bolívia, Guiana e Suriname. É também conhecido como "cajaro" na Venezuela e "banana catfish" na Guiana. É um peixe de grande porte, reconhecido principalmente pela coloração avermelhada da região caudal e pelos barbilhões característicos dos bagres.

Etimologia

Seu nome vem do tupi pirá + ara («peixe-arara»), isto é, que tem colorido variado e vivo como as araras. O peixe é também conhecido pela forma apocopada «pirara».

O nome científico atualmente aceito é Phractocephalus hemioliopterus (Bloch & Schneider, 1801). A espécie foi originalmente descrita como Silurus hemioliopterus em 1801, sendo posteriormente transferida para o gênero Phractocephalus. O Catalog of Fishes reconhece atualmente Phractocephalus hemioliopterus como o nome válido e Silurus hemioliopterus como o basônimo.

O nome do gênero Phractocephalus deriva do grego phraktos, relacionado a algo cercado ou protegido, e kephalē, "cabeça", em referência às estruturas ósseas bem desenvolvidas do crânio e da região da nuca.

O epíteto específico hemioliopterus tem origem grega e está relacionado à característica da nadadeira adiposa da espécie, que apresenta uma porção parcialmente raiada.

O nome popular "pirarara" é tradicionalmente associado a uma origem tupi e é interpretado como uma referência à coloração marcante do peixe. Entretanto, a etimologia do nome popular possui documentação menos direta que a etimologia do nome científico e deve ser apresentada com a respectiva fonte bibliográfica.

Distribuição geográfica

A pirarara é nativa da América do Sul e sua distribuição reconhecida inclui as bacias dos rios Amazonas e Orinoco, abrangendo registros em Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela.

No Brasil, a espécie ocorre na bacia Amazônica e está registrada em diferentes ambientes associados aos grandes sistemas fluviais da região. Estudos sobre populações brasileiras incluem, por exemplo, pesquisas realizadas no rio Xingu, na Amazônia oriental.

Por apresentar distribuição associada a grandes sistemas hidrográficos, a pirarara está relacionada à dinâmica dos rios amazônicos e aos ambientes que sofrem variações sazonais no nível da água.

Habitat

Phractocephalus hemioliopterus é uma espécie de água doce, predominantemente associada à região inferior da coluna d'água. O FishBase caracteriza a espécie como demersal e potamódroma, indicando associação com ambientes de fundo e deslocamentos relacionados ao sistema fluvial.

A espécie pode utilizar diferentes tipos de ambientes aquáticos dentro das bacias onde ocorre. Entre os ambientes registrados para a espécie estão grandes rios, canais, lagoas e outros corpos de água associados aos sistemas fluviais. Sua ocorrência também está relacionada a ambientes sujeitos à inundação sazonal.

A dinâmica anual de cheias e vazantes dos rios amazônicos é especialmente importante para a ecologia de muitos peixes da região. No caso da pirarara, estudos sobre reprodução indicam associação entre o período reprodutivo e o início da fase de cheia.

Descrição

A pirarara é um peixe de grande porte e apresenta corpo alongado, cabeça larga e barbilhões que atuam como estruturas sensoriais. Sua coloração é uma de suas características mais facilmente reconhecíveis, com contraste entre a região dorsal mais escura e a região posterior do corpo e da cauda, que apresenta coloração avermelhada.

Registros compilados pelo FishBase indicam comprimento máximo de aproximadamente 135 cm e peso máximo publicado de cerca de 44,2 kg. Esses valores representam registros máximos disponíveis na base de dados e não devem ser interpretados como tamanho médio da espécie.

Como outros bagres, a pirarara possui estruturas sensoriais que auxiliam na localização de alimento. Em ambientes de baixa luminosidade ou com elevada turbidez, os sentidos táteis e químicos podem ser importantes para a detecção de presas.

Alimentação

A pirarara apresenta alimentação predominantemente baseada em animais, mas sua dieta não é restrita a peixes. Registros de sua biologia indicam que indivíduos adultos podem consumir peixes, crustáceos, como caranguejos, e frutos.

A disponibilidade de diferentes recursos alimentares pode variar conforme o ambiente e o período do ano. Em áreas sazonalmente inundadas, frutos, sementes e outros recursos provenientes da vegetação podem entrar na dieta, além de peixes e crustáceos.

Dessa forma, embora a espécie possa ser considerada predadora, sua alimentação deve ser descrita como relativamente oportunista, evitando classificá-la simplesmente como exclusivamente carnívora.

Comportamento

Um estudo experimental publicado em 2023 investigou o comportamento alimentar e a atividade locomotora de juvenis de Phractocephalus hemioliopterus. Os indivíduos apresentaram preferência alimentar e ritmo de atividade locomotora predominantemente noturnos.

No experimento, os peixes também demonstraram capacidade de adaptação à disponibilidade de alimento. Quando submetidos a uma alteração no horário de alimentação, os indivíduos foram capazes de ajustar seu comportamento, demonstrando plasticidade alimentar.

Esses resultados indicam que o padrão noturno observado em condições experimentais não significa necessariamente que a espécie seja incapaz de se alimentar durante o período diurno. A disponibilidade de alimento pode modificar seu comportamento.

Reprodução

A reprodução da pirarara foi estudada por Freitas e Montag em uma população do médio rio Xingu, na Amazônia oriental. O estudo avaliou a proporção entre os sexos, a relação entre comprimento e peso, o tamanho da primeira maturação gonadal e a variação sazonal da atividade reprodutiva.

A proporção entre machos e fêmeas foi considerada equilibrada. Embora machos e fêmeas apresentassem comprimentos semelhantes, às fêmeas apresentaram, em média, maior peso. O estudo estimou o tamanho da primeira maturação sexual em aproximadamente 77,8 cm.

A análise do índice gonadossomático e da frequência de indivíduos maduros indicou um pico reprodutivo no início do período de águas altas, ou seja, durante o começo da fase de cheia do rio.

Esse padrão demonstra a importância da dinâmica hidrológica para a reprodução da espécie. A elevação do nível da água modifica a disponibilidade e a extensão dos ambientes aquáticos e pode favorecer diferentes etapas do ciclo de vida dos peixes amazônicos.

Apesar desses avanços, ainda existem lacunas no conhecimento sobre vários aspectos da reprodução da pirarara, especialmente sobre detalhes do comportamento reprodutivo, desenvolvimento inicial e características dos ovos e larvas em condições naturais.

Crescimento e desenvolvimento

O crescimento da pirarara pode variar de acordo com o sexo e as condições ambientais. No estudo realizado no rio Xingu, os machos apresentaram crescimento alométrico negativo, enquanto as fêmeas apresentaram crescimento considerado isométrico.

A diferença observada entre os sexos demonstra que comprimento e peso não necessariamente aumentam na mesma proporção ao longo do crescimento dos indivíduos.

Dados compilados pelo FishBase indicam comprimento comum próximo de 60 cm e registros máximos de aproximadamente 135 cm de comprimento total e 44,2 kg de massa corporal.

Conservação

A pirarara está classificada globalmente como Pouco Preocupante (LC — Least Concern) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O FishBase, baseado na avaliação global disponível, registra essa categoria para a espécie.

A classificação como Pouco Preocupante está relacionada, entre outros fatores, à ampla distribuição geográfica da espécie e à ausência de evidências suficientes para enquadrá-la atualmente em uma categoria global de maior risco. Entretanto, essa classificação não significa que as populações estejam livres de impactos ambientais.

A pirarara está sujeita aos mesmos processos de alteração dos ambientes fluviais que afetam diversos grandes peixes amazônicos. Entre os fatores que merecem atenção estão alterações dos habitats aquáticos, mudanças no regime natural dos rios e pressão pesqueira.

A espécie possui importância para a pesca e é registrada como peixe de interesse para pesca esportiva. Também existe comércio para aquariofilia, embora seu grande porte limite a manutenção de indivíduos adultos em instalações domésticas comuns.

Por apresentar grande tamanho corporal e importância econômica, o acompanhamento das populações naturais e das atividades pesqueiras é relevante mesmo diante de sua atual classificação global como Pouco Preocupante.

Importância ecológica

Como peixe de grande porte e predador, a pirarara participa das relações alimentares dos ecossistemas de água doce onde ocorre. Sua alimentação inclui outros peixes e crustáceos, além de recursos vegetais, conectando diferentes níveis da cadeia alimentar.

A ocorrência da espécie em grandes sistemas fluviais também faz com que sua ecologia esteja relacionada à dinâmica das cheias e vazantes. A reprodução associada ao início da cheia observada no rio Xingu reforça a importância dos ciclos hidrológicos naturais para a espécie.

Referências

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Bibliografia

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FREITAS, Tiago Magalhães da Silva; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis. Population and reproductive parameters of the red-tailed catfish, Phractocephalus hemioliopterus (Pimelodidae: Siluriformes), from the Xingu River, Brazil. Neotropical Ichthyology, v. 17, n. 2, e190015, 2019.

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