
A plasmosfera é a região mais interna, densa e estável da magnetosfera da Terra, caracterizada por um plasma frio e de baixa energia (aproximadamente 1 eletrão-vóltio) que roda solidariamente com o planeta devido à forte influência do seu campo magnético. Constituído essencialmente por eletrões e iões de hidrogénio, hélio e oxigénio capturados da ionosfera superior, este vasto reservatório em forma de toroide estende-se ao longo do equador magnético até distâncias que variam entre três e seis raios terrestres. O limite exterior desta estrutura é delimitado pela plasmopausa, uma fronteira extremamente nítida e dinâmica onde a densidade de partículas sofre uma queda abrupta de até cem vezes, separando o plasma frio corrotacional do plasma rarefeito e altamente energético da magnetosfera exterior. A morfologia da plasmosfera é governada pelo clima espacial e pela atividade solar: durante períodos de calmaria geomagnética, ela expande-se gradualmente ao ser reabastecida pelo fluxo ascendente de iões ionosféricos; em contrapartida, a ocorrência de tempestades geomagnéticas severas ativa campos elétricos de convecção que corroem as suas camadas externas, arrancando massas de partículas e moldando longas plumas de plasma que são projetadas em direção ao vento solar. A monitorização contínua desta região, historicamente viabilizada por missões espaciais de ponta como a IMAGE da NASA e as sondas Van Allen, é de vital importância para a astrofísica contemporânea e para as telecomunicações globais, uma vez que as flutuações na densidade do seu plasma distorcem a propagação de ondas de rádio — gerando erros métricos nos sistemas de posicionamento por satélite como o GPS e o Galileo — e regulam diretamente a física dos cinturões de radiação de Van Allen, acelerando ou mitigando o fluxo de eletrões «assassinos» que ameaçam destruir os sistemas eletrónicos dos satélites em órbita geoestacionária.