O pululano é um exopolissacarídeo linear, neutro e altamente solúvel em água, produzido comercialmente através da fermentação biotecnológica do amido pelo fungo polimórfico Aureobasidium pullulans. Estruturalmente, este biopolímero é constituído por unidades repetidas de maltotriose unidas de forma regular por ligações glicosídicas α-(1→6), enquanto as três unidades de D-glicose no interior de cada maltotriose se ligam por pontes α-(1→4). Esta configuração molecular única confere-lhe uma flexibilidade mecânica superior e propriedades físicas singulares, destacando-se a capacidade excecional de formar películas finas, transparentes, termossoldáveis e praticamente impermeáveis ao oxigénio, o que previne eficazmente a degradação de compostos sensíveis. Sendo um biomaterial intrinsecamente biodegradável, biocompatível, não tóxico, insípido e não imunogénico, o pululano tornou-se uma alternativa ecológica crucial aos polímeros sintéticos em múltiplos setores industriais. Na indústria farmacêutica e biomédica, estabeleceu-se como a principal matéria-prima na produção de cápsulas vegetais duras (substitutas da gelatina animal), além de ser amplamente explorado em tiras orais de dissolução rápida, sistemas de libertação controlada de fármacos e matrizes para engenharia de tecidos. No setor alimentar, onde detém a designação oficial de aditivo E1204, atua como espessante, estabilizador de textura e agente de revestimento invisível para prolongar a vida útil de alimentos frescos através do controlo das trocas gasosas. A sua versatilidade estende-se ainda à cosmética avançada, surgindo em formulações antienvelhecimento devido ao seu efeito tensor imediato na pele e como agente aglutinante sustentável, consolidando-se como um pilar da química verde e da bioeconomia contemporânea.