Rabia Catum (em árabe: ربيعة خاتون; romaniz.: Rabīʿa Khātūn; m. Damasco, dezembro de 1245 / janeiro de 1246) foi uma princesa aiúbida, filha de Najemadim Aiube e irmã dos sultões Saladino e Aladil I. Casou-se primeiro com Sadadim Maçude ibne Muinadim Anur e, após a morte dele, com Muzafaradim Goquebori, governante de Arbil, com quem permaneceu por mais de quarenta anos. Durante o haje de 608 A.H. (1211–1212), Rabia protegeu os peregrinos da caravana iraquiana durante o conflito entre eles e Catada ibne Idris, emir de Meca, intervindo para que este encerrasse seus ataques. Exerceu também destacado patronato religioso em Damasco, onde fundou a Madraça Assaíbia, destinada aos hambalitas, no sopé do monte Cássio. Após a morte de Goquebori, estabeleceu-se definitivamente na cidade, onde morreu com mais de 80 anos e foi sepultada na madraça que havia fundado.
Rabia Catum era filha de Najemadim Aiube e irmã de Saladino e Aladil I. Seu irmão Saladino casou-a inicialmente com Sadadim Maçude ibne Muinadim Anur, irmão de Ismatadim Catum, com quem o próprio Saladino se casou. Maçude morreu em 581 A.H. (1185–1186), após o que Saladino deu Rabia em casamento a Muzafaradim Goquebori, governante de Arbil. Rabia permaneceu com Goquebori em Arbil por mais de quarenta anos. Sibte ibne Aljauzi preservou um relato atribuído à própria Rabia acerca da vida doméstica do casal. Segundo ela, Goquebori usava uma camisa de tecido grosseiro que não valia cinco dirrãs. Quando o censurou por isso, ele respondeu que preferia vestir uma roupa barata e distribuir o restante em esmolas a vestir-se luxuosamente e deixar pobres e necessitados desamparados. Em 608 A.H. (1211–1212), Rabia realizou o haje com a caravana síria. Durante os ritos em Mina, um ismaelita matou Harune, um parente de Catada ibne Idris, emir de Meca, que se parecia com ele, aparentemente por confundi-lo com Catada. O incidente desencadeou confrontos entre os habitantes de Meca e os peregrinos, e os homens de Catada atacaram e saquearam a caravana iraquiana quando esta procurou retirar-se.
O emir do haje iraquiano, Aladim Maomé ibne Iacute, refugiou-se junto de Rabia no acampamento da caravana síria, acompanhado pela mãe de Jalaladim, senhor de Alamute. Rabia enviou Axuja Ali ibne Salar, comandante dos peregrinos de Jerusalém, a Catada, censurando-o pelo saque e pelo derramamento de sangue no mês e no recinto sagrados e ameaçando agir contra ele caso não interrompesse os ataques. Ali advertiu ainda o emir de que poderia ter de enfrentar tanto o califa vindo do Iraque quanto os sírios, após o que Catada cessou os ataques. Segundo Ibne Uacil, a proteção concedida por Rabia evitou que os peregrinos iraquianos fossem exterminados, embora já tivessem perdido grande quantidade de cargas e camelos durante o saque. Rabia exerceu patronato religioso em Damasco, onde mandou construir a Madraça Assaíbia no monte da Açaliia, no sopé oriental do monte Cássio. A instituição foi destinada aos hambalitas. A iniciativa teria partido de Amate Alatife binte Anaci ibne Alhambali, erudita hambalita que fazia parte do séquito de Rabia e por quem esta tinha grande afeição. Rabia dotou a madraça em benefício de Anaci ibne Alhambali e dos hambalitas.
Em Rajabe de 628 A.H. (1231), Anaci começou a lecionar na madraça. Segundo Alaçadi, foi um dia célebre e a própria Rabia assistiu à aula atrás de uma cortina. Após a morte de Goquebori em 630 A.H. (1232–1233), Rabia deixou Arbil e estabeleceu-se definitivamente em Damasco, onde passou a residir na Dar Alaquiqui, antiga residência de seu pai. A residência foi posteriormente convertida na Madraça Azairia. Rabia morreu em Damasco em Xabã de 643 A.H. (dezembro de 1245–janeiro de 1246). Segundo a estimativa de Ibne Calicane, já havia ultrapassado os 80 anos. Foi sepultada na Madraça Assaíbia, que havia fundado no monte Cássio. Segundo Ibne Catir, foi a última sobrevivente entre os filhos de Najemadim Aiube. Ao comentar a extensão da família aiúbida, Ibne Calicane afirmou ter conhecido mais de cinquenta irmãos e sobrinhos de Rabia que eram príncipes, sem contar outros parentes que não governavam. Registrou ainda que seu marido governava Arbil e que os filhos de uma filha sua eram príncipes de Moçul.