Raul Leal

Raul Leal
Raul Leal
Nome completoRaul d'Oliveira Sousa Leal
Pseudónimo(s)Henoch
Nascimento
Morte
17 de agosto de 1964 (77 anos)

São José, Lisboa, Portugal
Nacionalidadeportuguês
Ocupaçãopoeta
Movimento literáriomodernismo
Magnum opusSodoma Divinizada

Raul de Oliveira Sousa Leal (Henoch) (São José, Lisboa, 1 de setembro de 1886 – São José, Lisboa, 17 de agosto de 1964) foi um escritor, poeta e ocultista português.

Biografia

Era filho do proprietário Alfredo de Oliveira Sousa Leal, também natural de Lisboa (freguesia de São José) e antigo director do Banco de Portugal, e de sua segunda mulher, Adelaide Cristina Lambruschini, sobrinha do cardeal Lambruschini, que dirigira a Biblioteca Vaticana, natural do Rio de Janeiro (Brasil).

Concluiu o curso de direito na Universidade de Coimbra em 1909. Em 1915 exila-se em Espanha por motivos políticos devido ao seu assumido monarquismo.

Para uma autobiografia
Na casa de meus pais recebi uma educação luxuosíssima, conhecendo bem todas as sumptuosidades e elegâncias; natural era portanto que quisesse manter essa vida ainda que para isso descesse às maiores ignomínias, tanto mais que intensíssimas foram sempre as minhas ambições de luxo, desenfreados os meus apetites e a minha cobiça; pois tudo isso esmaguei em mim porque só ignominiosamente poderia satisfazer tais ambições, tais apetites delirantes, e eu não queria de modo algum esfacelar a minha dignidade, sempre intacta, sempre imaculada. A despeito de tudo preferi a miséria e a fome!

Foi um dos introdutores do futurismo em Portugal, publicando no segundo número da revista Orpheu, a "novela vertígica" "Atelier", a qual planeava integrar num livro inédito intitulado Devaneios e Alucinações. Caso único na literatura portuguesa, escreveu toda a sua obra poética em francês. Projectou também escrever, em 1923, o "drama metafísico" O Incompreendido.

Em 1916 publicou na revista Centauro "A Aventura dum Sátiro ou a Morte de Adónis" e em 1917, na revista Portugal Futurista, o artigo "L'Abstraccionisme Futuriste", sobre um quadro de Santa-Rita Pintor. Colaborou também na revista Pirâmide (1959–1960), na Athena, publicada por Fernando Pessoa, e pela revista dirigida por Almada Negreiros, Sudoeste (1935).

Vida digníssima de sacrifício
Durante quatro anos horríveis de fome e miséria nunca conseguia abandalhar-me, e através dos meus sofrimentos encontrava sempre a força de alma necessária para trabalhar na minha Obra. Quantas vezes, cheio de frio e mal me podendo suster, por falta absoluta de alimentos, eu subi a escadaria sumptuosa da Biblioteca de Madrid, tão pouco aquecida no inverno, para procurar no estudo da metafísica o esquecimento vago dos meus males, e dando assim uma expressão superior à minha existência!

Com a publicação de Sodoma Divinizada em 1923, pela editora Olisipo, de Fernando Pessoa, Raul Leal entra voluntariamente no escândalo conhecido por «Literatura de Sodoma», a propósito da 2.ª edição do livro de poesia Canções, de António Botto, publicado no ano anterior também da editora Olisipo. Iniciada com a recensão de Fernando Pessoa «António Botto e o Ideal Estético em Portugal», inserida no n.º 3 da revista Contemporânea, de Julho de 1922, a polémica envolveu, para além de Pessoa e Leal, o jornalista Álvaro Maia e Pedro Teotónio Pereira.

Em Março de 1923, as edições de Canções e Sodoma Divinizada, bem como Decadência de Judith Teixeira, seriam apreendidos e posteriormente queimados por ordem do governador civil de Lisboa. Raul Leal volta à polémica publicando o panfleto Uma Lição de Moral aos Estudantes de Lisboa e o Descaramento da Igreja Católica.

Nunca casou. Morreu vítima de aterosclerose generalizada a 17 de agosto de 1964, no Hospital de Santo António dos Capuchos, freguesia de São José, em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério do Lumiar.

Bibliografia

Edições póstumas

Referências

  1. 1 2 «Livro de registo de batismos da paróquia de São José - Lisboa (1886-1887)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 25, assento 122
  2. ↑ Raul Leal, por Teresa Lousa, Gerações Hispânicas, CHAM — Centro de Humanidades / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa | Universidade dos Açores, 8 Maio, 2019
  3. ↑ Raul Leal, por Teresa Lousa, Gerações Hispânicas, CHAM — Centro de Humanidades / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa | Universidade dos Açores, 8 Maio, 2019
  4. ↑ Leal, Raul (1989). Sodoma Divinizada. Lisboa: Hiena. p. 109
  5. ↑ Leal, Raul (1989). Sodoma Divinizada. Lisboa: Hiena. p. 111
  6. ↑ Daniel Pires (1999). «Ficha histórica: Pirâmide : antologia (1959-1960)» (pdf). Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1941-1974). Lisboa, Grifo, 1999: Hemeroteca Municipal de Lisboa. p. 46. Consultado em 20 de março de 2015
  7. ↑ Rita Correia (18 de maio de 2011). «Ficha histórica: Sudoeste : cadernos de Almada Negreiros (1935)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 5 de novembro de 2015
  8. ↑ Leal, Raul (1989). Sodoma Divinizada. Lisboa: Hiena. p. 108-109
  9. ↑ «Livro de registo de óbitos da 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1964-08-03 - 1964-09-04)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 1489, assento 2975

Ligações externas