Anúncio do primeiro número brasileiro, de fevereiro de 1942 | |
| Diretor de conteúdo | Jason Buhrmester |
|---|---|
| Frequência | Seis edições por ano |
| Formato | digest |
| Circulação | Total: 3.029.039 (2020) |
| Fundador(a) | DeWitt Wallace e Lila Bell Wallace |
| Primeira edição | 5 de fevereiro de 1922 |
| Empresa | Trusted Media Brands |
| País | Estados Unidos |
| Baseada em | Manhattan, Nova York |
| Sítio | https://www.rd.com/ |
| ISSN | 0034-0375 |
Seleções, nome das edições brasileira e portuguesa da revista norte-americana Reader's Digest e tradicionalmente grafada Selecções em Portugal, é uma revista familiar de interesse geral, publicada seis vezes por ano. Antes sediada em Chappaqua, no estado de Nova York, sua sede passou para Midtown Manhattan. A revista foi fundada em 1922 por DeWitt Wallace e sua esposa, Lila Bell Wallace. Por muitos anos, Reader's Digest foi a revista de consumo mais vendida dos Estados Unidos. Em 2009, perdeu essa posição para Better Homes and Gardens. Em 2006, Reader's Digest alcançava mais leitores em domicílios com renda superior a US$ 100 mil do que Fortune, The Wall Street Journal, Business Week e Inc. somadas.
A rede internacional da revista chegou a ter 49 edições em 21 idiomas. Em 2013, a revista ainda tinha a maior circulação paga do mundo e contava com dezenas de milhões de assinantes. Em 2019, Reader's Digest era publicada em 21 idiomas, distribuída em mais de 70 países e alcançava 10,5 milhões de leitores no mundo.
Também houve edições em Braille, formatos digital e de áudio e uma versão em tipos grandes chamada Reader's Digest Large Print. A revista tem formato compacto, com páginas de aproximadamente metade do tamanho das de muitas revistas norte-americanas. No verão de 2005, a empresa adotou o slogan "America in your pocket" para a edição dos Estados Unidos. Em janeiro de 2008, o slogan passou a ser "Life well shared".

Em 1920, DeWitt Wallace casou-se com Lila Bell Wallace em Pleasantville, Nova York. Pouco depois, os dois lançaram Reader's Digest em um porão sob um bar clandestino de Greenwich Village. A ideia era reunir, em uma única revista, uma seleção de artigos sobre muitos assuntos publicados em periódicos mensais, às vezes condensando-os e reescrevendo-os.
No século XX, Reader's Digest manteve uma orientação conservadora e anticomunista em questões políticas e sociais. Os Wallaces esperavam inicialmente que a revista lhes rendesse US$ 5 mil de lucro líquido. A percepção de Wallace sobre o que o público de massa queria ler levou a um crescimento rápido. Em 1929, a revista tinha 290 mil assinantes e receita bruta anual de US$ 900 mil. A primeira edição internacional começou a ser publicada no Reino Unido em 1938. Quando Reader's Digest completou quarenta anos, havia quarenta edições internacionais, em treze idiomas e Braille. Em determinado momento, era o periódico de maior circulação na China, no México, na Espanha, na Suécia, no Peru e em outros países, com circulação internacional total de 23 milhões de exemplares.
A primeira coluna "Word Power" foi publicada na edição de janeiro de 1945, escrita por Wilfred J. Funk. Em dezembro de 1952, a revista publicou "Cancer by the Carton", um conjunto de artigos que relacionava o tabagismo ao câncer de pulmão.
De 2002 a 2006, Reader's Digest promoveu em escolas dos Estados Unidos uma competição de vocabulário chamada Reader's Digest National Word Power Challenge. Em 2007, a revista informou que não realizaria a competição no ano letivo de 2007–2008 e que usaria esse período para avaliar o programa em todos os aspectos, entre eles alcance, missão e modelo de implementação.
Em 2006, a revista lançou edições em idiomas locais na Eslovênia, Croácia e Romênia. Em outubro de 2007, chegou à Sérvia. A licenciada na Itália deixou de publicar a revista em dezembro de 2007. Em janeiro de 2008, uma edição foi lançada na República Popular da China. A publicação chinesa terminou em 2012, após vendas insuficientes, atribuídas ao preço relativamente alto, à definição pouco clara do público e à baixa qualidade do conteúdo traduzido.
Em 2010, a edição norte-americana reduziu o número de publicações anuais de doze para dez e ampliou sua oferta digital. Também reduziu de 8 milhões para 5,5 milhões de exemplares a circulação garantida aos anunciantes. Ao anunciar a decisão em junho de 2009, a empresa informou que pretendia diminuir o número de perfis de celebridades e matérias de instruções práticas e publicar mais histórias de inspiração espiritual e sobre militares.
A partir de janeiro de 2013, a edição dos Estados Unidos voltou a ter doze números por ano.

A revista é publicada seis vezes por ano.
Na década de 1950, a direção executiva de Reader's Digest tinha cargos de editor, editor executivo e editores-chefes de produção, além de um departamento de livros, um gerente-geral de negócios e um diretor de edições internacionais. A equipe editorial tinha níveis que incluíam editores seniores, editores de departamento, editores itinerantes e editores associados.
Em 1990, a empresa controladora da revista, The Reader's Digest Association, Inc. (RDA), tornou-se uma companhia de capital aberto. De 2005 a 2010, a RDA registrou prejuízo líquido em todos os anos.
Em março de 2007, a Ripplewood Holdings LLC liderou um consórcio de investidores de capital privado que comprou a empresa por meio de uma aquisição alavancada por US$ 2,8 bilhões, financiada principalmente pela emissão de US$ 2,2 bilhões em dívida. A Ripplewood investiu US$ 275 milhões de recursos próprios e teve entre seus parceiros o Rothschild Bank de Zurique e a GoldenTree Asset Management, de Nova York. A operação triplicou os pagamentos anuais de juros da associação, que chegaram a US$ 148 milhões.
Em 24 de agosto de 2009, a RDA anunciou ter apresentado à Justiça de falências dos Estados Unidos um pedido previamente negociado de proteção sob o Capítulo 11, para manter as operações e reestruturar a dívida de US$ 2,2 bilhões assumida na aquisição alavancada. Ao sair da recuperação, os credores trocaram dívida por participação acionária e todo o investimento patrimonial da Ripplewood foi extinto.
Em abril de 2010, a operação britânica foi vendida à própria administração. Um acordo de licença com a empresa norte-americana permitiu que a edição britânica continuasse a ser publicada. O encerramento da edição britânica foi anunciado em abril de 2024.
Em 17 de fevereiro de 2013, a RDA Holding entrou em recuperação judicial pela segunda vez. A empresa foi comprada por £ 1 pelo investidor de capital de risco Mike Luckwell, que havia sido o maior acionista da WPP plc.
A RDA oferece muitos produtos por mala direta acompanhados de sorteios promocionais ou concursos. A edição norte-americana de Reader's Digest e as outras revistas da empresa nos Estados Unidos não usam sorteios em promoções de mala direta. A companhia também passou a investir no marketing direto eletrônico para se adaptar às mudanças no mercado de mídia. Em meados do século XX, álbuns fonográficos de música clássica e easy listening, com o nome da revista, eram vendidos pelo correio. Reader's Digest também fez uma parceria com a RCA para oferecer um clube de música por correspondência, com preços reduzidos para discos de vinil.
Em 2001, procuradores-gerais de 32 estados dos Estados Unidos chegaram a acordos com a empresa e outros operadores de sorteios para encerrar acusações de que idosos eram induzidos a comprar produtos por acreditarem ser "vencedores garantidos" de um sorteio. O acordo exigiu que as empresas aumentassem o tamanho da letra dos avisos nas embalagens informando que nenhuma compra era necessária para participar e que:
A edição britânica de Reader's Digest também recebeu críticas do Trading Standards Institute por dirigir correspondências em massa enganosas a idosos e pessoas vulneráveis, afirmando que o destinatário tinha a garantia de receber um grande prêmio em dinheiro e aconselhando-o a não falar sobre o assunto com outras pessoas. Após a reclamação da entidade, a Advertising Standards Authority (ASA) informou que abriria uma investigação. A investigação confirmou a reclamação em 2008 e concluiu que a mala direta de Reader's Digest era irresponsável e enganosa, sobretudo para idosos, e havia violado três cláusulas do código do Committee of Advertising Practice. Reader's Digest foi instruída a não voltar a usar esse material.
A lista a seguir está ordenada pelo ano da primeira publicação.
A edição brasileira foi lançada em fevereiro de 1942 com o título Seleções do Reader's Digest, depois reduzido para Seleções. A produção brasileira também era distribuída em Portugal, inicialmente com o texto em português brasileiro, pois os exemplares eram impressos no Brasil e enviados ao país. A iniciativa partiu de Robert Lund, fundador do Grupo Lund Editoras Associadas. O primeiro número era vendido nas bancas por 2.000 réis, e a assinatura anual custava 20.000 réis.
Em 1967, diante da instabilidade econômica e dos problemas no serviço dos Correios no Brasil, a impressão foi transferida para Portugal. Os exemplares destinados ao Brasil passaram então a ser enviados de Portugal, mas continuaram usando a variante brasileira do idioma. Em maio de 1988, formou-se uma equipe editorial portuguesa e cada país passou a ter sua própria versão, embora as duas continuassem produzidas em Portugal. Após o Plano Real e a estabilização econômica brasileira, a impressão da edição do Brasil voltou ao país em 1995. Em 1997, a equipe editorial brasileira também retornou ao Brasil.
Nas edições brasileiras, o formato tradicional mede 13,4 cm × 18,4 cm e é chamado de "formatinho" no país. O conteúdo reúne temas como saúde, conhecimentos gerais, biografias e humor, com seções como "Piadas de caserna". A seção "Livro do Mês" publica versões condensadas de livros.
A edição do Reino Unido começou a ser publicada em 1938. Em 2010, Reader's Digest UK entrou em administração judicial por causa de um déficit de £ 125 milhões em seu fundo de pensão. O fundo de capital privado Better Capital pagou cerca de £ 14 milhões pela marca e investiu mais £ 9 milhões no negócio. Em 2013, vendeu Reader's Digest UK por um valor nominal ao investidor de capital de risco Mike Luckwell. A marca foi vendida novamente em 2018 ao ex-diretor executivo Gary Hopkins. A revista deixou de ser publicada em abril de 2024, após 86 anos.
A primeira publicação de Reader's Digest no Mundo árabe foi impressa no Egito em setembro de 1943.
Em 6 de dezembro de 2023, foi anunciado que Reader's Digest Canada encerraria suas atividades na primavera de 2024.
A edição da Índia começou a ser publicada em 1954, com circulação de 40 mil exemplares. Por muitos anos, foi publicada por empresas do Tata Group. Em outubro de 2003, o Living Media Group recebeu a licença para publicar a revista na Índia. A circulação paga chegou a cerca de 600 mil exemplares. A edição reúne artigos indianos e internacionais. No Indian Readership Survey de 2009, a audiência média por edição foi de 1,317 milhão, atrás de India Today, com 1,878 milhão, entre as revistas em inglês.
Em setembro de 2023, Reader's Digest Australia tinha uma média estimada de 362 mil leitores por edição.
Livros de não ficção com a marca Reader's Digest e coletâneas anuais do conteúdo da revista são publicados pela Trusted Media Brands, vendidos pelo site da empresa e distribuídos a varejistas pela Simon & Schuster.
Desde 1950, Reader's Digest publica por mala direta uma coleção de antologias em capa dura com versões abreviadas de romances e obras de não ficção. A coleção chamava-se originalmente Reader's Digest Condensed Books e passou a se chamar Reader's Digest Select Editions em 1997.
De meados da década de 1960 ao início da década de 1980, obras integrais e originais de não ficção foram publicadas pelo selo Reader's Digest Press e distribuídas pela Thomas Y. Crowell Co. A partir de 1982, uma coleção de romances clássicos foi publicada com o título World's Best Reading e oferecida por correspondência aos assinantes da revista.
Na Alemanha, Reader's Digest mantém uma editora própria chamada Verlag Das Beste, responsável também pela edição alemã da revista. Desde 1955, publica Reader's Digest Auswahlbücher, a versão alemã de Reader's Digest Condensed Books. A editora publicou ainda a antologia de ficção científica Unterwegs in die Welt von Morgen ("O caminho para o amanhã"), formada por 50 volumes em capa dura com romances clássicos de ficção científica, como Stranger in a Strange Land, de Robert A. Heinlein, 2001, de Arthur C. Clarke, e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. A coleção saiu entre 1986 e 1995, em geral com dois romances por volume.
Conteúdo de Reader's Digest foi usado como base para episódios de Radio Reader's Digest e TV Reader's Digest.