
Resina é um material de origem natural ou sintética que pode ter consistência sólida, semissólida ou líquida de alta viscosidade. As resinas naturais são obtidas sobretudo de plantas. As resinas vegetais são misturas de compostos orgânicos insolúveis em água, formadas principalmente por terpenos e seus derivados, ou por compostos fenólicos. Em sentido técnico, não devem ser confundidas com gomas, compostas sobretudo de polissacarídeos que se dissolvem em água ou absorvem água e formam géis, embora os dois termos sejam usados de forma intercambiável em contextos menos formais. Entre as resinas comuns estão as oleorresinas de pinheiro, o âmbar, o haxixe, o olíbano, a mirra e a goma-laca, de origem animal. As resinas são usadas em vernizes, adesivos, aditivos alimentares, incensos e perfumes.
As resinas protegem as plantas contra insetos e agentes patogênicos, e sua produção e liberação podem aumentar em resposta a lesões. Seus componentes podem repelir herbívoros ou inibir microrganismos. Compostos voláteis liberados pela planta também podem atrair inimigos naturais dos insetos que a atacam.
Muitas resinas vegetais contêm terpenos e seus derivados. Na fração volátil de oleorresinas de coníferas podem ocorrer o α-pineno, o β-pineno, o 3-careno, o sabineno, os terpenos monocíclicos limoneno e terpinoleno e, em quantidades geralmente menores, os sesquiterpenos longifoleno, cariofileno e cadineno. A composição varia conforme a espécie. A fração não volátil de muitas resinas de coníferas contém uma proporção elevada de ácidos resínicos diterpênicos. Essa fração constitui a maior parte do colofônio.
Entre as resinas vegetais estão o âmbar, o Bálsamo de Gileade, o bálsamo, o Bálsamo do Canadá, o copal de árvores de Protium copal e Hymenaea courbaril, o dâmar de árvores da família Dipterocarpáceas, o sangue-de-dragão de espécies do gênero Dracaena, o elemi, o olíbano de Boswellia sacra, o gálbano de Ferula gummosa, a goma de guáiaco das árvores conhecidas como lignum vitae, do gênero Guaiacum, a goma de kauri de Agathis australis, o haxixe, preparado com resina de plantas de Cannabis, incluindo Cannabis indica, o ládano de espécies mediterrâneas de Cistus, o mástique de Pistacia lentiscus, a mirra de arbustos de Commiphora, a resina de sandáraca de Tetraclinis articulata, árvore nacional de Malta, o benjoim obtido de espécies de Styrax e a resina de spinifex de gramíneas australianas. O estoraque comercial é um bálsamo obtido de árvores do gênero Liquidambar.
O âmbar é uma resina fóssil, também chamada resinita, proveniente de coníferas e de outras espécies de árvores. O copal, a goma de kauri, o dâmar e outras resinas também podem ser encontrados em depósitos subfósseis. O copal subfóssil costuma tornar-se pegajoso quando recebe uma gota de um solvente, como acetona ou clorofórmio, reação usada para ajudar a distingui-lo do âmbar mais polimerizado. O copal africano e a goma de kauri da Nova Zelândia também são obtidos em condição semifóssil.
O colofônio é uma resina solidificada da qual os terpenos voláteis foram removidos por destilação. O colofônio típico é uma massa transparente ou translúcida, com fratura vítrea e coloração levemente amarela ou castanha, sem odor ou com apenas um leve odor e sabor de terebintina. É insolúvel em água e, em sua maior parte, solúvel em álcool, óleos essenciais, éter e óleos graxos aquecidos. O colofônio amolece e derrete quando aquecido e queima com uma chama brilhante, mas fumegante.
O colofônio contém uma mistura de substâncias que inclui ácidos orgânicos chamados ácidos resínicos. Esses ácidos são predominantemente ácidos carboxílicos diterpênicos. Eles reagem com álcalis e formam sais chamados sabões de resina, dos quais os ácidos resínicos podem ser regenerados por acidificação. Entre eles estão o ácido abiético, ou ácido sílvico, C20H30O2, e o ácido pimárico, C20H30O2, componente da resina galipote. O ácido abiético também pode ser extraído do colofônio por meio de álcool quente. O ácido plicático, encontrado em Thuja plicata, pertence a outra classe de compostos, as lignanas.
O colofônio é obtido de pinheiros e de algumas outras plantas, sobretudo coníferas. Derivados do colofônio são empregados como agentes de colagem na fabricação de papel, além de adesivos, tintas de impressão e revestimentos de superfície. As resinas vegetais costumam ser produzidas como secreções do caule, mas, em algumas espécies centro e sul-americanas de Dalechampia e Clusia, são oferecidas como recompensa de polinização e usadas por espécies de abelhas sem ferrão na construção de ninhos. A própolis contém resinas recolhidas de plantas como choupos e coníferas, misturadas pelas abelhas-do-mel com quantidades variáveis de cera. Ela é usada para vedar frestas e revestir as paredes internas do ninho.
A goma-laca é um exemplo de resina derivada de insetos.
A asfaltita, como a gilsonita encontrada em Utah, é um betume sólido de origem petrolífera. Resinas fósseis de origem vegetal também foram extraídas de camadas de carvão de Utah.
Em muitas plantas lenhosas, a resina é produzida por células secretoras e armazenada em espaços intercelulares especializados, como canais resiníferos. Algumas resinas já estão presentes nesses tecidos antes de uma lesão, enquanto outras são produzidas ou têm sua produção aumentada no local danificado. Depois da exsudação, a perda de componentes voláteis e reações de oxidação e polimerização podem aumentar a viscosidade e levar ao endurecimento.
A resinagem de pinheiros vivos é feita por cortes controlados no tronco que provocam o fluxo da oleorresina para recipientes de coleta. A destilação da resina bruta separa principalmente terebintina e colofônio. Produtos resinosos também podem ser obtidos de madeira rica em resina e como subprodutos da fabricação de polpa de celulose pelo processo kraft.

O uso de resinas vegetais é documentado na Grécia Antiga por Teofrasto, na Roma Antiga por Plínio, o Velho, e no Antigo Egito, onde o olíbano e a mirra eram muito apreciados. Essas substâncias eram usadas como incenso em certos ritos religiosos. Resinas de Pistacia e elemi também eram empregadas em misturas para a mumificação egípcia.
A palavra inglesa resin vem do francês resine, do latim resina, que deriva ou é cognata do grego antigo ῥητίνη, rhētínē, "resina de pinheiro". Sua origem anterior é desconhecida e provavelmente não é indo-europeia.
O termo "resina" também é aplicado a componentes formadores de película em produtos como lacas, esmaltes e vernizes de unha. Certas resinas de moldagem e resinas sintéticas, como a resina epóxi, também receberam esse nome.
As oleorresinas são misturas de resina e óleos essenciais, cuja fração volátil lhes dá consistência mais fluida. Os bálsamos são resinas ou oleorresinas com teor elevado de ácido benzoico, ácido cinâmico ou seus ésteres. Outros produtos resinosos contêm, em sua condição natural, goma ou substâncias mucilaginosas e são chamados de gomas-resinas. Entre eles estão a goma amoníaca, a assa-fétida, a guta-gamba, a mirra e a escamônia. Algumas resinas naturais são usadas como ingredientes de perfumes, entre elas os bálsamos-do-peru e de tolu, o elemi, o estoraque e certas terebintinas.
Outros líquidos ou exsudatos vegetais, como seiva, látex e mucilagem, às vezes são confundidos com resina, mas não são a mesma substância. A seiva, em especial, desempenha uma função nutritiva que as resinas não têm.

As resinas vegetais são usadas na produção de vernizes, adesivos e agentes de glaceamento de alimentos. Também são matérias-primas para a síntese de outros compostos orgânicos e fornecem componentes de incensos e perfumes. Na África Austral, populações da Idade da Pedra Média usavam adesivos compostos à base de substâncias vegetais para prender ferramentas de pedra a cabos.


As resinas duras e transparentes, como os copais, dâmares, mástique e sandáraca, são usadas principalmente em vernizes e adesivos. Resinas aromáticas, como olíbano, elemi e mirra, são usadas em incensos e perfumes. A copaíba também fornece componentes para perfumes, e a terebintina é empregada como solvente e matéria-prima química. A assa-fétida tem uso alimentar como condimento. A resina do pinheiro-de-alepo é usada para aromatizar a retsina, um vinho resinado grego. A resina do abeto-da-Noruega (Picea abies) tem uso na medicina tradicional nórdica em preparações destinadas a feridas e problemas de pele.
As resinas animais são menos comuns que as vegetais ou sintéticas. Algumas, como a laca, obtida de Kerria lacca, são usadas na fabricação de lacre e em trabalhos de laqueação. Na Índia, a laca é empregada na fabricação de lacres. No Sri Lanka, a produção artesanal de objetos laqueados usa tradicionalmente laca derivada de uma secreção resinosa produzida por insetos.
Muitos materiais são produzidos pela conversão de resinas sintéticas em sólidos. O bisfenol A diglicidil éter, por exemplo, é usado em formulações de adesivos epóxi que endurecem por reação com um agente de cura. As borrachas de silicone que vulcanizam à temperatura ambiente são obtidas pela reticulação de polissiloxanos. Essas formulações formam elastômeros e não devem ser confundidas com as resinas de silicone. As resinas alquídicas são usadas em tintas e vernizes. Nas formulações alquídicas de secagem ao ar, a cura ocorre por reações de oxidação com o oxigênio atmosférico.
Na terminologia da IUPAC, o uso técnico de "resina" para materiais poliméricos é mais estreito e se aplica principalmente a pré-polímeros destinados à produção de termofixos, com grupos reativos. O emprego do termo para materiais termofixos já curados é fortemente desaconselhado.
Na indústria de tintas, a resina forma a película e determina propriedades como brilho, resistência física e química, secagem e aderência. Entre as resinas de uso comum estão as alquídicas, epóxi, poliuretânicas, acrílicas, poliésteres, vinílicas e a nitrocelulose.