Revolta dos Muridines

Revolta dos Muridines
Reconquista

Estátua dedicada a ibne Cassi, em Mértola
Data1144-1145
LocalAlgarbe Alandalus
DesfechoDerrota dos muridines.
Beligerantes

Muridines
Apoiados por:
Reino de Portugal

Império Almorávida

Comandantes

Ibne Cassi

Taxufine ibne Ali

A Revolta dos Muridines foi uma insurreição de pendor religioso que se deu em 1144 no Algarbe Alandalus. O místico sufi Ibne Cassi encetou uma rebelião contra a autoridade dos almorávidas, que por então governavam o Alandalus.

A Revolta dos Muridines deu-se numa época de avanço dos reinos cristãos na península Ibérica e gradual erosão do poder muçulmano. Em 1139 dera-se a Batalha de Ourique e D. Afonso Henriques ameaçava directamente o Algarbe Alandalus, ao passo que o rei Afonso VII de Leão ameaçava o centro da península.

Ibne Cassi era um milenarista e radical antialmorávida, que trocou uma vida de luxo pela de um asceta, cujos escritos exibem fortes tendências esoteristas Ismaelistas. É provável que a sua revolta se tenha dado devido a uma complexa mistura de teologia almóada, reivindicações messiânicas, uma ideia espiritualista do Islão e não só a perturbadora riqueza dos ulemás como o rigorismo pedante dos juristas islâmicos maliquistas, favorecidos pelos almorávidas. Com a ajuda de Ibne Alcabila e 70 muridines, ibne Cassi conquistou Mértola em 1144. Com a ajuda do governador de Évora Ibne Uazir e de Ibne Almondir, ibne Cassi apoderou-se de Silves, Évora, Beja, Huelva, Niebla e organizou dois ataques contra Sevilha e Córdoba, estes fracassados.

Os muridines dividiram-se em 1145. Ibne Cassi apelou por protecção a D. Afonso Henriques, que transpôs o Tejo à cabeça das suas tropas para reunir-se com ibne Cassi e juntos devastaram os territórios de Beja e Mérida mas foram a breve trecho obrigados a retirar-se pelas tropas dos alcaides Ibne Uazir e Ibne Almondir. Isolados do resto do Andaluz devido à revolta que se sucedia no Algarbe, após a devastação causada pelos portugueses em Beja e Mérida os habitantes de Santarém, Lisboa e outros lugares de menor dimensão pediram tréguas a D. Afonso Henriques. O rei português aceitou para tratar de questões internas.

Partido Afonso Henriques com as suas tropas, ibne Uazir derrotou ibne Cassi. Este logrou fugir para Marrocos e juntou-se aos almóadas, que depois conquistaram o Algarbe Alandalus e o colocaram a governar Silves.

A revolta dos muridines enfraqueceu em grande medida os almorávidas, indirectamente ajudando os cristãos.

Ver também

Referências

  1. 1 2 H. V. Livermore: A New History of Portugal, Cambridge University Press, 1966 , pág. 56.
  2. 1 2 3 4 5 Yousef Casewit: The Mystics of al-Andalus, Cambridge University Press, 2017, pp. 65.
  3. ↑ Herculano, Alexandre, (1846). História de Portugal, volume I, Bertrand 1846, I, pp. 350-360.
  4. ↑ Selvagem, Carlos (1931). Portugal militar: Compêndio de história militar e naval de Portugal: desde as origens do estado portucalense até o fim da Dinastia de Bragança, Imprensa Nacional de Lisboa, p. 44.
  5. 1 2 McMurdo, Edward, (1888). The History of Portugal: From the Commencement of the Monarchy to the Reign of Alfonso III, S. Low, Marston, Searle, & Rivington, 1888, p. 184.
  6. ↑ Lawrence I. Conrad: The World of Ibn Ṭufayl: Interdisciplinary Perspectives on Ḥayy Ibn Yaqẓān, BRILL, 1996, p. 137.