| Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento | |
|---|---|
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| Data | junho de 1992 |
| Localização | Rio de Janeiro, Brasil |
| Também conhecido como |
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| Tipo | conferência diplomática |
| Tema | meio ambiente e desenvolvimento |
| Participantes | 108 chefes de estado e governo |
| Resultado | |
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida como Eco-92, Cúpula da Terra, Cimeira do Verão, Conferência do Rio de Janeiro e Rio 92, foi uma conferência de chefes de estado organizada pelas Nações Unidas e realizada de 3 a 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Seu objetivo foi debater os problemas ambientais mundiais.
A Conferência Rio 92 contou com a presença de 108 chefes de estado e governo, e foi o evento que ajudou a consolidar e divulgar o conceito de desenvolvimento sustentável.
A conferência de Estocolmo, realizada em junho de 1972, foi o primeiro grande evento sobre meio ambiente realizado no mundo. Seu objetivo era basicamente o mesmo da Cúpula da Terra de 1992. Esta conferência, bem como o relatório Relatório Brundtland, publicado em 1987, pelas Nações Unidas, lançaram as bases para a ECO-92.

Em 1992, vinte anos após a realização da primeira conferência sobre o meio ambiente, representantes de cento e setenta e oito países do mundo reuniram-se para decidir que medidas tomar para conseguir diminuir a degradação ambiental e garantir a existência de outras gerações. A intenção, nesse encontro, era introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico. Os encontros ocorreram no centro de convenções Riocentro. A diferença entre as conferências de 1972 e 1992 pode ser traduzida pela presença maciça de Chefes de Estado na segunda, fator indicativo da importância atribuída à questão ambiental no início da década de 1990.[carece de fontes]

Durante o evento, as Forças Armadas do Brasil fizeram a proteção da cidade. Durante o evento, o presidente da República Fernando Collor de Mello transferiu oficialmente a capital do País de Brasília para o Rio de Janeiro, e assim durante alguns dias essa cidade voltou a ter o status que tivera de 1763 a 1960.
Entre os destaques relacionados ao evento estiveram o discurso de Severn Cullis-Suzuki, que possuía 12 anos na época; o protesto de um mergulhador profissional que submergiu por 10 minutos no rio Tietê, na zona norte de São Paulo, como protesto ao leito poluído; e o lançamento de uma moeda de 2 000 cruzeiros ilustrada com um beija-flor e o Pão de Açucar.
Temas abordados no evento:
Durante a Conferência no Rio, as organizações não governamentais (ONG) e movimentos sociais de várias partes do mundo fizeram um encontro paralelo no Aterro do Flamengo, chamado o Fórum Global ou Fórum Global 92. Haviam 36 tendas temáticas do Fórum Global, sendo uma delas dedicada à Comissão Indígena Internacional, que reuniu representantes de 150 etnias de todas as partes do mundo.
O Fórum foi oficialmente reconhecido pela ONU como instância responsável por organizar e assegurar a participação da sociedade civil na ECO 92. Por ser um evento paralelo, ou seja, não oficial, o número de ONGs e representantes varia segundo a fonte: de 1,8 mil ONGs a 10 mil ONGs.
O Fórum Global foi visitado por 120 mil pessoas e a cerimônia de abertura, apresentada pelo ator inglês Roger Moore, contou com o lançamento do balão Gota da Esperança. Durante o Fórum, mais atores e atrizes prestigiaram o evento, tais como Jeremy Irons, Shirley MacLaine e Jane Fonda, e houve apresentação musical de John Denver e Olivia Newton-John.
Esse evento paralelo aprofundou o debate sobre a Declaração do Rio, também chamada de Carta da Terra.
Durante o Fórum Global, foi aprovado o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. No dia 6 de junho de 1992, educadores e educadoras presentes na Rio 92 aprovaram o Tratado no Fórum Global que foi entregue em 9 de junho para as autoridades governamentais presentes na Conferência, juntamente com outros tratados da sociedade civil.
Além da sensibilização das sociedades e das elites políticas, a Conferência teve, como resultado, a produção de alguns documentos oficiais fundamentais:
A Convenção da Biodiversidade foi o acordo aprovado durante a RIO-92 por 156 países e uma organização de integração econômica regional. Foi ratificada pelo Congresso Nacional Brasileiro e entrou em vigor no final de dezembro de 1993. Os objetivos da convenção são a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a divisão equitativa e justa dos benefícios gerados com a utilização de recursos genéticos. Neste documento, destaca-se o "Protocolo de Biossegurança", que permite que países deixem de importar produtos que contenham organismos geneticamente modificados. Dos 175 países signatários da Agenda 21, 168 confirmaram sua posição de respeitar a Convenção sobre Biodiversidade.
O principal documento produzido na RIO-92, o Agenda 21 é um programa de ação que viabiliza o novo padrão de desenvolvimento ambientalmente racional. Ele concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Este documento está estruturado em quatro seções subdivididas num total de 40 capítulos temáticos. Eles tratam dos temas:
Dimensões Econômicas e Sociais – enfoca as políticas internacionais que podem ajudar o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento, as estratégias de combate à pobreza e à miséria, as mudanças necessárias a serem introduzidas nos padrões de consumo, as inter-relações entre sustentabilidade e dinâmica demográfica, as propostas para a promoção da saúde pública e a melhoria da qualidade dos assentamentos humanos;
Conservação e questão dos recursos para o desenvolvimento – apresenta os diferentes enfoques para a proteção da atmosfera e para a viabilização da transição energética, a importância do manejo integrado do solo, da proteção dos recursos do mar e da gestão ecocompatível dos recursos de água doce; a relevância do combate ao desmatamento, à desertificação e à proteção aos frágeis ecossistemas de montanhas; as interfaces entre diversidade biológica e medidas requeridas para a proteção e promoção de alguns dos segmentos sociais mais relevantes - analisa as ações que objetivam a melhoria dos níveis de educação da mulher, bem como a participação da mesma, em condições de igualdade, em todas as atividades relativas ao desenvolvimento e à gestão ambiental. Adicionalmente, são discutidas as medidas de proteção e promoção à juventude e aos povos indígenas, às ONG's, aos trabalhadores e sindicatos, à comunidade científica e tecnológica, aos agricultores e ao comércio e a indústria.
Revisão dos instrumentos necessários para a execução das ações propostas - discute os mecanismos financeiros e os instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais; a produção e oferta de tecnologias ecoconsistentes e de atividade científica, enquanto suportes essenciais à gestão da sustentabilidade; a educação e o treinamento como instrumentos da construção de uma consciência ambiental e da capacitação de quadros para o desenvolvimento sustentável; o fortalecimento das instituições e a melhoria das capacidades nacionais de coleta, processamento e análise dos dados relevantes para a gestão da sustentabilidade.
A aceitação do formato e conteúdo da Agenda - aprovada por todos os países presentes à CNUMAD - propiciou a criação da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS), vinculada ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). A CDS tem por objetivo acompanhar e cooperar com os países na elaboração e implementação das agendas nacionais, e vários países já iniciaram a elaboração de suas agendas nacionais. Dentre os de maior expressão política e econômica, somente a China terminou o processo de elaboração e iniciou a etapa de implementação.
As ONGs que participaram da Eco-92 acabaram desempenhando um papel fiscalizador, pressionando os governos de todo o mundo a cumprir as determinações da Agenda 21.
De 23 a 27 de junho de 1997, em Nova Iorque (chamada de "Rio+5"), foi realizada a 19ª Sessão Especial da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Com o objetivo de avaliar os cinco primeiros anos de implementação da Agenda 21, o encontro identificou as principais dificuldades relacionadas à implementação do documento, priorizou a ação para os anos seguintes e conferiu impulso político às negociações ambientais em curso.
Para os países em desenvolvimento, o principal resultado da Sessão Especial foi a preservação intacta do patrimônio conceitual originado na RIO-92. O documento final incorporou, assim, uma "Declaração de Compromisso", na qual os chefes de delegação reiteram solenemente o compromisso de seus países com os princípios e programas contidos na Declaração do Rio e na Agenda 21, assim como o propósito de dar seguimento a sua implementação.
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, estabelecida a partir da Eco-92 e da Agenda-21, foi ratificada pela maioria dos países, mas o mesmo não aconteceu com o Protocolo de Quioto. Essa diferença se deve ao fato de a convenção apresentar apenas propostas, sem estabelecer prazos nem limites para a emissão de poluentes.
Já o Protocolo de Quioto (em 1997, no Japão) estabeleceu metas para a redução da emissão de gases poluentes que intensificam o "efeito estufa", com destaque para o CO2. A ratificação do Protocolo de Quioto pelos países do mundo esbarrou na necessidade de mudanças na sua matriz energética. Os elevados custos recairiam, principalmente, sobre os países desenvolvidos, em especial os Estados Unidos. O presidente George W. Bush declarou que não iria submeter o avanço da economia norte-americana aos sacrifícios necessários para a implementação das medidas propostas, motivo pelo qual não ratificou o protocolo.
A Convenção das Nações Unidas para o combate à desertificação, teve também sua criação durante a Rio-92, porém só foi ratificada oficialmente em 1994. Como o nome indica, a convenção foi criada com foco no combate a desertificação, especialmente no continente africano, mas abrange vários tipos de degradação do solo.
Dez anos após a ECO-92, a ONU realizou a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo (África do Sul), a chamada Rio+10 ou conferência de Joanesburgo. O objetivo principal da Conferência seria rever as metas propostas pela Agenda 21 e direcionar as realizações às áreas que requerem um esforço adicional para sua implementação, porém, o evento tomou outro direcionamento, voltado para debater quase que exclusivamente os problemas de cunho social. Houve também a formação de blocos de países que quiseram defender exclusivamente seus interesses, sob a liderança dos EUA.
Tinha-se a expectativa de que essa nova Conferência Mundial levaria à definição de um plano de ação global, capaz de conciliar as necessidades legítimas de desenvolvimento econômico e social da humanidade, com a obrigação de manter o planeta habitável para as gerações futuras. Porém, os resultados foram frustrados, principalmente, pelos poucos resultados práticos alcançados em Joanesburgo. Em síntese, pode-se dizer que houve:
Conclusões: a vanguarda ambientalista elencou centenas de propostas para os 21 objetivos da Agenda. Entre elas, figuramː universalizar o saneamento básico nos dez anos seguintes; implantar redes de metrô e trens rápidos nas grandes aglomerações; democratizar a justiça; universalizar o ensino em tempo integral; e reestruturar o Proálcool, desvinculado dos interesses do velho setor sucroalcooleiro.
Em 2012, foi realizada, na cidade do Rio de Janeiro, a Rio+20, uma nova conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável.
As três convenções multilaterais sobre temas ambientais criadas na Rio-92, receberam o nome "Convenções do Rio". Após alguns anos da criação das convenções, a comunidade internacional e especialistas começaram a reforçar a importância delas trabalharem de maneira conjunta e integrada, algo conhecido como "buscar as sinergias". De 2010 em diante criaram o Pavilhão das Convenções do Riocom apoio dos secretariados da Convenção da Biodiversidade, Convenção de Mudanças Climáticas e Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação. Apesar do esforço, as convenções ainda possuem muitas dificuldades de implementar ações conjuntas. Isso se deve tanto à discordâncias entre os países quando se trata do cumprimento de metas para cada convenção, e das crises do multilateralismo.