| Rogerio Haesbaert | |
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Professor Dr. Rogério Haesbaert, em palestra no XI Fórum PPGDT e IV Seminário Oeste Metropolitano do Rio de Janeiro, realizado no campus de Seropédica da UFRRJ, em 9 de setembro de 2026 | |
| Nome completo | Rogério Haesbaert da Costa |
| Conhecido(a) por | território, desterritorialização, multiterritorialdiade, identidade territorial, contenção territorial, região, rede regional, abordagem descolonial |
| Nascimento | 31 de março de 1958 São Pedro do Sul, RS |
| Residência | Brasil |
| Nacionalidade | |
| Alma mater | Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo Open University (Milton Keynes, Inglaterra) |
| Prêmios | Prêmio Manuel Correia de Andrade-Geógrafo Destaque (ANPEGE); Prêmio Eidorfe Moreira de Geografia Regional; Prêmio Milton Santos do Mérito Científco (Encontro de Geografias da América Latina e Caribe) |
| Carreira científica | |
| Orientador | Doreen Massey (Pós-doutorado), Heinz Dieter Heidemann (Doutorado), Jacques Lévy (Doutorado-sanduíche),Bertha Koifmann Becker (Mestrado) |
| Orientado | Pós-doutorado: Jones Goettert, Renato Léda, Maria Lúcia de Oliveira; Gundo Rial y Costas; Josoaldo Rego; Renato Pequeno; Sonia Aguiar, Ana Angelita Rocha, Marcos Mondardo, Lucas Panitz. Doutorado:Tadeu Pereira Alencar Arrais, Amelia Cristina Alves Bezerra, Maria de Jesus Morais, Aguinaldo Cesar Fratucci, Guilherme da Silva Ribeiro, Valter do Carmo Cruz, Hugo Freitas, Marcos Mondardo, Mateus Servilha, Emerson Guerra, Timo Bartholl, Magno Silvestri, Anderson Luiz Machado dos Santos, Carolina de Freitas Pereira, Rita Maria da SIlva Garcia, Pedro Paulo Biazzo, Edir Augusto Dias Pereira, Agripino Souza Coelho Neto, Mateus de Moraes Servilha |
| Instituições e locais de trabalho | Programa de Pós-Graduação em Geografia, Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense |
| Campo(s) | Geografia Humana |
| Tese | 1995: Gaúchos e Baianos: Modernidade e Desterritorialização. |
| Notas | Currículo do Sistema de Currículos Lattes de Rogerio Haesbaert da Costa |
Rogerio Haesbaert da Costa (São Pedro do Sul, 31 de março de 1958) é um geógrafo e pesquisador-docente universitário brasileiro.
Possui contribuições e trabalhos particularmente notórios na geografia humana e regional, tratando especialmente sobre as categorias território/(des)territorialização e região/regionalização, além de enfocar na abordagem descolonial.
Nascido no interior do Rio Grande do Sul, numa família de agricultores de ascendência alemã e portuguesa, realizou seu curso secundário e sua formação universitária em Geografia (licenciatura e bacharelado) em Santa Maria. Mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 1980 para cursar o mestrado em Geografia na UFRJ, orientado por Bertha Becker e onde foi aluno e realizou pesquisas com o geógrafo Milton Santos. Seu doutorado foi no programa de Geografia Humana da USP, sob orientação de Heinz Dieter Heidemann, com "bolsa sanduíche" de um ano no Instituto de Estudos Políticos de Paris, com o geógrafo francês Jacques Lévy. Seu pós-doutorado foi realizado na Open University, na Inglaterra, sob supervisão da geógrafa inglesa Doreen Massey, de quem traduziu para o português o livro For Space/Pelo Espaço.
Na década de 1980 foi professor da Faculdade Imaculada Conceição, em Santa Maria (RS) e da Pontifíca Universidade Católica do Rio de Janeiro, além de escolas secundárias do Rio de Janeiro. De 1986 a 2019 foi professor no Departamento de Geograifa, Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF). Desde 1999 é professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFF, onde desde 1994 dirige o Núcleo de Estudos Território e Resistência na Globalização (NUREG). Fez parte do corpo docente do curso de pós-graduação em Políticas Territoriales y Ambientales da Universidade de Buenos Aires e da Universidade de Tucumán, na Argentina. Foi professor visitante na Open University (2003), na Universidade de Toulouse-Le-Mirail (2009), na Universidade de Buenos Aires (2010), na Universidade de Paris VIII (2011) e no Centro Regional de Investigaciones Multidisciplinarias da UNAM em Cuernavaca, México (2013).
Nos seus estudos, Haesbaert analisa o entrelaçamento entre territorialização e desterritorialização, territorialidade e identidade, operando com autores modernos como Gramsci e pós-estruturalistas como Foucault e Gilles Deleuze tendo como base empírica pesquisas na Campanha Gaúcha (regionalismo gaúcho/mestrado), cerrados do Nordeste (migração sulista/doutorado), leste do Paraguai (brasiguaios), faixa de fronteira (pesquisa com o grupo Retis/UFRJ), favelas do Rio de Janeiro (muros e contenção territorial) e dinâmicas de descolonização em Abya Yala/Afro/Latino América (termo de Arturo Escobar).
As questões que Haesbaert coloca têm implicações para a geopolítica tradicional. Haesbaert, inspirado em Gramsci e Bourdieu, amplia a concepção de poder (também simbólico e afetivo) e, consequentemente, de território (que inclui os microterritórios, numa abordagem foucaultiana). Trabalha com as lógicas zonal e reticular de organização do espaço, definidoras de territórios-zona e territórios-rede. Insere na construção do espaço também a "i-lógica" do que denomina "aglomerados", situação marcada sobretudo pelos processos de desterritorialização - que, num sentido social, envolve não só a genérica destruição de territórios (para sua reconstrução em outras bases), mas, antes, a precarização territorial dos grupos subalternizados. Contribuiu também, junto com Marcos Mondardo, com o conceito de transterritorialidade, propondo uma interpretação geográfica e territorial dos fenômenos de transculturalidade trabalhados pelo antropólogo Fernando Ortiz, e combinando-o com o hibridismo da antropofagia de Oswald de Andrade.
Haesbaert foi cofundador da revista GEOgraphia, disponível on-line em www.uff.br/geographia. Uma contribuição relevante da revista, em sua sessão Nossos Clássicos, tem sido a de traduções de geógrafos até aqui inéditas no Brasil. Em certas traduções Haesbaert teve participação mais direta, como em alguns artigos de Paul Vidal de la Blache que depois deram origem ao livro "Vidal, Vidais", organizado juntamente com Sergio Nunes e Guilherme Ribeiro. Sua preocupação paradidática levou-o à publicação de obras para diversos níveis de ensino e, mais recentemente, tem publicado também livros de crônicas de viagem ("Por amor aos lugares", "Travessias"). Alguns de seus livros foram publicados em espanhol ("El mito de la desterritorialización", "Regional-Global", "Vivir en el límite"), tendo também trabalhos traduzidos para o inglês e o francês.