| Ronald Guimarães Levinsohn | |
|---|---|
| Nome completo | Ronald Guimarães Levinsohn |
| Nascimento | 9 de outubro de 1935 |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileiro |
Ronald Guimarães Levinsohn (Rio Grande, 9 de outubro de 1935 - Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 2020) foi um empresário e administrador brasileiro.
Era filho de pai judeu britânico, neto de um executivo da JBS-Swift Foods Company, que veio da Inglaterra para construir um imenso frigorífico na cidade portuária de Rio Grande. Aos 17 anos foi morar em Nova Iorque.
Em 1975 foi sócio de Rodman Rockefeller (filho de Nelson Rockefeller) no empreendimento Cidade Vista Verde, na cidade de São José dos Campos, projetado para ser um bairro de classe alta, sem muros e com elevado grau de arborização. Hoje é um bairro próximo à refinaria da Petrobras de São José dos Campos. Ronald Levinsohn comprou o imóvel onde hoje estão localizados o condomínio Jardim Colinas, o Colinas Shopping e o Jardim do Golfe, um loteamento destinado à mais alta classe.
Foi dono do Grupo Delfin e de um dos mais rumorosos escândalos financeiros dos anos 1980. O Grupo Delfin era dono da maior caderneta de poupança do país, com 3,5 milhões de depositantes. No ramo imobiliário era a sétima empresa do mundo. Ex-controlador do que foi a terceira maior universidade privada do Rio de Janeiro, o Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), que contava com 35 mil alunos.
Ronald Levinsohn administrou o patrimônio do jornalista Paulo Francis, que morreu em 1997, que incluía dois apartamentos em Manhattan. Paulo Francis prometeu doar quase cinco mil livros ao Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), guardados em um apartamento em Nova Iorque.
Ronald Levinsohn foi administrador da Colina Paulista, uma holding com negócios nas áreas da construção civil e da agricultura. Foi proprietário de várias fazendas na região de Barreiras, no oeste da Bahia, cuja área equivale a catorze vezes a cidade de Salvador. Segundo Alberto Dines, Ronald Levinsohn, dono do antigo conglomerado financeiro Delfin, foi o responsável pelo grande escândalo financeiro que a ditadura militar não conseguiu encobrir.
Ronald Levinsohn começou seu negócio com uma informação privilegiada que antecipava uma mudança. Em 1964 Mário Henrique Simonsen disse ao Ronald Levinsohn que a ditadura militar iria mudar a lei que dava estabilidade aos empregos do setor privado. Em vez de empregos estáveis, os trabalhadores teriam o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Seriam alocados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) 8% dos recursos das folhas de pagamento do Brasil, que seriam usados para financiar habitações de classe média. Nos anos 1970, quando surgiram as cadernetas de poupança, também com a finalidade de atrair recursos para a habitação, ele comprou a Delfim.
No final de 1982 veio à tona uma reportagem-denúncia do jornalista José Carlos de Assis expondo a quitação da dívida da empresa Delfin com o Banco Nacional da Habitação (BNH). O Grupo Delfin era a maior empresa privada de crédito imobiliário da época (mais de três milhões de depositantes), porém possuía elevados endividamentos junto ao Banco Nacional da Habitação (BNH). No ano de 1982, um acordo previa a entrega de dois terrenos como forma de saldar os Cr$ 60 bilhões devidos. No entanto, os terrenos valiam Cr$ 9 bilhões, cerca de um sexto da dívida. Este acordo envolveu os nomes dos ministros Mário Andreazza (Interior), Delfim Netto (Planejamento) e Ernane Galvêas (Fazenda), que chegaram a ser acusados judicialmente por causa do acordo, mas nenhum tipo de punição foi aplicada.
A reportagem foi publicada no dia 30 de dezembro de 1982 e vinte dias depois acabou levando à falência o grupo Delfin pela retirada de fundos realizada pelos seus clientes. A clientela, da classe média em sua grande maioria, que possuía caderneta de poupança no Grupo assustou-se com a possibilidade de um desfalque e, imediatamente, sacou seu dinheiro.
Em 1983 o Banco Central do Brasil decretou intervenção nas sociedades de crédito imobiliário do Grupo Delfin, que tinha mais de três milhões de depositantes, até que o grupo Delfin pagasse o que restava da dívida de Cr$ 80 bilhões ao Banco Nacional da Habitação (BNH). Mesmo com a intervenção do Banco Central do Brasil, a empresa não conseguiu se manter viva por muito tempo e faliu em 1984, agravando a crise no mercado imobiliário brasileiro, que se estendeu pela década de 1980. A intervenção foi decidida pelo Ministério do Interior, por proposta do Banco Nacional da Habitação (BNH), com o intuito de que as contas dos depositantes fossem transferidas para agências da Caixa Econômica Federal, até que o grupo pagasse o que restava da dívida. O Presidente João Figueiredo hesitou em autorizar a intervenção na Delfin para evitar uma repetição dos traumas financeiros provocados pela intervenções feitas pelo governo Geisel no Banco Halles e na sociedade de crédito imobiliário Vitória Minas. Em abril de 1982, porém, o Chefe da Casa Civil da Presidência, Ministro Leitão de Abreu, considerou preferível a intervenção.
Em 1991 o empresário fechou um acordo com o Banco Central do Brasil que o permitia levar o que havia sobrado da Delfin, aproximadamente R$ 300 milhões, e pagar a dívida em 13 anos com dois anos de carência. O empresário não pagou nenhuma parte do previsto.
Em 2002 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) indeferiu o pedido da Delfin Capitalização S/A, empresa do Grupo Delfin, de extinguir a ação que ela responde na Justiça, sem que fosse julgado o mérito. A decisão foi unânime. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, já era do conhecimento público que o Grupo Delfin, incluindo a empresa, foi submetido à liquidação da sentença em janeiro de 1984, chegando a publicar um edital avisando aos credores que começaria a pagar o passivo. Em 1989 o Banco Central do Brasil converteu a liquidação extrajudicial em ordinária, mas sem que tenha havido o integral ressarcimento dos credores de títulos de capitalização.
Em 16 de março de 2006 o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu como justo e apropriado o pagamento com os dois imóveis em questão da dívida da Delfin com o Banco Nacional da Habitação (BNH), fechando assim, perante os olhos da Justiça, o caso Delfin.
Ronald Levinsohn evitava viajar em companhias aéreas nacionais para não encontrar brasileiros. A quebra da Delfin pode ter deixado a imagem do empresário marcada, mas não abalou seu potencial financeiro. Continuou com grande influência no meio empresarial. Tal mancha na imagem pode ter aumentado a reclusão de Ronald Lehvinsohn, que morava em uma mansão no bairro Gávea, no Rio de Janeiro, sem sair de casa, em meio a 8.000 metros quadrados de Mata Atlântica. Em uma estante abarrotada de documentos sobre o escândalo financeiro do qual foi o personagem principal, Ronald Levinsohn guardava quatrocentas fitas cassetes de gravações com supostos esquemas de corrupção comandados pelos interventores da Delfin.
A Fazenda Austrália, da Companhia Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB), que atua também com mineração na região, mantinha 39 trabalhadores escravos que catavam raízes para viabilizar a produção de soja. Entre os 39 trabalhadores libertados na catação de raízes para a produção de soja na Fazenda Austrália, em outubro de 2005, havia três mulheres e um jovem de 16 anos. A soja é o principal produto cultivado pela propriedade.
Por causa da violação dos direitos trabalhistas, a empresa desembolsou uma rescisão de R$ 38,2 mil. Por trás da Companhia Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB) está o empresário Ronald Levinsohn, sócio da Colina Paulista e proprietário de várias fazendas na região de Barreiras, no oeste da Bahia, em nome da Delfin Rio.
Ronald Levinsohn foi fundador e controlador do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), instituição privada de ensino superior criada a partir da antiga Faculdade da Cidade e que se expandiu ao longo das décadas de 1980 e 1990 no Rio de Janeiro. Em 2011, no contexto de dificuldades financeiras, a UniverCidade foi transferida para a mantenedora Galileo Educacional, grupo que também assumiu a Universidade Gama Filho. A instituição acumulava dívidas estimadas em cerca de R$ 265 milhões à época da transferência. Documentos relativos à operação indicariam a existência de contratos de indenização e cláusulas de não concorrência envolvendo antigos controladores; no caso de Levinsohn, teria sido prevista uma compensação de cerca de R$ 100 milhões para que entidades filantrópicas por ele dirigidas permanecessem fora do setor de ensino superior por 30 anos. O empresário declarou posteriormente que determinados bens citados nas negociações não fizeram parte da transferência da instituição.