Ruy Guerra

Ruy Guerra
Ruy Guerra, sem data.
Nome completoRuy Alexandre Guerra Coelho Pereira
Nascimento22 de agosto de 1931 (95 anos)
Lourenço Marques, África Oriental Portuguesa
Nacionalidadeportuguês
brasileiro
CônjugeNara Leão (1962-1965)
Leila Diniz (1965-1971)
Cláudia Ohana (1981-1984)
Festival de Berlim
Grand Prix do Júri
1964 - Os Fuzis
1978 - A Queda
Página oficialruyguerra.com.br

Ruy Alexandre Guerra Coelho Pereira (Lourenço Marques, 22 de agosto de 1931) é um roteirista, ator, poeta, compositor, dramaturgo, produtor, diretor de cinema e professor luso-brasileiro, nascido em Moçambique, então território português, e radicado no Brasil desde 1958. Reconhecido como um dos mais aclamados e importantes diretores da história do cinema brasileiro, foi um dos fundadores do movimento cinematográfico brasileiro Cinema Novo, proeminente no Brasil durante os anos 1960 e 1970.

Começou sua carreira no meio cinematográfico durante os anos 50, atuando como assistente de direção, quando se instalou no Brasil e dirigiu seu primeiro longa-metragem, o drama Os Cafajestes, em 1962, indicado ao Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim. No mesmo festival, em 1964, lança seu filme mais aclamado, a coprodução entre Brasil e Argentina Os Fuzis, ganhador do Grand Prix do Júri na cerimônia, se tornando o primeiro filme brasileiro a receber tal honraria. Os Fuzis foi o início da chamada "trilogia Ruy Guerra", completada com os filmes A Queda (1978), também ganhador do Grand Prix do Júri, e A Fúria (2024).

Guerra também fez carreira nos palcos do teatro e como letrista de canções compostas em parceria com Chico Buarque, Milton Nascimento, Carlos Lyra, Edu Lobo, Francis Hime, Sergio Ricardo e Luiz Henrique.

Biografia

Ruy Alexandre Guerra Coelho Pereira nasceu em 22 de agosto de 1931 em Lourenço Marques, atual Maputo, em Moçambique, colónia africana portuguesa às margens do Oceano Índico. Em sua adolescência, Guerra publica críticas cinematográficas, contos, crônicas, além de fazer filmes em 8mm. Em 1952, aos 20 anos, ingressou no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC) em Paris, na França, onde formou-se em cinema.

Ainda na França, começou a atuar como assistente de câmera e direção. Em 1954, dirige seu primeiro filme, o curta-metragem Quand Le Soleil Dort. Desembarca no Brasil em julho de 1958, no Rio de Janeiro, onde montaria uma carreira cinematográfica de sucesso.

Carreira

Ingressando nas fileiras do movimento cinematográfico brasileiro Cinema Novo, Guerra dirige seu primeiro filme em longa-metragem, o drama Os Cafajestes, lançado no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, onde esteve na competição pelo prêmio de maior prestígio da cerimônia, o Urso de Ouro. Estrelado por Jece Valadão e Norma Bengell, foi o único "blockbuster" do movimento, tendo levado mais de um milhão de pessoas para as salas de cinema do Brasil. Recebido com resenhas positivas pela crítica especializada, história acompanha um mimado jovem rico que, após ver seu pai indo à falência, organiza um plano para reverter a situação.

Em 1964, realiza Os Fuzis, um retrato da tragédia brasileira, considerado um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Com esta obra, Guerra vence o Grand Prix do Júri no Festival de Berlim, sendo a primeira produção brasileira a conquistar tal feito. Guerra rapidamente tornou-se um dos principais diretores do movimento, ao qual se seguiram obras notáveis como Tendres chasseurs (1969) e Os Deuses e os Mortos (1970).

Ruy Guerra em 2010.

A situação política brasileira durante a ditadura militar impôs-lhe uma pausa que terminaria em 1978, quando dirigiu, ao lado de Nelson Xavier, o longa A Queda, continuação da trilogia não planejada começada por Os Fuzis, em 1964. O filme repete o feito de seu antecessor ao também receber o Grand Prix do Júri no Festival de Berlim. Em 1980 regressou a Moçambique, então já independente, onde rodou Mueda, Memória e Massacre, o primeiro longa-metragem desse país. Ainda em Moçambique, realizou diversos curtas e contribuiu para a criação do Instituto Nacional do Cinema. Viveu e trabalhou também em Cuba por alguns períodos.

Em 1982, rodou no México, Erêndira, baseado no conto A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada (1972), de Gabriel García Márquez. Posteriormente dirigiu: o musical Ópera do Malandro (1985), baseado em peça de Chico Buarque; Kuarup (1989), baseado no livro Quarup, de Antônio Callado; e o telefilme Fábula de la bella palomera, também baseado em Gabriel García Márquez.

Vida pessoal

Seu primeiro casamento foi com a cantora Nara Leão, nos anos 60, com quem não teve filhos; o casal rapidamente separou-se. Mais tarde, viveu com a atriz Leila Diniz, com quem teve uma filha, Janaína Diniz Guerra, nascida em 1971. Alguns anos após a morte de Leila, casou-se com a atriz Cláudia Ohana, com quem teve uma filha, Dandara Guerra, em 1983, e de quem se divorciou.

Filmografia

Cinema

Ano Título Creditado como Tipo Notas
Direção Roteiro Produção
1954 Quand Le Soleil Dort Sim Sim Não Curta-metragem
1962 Os Cafajestes Sim Sim Não Longa-metragem
1964 Os Fuzis Sim Sim Não
1969 Ternos Caçadores Sim Sim Não
1970 Os Deuses e os Mortos Sim Sim Não
1976 Aventuras d'um Detetive Português Não Sim Não Roteiro com Joaquim Assis, Flávio Migliaccio e Stefan Wohl
1978 A Queda Sim Sim Não Codirigido e coescrito com Nelson Xavier
1979 Mueda, Memória e Massacre Sim Sim Não
1983 Eréndira Sim Não Não
1985 Ópera do Malandro Sim Sim Sim
1988 Fábula de la bella Palomera Sim Sim Sim
1989 Kuarup Sim Sim Sim
2000 Estorvo Sim Sim Sim Co-produtor
2004 Portugal S.A. Sim Não Não
2005 O Veneno da Madrugada Sim Sim Não
2016 Quase Memória Sim Sim Não
2020 Aos Pedaços Sim Sim Não
2024 A Fúria Sim Sim Não

Teatro

Prêmios e indicações

Guerra e seus filmes foram prestigiados em diversos festivais internacionais ao longo de sua grande carreira cinematográfica. Por suas produções, Ruy foi indicado a dois Grandes Otelo, um Prêmio Guarani, além de ter ganhado um Prêmio APCA, e prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e no Festival de Cinema de Gramado. Foi indicado quatro vezes ao Urso de Ouro, no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, tendo recebido duas vezes o Grand Prix do Júri. No Festival de Cinema de Cannes, na França, recebeu três indicações a Palma de Ouro.

Reconhecimento

Em 23 de abril de 1987, o cineasta foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, de Portugal.

Referências

  1. ↑ «Olivia Hime e suas Palavras de Guerra». Consultado em 5 de junho de 2011. Arquivado do original em 18 de novembro de 2010
  2. ↑ Palavras de Guerra Arquivado em 23 de setembro de 2010, no Wayback Machine., CD de Olívia Hime.
  3. 1 2 «Ruy Guerra - Biografia». AdoroCinema. Consultado em 4 de junho de 2026
  4. 1 2 «Ruy Guerra». ruyguerra.com.br. Consultado em 4 de junho de 2026
  5. ↑ Fonseca, Rodrigo (23 de março de 2012). «'Os cafajestes' faz 50 anos e volta ao circuito». O Globo. Consultado em 4 de junho de 2026
  6. 1 2 «Berlinale 1964: Prize Winners». berlinale.de. Consultado em 4 de junho de 2026
  7. ↑ Miranda, André (11 de janeiro de 2017). «Análise: pela tradição, 'Joaquim' pode agradar no Festival de Berlim». O Globo. Consultado em 4 de junho de 2026
  8. 1 2 «Berlinale 1978: Prize Winners». berlinale.de. Consultado em 4 de junho de 2026. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2019
  9. ↑ Ruy Guerra. Buala - cultura contemporânea africana.
  10. ↑ «Festival de Cannes 1983». Festival de Cannes. Consultado em 4 de junho de 2026
  11. ↑ «Festival de Cannes 1989». Festival de Cannes. Consultado em 4 de junho de 2026. Cópia arquivada em 9 de maio de 2021
  12. ↑ «Festival de Cannes 2000». Festival de Cannes. Consultado em 4 de junho de 2026. Cópia arquivada em 9 de maio de 2021
  13. ↑ «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Ruy Guerra". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 9 de setembro de 2020

Ligações externas

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.