Mauro de Glanfeuil

 Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Mauro. Para o santo conhecido como Santo Amaro na Península Ibérica e regiões que tiveram influência ibérica, veja Santo Amaro.
São Mauro
São Bento ordena a São Mauro que resgate São Plácido. Fra Filippo Lippi, ca.1445.
Morteséculo VI
Veneração porIgreja Católica
Festa litúrgica15 de janeiro; 5 de outubro (com São Plácido)
Atribuiçõesmuleta; balança; jovem rapaz levado por um monge, segurando a cruz de um abade uma pá de corte.
Padroeiroaleijados; evocado contra o reumatismo, epilepsia, gota, rouquidão, resfriado; Açores; queimadores de carvão; sapateiros (que consertam sapatos); artesãos de cobre; fabricantes de sapatos
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São Mauro (em latim: Maurus; c. 512 – 584) foi um diácono e monge, tradicionalmente apresentado como o primeiro dos discípulos de São Bento de Núrsia a ser nomeado nos Diálogos de Gregório Magno. A tradição medieval faz dele o fundador da abadia de Glanfeuil, em Maine-et-Loire, e o introdutor do monaquismo beneditino em França, mas essa tradição assenta numa única fonte, composta no século IX, cuja autenticidade foi contestada por vários historiadores. A Congregação de São Mauro, reforma beneditina do século XVII, adotou o seu nome.

Vida

Origem e fontes

Os dados biográficos sobre Mauro são escassos e incertos: a Encyclopédie Larousse indica que, deste discípulo de Bento, não se sabe nada de certo, e atribui-lhe as datas aproximadas de c. 512 a 584. Segundo a Catholic Encyclopedia, era filho de Equício, um nobre de Roma, embora outras localidades, como Fondi e Gallipoli, também reivindiquem a sua origem; terá sido o principal apoio de Bento em Subiaco.

A fonte mais antiga sobre Mauro é o livro II dos Diálogos de Gregório Magno, redigidos em 593–594, no qual o futuro santo surge como modelo de virtudes religiosas, em especial de obediência.

O resgate de Plácido

No capítulo 7 do livro II dos Diálogos, Gregório conta que Bento, tendo tido uma visão de Plácido a afogar-se, enviou Mauro em seu socorro; Mauro caminhou sobre as águas e trouxe Plácido de volta à margem. O episódio foi reproduzido em muitas pinturas, entre as quais um fresco de Sodoma, executado entre 1505 e 1510 no claustro da abadia de Monte Oliveto Maggiore.

A Vida de São Mauro e a fundação de Glanfeuil

Segundo a Vida de São Mauro (Vita Mauri), Mauro partiu para a Gália em 543 e fundou a abadia de Glanfeuil, de que foi superior. De acordo com este relato, o bispo de Le Mans enviou uma delegação solicitando a São Bento que um grupo de monges partisse de Monte Cassino para estabelecer vida monástica na França, de acordo com a Regra de São Bento. A Vida narra a longa viagem de Mauro e dos seus companheiros da Itália até à França, acompanhada de aventuras e milagres.

Esta tradição tem uma única origem. Numa comunicação apresentada à Société de l'École des chartes em 27 de fevereiro de 1896, A. Giry observou que a Vida teria sido descoberta, a meados do século IX, por um abade de Glanfeuil chamado Odão (Eudes), que admite tê-la reescrito; o autor primitivo diz chamar-se Fausto e apresenta-se como discípulo e companheiro de Mauro. Odão ingressou em Glanfeuil o mais tardar em 856, tornou-se abade em 861 e publicou em 864 uma Vida de São Mauro que dizia ser a revisão de uma obra de Fausto de Monte Cassino; por ser muito anacrónica, considera-se geralmente que foi composta pelo próprio Odão, embora Jean Mabillon e alguns autores modernos a atribuam a Fausto. Hippolyte Delehaye qualificou-a de falsificação de Odão, ao passo que Adlhoch fez dela uma defesa.

As relíquias

Nos Miracula S. Mauri, Odão narra que fugiu com as relíquias de Mauro perante os normandos em 862 e que estas foram transferidas, em 868, para o mosteiro de Saint-Maur-des-Fossés, perto de Paris, de que Odão se tornou também abade nesse ano. A Vida e o livro dos milagres, produzidos em Glanfeuil, que reivindicava Mauro como fundador, difundiram a devoção ao santo por toda a França e além.

Abadia de Glanfeuil

A abadia de Glanfeuil, também chamada Saint-Maur-sur-Loire, situava-se no atual município de Le Thoureil, em Maine-et-Loire. O local está ocupado desde a época galo-romana; a abadia foi gravemente danificada pelos normandos, pela Guerra dos Cem Anos e pelos huguenotes de Saumur, e foi reconstruída entre 1680 e 1685 pelos mauristas. Da antiga igreja abacial subsiste apenas um frontão encimado por uma cruz, classificado como monumento histórico por decreto de 21 de junho de 1958.

Culto e iconografia

A festa litúrgica de Mauro é celebrada em 15 de janeiro. São Mauro e São Plácido são venerados juntos em 5 de outubro.

É representado como abade com báculo, com livro e turíbulo, ou segurando os pesos e medidas de comida e bebida que lhe foram dados pelo seu mestre; é padroeiro dos carvoeiros e dos caldeireiros, na Bélgica dos sapateiros, e invocado contra a gota e a rouquidão. Um rito de bênção dos doentes com invocação de São Mauro, o Signum S. Mauri, figura em apêndice do Rituale Romanum.

Em artes, muitas vezes retratado como um jovem levado por um monge, normalmente carregando uma cruz monástica ou uma pá de corte (em alusão ao mosteiro de Saint-Maur-des-Fossés, literalmente, "São Mauro das Valas").

Referências

Referências

  1. 1 2 «La Vie et les Miracles de saint Maur». Abbaye Saint-Pierre de Solesmes. Consultado em 2 de outubro de 2026
  2. 1 2 «La Vie de saint Maur du Pseudo-Faustus». Bibliothèque de l'École des chartes, tomo 57, 1896, pp. 149–152. Consultado em 2 de outubro de 2026
  3. 1 2 «saint Maur». Encyclopédie Larousse. Consultado em 2 de outubro de 2026
  4. 1 2 3 4 5 6 7 Francis Mershman. «St. Maurus». The Catholic Encyclopedia, vol. 10, Nova Iorque, Robert Appleton Company, 1911. Consultado em 2 de outubro de 2026
  5. 1 2 3 «Saint Maur sauve saint Placide en marchant sur les eaux (Monte Oliveto, Vie de saint Benoît) – Le Sodoma». Utpictura18, Aix-Marseille Université. Consultado em 2 de outubro de 2026
  6. 1 2 Michael Ott. «Odo of Glanfeuil». The Catholic Encyclopedia, vol. 11, Nova Iorque, Robert Appleton Company, 1911. Consultado em 2 de outubro de 2026
  7. 1 2 «Ancienne abbaye bénédictine Saint-Maur de Glanfeuil». Plateforme Ouverte du Patrimoine (POP), Ministério da Cultura de França, base Mérimée, PA00109372. Consultado em 2 de outubro de 2026
  8. ↑ Martyrologium Romanum (Libreria Editrice Vaticana 2001 ISBN 88-209-7210-7)

Bibliografia

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