Sapatão

Assembléia Pré-Marcha Sapatona (2019), Nova Iorque, Estados Unidos

Os termos sapatão, sapatona (português brasileiro) ou fufa (português europeu) são gírias ou calões usados como substantivo que significam lésbica ou sáfica e como adjetivo que descreve coisas associadas à lesbiandade e a saficidade. Originou-se como um palavrão lesbofóbico (homofóbico e misógino) para uma menina ou mulher masculinizada, butch ou andrógina. Enquanto o uso pejorativo da palavra ainda existe, o termo sapa foi reivindicado por lésbicas e sáficas fora do armário e que expressam orgulho sáfico e lésbico, implicando assertividade e resistência, ou simplesmente como sinônimo comum para lésbica ou sáfica.

Em inglês, dyke é a gíria mais semelhante ao uso de sapatão, e em francês, gouine, sendo gouinage usado semelhante a frot, no Brasil, para uma posição sexual em que a pessoa prefere sexo sem penetração, como termo alternativo a ativo, passivo e versátil.

História

É difícil dizer ao certo quando e como o termo se originou. No Brasil, a marchinha de carnaval intitulada de Maria Sapatão ajudou a difundir o termo na década de 1980, no entanto, o termo teria surgido por volta da década de 1970, quando algumas lésbicas, descartando os calçados femininos, optavam por usar sapatos masculinos. Essa prática teve origem, por sua vez, na tendência que surgiu entre os anos de 1920 e 1930 de lésbicas se vestirem de forma mais tradicionalmente masculina como ato de transgressão. Os sapatos masculinos sendo proporcionalmente muito grandes, as mulheres que os usavam acabaram sendo chamadas de sapatões.

Em Portugal, o termo pejorativo é intitulado "fufa", relacionado a mulheres homossexuais.

A frase "Sapatonas! Eu sinto longe o cheiro de couro", dita pela vilã Nazaré Tedesco, interpretada por Renata Sorrah na telenovela Senhora do Destino (2004), viralizou no início do século XXI. O uso do termo couro faz referência aos sapatos de couro, também comumente associados a lésbicas e sáficas.

Em certos países colonizados por portugueses, algumas mulheres que fazem sexo com mulheres (MSM) eram deportadas para Portugal quando tiradas do armário.

Uso

Embora sapatão e fufa sejam usados majoritariamente implicando mulheridade, monossexualidade, alossexualidade e cisgeneridade, outros grupos também reivindicam a expressão para si como identificação autônoma.

O termo vem sido adotado por pessoas trans e não-binárias também. Sapatrans é usado como um termo para descrever lésbicas trans e sáficas trans, geralmente transfemininas e travestis, entretanto, alguns indivíduos transmasculinos e neutrois estão incluídos. Há também o uso de sapatransviade, usando neolinguagem em transviado e unindo os três termos (sapatão, trans e viado) em uma única palavra. O termo sapadrão foi popularizado no TikTok para designar mulheres lésbicas que exibem comportamentos e estilos considerados padrões na sociedade ou heteronormativos.

Algumas mulheres bissexuais e pansexuais reivindicam a identidade sapa, pelo fato de que muitas já foram chamadas de sapatão ou fufa e percebem que o termo é usado biopoliticamente, independente de sua orientação sexual. Em inglês, é possível encontrar gírias específicas, como byke e bi-dyke.

A palavra sapatão é frequentemente traduzida para o inglês, seja de forma humorística ou como filtro de palavra (em inglês: wordfilter), para big shoes, significando sapato grande em inglês.

Ver também

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