Scalabrinitherium

Como ler uma infocaixa de taxonomiaScalabrinitherium
Ocorrência: Mioceno Superior (Huayquerian [en])
~9,0–7,246 Ma
↓
Crânios de Macraucheniidae. A: Theosodon. B: Scalabrinitherium. C: Macrauchenia
Crânios de Macraucheniidae. A: Theosodon. B: Scalabrinitherium. C: Macrauchenia
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Cordados
Classe: Mamíferos
Infraclasse: Placentalia
Ordem: †Litopterna
Família: †Macraucheniidae
Subfamília: †Macraucheniinae
Género: †Scalabrinitherium
Ameghino 1883
Espécie-tipo
†Scalabrinitherium bravardi
Espécies
  • S. bravardi
  • S. rothii
Sinónimos
  • Scalibrinitherium (Ameghino, 1889)

Scalabrinitherium representa um gênero extinto de mamíferos da família Macraucheniidae. Fósseis deste animal foram encontrados entre os fósseis de xenartros pré-históricos na formação Ituzaingó [en], na Argentina.

Descrição

Este animal era bastante semelhante a uma lhama, com uma constituição levemente pesada; o crânio era longo e baixo, os dentes frontais eram ligeiramente espatulados e a abertura nasal situava-se bem atrás. É possível que houvesse um lábio preênsil forte ou uma probóscide curta. O encurtamento da abertura nasal não era tão extremo quanto o dos macrauchenídeos posteriores. A órbita também não havia se movido totalmente para trás dos dentes, como nos membros mais derivados do clado. A altura deste animal deve ter ultrapassado 2 m; os membros eram esbeltos, mas relativamente pesados, com três dedos. Scalabrinitherium tinha dentes braquiodontes e molares superiores menos derivados do que em Macrauchenia.

Classificação

O primeiro paleontólogo a descrever os fósseis deste animal foi Bravard, que em 1858 atribuiu os fósseis a uma presumível espécie sul-americana do perissodáctilo Palaeotherium [en], P. paranense. Foi o paleontólogo argentino Florentino Ameghino, em 1883, quem descreveu o gênero Scalabrinitherium para esta espécie, descrevendo também a nova espécie S. bravardi na fauna de Entre Ríos, que data do Mioceno Superior. Mais tarde, em 1885, o mesmo autor descreveu uma espécie adicional, S. rothii. Ameghino tinha uma tendência a errar a grafia dos nomes de seus táxons, que é o caso de Scalabrinitherium, que foi grafado como Scalibrinitherium na literatura mais antiga.

Scalabrinitherium era um representante bastante derivado de Macraucheniidae, um grupo de litopternos com aparência semelhante à de um camelo. Provavelmente derivado de formas do Mioceno Inferior, tais como Cramauchenia [en] e Theosodon, este animal provavelmente deu origem aos grandes macrauchenídeos do Plioceno e Pleistoceno, tais como Macrauchenia e Xenorhinotherium.

Cladograma baseado na análise filogenética publicada por Schmidt et al., 2014, mostrando a posição de Scalabrinitherium:

 
 

Proadiantus [en]

 
 
 

Tricoelodus [en]

 
 
 

Polymorphis [en]

 
 
 

Pternoconius [en]

 
 

Coniopternium [en]

 
 

Cramauchenia [en]

 
 
 

Theosodon

 
 
Macraucheniinae
 

Scalabrinitherium

 
 
 

Oxyodontherium

 
 
 

Huayqueriana

 
 
 
 

Paranauchenia denticulata

 
 

Paranauchenia hystatus

 
 
 
 

Cullinia [en]

 
 
 

Promacrauchenia [en]

 
 
 

Windhausenia [en]

 
 

Xenorhinotherium

 
 
 

Macraucheniopsis [en]

 
 

Macrauchenia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Paleoambiente

Fósseis de Scalabrinitherium foram recuperados da formação Ituzaingó [en], na província de Entre Ríos, na Argentina, que preserva vastas planícies de maré semelhantes às da moderna floresta amazônica e um clima quente. Grandes mamíferos ungulados nativos da ordem Notoungulata na formação Ituzaingó eram amplamente distribuídos, incluindo os toxodontídeos Xotodon [en] e Adinotherium [en], e companheiros da ordem Litopterna, tais como Brachytherium [en], Cullinia [en], Diadiaphorus, Neobrachytherium [en], Oxyodontherium, Paranauchenia, Promacrauchenia [en] e Proterotherium. Grandes gliptodontes encouraçados como Palaehoplophorus, Eleutherocercus e Plohophorus viveram na área, bem como outros cingulados, como os pampateriídeos Kraglievichia [en] e Scirrotherium [en], e o dasipodídeo Dasypus neogaeus. Os carnívoros incluíam os forusracídeos Devincenzia [en] e Andalgalornis e membros de Sparassodonta, com crocodilianos gigantes como Gryposuchus [en] e Mourasuchus [en] nas águas doces. Bambus, coqueiros e outras palmeiras (Arecaceae) também estavam presentes.

Referências

  1. ↑ Scalabrinitherium at Fossilworks.org
  2. ↑ Scott, William Berryman; Scott, William Berryman (1913). A history of land mammals in the Western Hemisphere; illustrated with 32 plates and more than 100 drawings. New York: Macmillan
  3. ↑ L., R. (1 de novembro de 1889). «Dr. H. Burmeister on the Fossil Horses and other Mammals of Argentina1». Nature (em inglês). 41 (1048): 82–84. ISSN 1476-4687. doi:10.1038/041082a0
  4. ↑ McGrath, Andrew J.; Anaya, Federico; Croft, Darin A. (4 de maio de 2018). «Two new macraucheniids (Mammalia: Litopterna) from the late middle Miocene (Laventan South American Land Mammal Age) of Quebrada Honda, Bolivia». Journal of Vertebrate Paleontology. 38 (3). Bibcode:2018JVPal..38E1632M. ISSN 0272-4634. doi:10.1080/02724634.2018.1461632
  5. 1 2 3 Schmidt, Gabriela I.; Ferrero, Brenda S. (Setembro de 2014). «Taxonomic Reinterpretation of Theosodon hystatus Cabrera and Kraglievich, 1931 (Litopterna, Macraucheniidae) and Phylogenetic Relationships of the Family». Journal of Vertebrate Paleontology. 34 (5): 1231–1238. Bibcode:2014JVPal..34.1231S. doi:10.1080/02724634.2014.837393. hdl:11336/18953Acessível livremente
  6. ↑ Cione, A. L., Dahdul, W. M., Lundberg, J. G., & Machado-Allison, A. (2009). Megapiranha paranensis, a new genus and species of Serrasalmidae (Characiformes, Teleostei) from the upper Miocene of Argentina. Journal of Vertebrate Paleontology, 29(2), 350-358.
  7. ↑ Schmidt, G. I. (2013). Los ungulados nativos (Litopterna y Notoungulata: Mammalia) del "Mesopotamiense"(Mioceno Tardío) de Entre Ríos, Argentina. Publicación Electrónica de la Asociación Paleontológica Argentina, 14(1).
  8. ↑ Schmidt, G. I. (2013). Litopterna y Notoungulata (Mammalia) de la Formación Ituzaingó (Mioceno tardío-Plioceno) de la Provincia de Entre Ríos: sistemática, bioestratigrafia y paleobiogeografía (Doctoral dissertation, Universidad Nacional de La Plata).
  9. ↑ Góis, Flávio; Scillato-Yané, Gustavo Juan; Carlini, Alfredo Armando; Guilherme, Edson (1 de junho de 2013). «A new species of Scirrotherium Edmund & Theodor, 1997 (Xenarthra, Cingulata, Pampatheriidae) from the late Miocene of South America». Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology. 37 (2): 177–188. Bibcode:2013Alch...37..177G. ISSN 0311-5518. doi:10.1080/03115518.2013.733510. hdl:11336/18791Acessível livremente
  10. ↑ Alvarenga, Herculano M. F.; Höfling, Elizabeth (2003). «Systematic revision of the Phorusrhacidae (Aves: Ralliformes)». Papéis Avulsos de Zoologia (em inglês). 43 (4): 55–91. ISSN 0031-1049. doi:10.1590/S0031-10492003000400001Acessível livremente
  11. ↑ Babot, J. M., & Ortiz, P. E. (2009). Primer registro de Borhyaenoidea (Mammalia, Metatheria, Sparassodonta) en la provincia de Tucumán (Formación India Muerta, Grupo Choromoro; Mioceno tardío). Acta Geológica Lilloana, 34-48.
  12. ↑ Riff, D., Romano, P. S. R., Oliveira, G. R., & Aguilera, O. A. (2010). Neogene crocodile and turtle fauna in northern South America. Amazonia. Landscapes and Species Evolution: A Look Into the Past, 259-280.
  13. ↑ Franco, M. J., & Brea, M. (2015). First extra-Patagonian record of Podocarpaceae fossil wood in the Upper Cenozoic (Ituzaingó Formation) of Argentina. New Zealand Journal of Botany, 53(2), 103-116.

Leitura adicional