Dinastia sefaua

A dinastia sefaua (Sayfawa/Sefuwa) era a linhagem real dos maís (reis) do Império de Canem e depois do Império de Bornu. Surgem no século XI, com a usurpação do trono de Canem por Humé, e mantem-se no trono por séculos.

Reis

Nome Reinado Notas Ref.
Humé 1075—1086 Fundador da dinastia, descendente de Ceife, de quem o nome dinástico deriva. É tido como primeiro monarca de Canem a converter-se ao islamismo e ascendeu ao trono mediante usurpação.
Dunama I 1086—1140 Sucessor de Humé, sob seu governo o Canem tornou-se soberano no lago Chade. Fez 3 hajes à Meca, tendo se afogado no mar Vermelho no terceiro. Diz-se que possuía um efetivo de 100 000 cavaleiros.
Bir 1140—1166 Sucessor de Dunama. Sucede-o no trono e então é sucedido por Abedalá.
Abedalá I 1166—1182 Sucessor de Bir. Sucede-o no trono e então é sucedido por Salmama.
Salmama I 1182—1210 Sucessor de Abedalá. Sucede-o no trono e então é sucedido por Dunama.
Dunama II 1210—1248 Filho de Salmama. Expandiu as fronteiras de Canem e capturou Zuila, o principal polo no Fezã do comércio transaariano. Fez haje a Meca e ordenou a construção de uma madraça no Cairo. Também lhe é atribuída a introdução dos corcéis do Egito e Norte da África em Canem e uma expedição fracassada contra os cuararafas.
Cadai 1248—1277 Sucessor de Dunama. Entrou em conflito com o irmão Bir II no reinado de Dunama. Como maí, enviou presentes ao califa Maomé I (r. 1249–1277) em Túnis e fez guerras de expansão, mas foi morto em combate.
Bir II 1277—1296 Sucessor de Cadai. Entrou em conflito com o irmão Cadai no reinado de Dunama. Como maí, teve um reinado pacífico e faleceu na capital Anjimi.
Ibraim I 1277—1296 Sucessor de Bir. Continuou a política de seus sucessores e conduziu um haje à Meca. Foi morto em combate.
Abedalá II 1315—1335 Sucessor de Ibraim. Governou dois decênios e faleceu pacificamente na capital.
Salmama II 1335—1339 Sucessor de Abedalá. Foi morto em combate contra os saôs.
Curi I 1339—1340 Sucessor de Salmama e filho de Abedalá II. Foi morto em combate contra os saôs.
Curi II 1340—1341 Sucessor de Curi e filho de Abedalá II. Foi morto em combate contra os saôs.
Maomé I 1341—1342 Sucessor de Curi e filho de Abedalá II. Foi morto em combate contra os saôs.
Idris I 1342—1366 Sucessor de Maomé e filho de Ibraim I. Conseguiu chegar a termos com os saôs e adotou uma política mais conciliatória com as tribos sujeitas a Canem.
Daúde I 1366—1377 Sucessor de Idris e filho de Ibraim I. Entra em guerra civil com seus sobrinhos que queriam suceder o pai. Essa guerra atraiu a atenção dos bulalas, que invadiram Canem e derrotaram Daúde.
Otomão I 1377—1379 Sucessor de Daúde. Foi morto em combate contra os bulalas.
Otomão II 1379—1381 Sucessor de Otomão e filho de Idris I. Foi morto em combate contra os bulalas.
Abu Becre I 1381—1382 Sucessor de Otomão e filho de Daúde I. Foi morto em combate contra os bulalas.
Omar I 1382—1387 Sucessor de Abu Becre e filho de Idris I. Com o agravo da situação, decide abandonar Canem e sua corte foi transferida para Bornu, onde se funda o Império de Bornu.

Referências

  1. 1 2 3 Silva 2010.
  2. 1 2 3 4 5 6 Lange 2010, p. 274.
  3. ↑ Lange 2010, p. 268-269; 274.
  4. ↑ Silva 2014.
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Silva 2009.
  6. 1 2 3 4 Lange 2010, p. 262.
  7. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Lange 2010, p. 263.

Bibliografia

Lange, Dierk (2010). «Cap. X - Reinos e povos do Chade». In: Niane, Djibril Tamsir. História Geral da África – Vol. IV – África do século XII ao XVI. São Carlos; Brasília: Universidade Federal de São Carlos