Shikken (執権, しっけん) foi um dos principais cargos do Xogunato Kamakura, no Japão, geralmente descrito como o de regente ou principal auxiliar do xogum. Cabia ao shikken auxiliar o chefe do xogunato e coordenar os assuntos do governo. Durante o período Kamakura, o cargo foi monopolizado pelo clã Hōjō, cujos integrantes passaram a exercer, em diferentes graus, o poder efetivo no xogunato.
Tradicionalmente, Hōjō Tokimasa é considerado o primeiro shikken, a partir de 1203. Sob seus sucessores, em particular Hōjō Yoshitoki e Hōjō Yasutoki, o cargo tornou-se o centro da administração do xogunato. A partir de meados do século XIII, porém, o poder efetivo passou gradualmente do shikken para o tokusō, chefe da linhagem principal dos Hōjō. O cargo continuou a existir até a queda do xogunato Kamakura, em 1333.
O termo shikken já era empregado antes da criação do xogunato Kamakura. Na corte imperial, foi utilizado como denominação de determinadas funções administrativas, incluindo um responsável pelo kirokujo, órgão encarregado do exame de documentos e propriedades. Embora a instituição à qual o termo estava associado remontasse ao século XI, seu uso documental como título é comprovado a partir de 1186. Também foi empregado na administração dos imperadores retirados, onde um dos administradores podia ser encarregado dos assuntos cotidianos da corte.
O governo estabelecido por Minamoto no Yoritomo em Kamakura desenvolveu-se inicialmente a partir das instituições administrativas de sua própria casa. Entre elas estava o mandokoro, responsável por assuntos administrativos e financeiros. O título shikken passou a ser associado a uma das principais autoridades desse órgão, embora a relação exata entre as funções de shikken e de bettō — chefe administrativo do mandokoro — seja objeto de discussão historiográfica.
Em 1203, depois da deposição do segundo xogum, Minamoto no Yoriie, Hōjō Tokimasa apoiou a ascensão de seu neto Minamoto no Sanetomo e assumiu posição central no mandokoro. É normalmente considerado o primeiro shikken. Há, contudo, interpretações que atribuem o início da função a Ōe no Hiromoto, primeiro chefe do mandokoro, e estudos que questionam se Tokimasa e Yoshitoki já utilizavam o título com o sentido institucional que ele adquiriria posteriormente. Segundo esta última interpretação, a consolidação do shikken como cargo definido teria ocorrido apenas sob Hōjō Yasutoki, e fontes posteriores, como o Azuma Kagami, teriam aplicado retrospectivamente o título a seus predecessores.
Hōjō Yoshitoki, filho de Tokimasa, sucedeu-o em 1205. Depois da derrota de Wada Yoshimori em 1213, Yoshitoki passou também a chefiar o Samurai-dokoro, órgão responsável pelos vassalos guerreiros e por funções militares e policiais. A concentração das chefias do mandokoro e do Samurai-dokoro reforçou a posição política dos Hōjō e fez do shikken, na prática, a principal autoridade administrativa do xogunato.
Após a morte de Sanetomo em 1219 e o fim da linhagem direta dos xoguns Minamoto, os governantes de Kamakura passaram a ser escolhidos entre membros da aristocracia de Quioto e, posteriormente, da família imperial. Nesse sistema, o xogum permaneceu formalmente como chefe do xogunato, enquanto o shikken assumiu responsabilidade crescente pela condução do governo.
Sob Hōjō Yasutoki, terceiro shikken, foram desenvolvidos mecanismos colegiados de administração. Em 1225 foi instituído o cargo de rensho, ocupado inicialmente por Hōjō Tokifusa, que funcionava como principal auxiliar do shikken e subscrevia com ele documentos oficiais.
Nos primeiros decênios do governo Hōjō, o shikken normalmente pertencia à linhagem principal da família, cujo chefe era conhecido como tokusō. Essa associação começou a se romper em 1256, quando o quinto shikken, Hōjō Tokiyori, deixou o cargo e indicou Hōjō Nagatoki, pertencente a um ramo colateral da família, como sucessor. Tokiyori, apesar de retirar-se formalmente, continuou a exercer grande influência política.
A partir de então, shikken e tokusō tornaram-se funções distintas. O poder político passou progressivamente a se concentrar no chefe da linhagem principal dos Hōjō e no círculo de servidores e parentes que o cercava, enquanto o cargo de shikken perdeu parte da importância que tivera no início do século XIII. No período final do xogunato, particularmente durante e depois do governo de Hōjō Sadatoki, decisões importantes eram frequentemente tomadas por conselhos ligados à casa do tokusō, e altos servidores dos Hōjō adquiriram crescente influência sobre a administração.
O último shikken geralmente reconhecido é Hōjō Moritoki, que ocupou o cargo até a destruição do xogunato Kamakura em 1333.
O termo shikken não desapareceu imediatamente com o fim do xogunato Kamakura. Durante o Período Muromachi, também podia ser empregado como designação alternativa do kanrei, importante cargo do Xogunato Ashikaga. Em períodos posteriores, o termo ainda foi utilizado para designar administradores ou vassalos encarregados dos assuntos de determinadas casas guerreiras.
A lista convencional dos shikken do xogunato Kamakura é a seguinte:
| Nº | Nome | Período no cargo |
|---|---|---|
| 1 | Hōjō Tokimasa | 1203–1205 |
| 2 | Hōjō Yoshitoki | 1205–1224 |
| 3 | Hōjō Yasutoki | 1224–1242 |
| 4 | Hōjō Tsunetoki | 1242–1246 |
| 5 | Hōjō Tokiyori | 1246–1256 |
| 6 | Hōjō Nagatoki | 1256–1264 |
| 7 | Hōjō Masamura | 1264–1268 |
| 8 | Hōjō Tokimune | 1268–1284 |
| 9 | Hōjō Sadatoki | 1284–1301 |
| 10 | Hōjō Morotoki | 1301–1311 |
| 11 | Hōjō Munenobu | 1311–1312 |
| 12 | Hōjō Hirotoki | 1312–1315 |
| 13 | Hōjō Mototoki | 1315–1316 |
| 14 | Hōjō Takatoki | 1316–1326 |
| 15 | Hōjō Sadaaki | 1326 |
| 16 | Hōjō Moritoki | 1326–1333 |