Sororidade | |
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Sororidade significa uma relação de irmandade e união entre mulheres. Representa a solidariedade e o apoio mútuo entre mulheres. Surgiu da noção de uma conexão próxima e íntima e passou por mudanças e críticas ao longo da história com o desenvolvimento dos movimentos feministas e a expansão do conceito de feminilidade.
Durante o final do século XVIII e início do século XIX, as mulheres formaram laços estreitos como sistemas de apoio emocional e social em resposta ao patriarcado. Frequentemente referidos como laços sororais, esses relacionamentos eram uma forma de manter a sua identidade de género numa sociedade que as oprimia por causa disso. Embora esses laços fossem considerados homossociais por alguns e homoeróticos por outros, acreditava-se que a profunda conexão emocional residia em sua base.
Com a ascensão do movimento pelos direitos das mulheres nos séculos XIX e início do século XX, o conceito de irmandade estendeu-se para além das relações pessoais e das amizades. As organizações e os grupos de mulheres tornaram-se centrais no movimento sufragista, nos direitos laborais e na reforma da educação. Reconhecendo a necessidade de acção colectiva, as feministas proclamaram a irmandade como um termo político. No entanto, estes movimentos foram criados por mulheres brancas de classe média e, muitas vezes, priorizaram as suas preocupações, deixando as experiências de grupos marginalizados sem resposta.
Segundo a autora norte-americana bell hooks, a irmandade política foi promovida por feministas burguesas com base na opressão comum, o que minou a verdadeira natureza dos preconceitos contra as mulheres. Criada por mulheres brancas, centrava-se no feminismo branco e era usada como meio de solidariedade política sob o jugo do patriarcado, sem levar em consideração interseccionalidades como raça, etnia e sexualidade. Hooks sugere que a irmandade, supostamente representando o “amor incondicional” entre mulheres, era baseada em preconceitos raciais e classistas e, portanto, era uma ilusão criada para evitar confrontos e críticas.
Em 1967, Kathie Sarachild, membro do grupo Mulheres Radicais de Nova Iorque, proclamou que “A irmandade é poderosa!”, frase que mais tarde se tornou um slogan do feminismo da segunda onda.
Nesse momento, a noção de irmandade expandiu-se para grupos de sensibilização, o que, por sua vez, a levou para além da política. Ora, esta relação entre mulheres tinha como objetivo distanciar-se da influência masculina nas suas vidas e estabelecer modelos femininos. De certa forma, a intimidade emocional inicial da irmandade estava de volta, com o acréscimo de apoio material e ativista. Novas irmandades foram formadas, incluindo irmandades exclusivamente negras e [l[ésbicas]]. No entanto, cada grupo estava focado nas suas próprias experiências, carecendo de inclusão e interligação.
A terceira onda do feminismo surgiu para abordar as deficiências dos movimentos anteriores, numa tentativa de tornar as irmandades mais inclusivas e atentas às intersecções de identidade, como a raça, a etnia, a sexualidade, a classe, etc. No entanto, foi também nesta altura que o próprio termo, por estar associado sobretudo à segunda vaga do feminismo, passou a ser alvo de cepticismo devido à exclusão dos homens e à simplificação das várias experiências femininas. Em contrapartida, as feministas radicais transfóbicas criticaram a sororidade pelas tentativas de incluir homens e pessoas trans na comunidade.
Apesar da negação da quarta onda do feminismo por alguns, com a sua suposta formação e o desenvolvimento dos média sociais a sororidade recuperou a sua popularidade, mas mudou parcialmente as suas definições. Hoje ela inclui homens, pessoas trans, pessoas de todas as raças e diversos grupos marginalizados e baseia-se nas diversas experiências das pessoas, em vez das suas lutas e opressões comuns.