| Pagode baiano | |
|---|---|
É o Tchan! em 2020 | |
| Origens estilísticas | samba de roda, samba duro, samba-reggae, samba de caboclo, bem como outras tradições afro-baianas. |
| Contexto cultural | década de 1990 e 2000 em Salvador, Bahia |
| Instrumentos típicos | viola machete, cavaquinho, pandeiro, percussão |
| Popularidade | |
| Subgêneros | |
| arrochadeira, pagofunk (naipe) | |
| Formas regionais | |
| Bahia | |
| Outros tópicos | |
| axé, samba-reggae | |
Pagode baiano (também chamado pagodão, swingueira ou quebradeira) é um gênero musical brasileiro criado em Salvador, Bahia, oriundo da mistura de samba de roda, samba duro, dentre outras tradições afro-baianas, tendo como principal diferença a inclusão de percussão, um ritmo mais acelerado e geralmente acompanhado de coreografias. Por ser um gênero de origem baiana, é erroneamente confundido com o axé music, principalmente por ambos estilos estarem na moda no Brasil entre as décadas de 1990 e 2000.
O pagode baiano começou a se formar em Salvador a partir da década de 1980 e consolidou-se como um gênero musical amplamente conhecido ao longo da década de 1990.
Há diferentes interpretações quanto à origem do ritmo. Integrantes do grupo É o Tchan! (anteriormente Gera Samba), que teve papel central na consolidação e difusão do gênero, afirmam que o pagode baiano se desenvolveu a partir da combinação de matrizes culturais locais, como o samba de roda, o samba duro e outras tradições afro-baianas, incluindo o samba de caboclo. Por outro lado, alguns jornalistas e estudiosos sugerem possíveis diálogos com o pagode carioca e o partido-alto, estilos que, assim como o pagode baiano, descendem historicamente do samba de roda do Recôncavo Baiano, matriz fundamental para a formação de diversas vertentes do samba brasileiro.
O termo “pagode” foi empregado por analogia a outras manifestações musicais brasileiras que utilizam essa denominação, como o pagode de viola, o pagode carioca e o chamado pagode romântico. Apesar da nomenclatura comum, o pagode baiano apresenta características rítmicas, estéticas e performáticas próprias e distintas, sendo marcado pela forte percussão, pela centralidade da dança e por um caráter festivo e corporalmente expressivo. O primeiro sucesso do gênero foi a Dança do Tchaco, de Tonho Matéria. Nessa época, também despontava o grupo Gera Samba, que lançara um CD gravado de maneira independente com boa vendagem.
A partir de 1995, com o fenômeno do É o Tchan, o gênero obteve projeção nacional. Outros grupos surgiram, como Harmonia do Samba, Terra Samba, Raça Pura, Patrulha do Samba, Companhia do Pagode e Gang do Samba. No fim da década de 1990, apesar do nome pagode "baiano", surgiram grupos focados no estilo em outras partes do país, como o carioca Tchakabum e o paulista Axé Blond que também fizeram muito sucesso. Já nos anos 2000 surgiram outros grupos de destaque como Psirico, Parangolé, Pagod'art, LevaNóiz, Guig Guetho, Oz Bambaz, Saiddy Bamba, Fantasmão, Swing do P, Black Style e A Bronkka, Leo Santana.
É um ritmo baiano, advindo do samba-reggae, do Samba de roda do Recôncavo Baiano (e suas variações), do samba duro e de ritmos do Candomblé, caracterizado por linhas melódicas marcantes e percussão com destaque para o repique, que toca no acento característico da música. O pagode baiano também costuma usar instrumentos de samba como pandeiro e cavaquinho. Diferencia-se do axé, que geralmente é tocado com guitarra, bateria e sopros.
O pagodão se caracteriza por letras de duplo sentido com refrões simples, sendo mais popular entre as áreas periféricas. O gênero geralmente é criticado por questões morais, uma vez que suas letras trazem grande conotação de cunho sexual ou de sexualização dos corpos. No final da década de 2000 e nos anos subsequentes houve uma incorporação cultural de outros ritmos populares como o funk carioca dentro do pagode baiano, notadamente popularizada pela banda Black Style (com o cantor Robyssão e sua posterior carreira solo) no que ficou conhecido como "Pagofunk". O pagofunk, também conhecido por outras nomenclaturas como naipe, bloquinho e hitmado, configura-se como uma vertente contemporânea do pagode baiano, sendo bastante comum em paredões de som das periferias de Salvador, consumida majoritariamente pelos jovens.