Jogo de cartas colecionáveis

Exemplo de jogo de carta colecionável inspirado na Wikipédia

Um jogo de cartas colecionáveis - ou JCC (conhecido como "TCG" - trading card game - ou "CCG" - collectible card game) - são jogos de estratégia nos quais os participantes criam baralhos de jogo personalizados combinando estrategicamente suas cartas com os seus objetivos.

História

Jogo de cartas colecionáveis de beisebol de 1904.

O primeiro jogo a apresentar os conceitos de construção de baralho foi o The Base Ball Card Game, criado pela empresa americana The Allegheny Card Co. e registrado em 4 de abril de 1904.

A comercialização de figurinhas de jogadores de beisebol no mercado americano era comum desde o início do século XX. Com o passar das décadas outros temas foram incorporados pelos fabricantes: esportes, filmes, heróis de quadrinho, etc. Jogos como Strat-O-Matic, Nuclear War, BattleCards e Illuminati se assemelham e precedem os jogos de cartas colecionáveis.

Magic: The Gathering

Magic: The Gathering, criado por Richard Garfield e publicado pela Wizards of the Coast, foi o primeiro jogo a apresentar o conceito moderno de cartas colecionáveis.

Antes do advento do JCCs, o mercado de jogos alternativos foi dominado por role playing games (RPG), em especial Dungeons & Dragons da TSR, Inc. Wizards of the Coast (Wizards), uma empresa formada no porão de Peter Adkison em 1990, estava tentando entrar no mercado de RPG com a série The Order Primal que converteu personagens de outras séries de RPG. Depois de um processo movido pela Palladium Books, que poderia ter arruinado financeiramente a empresa, a Wizards adquiriu Talislanta, um outro RPG. Isso foi depois que Lisa Stevens entrou na empresa em 1991 como vice-presidente após ter deixado White Wolf, Inc., através de seu amigo em comum Mike Davis, Adkison conheceu Richard Garfield, que na época era um estudante de doutorado. Garfield e Mike Davis tiveram uma ideia para um jogo de tabuleiro chamado RoboRally e apresentaram para a Wizards of the Coast em 1991, mas a Wizards não tinha os recursos para fabricá-lo e pediu a Garfield para fazer um jogo que iria pagar a criação de RoboRally. Este jogo teria que exigir o mínimo de recursos para montar e apenas 15 a 20 minutos para jogar. Fã de Dungeons & Dragons, Garfield então resolveu pegar um antigo projeto seu, "Five Magics", um jogo de cartas inspirado na mecânica do jogo de tabuleiro Cosmic Encounter, os dois projetos resultaram em Magic: The Gathering.

Outros jogos

Após o sucesso comercial de Magic: The Gathering foram lançados anualmente dezenas de jogos. A própria TSR lançou, em 1994, Spellfire: Master the Magic, um jogo que utilizava os cenários de Advanced Dungeons & Dragons. Em 1997, a Wizards of the Coast adquiriu a TSR, dois anos depois, a Wizards foi adquirida pela Hasbro e, com o tempo, Spellfire foi descontinuado.

Construção de um baralho

Exemplo de baralhos de Magic: The Gathering.

O modelo de venda das cartas também costuma seguir o padrão estabelecido pelo Magic. As cartas são comercializadas em baralhos e envelopes. Os primeiros costumam ter de 40 a 50 cartas e os segundos de cinco a 13 cartas.

Na maioria dos JCCs cada jogador edita um baralho de jogo contendo de 40 a 60 cartas. as cartas não são fixas e podem ser trocadas do baralho entre uma partida e outra, ou entre os próprios jogadores.

Nas partida os baralhos são embaralhados e cada jogador começa com uma mão inicial e vai comprando mais cartas no desenrolar da partida.

Regras

Jogadores em uma partida de jogo de cartas colecionáveis.

Cada JCC tem um conjunto de regras próprias, regras quais definem o objetivo dos jogadores, os tipos de cartas nele existentes e a forma como elas interagem.

Cada carta representa um elemento do jogo e tem uma caixa de texto que explica seu efeito durante a partida.

A estrutura de jogo mais comum é a desenvolvida pelo Magic. Nele cada carta do baralho representa uma magia. Cada jogador tem certa quantidade de pontos de vida e o objetivo é exaurir os pontos de vida do oponente para eliminá-lo.

Em Battletech, um jogo de temática futurista, o objetivo é descartar o baralho do adversário.

Em alguns jogos há cartas que alteram as regras iniciais ou que podem ganhar a partida se foram postas em jogo.

Durante a partida, algumas cartas são postas na mesa e representam elementos do jogo. Na maioria deles as cartas simbolizam criaturas sob o comando do jogador.

Um elemento recorrente a este tipo de jogo é a mecânica do "Gerenciamento de Recursos", que foi criada no Magic e também utilizada em diversos outros JCCs e jogos de tabuleiro. O princípio é que as cartas têm um custo para serem postas na mesa. Para pagá-lo há um tipo específico de carta que deve ser baixada antes e que paga este custo.

Outra característica em comum entre estes jogos são as estampas ilustrativas referentes ao tema do jogo.

No Brasil

Os primeiros jogos lançados no país foram Magic: The Gathering pela Devir Livraria (1995) e Spellfire pela Abril Jovem (1996).

Em 2000, foi lançado Pokémon Trading Card Game, baseado na franquia de vídeo games, anime e mangá de mesmo nome. 3 anos depois foi lançado Yu-Gi-Oh!, um jogo baseado na franquia de anime e mangá de mesmo nome, criada por Kazuki Takahashi. Apesar das vendas de cartas originais, isso não impediu que surgissem cartas piratas. Em 2011, Pokémon passou a ser distribuído pela Copag. Em 2017, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região passou a tratar jogos de cartas colecionáveis como livros, tornando-se isentos de PIS e COFINS. Em agosto de 2019, o juiz Tiago Bitencourt De David, da 13ª Vara Cível Federal de São Paulo negou imunidade tributária às cartas importadas de Magic The Gathering. Em julho de 2021, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia, negou um pedido da Advocacia Geral da União, que pretendia cobrar impostos de Pokémon Trading Card Game.

Em fevereiro de 2024, a Wizards of the Coast anunciou que iria descontinua Dungeons and Dragon e Magic: The Gathering no país. Em agosto de 2026, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região reforçou que cartas colecionáveis são isentas de tributos.

Ver também

Referências

  1. ↑ Mark Forbeck (1996). «Big Bang!». Editora Globo. Wizard Brasil (2). ISSN 1413-6802 Verifique |issn= (ajuda)
  2. ↑ Staff of Sports Collectors Digest (2012). Standard Catalog of Vintage Baseball Cards. [S.l.]: Krause Publications. 9781440232947
  3. ↑ Miller, John Jackson (2001), Scrye Collectible Card Game Checklist & Price Guide, p. 520.
  4. ↑ Vasel, Tom (19/06/2005). "Interviews by an Optimist # 49 Arquivado em 14 de agosto de 2007, no Wayback Machine. - Richard Garfield".
  5. ↑ Shannon Appelcline (2011). Designers & Dragons. Mongoose Publishing. ISBN 978-1-907702-58-7.
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  7. ↑ Grahal Benatti. (1994). "A Guerra dos baralhos mágicos". Dragão Brasil (2). Trama Editorial.
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  9. ↑ «History». Hasbro. Arquivado do original em 10 de novembro de 2014
  10. 1 2 «Coleção lúdica». Revista Super Interessante #109, Editora Abril. Outubro de 1996. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2014
  11. ↑ Demóstenes (2006)"Hiden City - Era uma vez uma pequena editora de RPG...". Dragão Brasil (116). Editora Talismã
  12. ↑ Loucos pelos Pokémon
  13. ↑ Yugi é a febre do momento
  14. ↑ Yu-Gi-Oh! Creator Kazuki Takahashi Makes His First Appearance at Comic-Con International: San Diego
  15. ↑ Mezzasalma, Nicole (2003). «Pirataria de cards». Editora Talismã. Card gamer (1): 22-25
  16. ↑ Copag distribui cartas de Pokémon no Brasil
  17. ↑ Cartas de RPG se equiparam a livro e estão isentas de PIS e Cofins Consultor Jurídico
  18. ↑ Cartas de Magic não têm imunidade tributária de livros, decide juiz
  19. ↑ «Governo Bolsonaro é proibido de taxar cartas Pokémon». www.theenemy.com.br. Consultado em 13 de julho de 2021. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2022
  20. ↑ «Change to Supported Languages in D&D Product». Change to Supported Languages in D&D Product (em inglês). Consultado em 25 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 12 de maio de 2026
  21. ↑ «Alterações nos idiomas de produtos de Magic em 2024». MAGIC: THE GATHERING. Consultado em 25 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 15 de maio de 2026
  22. ↑ «Cartas de Pokémon e semelhantes são imunes a tributos, reforça TRF-1». JBox. 19 de agosto de 2026. Consultado em 21 de agosto de 2026

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