| Taíno | ||||
|---|---|---|---|---|
| Outros nomes: | Arawak insular, haitiano | |||
| Falado(a) em: | Caribe | |||
| Extinção: | séc. XVII-XIX | |||
| Família: | Arawak Amazonas-Antilhas Amazonas-Bahamas Taíno | |||
| Escrita: | Ágrafa | |||
| Códigos de língua | ||||
| ISO 639-1: | -- | |||
| ISO 639-2: | --- | |||
| ISO 639-3: | tnq
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| Glottolog: | tain1254
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O taíno é considerado uma língua extinta na classificação da UNESCO
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Língua taíno, também grafada taino, é uma língua extinta e escassamente atestada da família arawak, falada pelos taínos das Antilhas. Na época do primeiro contato com os espanhóis, era a língua mais difundida do Caribe.
No final do século XV, o taíno já havia suplantado as línguas faladas anteriormente nas Grandes Antilhas, exceto no extremo oeste de Cuba e em alguns redutos de Hispaniola. Entretanto, com o declínio da cultura taíno devido à colonização europeia, a língua foi substituída pelo espanhol, pelo inglês e pelo francês. Estima-se que ela tenha deixado de ser falada cerca de cem anos após o contato, embora bolsões isolados no Caribe possam ter sobrevivido até as últimas décadas do século XIX.
Por ter sido a primeira língua indígena com que os europeus tiveram contato nas Américas, o taíno foi fonte importante de empréstimos para as línguas europeias, sobretudo em campos semânticos ligados à fauna e flora locais e às práticas culturais americanas. Desde a década de 2010, diferentes iniciativas comunitárias e acadêmicas vêm tentando revitalizar a língua em uma variedade moderna, o neotaíno.
Linguisticamente, sabe-se muito pouco sobre o taíno; era uma língua ágrafa e as únicas informações sobreviventes são de relatos e transcrições espanholas.
O nome "taíno" tem sua origem no termo nativo nitayno, que se referia a classe social de elite dos "homens de bem", mas não era um endônimo étnico nem linguístico. Cristóvão Colombo e os demais conquistadores espanhóis se referiram aos taínos somente como "índios", sem menção alguma ao nome nativo utilizado por eles.
Historicamente empregaram-se as denominações "arawak insular" ou somente "arawak". O termo taíno consolidou-se somente a partir da década de 1980 como uma proposta acadêmica para evitar a confusão com as línguas arawak da América do Sul.
As estimativas para a população taíno pré-colombiana são disputadas, com cálculos que vão de dezenas de milhares a milhões de pessoas. Geograficamente, os taíno habitavam as Bahamas, a Jamaica, Porto Rico, as Ilhas Leeward e a maior parte de Cuba e de Hispaniola.
Essa unidade linguística dos taíno é notada pelo próprio Cristóvão Colombo e por Bartolomeu de las Casas. Na carta de Colombo sobre a primeira viagem, ele registra que se falava uma língua comum nas "islas de India" e que os habitantes de diferentes ilhas se visitavam de canoa e se entendiam entre si. Na Historia de las Indias, las Casas descreve que a maior parte dos habitantes de Cuba provinha da Hispaniola, ao passo que a população mais antiga da ilha se assemelhava à das Ilhas Lucaias, havendo diferenças étnicas, mas sendo a língua a mesma.
O taíno clássico funcionava como a língua franca das Antilhas. O dialeto de prestígio era o do Cacicado de Xaraguá, que se havia expandido até o extremo oeste de Cuba pouco antes do contato europeu.

A divisão clássica dos dialetos distingue duas variedades a partir dos relatos de Bartolomeu de las Casas, um oriental e outro ocidental:
Entretanto, classificações mais antigas reconheciam um número maior de variedades. Rafinesque (1836), por exemplo, arrolava os seguintes dialetos: aipiri-cibonei (Cuba e Bahamas); bimini (sul da Flórida); boriken (Porto Rico); cairi (Trindade); eyeri (Pequenas Antilhas e Porto Rico); haitiano; jamaicano; e lucaiano (Bahamas).

A classificação interna das línguas arawak é tópico de extensas discussões acadêmicas, sobretudo pela alta dispersão da família, grande número de línguas extintas e falta de dados. Apesar disso, é consenso que o taíno faz parte de um subgrupo de línguas arawak insulares, que inclui algumas línguas faladas na América do Sul.
A partir do que se sabe do taíno, ela foi uma língua próxima do lokono e ainda mais do inheri, também extinta. Há, inclusive, a hipótese de que o taíno e o inheri tenham sido dialetos de uma mesma língua; contudo, o vocabulário sobrevivente dessas línguas não permite provar ou descartá-la. Uma das evidências para essa classificação é que, em contexto intervocálico, há a correspondência fônica /d/ (lokono) - /r/ (inheri) - /r/ (taíno).
A seguir está a classificação de Henri Ramirez (2020) para o subgrupo do taíno:
O taíno convivia nas Grandes Antilhas com línguas de filiação não arawak, sobre as quais exercia posição dominante. Em Hispaniola falavam-se o macorís, em duas variedades da costa norte, e o ciguaio, na Península de Samaná. Os únicos vocábulos atestados dessas línguas foram registrados por contraste com o taíno. Bartolomeu de las Casas anota que os ciguaios chamavam "ouro" de tuob, e não caona, como na maior parte da ilha, e que no macorís se dizia baeza para "não", quando em taíno usava outra forma não mencionada.
Granberry e Vescelius (2004) atribuem às duas línguas filiações distintas. O macorís, tal como o guanahatabei do extremo oeste de Cuba, pertenceria a uma família waroide, aparentada ao warao do delta do Orinoco e do litoral venezuelano. Já o ciguaio seria aparentado às línguas tolanas de Honduras e, por extensão, ao hokano, hipótese que os próprios autores classificam como logicamente incerta por assentar em apenas dois itens lexicais. Eles reconstroem o contato linguístico pré-colombiano no Caribe como a substituição progressiva de um estrato waroide pelo taíno em Porto Rico e no leste e centro de Hispaniola, e como mescla no oeste de Hispaniola e em Cuba, de onde teria resultado, entre os séculos V e X, o dialeto cibonei. Entretanto, esse substrato waroide também teria deixado vestígios lexicais no próprio taíno, como duho "banco cerimonial", no taíno clássico, e nosái "ouro", no cibonei.
A presença do taíno nas Antilhas resulta da expansão, a partir da América do Sul, dos povos arawak que introduziram a cerâmica e a agricultura intensiva no arquipélago. O deslocamento de portadores da cerâmica cedrosana saladoide, falantes de uma língua arawak ancestral do taíno clássico, teriam saído do continente a partir das Guianas por volta do século I d.C., segundo dados glotocronológicos, ou entre os séculos III e V, segundo datações radiocarbônicas. Esse movimento populacional tem uma origem muito anterior, no interior da Amazônia, partindo do Rio Solimões e atravessando os rios Negro e Branco até o litoral Atlântico das Guianas para, por fim, chegar às Antilhas.
No Caribe, entretanto, já havia duas camadas populacionais anteriores, hipotetiza-se que a mais antiga tenha sido de fala jicaqueana, chegada antes de 3000 a.C. da costa entre Belize e Honduras, e que a outra tenha sido waroide, presente por volta de 1000 a.C. e oriunda do litoral norte da América do Sul, atual Venezuela. Um estudo de DNA antigo, publicado em 2021, concluiu que as linhagens da Idade Arcaica, associadas a essas camadas populacionais anteriores, foram substituídas em mais de 98% por uma população geneticamente homogênea, associada à cerâmica e aparentada a povos falantes de línguas arawak do nordeste da América do Sul, correspondente aos ancestrais dos taíno.

Entre os anos 400 e 900, o avanço do taíno para oeste do Caribe acompanhou a difusão das cerâmicas ostionoide e meillacoide primitiva. Nesse intervalo a língua teria substituído o estrato waroide em Porto Rico e no leste e centro da Hispaniola, ao passo que no oeste da ilha e em Cuba com ele se mesclou, dando origem ao dialeto ciboney. Duas expansões posteriores delimitam o espaço taíno no período pré-colombiano. Por volta de 1200, os taínos chegaram às Ilhas Turcas e Caicos, movimento atestado pela presença de cerâmica chicoide na região; por volta de 1450, falantes do taíno clássico atravessaram o Canal de Barlavento do noroeste do atual Haiti para o extremo leste de Cuba, onda de migração que a chegada dos espanhóis vai acelerar.

O desembarque de Cristóvão Colombo em Guanahani, a 12 de outubro de 1492, deu-se nas Ilhas Lucaias, habitadas por povos taíno. Um cativo taíno batizado Diego Colón tornou-se o principal intérprete da armada, mas o alcance da língua franca tinha limites: em meados de abril de 1494, durante a segunda viagem, ele não conseguiu entender a fala dos habitantes do golfo de Batabanó, no extremo oeste de Cuba.
O taíno foi a primeira língua indígena que os europeus ouviram e registraram nas Américas, por conta disso, o taíno legou ao espanhol numerosos termos relativos a plantas, animais e práticas culturais americanas até então desconhecidas dos europeus. Do espanhol, muitos desses vocábulos passaram a outras línguas, entre as quais o português, o inglês e o francês. O taíno deixou marcas ainda no espanhol de Porto Rico e teria contribuído para a formação do crioulo haitiano.
| Taíno | Sentido | Formas em línguas contemporâneas |
|---|---|---|
| barbakoa | grelha | barbacoa (espanhol), barbecue (inglês), barbacoa |
| kasiké | chefe | cacique (espanhol), cacique |
| kaimã | jacaré | caimán (espanhol), caiman (inglês), caimão |
| kaniba | caribe | canibal |
| kanowa | canoa | canoa (espanhol), canoe (inglês), canoa |
| kasabi | mandioca | casabe (espanhol), cassava (inglês) |
| kaya | ilha | cayo (espanhol), cay, caye ou key (inglês), caye (francês) |
| seba | ceiba | ceiba (espanhol), ceiba |
| wayaba | goiaba | guayaba (espanhol), guava (inglês), goyave (francês), goiaba |
| hamaka | rede de descanso | hamaca (espanhol), hammock (inglês), hamac (francês), maca |
| hurakã (/hodakã/?) | tempestade | huracán (espanhol), hurricane (inglês), ouragan (francês), furacão |
| iwana | iguana | iguana (espanhol), iguana |
| mahis, máhisi | milho | maíz (espanhol), maize (inglês), maisena |
| manatí | peixe-boi | manatí (espanhol), manatee (inglês), lamantin (francês), lamantino (italiano), manati |
| papaya | mamão | papaya (espanhol), papaia |
| batata | batata-doce | patata (espanhol), potato (inglês), patata (italiano), patate (francês), patata (basco), patates (turco), πατάτα (grego), batata |
| sabana | campo com poucas árvores | sabana (espanhol), savanna (inglês), savane (francês), savana (italiano), Savanne (alemão), savana |
| taíno | parentes | taíno |
| tabako | tabaco | tabaco (espanhol), tobacco (inglês), tabac (francês), Tabak (alemão), tabaco |
A documentação mais extensa do taíno é, entretanto, posterior e retrospectiva, quando a população falante já se encontrava em declínio, já que Bartolomeu de las Casas e Gonzalo Fernández de Oviedo escreveram décadas depois do contato. Las Casas dedicou à edição da Historia de las Indias o período entre 1547, quando se retirou definitivamente para a Espanha, e a sua morte, em 1566.

A substituição do taíno pelo espanhol acompanhou o colapso demográfico das populações indígenas antilhanas, provocado por epidemias, trabalho forçado e violência. A dimensão desse colapso permanece controversa. As estimativas historiográficas para a população da Hispaniola em 1492 divergem em várias ordens de grandeza, e a análise de DNA antigo publicada em 2021 aponta para efetivos populacionais bem menores do que as cifras da ordem das centenas de milhares ou dos milhões deduzidas das fontes coloniais.
O período aproximado de extinção da língua também é tópico de discussão. Granberry e Vescelius consideram que o taíno havia deixado de ser língua viva em meados ou no final do século XVI. Alexandra Aikhenvald situa a extinção no século XVII, cerca de cem anos após o contato. David Reyes defende que a língua sobreviveu em comunidades isoladas do Caribe até as últimas décadas do século XIX.
Desde a década de 2010, vários projetos buscam construir uma língua neotáino por meio da linguística comparativa com línguas arawak mais bem documentadas. O porto-riquenho Javier Hernández publicou em 2018 o Primario Basíco del Taíno-Borikenaíki, resultado de dezesseis anos de pesquisa. Em 2023, Jorge Baracutay Estévez, a organização cultural Higuayagua Taino e a linguista Alexandra Aikhenvald publicaram Hiwatahia: Hekexi Taino Language Reconstruction, dicionário de cerca de 20 mil verbetes baseado. Ademais, a organização Higuayagua Taino oferece cursos de neotaíno à comunidade. As diferentes propostas neotaínas divergem também quanto à gramática e ao léxico reconstruído.
Contudo, esses movimentos têm recebido críticas já que, dada a escassez de documentação histórica, os projetos de revitalização podem afastar-se consideravelmente das línguas efetivamente faladas nas Grandes Antilhas no período pré-colombiano. Segundo Lucia Faria, da Universidade de Toronto, parte dos revitalizadores procura reconstituir a fala dos ancestrais, ao passo que outros não têm esse objetivo, de modo que tais esforços de reivindicação linguística se orientam menos pela exatidão histórica do que pela construção de vínculos identitários. Os linguistas Konrad Rybka e Andrés Sabogal observam que essas iniciativas têm levado à mistura de dados de épocas distintas, ao privilégio de etimologias taínas para palavras de origem desconhecida e mesmo à criação de vocábulos, além de incorporar como taínas formas que são, de fato, das línguas karib.
O sistema sonoro do taíno clássico é conhecido por reconstituição a partir da ortografia espanhola quinhentista, cujo emprego regular e estável dos símbolos alfabéticos permite determinar com segurança razoável o valor de cada letra.
Os fones a seguir foram reconstituídos a partir dos registros espanhóis. Granberry e Vescelius advertem que os dados não bastam para uma análise fonêmica plenamente confiável, ainda que a comparação com o lokono, o inheri e o wayuu sugira que cada símbolo corresponda a um fonema distinto:
| Bilabial | Alveolar | Palatal | Velar | Glotal | |
|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | p b | t d | k | ||
| Nasal | m | n | |||
| Tepe ou flepe | ɾ | ||||
| Fricativa | s | h | |||
| Aproximante | j | w | |||
| Aproximante lateral | l |
A relação entre [d] e [ɾ] sugere algum grau de alofonia. O primeiro ocorre apenas em início de forma e o segundo apenas no interior dela, distribuição complementar que apontaria para um único fonema, correspondente ao /d/ no lokono. Os dados disponíveis não permitem, contudo, uma afirmação conclusiva.
O sistema vocálico taíno era composto por um grupo de vogais orais e seus paralelos nasais. A nasalidade era fonêmica e cumpria função gramatical, distinguindo o grau normal do superlativo, como em ba "grande" e bã "o maior"; as nasais /ĩ/ e /ũ/ eram raras.
↓ Altura | Anterior | Posterior |
|---|---|---|
| Fechada | i | u |
| Semifechada | e | o |
| Semiaberta | ɛ | |
| Aberta | a |
A oposição entre /ɛ/ e /e/ é sugerida pela alternância, nas transcrições espanholas, entre ⟨e⟩ e ⟨ei, ey⟩, como em ceiba. Havia também uma vogal alta posterior [u], frequentemente intercambiável com /o/, que pode ser um indício de alofonia; Taylor observou situação semelhante no lokono moderno. Há uma hipótese de que a oscilação entre ⟨e⟩ ~ ⟨i⟩ e ⟨o⟩ ~ ⟨u⟩ nos registros coloniais talvez reflita a transposição de um sistema arawak de três vogais estáveis para as cinco vogais do espanhol.
Não se admitiam encontros consonantais no ataque silábico. Em geral, a única consoante permitida em final de sílaba ou de palavra era /s/; excetua-se o sufixo de gênero masculino -(e)l. O acento tônico era previsível e recaía sobre a penúltima sílaba, salvo quando a palavra terminava em /e/, /i/ ou vogal nasal, caso em que incidia sobre a última sílaba.

O taíno não era escrito nativamente, e tudo o que dele se conhece foi registrado em transcrições espanholas do século XV e XVI. Há consenso acadêmico de que os petroglifos e pictogramas taíno carregavam significados religiosos e mnemônicos, mas sem que eles representassem palavras.
A seguir está a ortografia espanhola seicentista utilizada pelos autores europeus para transcrever palavras taíno. O principal impasse na análise do taíno a partir dos registros espanhóis é que a letra ⟨x⟩ poderia representar à época os sons [h], [s] ou [ʃ]. Certos cognatos apontam para o valor de [ʃ]: a palavra inheri transcrita pelos missionários franceses como chaouái tem sido relacionada como cognata ao taíno xagüeye "caverna".
| Grafemas | Fone (AFI) | Possíveis aproximações para o português |
|---|---|---|
| a | [a] | como á em água |
| e | [ɛ] [e] |
como é em pé como ê em vê |
| i | [i] [j] |
como i em ir como i em pai |
| o | [o] [ɔ] |
como ô em avô como ó em avó |
| u | [u] [w] |
como u em uva como u em quase |
| b | [b] [β] |
como b em bola sem equivalente; ouvir ⓘ |
| bu | [w] | como u em quase |
| c | [k] [s] |
como c em casa como s em sapo |
| ch | [c] | próximo a tch em tchau; ouvir ⓘ |
| d | [d] | como d em dado |
| f | [f] | como f em faca |
| g | [g] [x] |
como g em gato como rr em carro em alguns sotaques; ouvir ⓘ |
| gu | [w] [g] |
como u em quase como g em gato |
| h | mudo ou [h] | como rr em carro em alguns sotaques; ouvir ⓘ |
| hu | [w] | como u em quase |
| j | [x] | como rr em carro em alguns sotaques; ouvir ⓘ |
| l | [l] | como l em lua |
| ll | [j] | como i em pai |
| m | [m] | como m em mala |
| n | [n] | como n em nada |
| ñ | [ɲ] | como nh em banho |
| p | [p] | como p em pato |
| qu | [k] | como c em casa |
| r | [ɾ] | como r em caro |
| rr | [r] | como rr em carro em alguns sotaques; ouvir ⓘ |
| s | [s] | como s em sapo |
| t | [t] | como t em tatu |
| v | [β] [u] |
sem equivalente; ouvir ⓘ como u em uva |
| x | [h] [s] [ʃ] |
como rr em carro em alguns sotaques; ouvir ⓘ como s em sapo como ch em chá |
| y | [j] | como i em pai |
| z | [s] | como s em sapo |
A descrição gramatical do taíno clássico é baseada em um corpus reduzido e depende de reconstruções e analogia com outras línguas arawak melhor documentadas. A morfologia nominal é a parte mais bem atestada, já que a maioria das formas registradas pelos cronistas são substantivos. A língua distinguia três classes de palavras: substantivos flexionados, verbos flexionados e partículas invariáveis.
As bases são em geral monossilábicas, embora ocorram algumas raízes VCV e CVCV. Como a maioria das línguas arawak, a língua é de morfologia aglutinante, e portanto as palavras formam-se por encadeamento dessas unidades, o que produz grande número de formas homófonas.
O taíno possuía um sistema de classes nominais, categoria reconstruída no proto-arawak e presente em várias línguas da família. Isso era indicado por ao menos quatro sufixos: -rV, -tV, -nV e a nasalização da vogal final, em que "V" representa qualquer vogal, mas quase sempre -a ou -e.
O gênero gramatical era ocasionalmente marcado pelo sufixo -(e)l, masculino, como em ⟨guarocoel⟩ warokoel "nosso avô" e ⟨caracaracol⟩ karakarakol "homem sarnento". Não há registro de um sufixo correspondente para o gênero "não masculino" ou feminino. Nas línguas arawak em geral, as distinções de gênero seguem critérios culturais não previsíveis e nem sempre coincidem com a oposição entre masculino e feminino; os dados do taíno são insuficientes para determinar o funcionamento completo do sistema de gênero.
São registrados os prefixos possessivos da- "meu", nV- "dele", ta- "dela" e wa- "nosso"; as demais pessoas não são atestadas.
O prefixo ma- formava substantivos com sentido privativo (sem [algo]) ou negativo (não [algo]), como em ⟨mahite⟩ mahite "sem dentes, desdentado" e ⟨machabuca⟩ makabuka "não é importante".
Cinco sufixos derivacionais sobreviveram na documentação: -abo "com, na posse de", como em ⟨Caonabó⟩ kawõ(n)abo "possuidor de ouro"; -wa "no estado de", como em ⟨tureigua⟩ turéwa "divino"; -hu, formador de substantivos, como em ⟨buhitihu⟩ buhitihu "xamã"; -b(u)re, coletivo, como em ⟨yamoncobre⟩ yamõkob(u)re "quatro"; e -no, pluralizador, como em ⟨taíno⟩ taíno "os bons", de taí- "bom". Não há prefixos derivacionais no corpus, o que corresponde ao padrão arawak, em que esses prefixos são raros.
A morfologia verbal é menos acessível à reconstrução, já que o corpus sobrevivente do taíno preserva apenas oito raízes verbais. Todas têm cognatos no lokono, no inheri, no wayuu e em outras línguas arawak Amazonas-Antilhas. São elas:
| Raiz taíno | Significado em português |
|---|---|
| -ibá | ir, sair |
| -hiya- | falar |
| ã- | ouvir, escutar |
| -rikẽ- | ver |
| -ka | ser, ter |
| -ya- | fazer |
| -bu- | ser importante |
| ka- | matar |
As raízes verbais combinam-se com prefixos pronominais de sujeito e sufixos pronominais de objeto. Os prefixos pronominais atestados são da- "eu" e wa- "nós", formalmente idênticos aos possessivos dos substantivos. O único sufixo pronominal atestado é -wo "nos". Cada um desses afixos tem correspondente formal em outras línguas da família.
Sobreviveram seis frases completas, o que limita o que se pode afirmar sobre a ordem dos constituintes. A ordem presumida a partir desse pequeno corpus é sujeito-verbo-objeto (SVO).
Preservaram-se seis enunciados em taíno, aqui apresentados na grafia original em que foram registrados, em ortografia regularizada segundo a língua reconstruída e em tradução:
| Grafia original | Taíno reconstruído | Tradução |
|---|---|---|
| O cama, guaxeri, guariquen caona yari. | O kãma, waxeri, warikẽ kawõna yari. | Ó, ouve, senhor, vemos joias de ouro. |
| Mayani macaná, Juan desquivel daca. | Mayani makana, Juan desquivel daka. | Não [me] mates, sou Juan de Esquivel. |
| Dios naboría daca. | Dios naboriya daka. | Sou servo de Deus. |
| Ahiacauo, guarocoel. | Ahiyakawo, warokoel. | Fala conosco, nosso avô. |
| Guaibbá, Cynato machabuca guamechina. | Waibá, sinato makabuka wamekina. | Vamos, não importa [que] nosso senhor esteja irritado. |
| Técheta cynato guamechina. | Teketa sinato wamekina. | Nosso senhor está muito irritado. |
O taíno também tomou palavras ao espanhol, como Dios "Deus", presente em um dos enunciados preservados. Nas línguas arawak vizinhas, esses empréstimos eram adaptados à fonologia da língua receptora, com o desfazimento dos grupos consonantais estranhos à sílaba arawak: o inheri formou isúbara "espada" e isíbuse "espelho" a partir do espanhol espada e espejo.
Granberry e Vescelius identificam 39 topônimos insulares de origem indígena no arquipélago lucaiano, entre os quais:
Lista comparativa de itens lexicais taínos, segundo Ramirez:
| Português | Taíno | Comparações |
|---|---|---|
| 1sg (eu) | da(t)ʃa / da- | loko da-, guajiro ta- |
| 3msg (ele) | n- | iñeri/loko lɨ-, guajiro/paraujano nɨ- |
| positivo | ka- | proto-aruaque *ka- |
| testa | -simu | iñeri/loko (i)sibʊ |
| olho | -ako | iñeri -akʊ, loko -kʊ́si |
| dente | -ahi | iñeri/loko -ari, guajiro -a(l)i, bahuana -ahɨ |
| seio (mama) | t-oo | loko -ʊdiʊ, iñeri -ʊri |
| 1 | heketi | iñeri l-iketi "só", loko ikin(i) "só" |
| 2 | jamoka | iñeri/loko biama |
| 3 | kanokum | loko kabɨ(hi)n, iñeri kabʊni |
| 4 | jamõko-bre | iñeri biam-bʊri, loko bia-bite |
| pai (?) | oheri | iñeri -kʊsili |
| amigo | -tiao | iñeri -tí(ɲ)aʊ͂ |
| no meio | nakan | iñeri anakɨ, loko nakan |
| floresta | arkabuko | iñeri ara-bʊ, loko ada |
| campo | savana | bahuana hamadɨ, aruã hamade |
| caverna (buraco) | ʃagweje | iñeri ʃawai |
| preto | xej | bahuana (i)tʃai, wapixana iʃa etc. |
| roça | konuko | loko kʊnʊkʊ "floresta", wapixana/parawana/aruã kanʊkʊ "idem" |
| mar | ba(ha)wa | iñeri/loko/karib/etc. barawa / barana |
| forno | burán | iñeri bʊrale(t), loko bʊdali |
| remo | nahe | iñeri néhene, loko -na(ha)le, yavitero néhʊ, maipure nau, baré néheʊ |
| rato | kori | iñeri/loko/wapixana kʊri, guajiro kuimatʃoulu |
| pimenta | (h)aʃi | iñeri ati, loko (h)at(h)i, guajiro (h)aʃi |
| urucu | biʃa | iñeri biʃe(t), *JC pɨSɨ-ri |
| 1pl (nós) | wa- | proto-aruaque *wa- |
| negativo | ma- / majani | loko/iñeri ma- / mani |
| dependentizador | -te | loko/iñeri -te |
| orelha | -ariken | iñeri -arikai, loko -dike |
| nádega, ânus | t-arima | iñeri -ari(ʊ)ma |
| avô | -aroko- | iñeri -ar(ʊ)kʊti, loko -adʊkʊti |
| céu | turei | bahuana tɨraɨtsɨ |
| tempestade | hurakan | |
| altura | haïti / wi(h)o | loko aiʊmi, iñeri ĩjʊ |
| pedra | siba | iñeri/loko siba |
| casa | bu(h)io | iñeri -ʊbʊȷ͂e |
| partir | -iba | iñeri/loko -iba |
| banco | duho | guajiro tulu, warao duhu "sentado" |
Tradução do artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos em uma das reconstruções modernas:
Apúshua aránagu jemeíwa táshi óta wánawa ábo japúlima óta pansawánagu. Najak'agáma ekixíjira óta goízbaná óta toká kojutá ábo wanéya aránagu alú goíz oría ro'naboríkajat.
(Artíkulo 1 oría Banajíyaluwát Atabaríju oría Ará Pansawánagu)