| Xanthosoma sagittifolium | |||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Classificação científica | |||||||||||||||
| |||||||||||||||
| Nome binomial | |||||||||||||||
Xanthosoma sagittifolium (L.) Schott é uma espécie tuberosa da família Araceae, nativa da Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e de partes das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Foi introduzida em regiões tropicais do Caribe, África, Ásia e Pacífico.
A planta é cultivada por seus cormos e cormelos ricos em amido. Folhas e pecíolos de formas alimentares também são consumidos depois de cozidos. Na literatura agrícola, recebe nomes como cocoyam, tannia, new cocoyam, malanga e yautía.
O nome X. sagittifolium foi aplicado por muito tempo a materiais cultivados de Xanthosoma cuja identidade botânica não estava resolvida. Formas de espécie incerta ainda aparecem na literatura agrícola sob esse nome. No Brasil, "taioba" também é usado para outras aráceas. Uma das plantas cultivadas e consumidas sob esse nome foi descrita em 2011 como Xanthosoma taioba E.G.Gonç.
Carolus Linnaeus publicou a espécie em 1753 com o nome Arum sagittifolium, no segundo volume de Species Plantarum. O tipo nomenclatural remete a uma ilustração de uma planta da Jamaica publicada por Hans Sloane em 1707.
Schott transferiu a espécie para o gênero Xanthosoma em 1832, formando a combinação Xanthosoma sagittifolium. Xanthosoma sagittifolium é o nome aceito para a espécie.
Muitas formas cultivadas de Xanthosoma foram tratadas sob nomes pouco definidos durante o século XX. Em 2011, Eduardo G. Gonçalves examinou 14 formas ou espécies cultivadas e publicou quatro espécies novas, entre elas Xanthosoma taioba.
X. taioba é tratada como espécie distinta e tem distribuição nativa no leste e sul do Brasil. Ela difere de X. sagittifolium por caracteres das folhas e inflorescências. Trabalhos brasileiros anteriores empregaram com frequência X. sagittifolium para plantas chamadas de taioba que, após a revisão de 2011, são classificadas como X. taioba.
"Taioba" e "taiova" vêm do tupi antigo taîoba ou taîaoba. O nome pode ser entendido como "taiá folhudo", formado por taiá e oba, "folha".
"Taioba" não designa uma única espécie botânica. Amostras comercializadas sob esse nome na região metropolitana do Rio de Janeiro pertenciam a Xanthosoma taioba, Leucocasia gigantea, Colocasia esculenta e Alocasia macrorrhizos. Entre elas, X. taioba correspondeu à taioba comestível brasileira.
Em outros países, plantas cultivadas sob o nome X. sagittifolium recebem nomes como malanga, malangay, ocumo, otoe, tiquisque, uncucha e yautía em espanhol, cocoyam, tannia e taniera em inglês e chou Caraïbe em francês. Em partes da África, cocoyam também pode designar Colocasia esculenta.

Xanthosoma sagittifolium é uma erva tuberosa de grande porte. Pode atingir cerca de 2 m de altura. Plantas jovens têm o caule principalmente subterrâneo, enquanto exemplares adultos podem formar um caule aéreo curto, grosso e ereto. Os tecidos cortados liberam seiva leitosa.
Cada planta adulta apresenta em geral de quatro a sete folhas. Os pecíolos podem medir de 80 a 160 cm. A lâmina foliar tem aproximadamente 60 a 97 cm de comprimento e 30 a 44 cm de largura. Nas plantas maduras é sagitada e ovada, com a face superior verde-escura e a inferior mais clara. O ápice é acuminado e os lobos basais são agudos a cuneados.
As inflorescências nascem em grupos de uma a três por axila. A espata mede cerca de 23 a 32 cm, com tubo ovoide verde-claro e lâmina de tom marfim. O espádice mede aproximadamente 17 a 25 cm. Sua porção inferior possui flores femininas, seguida por uma zona de flores masculinas estéreis e pela região fértil masculina na parte superior. As flores são unissexuais e não possuem perianto.
A planta forma um cormo principal subterrâneo do qual se desenvolvem cormelos laterais. A forma, a quantidade e a coloração dos cormelos variam entre materiais cultivados.

A área nativa de Xanthosoma sagittifolium vai da Costa Rica à América do Sul tropical e compreende Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e partes das regiões Norte e Nordeste do Brasil. A espécie cresce principalmente no bioma tropical úmido.
Fora da área nativa, a espécie foi introduzida no Caribe, México, Honduras, Nicarágua e Bolívia, em partes da África tropical, no sul e sudeste da Ásia e em ilhas do Pacífico. Há populações introduzidas em Cuba, Jamaica, Haiti, República Dominicana, Porto Rico, Trinidad e Tobago, Benim, Gabão, Guiné, República Democrática do Congo, Índia, Bangladesh, Bornéu, Sumatra, Vanuatu, Ilhas Cook, Ilhas da Sociedade, Marquesas e Ilha de Páscoa.
Na literatura agrícola do século XX, o Caribe foi algumas vezes incluído na região de origem, e X. sagittifolium foi usado como nome coletivo para formas cultivadas de Xanthosoma ainda sem identificação botânica precisa. A distribuição atribuída à cultura sob esse nome pode abranger plantas que não pertencem à espécie em sentido taxonômico estrito.
As formas cultivadas de Xanthosoma usadas como alimento têm origem nas Américas tropicais. O local de domesticação de X. sagittifolium não foi estabelecido com segurança.
As formas cultivadas têm origem na América Central e na América do Sul, e a domesticação pode ter ocorrido em mais de uma área a partir de populações silvestres distintas. O preparo por calor permitiu o consumo de materiais cujos tecidos crus provocam irritação por causa dos cristais de oxalato.
A propagação vegetativa e as incertezas taxonômicas dificultam a reconstrução da domesticação. Formas cultivadas de identidade incerta foram reunidas durante décadas sob X. sagittifolium. Análises moleculares de coleções modernas encontraram linhagens que nem sempre coincidem com agrupamentos feitos apenas pela aparência das plantas.
A expansão transoceânica começou depois da chegada dos europeus às Américas. Espanhóis e portugueses levaram materiais de Xanthosoma para a Europa e a Ásia. Outros materiais atravessaram o Atlântico e chegaram à África.
A data de chegada à África não é conhecida com precisão. Siqueira e coautores situam uma transferência de Xanthosoma durante o tráfico atlântico de escravizados. A FAO apresentou outra cronologia em 1990, com material levado do Caribe para Serra Leoa no fim do século XIX e, depois, para Gana. Boakye e coautores citam uma notícia de 1843 sobre a chegada de material das Índias Ocidentais a Gana por missionários.
Em Gana, material levado das Índias Ocidentais por missionários da Missão da Basileia foi cultivado em Akropong, na região de Akuapem. A cultura chegou ao território axante na década de 1880 e se espalhou de Dwaben para outras áreas nas décadas seguintes. Em áreas produtoras de cacau, as folhas largas e a tolerância à sombra também favoreceram o plantio de Xanthosoma entre cacaueiros jovens.
A cultura também chegou a regiões mais a leste da África. Na Etiópia, a data e a rota de introdução não são conhecidas com precisão. Diferenças morfológicas e genéticas entre 100 acessos cultivados no sul e sudoeste do país são compatíveis com mais de uma introdução, hipótese que ainda não foi confirmada.
A expansão pelo Pacífico e por partes da Ásia ocorreu principalmente entre meados do século XIX e o início do século XX. No fim do século XX, a cultura estava presente em ilhas do Pacífico, países do sudeste asiático, Porto Rico, República Dominicana, Cuba, América Central, bacia amazônica e áreas úmidas da África ocidental. O material cultivado nesses lugares foi transmitido principalmente por cormos, cormelos e outras partes vegetativas, o que permitiu transportar clones entre propriedades e regiões.
Plantas levadas para fora da área nativa também se estabeleceram fora de cultivo. Há populações introduzidas em ilhas do Caribe e do Pacífico, nas Galápagos, em partes da África e da Ásia e no Alabama, nos Estados Unidos. Como X. sagittifolium foi usado historicamente para espécies cultivadas diferentes, relatos agrícolas antigos nem sempre podem ser atribuídos à espécie delimitada pelas classificações mais recentes.
As plantas cultivadas sob o nome X. sagittifolium crescem em regiões tropicais e subtropicais, sob temperaturas de 20 a 30 °C e em solos com pH entre 4,2 e 7,5. Solos férteis, bem drenados e de textura arenosa a franca favorecem o crescimento.
A cultura não tolera solos permanentemente encharcados. Cresce sob sombra parcial e pode ser plantada em consórcio com bananeiras, coqueiros, citros, dendezeiros e cacaueiros.
A multiplicação agrícola é feita principalmente de forma vegetativa. Podem ser plantadas partes do cormo central, cormelos ou brotações. O material apresenta um período de dormência de aproximadamente cinco semanas antes da brotação. A retirada da gema apical pode estimular o desenvolvimento das gemas laterais.
A folhagem cresce com rapidez nos primeiros seis a nove meses. Uma planta pode formar dez ou mais cormos e cormelos em um ciclo de cerca de dez meses.
A propagação clonal é a forma usual de multiplicação no cultivo, embora a reprodução sexuada seja possível. Florescimento induzido, polinizações cruzadas, sementes e híbridos já foram obtidos experimentalmente.
A indução controlada do florescimento permite produzir sementes para seleção de novos materiais. A propagação in vitro é usada para multiplicar plantas e obter material com melhor estado fitossanitário.
As coleções de germoplasma de Xanthosoma cultivado são pequenas em muitos países e reúnem de poucos acessos a cerca de 80. O material costuma ser agrupado por características como a pigmentação dos pecíolos e folhas ou a cor da polpa dos cormelos.
Isoenzimas e marcadores moleculares encontraram diversidade alélica limitada em parte das coleções estudadas. A comparação entre bancos de germoplasma é dificultada por materiais de espécies diferentes registrados sob o mesmo nome.
Técnicas de cultura de tecidos são usadas para conservar e sanear o material vegetativo. A troca internacional de germoplasma é limitada, e muitos programas de melhoramento trabalham com uma base genética estreita.
Os cormos e cormelos são ricos em amido e podem ser cozidos, assados, preparados no vapor, amassados ou fritos. Também podem ser secos e moídos para produzir farinha. Folhas e pecíolos de formas alimentares são consumidos depois de cozidos.
As partes aproveitadas variam entre regiões e cultivares. Na África e no Caribe, os cormelos são colhidos para alimentação e comércio, enquanto folhas jovens também entram em preparações culinárias.
No Brasil, parte da literatura alimentar sobre "taioba" empregou X. sagittifolium para a planta classificada desde 2011 como X. taioba. Alguns dados publicados sob o nome anterior referem-se, portanto, a outro táxon.
Em Porto Rico, os cormelos são conhecidos como yautía e fazem parte da alimentação local. A produção caiu nas últimas décadas por problemas fitossanitários, custos de cultivo e concorrência de produtos importados. Cultivares de polpa amarela foram introduzidos por atenderem à preferência de parte dos consumidores porto-riquenhos. A cultura também foi testada na produção de farinha, amido e alimentos processados.
Folhas e partes subterrâneas apresentam composições diferentes. Os valores abaixo correspondem a 100 g de parte comestível registrada como Xanthosoma sagittifolium nas tabelas FAO/INFOODS reproduzidas no compêndio da FAO de 2024.
| Componente | Folhas | Partes subterrâneas |
|---|---|---|
| Energia | 39 kcal | 136 kcal |
| Água | 87,6 g | 63,7 g |
| Proteínas | 3,5 g | 3,3 g |
| Gorduras | 0,7 g | 0,3 g |
| Carboidratos disponíveis | 2,3 g | 28,9 g |
| Fibra alimentar | 4,5 g | 2,0 g |
| Cálcio | 74 mg | 15 mg |
| Ferro | 2,1 mg | 0,7 mg |
| Zinco | 0,62 mg | 0,34 mg |
| Vitamina A | 595 µg ER | 1 µg ER |
| Folato | 130 µg | 23 µg |
A composição varia entre materiais cultivados. Cormelos verdes e roxos cultivados na Etiópia diferiram no teor de proteínas, fibras, minerais, fitatos e taninos. Diferenças entre cultivares, partes dos cormelos e métodos de processamento também foram encontradas em material estudado em Gana.
Aráceas alimentares contêm cristais de oxalato de cálcio, muitos deles em forma de ráfides, estruturas microscópicas semelhantes a agulhas. Em material cru, as ráfides podem perfurar as mucosas da boca. Compostos irritantes presentes junto aos cristais intensificam a sensação de ardor e o inchaço dos lábios, boca e garganta.
Folhas e órgãos subterrâneos de formas alimentares são cozidos ou processados antes do consumo. O calor reduz parte dos oxalatos, em grau que varia conforme a técnica, o cultivar e a parte da planta.
Entre as plantas chamadas de "taioba" no Brasil, a coloração verde ou arroxeada dos pecíolos não basta para reconhecer uma espécie própria para alimentação. Espécies diferentes podem ter folhas de aparência semelhante, e amostras vendidas sob o mesmo nome popular pertenciam a quatro espécies de Araceae.
Cristais de oxalato de cálcio ocorrem em muitas Araceae, inclusive em espécies alimentares. Sua presença, sozinha, não distingue uma espécie comestível de outra imprópria para consumo.
O Dasheen mosaic virus, ou DsMV, infecta aráceas cultivadas e pode ser transmitido junto com o material usado na propagação vegetativa. Os sintomas incluem deformação das folhas, clorose das nervuras, padrões de mosaico e redução do crescimento.
A podridão radicular causada pelo oomiceto Pythium myriotylum afeta plantações cultivadas sob o nome X. sagittifolium. A doença apodrece as raízes, amarela as folhas e reduz o crescimento e a formação dos cormos. Em campos muito afetados, as perdas de produção podem chegar a 90%.
Como o cultivo é propagado principalmente por partes vegetativas, plantas infectadas podem levar patógenos para novos plantios. O uso de material sadio, a rotação de culturas e o saneamento por cultura de tecidos reduzem esse risco.
O nome da taioba aparece na toponímia brasileira, em especial em cursos d'água e localidades rurais. Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, recebeu o nome de um taiobal, como é chamado um agrupamento dessas plantas, que existia perto do povoado formado nas terras do antigo Sítio Bom Jardim.
O distrito já figurava como Taiobeiras em 1911. A reorganização territorial mineira de 1923 adotou o nome Bom Jardim de Taiobeiras e transferiu o distrito de Rio Pardo para Salinas. O nome foi reduzido novamente a Taiobeiras em 1938. Em 1953, a localidade foi elevada a município com essa denominação pela Lei estadual nº 1.039.
A taioba também figura no brasão de Taiobeiras. A Lei nº 1.107, de 2010, colocou três folhas de taioba de cada lado do escudo, acompanhadas de caules e cormos, em referência ao taiobal ligado ao nome do povoado. A lei chama a planta de Xanthosoma sagittifolium, nome usado por muito tempo no Brasil para formas cultivadas de Xanthosoma chamadas de taioba.
O termo também aparece em hidrônimos. Há um córrego chamado Taioba na zona rural de Araçuaí, em Minas Gerais. Outro Córrego Taioba integra a bacia do Rio Doce na região entre Mariana, Alvinópolis e Dom Silvério, também em Minas Gerais. Em Goiás, o Córrego da Taioba é usado para irrigação em área agrícola.