Mulheres rarâmuri em banca | |
| População total | |
|---|---|
| 121 835 | |
| Regiões com população significativa | |
| Línguas | |
| Rarâmuri | |
| Religiões | |
| Catolicismo romano sincrético com ritos tradicionais | |
| Etnia | |
| Nativo americanos | |
| Grupos étnicos relacionados | |
| Yaquis, mayos, Pima, ópatas e pápagos |
Tarahumara (exônimo) ou Rarâmuri designa um grupo de povos nativos de México originalmente habitantes do território do estado de Chihuahua, habitando posteriormente as regiões altas de Sierra Madre Ocidental após o contato com europeus. Chamam-se a si mesmos Rarâmuri, transformado em "Tarahumara" pelos espanhóis, termo que também denomina a língua falada por estes povos.
A língua Rarâmuri pertence à família uto-asteca. Embora esteja em declínio sob a pressão do idioma espanhol, ainda é amplamente falada. Na língua Rarâmuri, o termo endonímico rarâmuri refere-se especificamente aos homens; as mulheres são referidas como mukí (individualmente) e como omugí ou igómale (coletivamente). Segundo o historiador Luis González, rarâmuri etimologicamente significa "planta corredora", o que, num sentido mais amplo, quer dizer "os de pés ligeiros", em alusão à tradição mais antiga desta cultura: o hábito de correr.
Estima-se que sua população esteja em torno de 100.000 pessoas. A maioria ainda pratica um estilo de vida tradicional, inclusive habitando abrigos naturais (grutas ou saliências de falésias). As culturas básicas são milho e feijão; no entanto, muitos dos Rarâmuri ainda praticam a transumância, criando gado, ovelhas e cabras. Quase todos os Rarâmuri migram de um lugar para outro ao longo de um ano.

Acredita-se que os Rarâmuri descendem da cultura Mogollon. No início do século XVII, os espanhóis haviam estabelecido minas em território Rarâmuri e fizeram algumas buscas de escravos para obter trabalhadores para as minas. O jesuíta Juan Fonte estabeleceu uma missão, San Pablo Balleza, no extremo sul do território Rarâmuri, expandindo-se do trabalho missionário com os Tepehuas para o sul. A resistência violenta dos Tepehuas à incursão espanhola na revolta dos Tepehua de 1616 matou Fonte e outros sete missionários jesuítas, fechando a missão por mais de uma década.
A descoberta das minas de Parral, em 1631, aumentou a presença espanhola em terras Rarâmuri, trazendo mais incursões de missionários jesuítas e busca de escravos. Missões foram estabelecidas em Las Bocas, Huejotitlan, San Felipe e Satevo. Em 1648, os Rarâmuri travaram guerra contra os espanhóis. Reuniram-se em Fariagic e depois destruíram a missão de São Francisco de Borja. Dois dos líderes deste ataque foram capturados pelos espanhóis e executados. Pouco depois, os espanhóis estabeleceram Villa de Aguilar no coração do território alto Rarâmuri.
A partir de então, os Rarâmuri se dividiram em dois grupos: aqueles nas missões das regiões baixas continuaram a se converter e integrar a população católica em geral e perderam em grande parte sua identidade; e aqueles nas áreas altas entraram em guerra sob a liderança de Tepóraca e outros, expulsando os jesuítas e colonos espanhóis da área. Os jesuítas retornaram na década de 1670 e finalmente batizaram milhares de Rarâmuri, mas essas pessoas mantiveram uma identidade única separada. Tepóraca foi executado pelos espanhóis em 1690. De 1696 a 1698, os Rarâmuri novamente travaram guerra contra os espanhóis, mas foram derrotados. Existe um importante relato jesuíta de 1691 que diz respeito à resistência dos Rarâmuri à evangelização, o Historia de la tercera rebelión tarahumara.
Em 1753, os jesuítas entregaram as missões das regiões baixas a padres seculares e, em 1767, os jesuítas foram expulsos dos territórios espanhóis. A maioria das missões no território Rarâmuri deixou de funcionar ou foi entregue aos franciscanos. Apesar dos esforços dedicados e entusiásticos, os franciscanos não conseguiram igualar os jesuítas, e as missões declinaram. Os jesuítas restabeleceram as missões no início do século XX.
Os tarahumaras são conhecidos pela sua corrida. Eles correm descalços e percorrem várias milhas sem se cansar. Isso já foi tema de documentário da Discovery Channel, Animal Planet e da Netflix.