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O tezacaftor é um fármaco inovador classificado como um «corretor» da proteína reguladora da condutância transmembranar da fibrose quística (CFTR), especificamente desenvolvido para tratar a causa genética subjacente da fibrose quística. Em pacientes com esta patologia, mutações genéticas resultam numa proteína CFTR com defeito de enovelamento ou processamento, impedindo-a de alcançar a superfície das células epiteliais de órgãos como pulmões e pâncreas. O papel fundamental do tezacaftor é ligar-se a esta proteína mutante para facilitar o seu processamento celular e tráfego intracelular, aumentando assim a quantidade de proteína funcional que atinge a membrana celular. Ao restaurar parcialmente este transporte de cloreto e fluidos, o medicamento ajuda a fluidificar as secreções de muco excessivamente espessas e viscosas que, de outra forma, causariam infeções crónicas, danos progressivos nos tecidos e insuficiência respiratória.
A utilização clínica do tezacaftor ocorre quase exclusivamente em regimes de associação, sendo frequentemente administrado em combinação de dose fixa com o ivacaftor (um potenciador que mantém o canal de cloreto aberto por mais tempo) ou na terapia tripla que inclui também o elexacaftor. Esta abordagem multialvo permite tratar uma gama mais ampla de doentes, particularmente aqueles que possuem a mutação F508del, a mais comum mundialmente, quer em dose dupla (homozigóticos) ou em combinação com outras mutações específicas que mantêm alguma função residual. A aprovação deste fármaco pela Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos e pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) na União Europeia ocorreu em 2018, representando um avanço significativo sobre moduladores de primeira geração, como o lumacaftor, por apresentar um perfil de segurança superior e menores interações medicamentosas.
Do ponto de vista farmacocinético e de segurança, o tezacaftor destaca-se por não ser um indutor potente das enzimas do citocromo P450, o que reduz substancialmente o risco de interferência com outros medicamentos comuns em doentes com fibrose quística, como contracetivos hormonais ou antifúngicos. Os estudos clínicos e de mundo real indicam que o tratamento com regimes contendo tezacaftor resulta em melhorias estatisticamente significativas no volume expiratório forçado (VEF1), no índice de massa corporal (IMC) e na redução drástica das exacerbações pulmonares agudas. Embora seja geralmente bem tolerado, os efeitos adversos mais frequentemente relatados incluem cefaleias, nasofaringite, náuseas e tonturas, sendo recomendado o monitoramento regular da função hepática através de exames de sangue durante o curso da terapia.