| Thrill Kill | |
|---|---|
| Desenvolvedora | Midway Studios Los Angeles (como Paradox Development) |
| Publicadora | Virgin Interactive |
| Plataforma | PlayStation |
| Lançamento | outubro de 1998 (data planejada) |
| Género | Jogo eletrônico de luta |
Thrill Kill é um jogo eletrônico de luta cancelado de 1998 desenvolvido pela Paradox Development e originalmente seria publicado pela Virgin Interactive, mas a Electronic Arts mais tarde se tornou a editora e cancelou o jogo.
O jogo é considerado um dos primeiros a receber a classificação "Adults Only" (exemplos futuros seriam Manhunt 2 e Hatred) exclusivamente por sua violência gráfica. Embora nunca tenha sido publicado, o jogo seria posteriormente disponibilizado por seus desenvolvedores em sites piratas, tornando-o totalmente jogável em um PlayStation ou emulador.
A trama do jogo envolve dez almas condenadas enviadas para o Inferno após suas mortes na Terra. Marukka, a Deusa dos Segredos, em seu próprio tédio, organizou um torneio de luta até a morte onde o vencedor teria a chance de reencarnar.
Thrill Kill consiste em quatro oponentes em um cenário tridimensional semelhante a uma caixa, que lutam constantemente entre si. Ninguém tem barras de vida, mas apenas uma barra que se enche a cada golpe que é desferido. Ao ser preenchida, o personagem tem a chance de agarrar um dos outros oponentes na arena e realizar um "thrill kill" (o equivalente a um fatality em Mortal Kombat) nele, removendo-o da próxima rodada e recebendo um "bônus de morte" na rodada seguinte.
A luta continua até que restem apenas dois personagens na arena: o jogador e o último oponente. Nesta última rodada, se um dos dois atingir o "medidor de mortes" ao máximo, uma cena especial será exibida mostrando a câmera circulando o personagem antes que dele ser atingido por um raio, desbloqueando um golpe final especial específico do personagem.
Durante a mesma cena, o jogador pode executar uma certa combinação de botões em seu controle antes que ela termine, mudando o movimento final de seu personagem.
Além do modo arcade padrão, Thrill Kill possui três outros modos de jogo: o Modo Versus, que permite aos jogadores lutar contra até três outros jogadores ou lutadores controlados pelo computador. No entanto, só é possível jogar com os quatro jogadores com a ajuda do PlayStation Multitap. O Modo Equipe, que divide os jogadores em duas equipes, com cada equipe compartilhando um único "medidor de morte". E o Modo Treinamento, que permite ao jogador escolher um personagem e um oponente para praticar certos movimentos. Normalmente, o oponente escolhido não ataca (a menos que o jogador o altere para contra-atacar com um movimento específico de seu conjunto de movimentos). Ao completar todo o conjunto de movimentos do personagem escolhido para este modo, uma quinta skin é desbloqueada para ele.
O jogo tem um elenco de onze personagens para jogar:
Outro personagem, conhecido como The Gimp, inspirado no personagem de mesmo nome do filme Pulp Fiction, pode ser desbloqueado, mas apenas como oponente no Modo Treino. Ele utiliza grande parte do código de Tormentor (assim como a imagem de ícone usada na seleção de personagens), embora possua falas exclusivas.
O desenvolvimento de Thrill Kill começou originalmente sob o título Earth Monster, um jogo de esportes baseado no jogo de bola mesoamericano. Os jogadores controlariam guerreiros astecas que lutavam entre si enquanto tentavam colocar uma bola dentro de um sarcófago. Em certo momento, a Virgin Interactive incentivou os desenvolvedores a aumentar a violência do jogo, transformando-o rapidamente em um jogo de luta propriamente dito. A estética asteca foi posteriormente abandonada em favor de um visual cru inspirado na subcultura BDSM, com o produtor Harvard Bonin trazendo revistas de fetiche e DVDs com esse tipo de conteúdo como referências para a direção de arte.
O objetivo da Paradox era obter amplo reconhecimento por meio de violência extrema e tornar Thrill Kill um sucesso. O jogo também foi projetado para ser o primeiro título de luta em 3D a permitir quatro jogadores simultâneos. Alguns golpes dos personagens receberam nomes de conotação sexual, enquanto outros foram criados para simular atos sexuais. Na E3 de 1998, Thrill Kill foi eleito o jogo mais popular apresentado naquele ano, conquistando uma legião de fãs interessados em sua natureza sangrenta e ousada.
Ele foi um dos primeiros jogos a receber o selo "Adults Only" da Entertainment Software Rating Board (ESRB) por sua violência gráfica, selo esse geralmente dado para jogos que possuem forte conteúdo pornográfico. Isso fez com que os desenvolvedores diminuíssem o conteúdo forte presente no jogo para que ele pudesse atingir uma classificação 17+. A mudança mais notável ocorreu no terceiro "thrill kill" de Belladonna, onde ela parece estar fazendo sexo oral em seu oponente antes que a câmera revele que ela estava apenas fazendo cócegas no pé dele com uma pena.
O lançamento de Thrill Kill estava originalmente previsto para outubro de 1998; o jogo estava praticamente concluído e uma sequência já havia sido proposta (tendo passado pelos títulos provisórios F.U.B.A.R. e S&M). Porém, em agosto daquele ano, as operações norte-americanas da Virgin Interactive foram compradas pela Electronic Arts, o que fez com que os direitos de publicação de Thrill Kill passassem a ser propriedade da EA. O conselho executivo da EA analisou o jogo e considerou-o violento demais para publicação. Algumas semanas após adquirir a Virgin, a empresa descontinuou Thrill Kill e recusou qualquer oferta para vendê-lo a outras editoras, com os desenvolvedores do jogo não sendo informados diretamente sobre seu cancelamento e, em vez disso, descobrindo por meio de artigos.
Embora nunca tenha chegado às prateleiras, o jogo seria disponibilizado pelos próprios desenvolvedores na internet, tornando Thrill Kill possível de ser jogado simplesmente baixando-o de um site de ROMs. O motor gráfico de Thrill Kill seria reciclado para outros jogos da Paradox, como o Wu-Tang: Shaolin Style de 1999, e X-Men: Mutant Academy de 2000.
As controvérsias em torno do jogo aumentaram o seu interesse pela comunidade de gamers, fazendo com que versões do jogo sejam facilmente encontradas na internet. Em 2004, a Official U.S. PlayStation Magazine citou Thrill Kill como um dos jogos cancelados mais esperados de todos os tempos.
Em 2009, a GameInformer citou Thrill Kill em décimo na listagem "Dez melhores jogos quase lançados". Em 2011, a Gamepro elegeu em décimo quarto lugar "The Imp" como "Um dos 50 maiores personagens de luta de todos os tempos".