
Titereiro (ou titeriteiro) é a denominação dada ao artista ou profissional das artes cênicas que cria, confecciona e, principalmente, manipula formas animadas — como fantoches, marionetes, bonecos ou sombras — em espetáculos teatrais, produções televisivas, cinematográficas em espetáculos teatrais, produções televisivas, cinematográficas ou intervenções urbanas.
Diferente do termo marionetista — que designa estritamente o operador de marionetes (bonecos controlados por fios) —, o conceito de titereiro funciona como um termo guarda-chuva na língua portuguesa, englobando artistas que dominam variados formatos e técnicas de teatro de animação.
Entre os profissionais históricos mais famosos e influentes destaca-se o norte-americano Jim Henson (criador d'Os Muppets). Na literatura e na ficção, figuras notórias representam o ofício, tais como Maese Pedro na obra Dom Quixote e o carpinteiro Gepeto no clássico infantil Pinóquio.
A palavra deriva de títere, termo de origem espanhola utilizado historicamente para designar bonecos mecânicos ou de manipulação.
No Brasil, embora o termo técnico-teatral seja amplamente aceito no meio acadêmico e profissional, existem variações regionais significativas que justificam a preferência pelo termo neutro:
Devido a essas nuances, limitações semânticas e ambiguidades regionais, os termos titereiro e manipulador mantêm-se como as nomenclaturas mais estáveis, formais e recomendadas na literatura das artes dramáticas para designar o artista cênico por completo.
Os profissionais podem se especializar ou transitar por diferentes formatos de objetos animados:
O cerne do trabalho do titereiro consiste em dar a ilusão de que o objeto inanimado possui vida, voz e consciência próprias. Para sustentar essa convenção teatral e não quebrar o encantamento do público, o profissional adota métodos específicos:
Tradicionalmente, os titereiros e marionetistas profissionais operam totalmente ocultos do campo de visão da plateia. Eles se posicionam atrás de cortinas, anteparos ou estruturas de tecido conhecidas como "empanadas" (no caso de fantoches e bonecos de vara) ou suspensos em pontes de manipulação acima do nível do palco (no caso de marionetes). Esse isolamento impede que os espectadores vejam os movimentos das mãos, braços e cabos do artista, concentrando toda a atenção visual na expressividade do boneco.
A sincronização labial (lip-sync) é rigorosamente trabalhada pelo artista para coincidir a abertura da boca do boneco com a fala projetada. Quando a proposta do espetáculo exige que o titereiro fique visível no palco junto ao boneco, profissionais avançados utilizam técnicas de ventriloquismo (a arte de falar sem mover os próprios lábios). Isso impede que a atenção da audiência seja desviada para a face do ator, garantindo que o público atribua a origem da voz e da personalidade puramente ao brinquedo animado.
A nível internacional, os interesses e a preservação histórica do ofício desses profissionais são representados pela União Internacional da Marionete (UNIMA), fundada em 1929.