Rita Lee e Roberto Tour 87/88

Rita Lee e Roberto Tour 87/88
Turnê internacional de Rita Lee, Roberto de Carvalho
LocaisBrasil, Suíça
Álbum associadoFlerte Fatal
Data de início19 de agosto de 1987
Data de fim02 de julho de 1988
Duração01h:40
Partes2
N.º de apresentações28
Cronologia de turnês de Rita Lee, Roberto de Carvalho

"Rita Lee e Roberto Tour 87/88" foi a 11ª turnê realizada pela cantora Rita Lee, baseada em seu 13º álbum de estúdio Flerte Fatal. Sendo anunciada inicialmente como a última grande excursão que Rita realizaria em sua carreira, percorrendo de 19 de agosto de 1987 à 02 de julho de 1988, totalizando 28 apresentações em 22 cidades brasileiras e uma sueca. Ao todo a turnê obteve cerca de 280 mil expectadores.

Antecedentes

No terceiro trimestre de 1985, Rita Lee e Roberto de Carvalho cogitaram retornar aos palcos para uma grande excursão nacional, com o repertório baseado no álbum Rita e Roberto, lançado em setembro daquele ano, porém, alguns fatores impediram a viabilização do projeto, sendo eles: a pendência do casal para firmarem o trabalho em uma nova gravadora, o que foi oficializado em 12 de setembro de 1986 com a contratação dos músicos efetivada pela EMI-Odeon, e a intenção de reunir a mesma equipe da turnê anterior, Rita Lee e Roberto Tour Brasil 83, pois, para o casal, era imprescindível a presença de Leonardo Netto como diretor do espetáculo, além do engajamento de Rita e Roberto em apoio a campanha de Fernando Gabeira para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Assim, todos os planos de uma nova excursão foram adiados para 1987. O projeto inicial consistia em realizar shows por longas temporadas em teatros pequenos do Rio de Janeiro e São Paulo, semelhante com a proposta da turnê Babilônia, realizada em 1978; o propósito de Rita, era criar uma atmosfera intimista e confortável com a plateia, o que permitisse um espetáculo teatral e com muitos adereços inclusos. Os preparativos para a nova excursão começaram junto com a produção do álbum Flerte Fatal, ainda em setembro de 1986.

"Lá para julho (1987) estaremos aqui. O show também já está sendo preparado junto com o disco, mas vamos começar pelo interior de São Paulo, onde vamos ter a responsabilidade de esquentar as turbinas. No Rio, queremos fazer uma temporada de 2 ou 3 semanas , entrar naquele exercício diário de estar perto do público. O Maracanãzinho seria o fecho de ouro, mas queremos mesmo é um teatro, diariamente, com aquele corre-corre de trocar a roupa, ver cenário e tudo mais. Nada de uma apresentação única e deixar aquele gostinho de quero mais. Isso é muito vulgar. O difícil é encontrar um local para o que a gente quer. Quantos lugares tem no Canecão? Eu gosto muito do João Caetano, mas lá tem o problema de outras apresentações antes do espetáculo. Não daria para deixar tudo armado no palco. Aliás, no Canecão também está assim, não é? E o Carlos Gomes, como é? Mas eu me amarro mesmo é no João Caetano. Mas como conciliar tudo isto com o programa de rádio 'Rádio Amador'?" - questionou Rita em entrevista concedida em setembro de 1986

Inicialmente, a estreia da turnê foi programada para ocorrer em setembro de 1987 no Rio de Janeiro, no Teatro Carlos Gomes, porém, a cantora foi convencida por Roberto que, além de necessitar de maior demanda trabalhista, os lucros também seriam inferiores; desta forma, o valor dos ingressos teriam que ser comercializados com uma alta margem de saldo para custear o espetáculo. Foi então remodelado que a turnê seria apresentada em ginásios, onde todos os planos de Rita também puderam ser realizados com a mesma qualidade. Com isso, os shows programados em teatros foram desmarcados.

"Pensei em pelo menos no Rio e em São Paulo, fazer teatros pequenos e temporadas mais longas. Mas acabei convencida pelo Roberto de que trabalharíamos 10 vezes mais, para ganhar dez vezes menos e ainda ter de cobrar ingressos caros. Tínhamos também de pensar no bolso do publico. Meu lado mais romântico pensava numa retomada de Babilônia, algo mais intimista, mas nas nossas reuniões ficou claro que tudo o que eu imaginava poderia também ser feito em ginásios e com igual qualidade." - revelou Rita.

No período em que passaram ausentes das grandes excursões, Rita Lee e Roberto de Carvalho realizaram apresentações esporádicas em festivais, sendo eles: Rock in Rio em 16 de janeiro de 1985, Viña del Mar nos dias 15 e 16 de fevereiro de 1985, e Festival dos Festivais em 21 de setembro de 1985, além de um pocket show realizado no Copacabana Palace em 30 de setembro de 1986. Finalmente em maio de 1987, com o lançamento do álbum Flerte Fatal, foi anunciado que a nova turnê estava em desenvolvimento, com o intuito de percorrer 40 cidades brasileiras, o que posteriormente foi reduzido pela metade, e com a promessa de que seria essa, a última grande excursão que Rita Lee faria em sua carreira, ideia que foi repensada pela cantora com o tempo.

"Sempre gostei de fazer aquilo que não fiz, tenho essa necessidade da evolução do espírito. A vida é mais importante do que juntar dinheiro, que eu vou continuar ganhando. Eu e Roberto não estamos querendo fazer turnês, show e disco, disco e show, que tiram a gente de outras coisas. Estamos livres desta escravidão, mas não é um final feliz! Sou capricorniana, nossa! E completamente planetária com ataques de xenofobia. Vamos fazer shows em teatro quando der vontade. Eu estava viciada em fazer estes shows energéticos de turnê, botar meu sangue todo num dia só, sentir a delícia de chegar em Belém com caminhões, cenário, luz, som como um disco-voador. Saudar uma plateia com 'Brasília, tudo bem?' (eleva a voz). Quero experimentar o teatro, cantar mais perto do público e dizer (voz baixa): 'Boa noite', ter esse contato com a plateia." - revelou Rita.

Os ensaios da turnê foram realizados entre os dias 08 a 14 de agosto de 1987, no galpão onde operava o desativado Cine Valparaíso, no bairro Tucuruvi em São Paulo. No mesmo local, em 15 de agosto de 1987, ocorreu o ensaio geral do espetáculo, que foi assistido por amigos e convidados de Rita e Roberto, além de integrantes da banda britânica PiL (exceto o vocalista John Lydon), e do fã-clube 'Ovelha Negra', e outros fãs ganhadores de um sorteio promovido pela rádio Jovem Pan. O repertório da turnê foi selecionado com base no pedidos de fã-clubes e em sugestões de pessoas que esbarravam com os cantores pelas ruas. O guitarrista Roberto de Carvalho foi o responsável pelos novos arranjos das canções que constituíram o espetáculo.

"Pensamos em cantar o que nos desse prazer de dar as caras de novo. Atendemos o pessoal dos fã-clubes, ouvimos as pessoas que nos param nas ruas, e assim foi sendo delineado o repertório que tanto comporta aquelas coisas mais intimistas que eu havia pensado que só poderia fazer em teatro, quanto as que soam legal num ginásio. Não foi fácil montar, mas continuamos gravando. Então havia muita coisa para ser colocada." - explicou Rita.

A princípio, a turnê foi planejada para ter dois anos de duração, e foi oficialmente iniciada em Vitória no dia 19 de agosto de 1987. Umas das grandes novidades da turnê, foi o destaque de Rita como musicista, que era bastante solicitado pelos fãs, a cantora além de tocar guitarra em 10 das 21 músicas do repertório, também se apresentava tocando flauta e castanholas.

"Eu estou completamente dedicada e devotada ao gogó, à garganta. Estou me dedicando também aos instrumentos, estou voltando ao meu lado mais musical. Nos outros shows eu ficava 'galinhando' na frente. Correndo para lá e para cá. Os vocais de apoio funcionavam um pouco também para segurar na hora em que eu perdia o fôlego. É claro que há este meu lado, de cantar e pular, que não dá para segurar, tenho que fazer mesmo. Mas agora está muito diferente, eu divido responsabilidades. Já não estou sozinha na frente. Depois estou atendendo uma solicitação do público, que me pede para toca 'aquela flautinha', a guitarra..." - contou a cantora.

Após a apresentação realizado no Chile em 1985, Rita e Roberto foram incentivados a realizarem uma excursão internacional, desta forma, a turnê foi planejada para ser apresentada na América Latina nos seguintes países: Argentina e Uruguai; e também na Europa, sendo: Itália, Portugal e França. A etapa europeia estava inicialmente programada para acontecer em novembro de 1987, inclusive uma apresentação no teatro Olympia em Paris chegou a ser agendada para este período, , porém, em virtude de uma forte gripe acometida por Rita Lee no início de setembro de 1987, apresentações nacionais precisaram ser remanejadas para o mesmo período programado para a etapa no exterior do Brasil, forçando o adiamento dos concertos internacionais para o ano seguinte.

"Foi no Festival Vinã Del Mar, no Chile em 1985 (que surgiu a ideia). Foi uma delícia. Recentemente em Miami, nós ouvimos 'Pega Rapaz' tocar no rádio por duas vezes. Um jornalista da Billboard também nos incentivou. Ele diz que desde a bossa nova não pinta algo brasileiro com a roupagem internacional como o som que nós fazemos. Eles chamam de 'rockarnaval'. Ou seja, são evidências de que podemos fazer shows no exterior, que temos público para isto." - detalhou Roberto.

Mesmo com o forte êxito, a excursão causou prejuízo aos músicos, devido aos altos custos de transporte da grandiosa estrutura e a intenção de Rita e Roberto em disponibilizarem ingressos a preços justos. Após 25 apresentações realizadas em 22 cidades brasileiras, no dia 12 de dezembro de 1987 em Presidente Prudente, foi realizado o último show da fase original da turnê, que após o período de Natal e véspera de ano-novo, seria retomada em janeiro de 1988, com shows programados em cidades paulistas e seguindo para outras principais do país como Cuiabá e Maringá, porém, por razões desconhecidas, a turnê foi descontinuada. No dia 23 de março de 1988, Rita e Roberto embarcaram para Portugal, onde apresentaram um pequeno concerto no Casino Estoril em Lisboa, no 'Miss Portugal 88', realizado no dia 26 de março de 1988, na ocasião, o casal interpretou sucessos como "Mania de Você" e "Lança Perfume", porém, o pocket show não integrou oficialmente a turnê. Após esta apresentação, os músicos seguiram para Paris e Londres, porém somente a passeio.

"Chique, não? Estou gostando muito de pôr o pé na estrada como nos velhos tempos de pioneira do rock. Fiquei um tempo afastada dos palcos, quase três anos, e até tinha esquecido o quanto pode ser gratificante cantar. Estou de bem com a música e com a vida. A reação do público tem sido fantástica em todos os lugares em que estivemos. Cada apresentação é uma surpresa e gosto de ver o público cantando nossos sucessos com tanta intimidade." - comemorou a cantora.

Durante o primeiro semestre de 1988, Rita Lee e Roberto de Carvalho permaneceram em período sabático, contudo, o convite para uma apresentação no renomado Festival de Jazz de Montreux na Suíça, foi o responsável por resgatar a turnê de seu fim antecipado, e assim, uma última etapa de apresentações foi agendada. O casal conhecido pelo perfeccionismo nos shows, montou um novo repertório composto minunciosamente por onze canções da dupla, e para testá-lo, antes da apresentação no requisitado festival, se apresentaram no AeroAnta em São Paulo nos dias 15 e 16 de junho de 1988, como uma espécie de ensaio geral para testar o novo repertório, concluindo cerca de 70 minutos de espetáculo. No dia 02 de julho de 1987, é apresentado o último show oficial da excursão em Montreux, dentro da programação 'noite brasileira' do festival, onde Rita e Roberto dividiram o line-up da noite ao lado de outras atrações brasileiras, finalizando a turnê com 28 apresentações realizadas.

"Estive mesmo pensando em parar com as apresentações públicas. Pretendia me dedicar à carreira de radialista, fazer cinema e batalhar pela causa ecológica. Mas a atração pelos espetáculos é forte e acho que ainda tenho alguma estrada pela frente." - revelou Rita.

Concerto Sinopse (05/12/1987 - Rio de Janeiro)

O show inicia com a banda em ação, provocando grande comoção no público presente. Rita sai da coxia, e entra pelo lado esquerdo do cenário, vestindo um fraque branco e preto, cartola preta e luvas prateadas. Ela caminha enquanto dança pelo palco, enquanto põe sob o rosto uma plaquinha estampado um desenho de uma boca sorrindo, após, a cantora segue para o pedestal localizado no centro do palco, e entoa a clássica "Nem Luxo, Nem Lixo", causando grande euforia do público presente já no primeiro verso da canção. Após cumprimentar a plateia, Rita retira o fraque e a cartola, revelando um macacão preto bem justo e com alças, e uma regata branca por cima. Os primeiros acordes de "Agora só Falta Você" são iniciados, Rita canta a música enquanto percorre todo o perímetro do cenário, com a participação em cena dos backing vocals: Mauro e Maurício, que acompanham a cantora pelo centro do palco em alguns momentos. Em seguida, ela se equipa com a guitarra para cantar "Ando Jururu", na qual tem um extenso solo de guitarra incluso no meio da canção. Seguida de "Esse Tal de Roque Enrow", que fica a cargo de dar continuidade ao gênero musical no palco, ao cartar o verso: "— Uma bomba que estourou!", a performance é pausada com um efeito sonoro de explosão, fazendo realidade a letra da canção, após Rita simular uma crise de tosse em meio de uma fumaça fictícia, Roberto de Carvalho se posiciona no elevador triangular presente no fundo do cenário, e quando a execução é retomada, o mesmo é submerso pela plataforma enquanto um canhão de luz destaca o guitarrista realizando o ápice da canção com o instrumento em mãos. Após, a atmosfera é repaginada para um clima leve e romântico, assim, a balada "Desculpe o Auê" é interpretada, sendo no terceiro verso cantada a plenos pulmões pela plateia. Rita então se desapega da guitarra, acrescenta um véu em sua cabeça, e recebe sua afilhada Alice, de apenas 04 anos que surge no cenário vestida de anjo. Rita encarna a sua personagem Gungun Lúcia, uma criança com idade entre 3 a 4 anos, e assim, a mesma conta uma história fictícia em que a apresentadora e cantora Xuxa Meneghel é uma 'rainha', e que havia sido abandonada pelo ex-jogador de futebol Pelé, que no qual era o 'rei' no contexto da narração, e que agora, a Xuxa estaria em busca de um novo namorado, assim, Rita convida a todos que rezem pela apresentadora, resultando na divertida apresentação de "Xuxuzinho". Rita em seguida deixa o palco. Em meio ao blecaute total seguido por luzes brancas circulando pelo cenário, enquanto a banda começa a tocar uma mística melodia, se tratando de um arranjo estendido para a canção seguinte, a bateria intensa dá a deixa para a guitarra vibrante conduzida por Roberto, assim, a cantora reaparece no cenário tocando castanholas para a execução de "Vírus do Amor", desta vez sem vestir a regata branca, e sim uma camisa preta com um coração de pelúcia acoplado nos seios, e uma longa e escura saia esvoaçante, utilizando na cabeça uma máscara de papel representando o rosto de uma dançarina espanhola, no meio da grande e teatral performance, a artista sobe a saia para o pescoço, redefinindo a utilização do acessório em seu corpo. Após o fim, Rita novamente deixa o palco, finalizando o primeiro ato do espetáculo. Um breve momento do intervalo em pausa, é o suficiente para uma comoção na plateia clamando por mais, assim, a banda inicia o segundo bloco com um intenso instrumental, revelando se tratar da faixa "Saúde", Rita reaparece emergindo no centro do palco por um elevador hidráulico, utilizando um microfone auricular, e ainda vestindo o macacão preto, e utilizando uma mesa circular fixada em sua cintura e com duas pernas cenográficas acopladas, a mesa era revestida por uma toalha que cobria suas pernas reais por completo, dando a ilusão da cantora estar realmente sentada em cima da mesa. Enquanto cantava, Rita brincava com as falsas pernas simulando praticar ginástica, sendo revelado o truque quase no final da performance, quando dois assistentes retiram o objeto da artista, causando surpresa e gritos dos presentes. Um momento mais sério é conduzido quando "Me Recuso" é iniciada, Rita coloca pequenos cones pretos com listras brancas em seus seios, e uma pequena prótese de pelos pubianos brancos, simulando uma genitália feminina. Sendo essa, a maior performance de todo o espetáculo, variando cerca de 10 minutos, tendo um pouco antes do fim, uma apresentação de cada integrante da banda para o público presente, porém, Rita admite que uma banda formada somente por homens, pode não agradar totalmente o público masculino da plateia, para resolver a situação, ela chama ao cenário uma 'Luz del Fuego carioca', a modelo Patrícia, que surge com o corpo coberta por uma capa preta, e utilizando uma peruca loira laqueada, a mesma caminha ao centro do palco, onde revela sua nudez frontal por cerca de 10 segundos, resultando em uma tremenda histeria dos expectadores, após a modelo deixar o palco, a performance é finalizada. Em seguida, uma atmosfera suave é criada no cenário por luzes intensas em tons azuis, Rita novamente com a guitarra empunhada se fixa diante do pedestal central, e entoa os primeiros acordes da antológica "Ovelha Negra", com os irmãos Mauro e Maurício novamente ao lado da cantora, porém, desta vez com ambos tocando violão acompanhando a cantora. Ao fim, fortes aplausos e gritos são expedidos da plateia, que são reanimados quando a cantora ainda com o instrumento em mãos, executa um medley de "La Bamba" (Cover de Ritchie Valens), "Twist and Shout" (Cover da banda The Beatles) e "Noviças do Vício", com nesta última, o baixista Lee Marcucci e Roberto de Carvalho se juntando a artista no mesmo microfone para reproduzirem o backing vocal da canção, enquanto ao fundo do cenário um gigante leque amarelo é erguido, simulando um enorme sol, reforçando uma atmosfera paradisíaca no palco. Ao fim, a banda reproduz uma extensa introdução da protestante "Brazix Muamba", com destaque para Rita tocando flauta durante grande parte da canção, e acrescentando alguns acessórios para a apresentação, sendo eles: uma cartola e uma faixa em volta do corpo, ambas com as cores da bandeira brasileira. O cenário é contemplado com duas enormes faixas brancas com os dizeres: "Camisinha Já" e "Diretas Ontem", que ficam visíveis respectivamente nas laterais do palco, durante toda a performance. Após o fim, Rita deixa o palco sob muitos aplausos e assovios, encerrando o segundo bloco do show.

O terceiro ato do espetáculo começa com um estrondoso efeito sonoro de chuva e tempestade, Roberto entoa uma agressiva melodia de guitarra, que conforme vai avançando, é revelada os primeiros acordes de "Mamãe Natureza", que traz Rita de volta ao cenário, agora vestindo um espartilho preto e um pequeno capacete prata com uma longa pena de pavão acoplada, além de novamente reutilizar o microfone auricular. A maior surpresa ainda está por vir, quase no final da performance, Rita é suspensa por um cabo de aço enquanto realiza um pequeno solo de flauta, dando a sensação de um voo livre pelo cenário, levitando do lado esquerdo até o lado direito do cenário, onde a aterrisagem é feita, se tratando de uma referência ao personagem fictício Peter Pan. Após o fim, Rita novamente deixa o palco, enquanto um breve efeito sonoro de animais silvestres é reproduzido, mas não demora muito quando o baterista inicia as primeira batidas de "Bwana", com a guitarra empunhada, Rita retorna ao cenário vestindo uma minissaia com estampa de onça, e canta a canção diante do pedestal central, acompanhada por Roberto de Carvalho nos vocais dividindo novamente o mesmo microfone. Rita agradece e se despede do público, enquanto o leque do cenário é fechado, e todos os músicos deixam o cenário. Mas o publico insaciável clama por mais, então após um breve momento, Rita e toda a sua banda retornam em cena, causando grande euforia da plateia. Utilizando um chapéu-coco preto e um cachecol branco desamarrado, a cantora faz um forte discurso contra a política brasileira, e compartilha sua experiência com o Partido Verde, na qual declara ser o que melhor conduz a ideologia para um futuro melhor, após o protesto, a alegria é restaurada quando "Bem-Me-Quer" é executada para o bis programado do show, na qual é emendada com a sátira "Ôrra Meu", que traz Rita Lee ao cenário se apoiado em uma muleta, encenando estar com uma forte estafa, com nesta performance, destacando o primogênito de Rita e Roberto, Beto Lee, com apenas dez anos de idade, que ao acompanhar a mãe no palco, tenta incentivar a mesma para que ela se anime, o que é concretizado quando a cantora se entrega ao rock pauleira da canção. Quase no fim do número, uma chuva de papel picado prateado surpreende a plateia, resultando com que os mesmos acreditem se tratar do final definitivo do espetáculo, a cantora juntamente com todos os integrantes da banda saúdam o público, e deixam novamente o palco. Os expectadores não aceitam o fim do espetáculo, e iniciam uma energética comoção, luzes brancas circulam o cenário, reforçando a esperança de retorno dos músicos, o que é realizado quando Rita Lee ressurge no palco vestindo uma volumosa saia colorida laranja para o tris do show, e então questiona o que eles queriam, e diz que faz de tudo por amor, assim os primeiros acordes de "Pega Rapaz" são reproduzidos por Roberto na guitarra, causando euforia dos presentes, enquanto o gigante leque no fundo do cenário é reaberto. A versão encurtada da canção é transformada numa sintonia de melodias ao se fundir com a marcante "Lança Perfume", sendo essa cantada na integra. O clímax do show é atingido, e Rita de despede pela última vez do público presente, assim o espetáculo é finalizado. Após, as luzes do ginásio são acesas enquanto é reproduzido "The Nutcracker Suite, Op. 71a, Trepak (Russian Dance)".

Cenário

Durante quase um ano, o quarteto formado por Rita e Roberto, junto com Leonardo Neto e Wagner Baldinato, foram os responsáveis pela criação do espetáculo. O palco trouxe a proposta de ser igualmente belo e eficiente, tendo 44 metros de largura e 14 de profundidade. O cenário foi criado por Wagner e a empresa Pupi. Tendo como som e iluminação da melhor tecnologia do show-bizz nacional da época. O palco foi construído por três empresas brasileiras: Transasom, Brother Systems e Interform. Uma segundo cenário, pensado para as apresentações em locais que não comportariam a grande estrutura do primeiro, foi também utilizada em cidades selecionadas, com sua característica principal sendo um mural quadriculado de madeira localizado no fundo do palco. A mais avançada tecnologia junto com os mais modernos equipamentos de som foram projetados com a união das três empresas. Sem a necessidade de toneladas de som ou milhares de watts. Ao todo, o equipamento pesava cerca de 30 toneladas, que na qual quatro carretas eram responsáveis por realizar o transporte. Além de uma equipe composta por 38 pessoas ao todo na produção do show. A estrutura foi composta por duas escadarias laterais, em que os músicos pudessem se locomover livremente, entre elas, uma base ocupada pela bateria, onde no fundo do cenário, um elevador triangular foi projetado para ejetar o guitarrista Roberto de Carvalho durante uma das performances, além de um gigante leque amarelo que se abria em duas partes, que ao se completarem, formavam um único arco. Por fim, o palco era contornado por placas azuis com ilustrações abstratas amarelas e vermelhas, que separavam o espaço entre a coxia e o cenário.

Setlist

Setlist Regular (1987)
  1. Nem Luxo, Nem Lixo
  2. Luz del Fuego
  3. Agora só Falta Você
  4. Ando Jururu
  5. Esse Tal de Roque Enrow
  6. Desculpe o Auê
  7. Vírus do Amor
  8. Saúde
  9. Me Recuso
  10. Ovelha Negra
  11. Medley:
  1. Brazix Muamba
  2. Mamãe Natureza
  3. Bwana

BIS:

  1. Bem-Me-Quer (Encurtada)
  2. Ôrra Meu

TRIS:

  1. Pega Rapaz
  2. Lança Perfume
  • O repertório acima é baseado no primeiro show da turnê realizado em Vitória no dia 19 de agosto de 1987, não correspondendo a todos os shows da turnê.
Setlist Regular (1988)
  1. Brazix Muamba
  2. Mania de Você
  3. Atlântida
  4. Vírus do Amor
  5. Ovelha Negra
  6. Baila Comigo
  7. Brazil Com S
  8. Cecy Bom
  9. Chiquita Bacana (Cover de Emilinha Borba)
  10. Lança Perfume
  11. Doce Vampiro
  12. História do Brasil (Cover de Lamartine Babo)

Notas

Tour Book

Capa do programa.

Em agosto de 1987, um revista-programa da turnê foi lançada e comercializada nos locais em que a turnê foi apresentada. O conteúdo da revista de 22 páginas, continha fotos exclusivas dos ensaios do show realizados no cinema desativado de São Paulo, fotografias de shows e bastidores da turnê de 1983, imagens de membros da equipe responsável pela excursão, publicidade do álbum Flerte Fatal, registros raros de Rita e Roberto em momentos de infância e de laser. Além de incluir uma entrevista inédita de Rita e Roberto comentando sobre o desenvolvimento e expectativas para a turnê, essa mesma entrevista foi bastante reutilizada por jornais impressos da época, em cidades que a turnê se apresentou. Por fim, uma ficha técnica da equipe responsável pela produção da excursão, e encerrando o conteúdo do tour book, o roteiro inicial completo das cidades brasileiras.

Especial de TV e Lançamento em VHS

Integrando a programação de final de ano da Rede Manchete, momentos do show realizado no Rio de Janeiro em 05 de dezembro de 1987, foram exibidos como especial noturno de 53 minutos de duração, nominado de "Rita Lee e Roberto 87/88". No especial transmitido em 20 de dezembro de 1987 às 21:00 da noite, além da ordem das músicas ter sido completamente alterada do repertório original, as performances das músicas: "Agora só Falta Você", "Esse Tal de Roque Enrow", "Vírus do Amor", "Ovelha Negra", "Mamãe Natureza", "Bem-Me-Quer", "Pega Rapaz" e "Lança Perfume" foram cortadas do especial. O programa teve direção de Nelson Motta e Euclydes Marinho, responsabilidade técnica de Wagner Victoria e Carvalhinho, e produção de Anita Sinkevicius.

"Gravamos no Maracanãzinho um especial para a TV Manchete ('oh, divine decadence!'). Primeira vez que senti vontade de aposentar minhas chuteiras musicais, afinal, já havia aberto picadas, ruas e avenidas musicais, melhor seria ver de camarote a rapaziada nova desfilar e mostrar seu valor." - ironizou Rita em sua autobiografia .

Após a exibição do programa, foi anunciado o lançamento do espetáculo em VHS, porém, ao contrário do especial, o conteúdo da fita prometia o show na íntegra e com repertório na ordem de apresentação, além de incluir conteúdos registrados durante os bastidores do espetáculo, depoimentos de Rita e Roberto e os demais integrantes da banda. O lançamento foi programado para ocorrer em março de 1988 pela Manchete Vídeo, porém, foi posteriormente cancelado sem nenhum comunicado oficial. No dia 19 de fevereiro de 1988, Rita Lee e Roberto de Carvalho visitaram a sede do fã-clube 'Ovelha Negra', localizado no Centro de São Paulo, onde revelaram que o cancelamento foi causado pela insatisfação dos mesmos com o resultado final do vídeo desempenhada pela produção da Rede Manchete, como falhas na iluminação e outros fatores não especificados; falhas no som também podem ter sido fatores que contribuíram para o não lançamento do projeto, destacando ruídos de microfonia ocorridos nas performances de "Saúde" e "Lança Perfume", além de Rita ter errado a letra do segundo verso de "Bem-Me-Quer". Porém, Roberto garantiu ainda durante a visita, que o projeto de lançar o Home video ainda ocorreria, contudo se tratando de outro concerto, o que não ocorreu.

Álbum ou Vivo

Desde sua estreia, foi idealizado o lançamento de um álbum ao vivo da turnê, para lançamento nos formatos: LP e K7. A mesma apresentação gravada pela Rede Manchete no dia 05 de dezembro de 1987 no Maracanãzinho, foi gravado e destinado como o registro oficial da excursão. Porém, com a desistência de lançamento do mesmo espetáculo em VHS, o projeto de lançá-lo como disco também teve o seu desenvolvimento comprometido. Posteriormente, o show realizado em Montreux no dia 02 de julho de 1988, sendo este o último da "Tour 87/88", também foi gravado e cotado para um possível lançamento futuro, pois, neste mesmo período, o casal se encontrava em produção do décimo quarto álbum de estúdio de Rita, nominado de Zona Zen, que foi lançado em dezembro do mesmo ano. Após um longo período sem atualizações, no segundo trimestre de 1989, Rita Lee e Roberto de Carvalho confirmaram para integrantes do fã-clube 'Ovelha Negra', o lançamento do aguardado álbum ao vivo para setembro de 1989 pela EMI-Odeon, porém, não especificando de qual dos dois shows gravados se trataria. Por motivos desconhecidos, o lançamento foi posteriormente cancelado.

Transmissões

Além da exibição do show apresentado no Rio de Janeiro pela Rede Manchete em 1987, o mesmo também teve transmissão realizada pela Rádio Globo, na qual foi reproduzida performances de músicas como: "Esse Tal de Roque Enrow", "Desculpe o Auê", "Xuxuzinho", "La Bamba / Twist And Shout / Noviças do Vício" e trechos de "Me Recuso". Outro espetáculo da turnê transmitido, foi o realizado em Montreux em 1988, que teve transmissão feita pela Rádio Cidade.

Diário de Bordo

Nos intervalos entre as apresentações, Rita Lee dedicou-se na escrita de um diário de bordo da turnê, nominado de "A Última Gargalhada", e que inicialmente teve previsão de lançamento para o ano de 1988. Nele, constariam histórias baseadas em acontecimentos, aventuras e fatos que acarretaram os músicos durante toda a "Tour 87/88". Porém, posteriormente a cantora optou em expandir o conteúdo do livro, narrando também experiências vividas em seus 20 anos de carreia, tornando-se uma narrativa autobiográfica, algo idealizado pela cantora desde 1978. O conteúdo do livro também conteria uma suposta entrevista realizada por um fã de Rita, que se passou como repórter, com o jornalista Luís Antônio Girón, que durante o lançamento do álbum Flerte Fatal, teceu severas críticas ao disco, o que descontentou a cantora. Rita pretendia após o carnaval de 1988, entregar o manuscrito para um editor realizar a finalização. Porém, por motivos desconhecidos, o projeto não foi adiante.

"O meu livro 'A Última Gargalhada' não passa das emoções e bocejos de 20 anos de estrada, de 20 anos de rock no Brasil. Sou eu abrindo picadas há duas décadas pra essa garotada que está por aí, me chamando carinhosamente de 'tia' ou Rainha Mãe ou de Vovó do Rock, até as pessoas me cobrando uma ovelha negra agora. Estou chegando aos 40, cada vez mais doida varrida — 'ôrra meu!' —, sabendo o que quero, enquanto os 'jovens' estão querendo ser ovelhas negras. Os grupos se dissolvem, têm mais é que se dissolverem, não precisam ficar chorando: isso é evolução. Sempre me dei bem com todos, mas o rock tupiniquim tem muita 'puxação' de carpete, que no meu tempo não havia, um querendo 'vuduzar' o outro. Queria ver era alguém ser rebelde quando as gravadoras torciam o nariz para o rock, hoje não tem muita graça. E o rock'n roll da situação! No meu tempo, era de oposição. Gravo o novo disco em abril, em maio começam as filmagens de 'Como a lua', de Heitor Capuzzo sobre a peça de Wladimir Capella, que vai ser rodado no Pantanal. E uma lenda e eu faço o papel do índio Paiá. A fundação Green Peace vai dar uma verba para o filme e o Roberto vai fazer a trilha. Depois vou fazer no cinema o 'Alice, Que Delícia', do Antônio Bivar: vou representar o papel de Alice, uma 'pirua' que toma um elixir da Amazônia e tem sonhos eróticos. Fora o meu livro-panfleto para as crianças sobre Angra, energia nuclear e o meu diário de bordo, 'A Última Gargalhada'." - detalhou a cantora sobre os projetos para 1988.

Rita in Rio Claro

Em 27 de dezembro de 1987, Rita Lee visitou acompanhada por familiares, a Matriz de São João Batista, mesmo local onde seus pais haviam se casado em 1937, a cantora ficou espantada ao se deparar com o estado escasso de conservação que o local estava. No dia 31 de dezembro de 1987, Rita completou 40 anos de idade, e na mesma data, participou de uma missa na Paróquia Sant’Ana em Rio Claro, organizada por familiares da cantora. Após, a mesma permaneceu por algumas semanas hospedada em uma fazenda na região rural da cidade, e somente retornou para a sede no dia 12 de janeiro de 1988, quando a cantora visitou as instalações do Arquivo Público da cidade, com o propósito de reunir dados da vida de seus falecidos pais: Charles e Romilda. E na tarde do mesmo dia, Rita acompanhada de sua irmã Virgínia e alguns parentes, participaram de uma reunião em conjunto com a comissão de reformas da Matriz de São João Batista, onde recebeu um convite para realização de um show beneficente, no qual 100% da renda seriam destinados em prol da restruturação da igreja. Inicialmente, Rita aceitou o convite, e na mesma ocasião, foi definido que a data de realização do espetáculo ocorreria entre abril e maio de 1988, deste modo, conciliando com a conclusão da etapa europeia da "Tour 87/88", que ainda estava acertada para ocorrer no primeiro semestre. O espetáculo programado para ocorrer no Estádio Municipal, teria características particulares e exclusivas, pois no período previsto de apresentação, a produção de shows da excursão estaria desativada. E que este seria o último "grande" show de sua carreira, no qual o propósito deste feito, foi considerado por Rio Claro ser a terra natal de muitos familiares da cantora, e por este fator, ofereceria circunstâncias sentimentais para uma despedida definitiva dos grandes palcos, tratando-se de uma homenagem a carreia de Rita. Outros pontos discutidos durante a reunião, previam a promoção de uma grande esquema publicitário, com apoio de camisetas e outros produtos que estampariam o nome do evento, batizado de: "Rita in Rio Claro".

"Chegou 27 de dezembro de 1987, o dia das Bodas de Ouro dos meus pais! OBA! Nada mais conveniente do que visitar a Igreja Matriz onde eles haviam se casado! Entramos, eu e minha irmã Virgínia, seguidas por nossos primos, e por pessoas que não conhecíamos e que nos foram apresentadas como os novos zeladores e administradores da igreja, e por fim, alguns jornalistas, entre eles meu amigo Santana. O propósito seria uma primeira reunião com a finalidade de se fazer um show em benefício às obras da nova Matriz. Ok! Vamos conhecer então o que seriam as tais obras. Na verdade, Virgínia e eu visitamos as 'ruínas de uma igreja'. Onde havia aquele lindo altar tão simples com seus carneirinhos, a pintura tão de acordo, esta uma fria 'mesa' de granito (granito é uma nota, mora!), que mais parecia um túmulo. Fomos procurar pelas imagens dos velhos santos, pelos altares em volta da igreja, pelos Jesus Morto, enfim, onde estava a Santa Matriz, aquela Matriz? Ela já não estava mais lá.. Que burrice! 'Pra que ser moderno quando se pode ser eterno' já dizia o gênio Carlos Drumond... Parecia um pesadelo. Virgínia e eu saímos em estado de choque, mas completamente bem educadas. Depois que o pesadelo passou, voltou o sonho. Meu pai e minha mãe não mereceram aquilo nas suas bodas de meio século de vida juntos se respeitando mutuamente. Rio Claro não merece nem preciso dessa pseudo-modernização (progresso?!) principalmente em se tratando de 'lugares santos'." - detalhou a cantora em carta escrita pela ela.

Na primeira quinzena de maio de 1988, Rita Lee escreveu e encaminhou uma carta destinada à imprensa local de Rio Claro, na qual narrou entender que houve uma descaracterização de patrimônio da matriz destinada para receber a renda do espetáculo. E que inicialmente cogitou em analisar a proposta, por pensar que a matriz estava da mesma forma de suas lembranças de infância, o que a incentivou em contribuir com a reforma do local. Porém, conforme abordou em detalhados tópicos de sua estadia pela cidade, até o momento que teve conhecimento que as antigas formas da igreja praticamente não existem mais, a cantora não se viu motivada a participar da campanha pela restruturação. A seu ver, o conjunto da obra sofreu alterações que lhe retiraram características originais, e que por isso, compartilhou a decisão de não realizar mais a apresentação beneficente. No entanto, Rita frisou na carta que ainda cogitaria realizar uma apresentação em prol da cidade, ficando em aberto o motivo para distribuição de renda, por fim, revelou profundos sentimentos de simpatia e fraternidade aos habitantes de Rio Claro.

"Agora atenção: continuo querendo fazer o 'Rita in Rio Claro!', mas não com o propósito de 'ajudar' a destruir, pelo contrário, para que Rio continue Claro, cheio de verde e cheio de respeito. Gente, foi muito pra minha cabeça! Fugi de Rio Claro no dia seguinte da missa em homenagem aos meus 40 anos na Igreja do Padre Zezinho que me ofereceu um disco seu e uma bonita imagem de Nossa Senhora adorando o Menino Jesus. Desculpem meus queridos parentes que possam estar agora pensando que continuo sendo a ovelha negra da família: continuo sim mas não pejorativamente. Quero dizer que hoje tenho 40 anos e três filhos, então é o futuro o que mais me interessa, portanto, só farei show em Rio Claro se o dinheiro arrecadado fique para quem ou o que esteja realmente 'precisando'. Para isso, tenho recebido cartas e mais cartas de rioclarenses me informando das necessidades prioritárias pela qual a cidade está lutando. São cartas de pessoas sérias que se preocupam com o futuro de Rio Claro como eu. E para que vocês rioclarenses em geral não pensem que sou louca e antiprofissional, esclareço e tranquilizo-os de que nunca estive com a cabeça tão boa. Haverá apenas uma readaptação de datas devido a minha agenda lotada até novembro no exterior. Até lá, me escrevam para que tudo seja organizado na mais perfeita paz e harmonia. Sinto-me sempre honrada sabendo que através de mim, possa fazer um show por Rio Claro que tanto fez e faz pela minha família e por mim." - concluiu a cantora na carta.

Curiosidades

Músicas Ensaiadas
  1. Nem Luxo, Nem Lixo
  2. Agora só Falta Você
  3. Ando Jururu
  4. Esse Tal de Roque Enrow
  5. Mania de Você
  6. Desculpe o Auê
  7. Vírus do Amor
  8. Saúde
  9. Me Recuso
  10. Luz del Fuego
  11. Ovelha Negra
  12. Baila Comigo
  13. Bwana
  14. Medley:
  • La Bamba
  • Twist And Shout
  • Noviças do Vício
  1. Mamãe Natureza
  2. Brazix Muamba
  3. Flerte Fatal
  4. Ôrra Meu
  5. Pega Rapaz
  6. Lança Perfume

"Outro momento engraçado era quando eu saía voando do palco vestida de Peter Pan, amarrada a um colete que, se despencasse de lá, era pescoço quebrado na certa, da série 'uma boba da corte não mede sacrifício para agradar a plateia'." - revelou Rita.

"Apesar da fase 'preguicite' pela qual eu passava, a turnê do Flerte fatal não foi tão insossa assim. Ao chegar numa cidade eu recrutava a moça local mais extrovertida para o papel da 'Miss Brasil 2000', que entrava envolta numa capa de tule rosa e por baixo nua à la Luz del Fuego, desfilava de um lado ao outro do palco, chegava ao centro, abria a capa e fechava, dois segundos, se piscasse não via. Quem desempenhava melhor eram travestis e garotas de programa. Uma vez uma anã 'supergracinha' e segura de si topou desfilar nua e foi aplaudidíssima. Em Porto Alegre, quem fez lindamente foi uma loirinha bonitinha chamada Adriana Calcanhoto." - revelou a cantora.

Datas da Turnê

Data Cidade País Local
1987
19 de Agosto de 1987 Vitória  Brasil Ginásio Álvares Cabral
22 de Agosto de 1987 Salvador Campo da Associação Atlética
24 de Agosto de 1987 Aracaju Ginásio Constâncio Vieira
27 de Agosto de 1987 Recife Ginásio Geraldão
29 de Agosto de 1987 Fortaleza Ginásio Paulo Sarasate
01 de Setembro de 1987 Teresina Ginásio do Verdão
04 de Setembro de 1987 Belém Estádio Leônidas Sodré de Castro
08 de Setembro de 1987 Goiânia Ginásio Rio Vermelho
26 de Setembro de 1987 São Paulo Ginásio do Ibirapuera
27 de Setembro de 1987
03 de Outubro de 1987 Araraquara Ginásio Gigantão
24 de Outubro de 1987 Belo Horizonte Ginásio Mineirinho
27 de Outubro de 1987 Uberlândia Ginásio U.T.C.
05 de Novembro de 1987 Curitiba Ginásio Tarumã
07 de Novembro de 1987 Porto Alegre Ginásio Gigantinho
08 de Novembro de 1987 Caxias do Sul Recreio da Juventude
14 de Novembro de 1987 Jacarezinho Ginásio de Esportes
18 de Novembro de 1987 Campinas Estádio da Ponte Preta
20 de Novembro de 1987 Santos Clube Vasco da Gama
22 de Novembro de 1987 Santo André Clube Atlético Aramaçan
28 de Novembro de 1987 São Paulo Projeto Zona Leste 1
05 de Dezembro de 1987 (Show Privado) Rio de Janeiro Maracanãzinho
05 de Dezembro de 1987 (21:00)
12 de Dezembro de 1987 Londrina Ginásio Moringão
13 de Dezembro de 1987 Presidente Prudente Ginásio Municipal de Esportes
1988
15 de Junho de 1988 São Paulo  Brasil AeroAnta
16 de Junho de 1988
02 de Julho de 1988 Montreux Suíça Festival de Jazz de Montreux

Apresentações canceladas

Data Cidade País Local Motivo
10 de Setembro de 1987 Brasília  Brasil Ginásio Nilson Nelson Adiados devido à problemas de saúde de Rita Lee causadas por uma forte gripe.
13 de Setembro de 1987 Uberlândia Ginásio U.T.C.
17 de Setembro de 1987 Campinas Estádio da Ponte Preta
19 de Setembro de 1987 Araraquara Ginásio Gigantão
22 de Setembro de 1987 São José dos Campos Desconhecido Desconhecido
17 de Outubro de 1987 Rio de Janeiro Maracanãzinho
18 de Outubro de 1987
06 de Novembro de 1987 Brasília Ginásio Nilson Nelson Cancelado devido a interdição do ginásio por decisão do GDF.
06 de Dezembro de 1987 Rio de Janeiro Maracanãzinho Desconhecido
12 de Dezembro de 1987 São Paulo Ginásio do Ibirapuera
13 de Dezembro de 1987

Ficha Técnica

Músicos

Equipe Executiva

Equipe Técnica

Ver também

Referências

  1. ↑ Pintura e Rita Lee animam noite - Folha de São Paulo (27 de Agosto de 1987)
  2. ↑ Rita Lee é da Odeon - Jornal do Brasil - Pág. 45 (13 de Setembro de 1986)
  3. ↑ Rita Lee começa tudo de novo - Tribuna da Imprensa - Pág. 13 (29 de Setembro de 1986)
  4. ↑ Rita Lee é ovacionada de pé por 15 mil pessoas - Jornal do Brasil - Pág. 08 (20 de Fevereiro de 1985)
  5. ↑ Festival dos Festivais, com emoção paulista - O Globo (21 de Setembro de 1985)
  6. ↑ Rita Lee está de LP novo - O Fluminense - Pág. 49 (05 de Outubro de 1986)
  7. ↑ Rita Lee, de ovelha negra a terrorista verde - O Globo (03 de Dezembro de 1987)
  8. ↑ A irreverência de Rita está de volta - O Globo (18 de agosto de 1987)
  9. ↑ Prova de fogo - Folha de São Paulo (18 de Agosto de 1987)
  10. ↑ Rita Lee e Roberto estão de volta para um "Flerte Fatal" - Diário de Pernambuco - Pág. 21 (24 de Agosto de 1987)
  11. ↑ As Ritas estão de volta - Tribuna da Imprensa - Pág. 16 (05 de Dezembro de 1987)
  12. ↑ Aquecimento - Folha de São Paulo (13 de Agosto de 1987)
  13. ↑ Adeus às Armas - Jornal do Brasil - Pág. 38 (04 de Dezembro de 1987)
  14. ↑ Rita Lee e Roberto Tour 87/88 - Correio de Notícias - Pág. 18 (18 de Dezembro de 1987)
  15. ↑ Rita com o pé na Europa - O Globo (16 de Julho de 1988)
  16. ↑ O rock 'rola' de novo no Maracanãzinho - O Globo (01 de Dezembro de 1987)
  17. ↑ Cabral em Montreux - Jornal do Brasil - Pág. 47 (15 de Maio de 1988)
  18. ↑ A roqueira mais ouvida no Palácio de Buckingham tansforma o amor de Charles numa nova canção - Jornal do Brasil - Pág. 40 (17 de Junho de 1988)
  19. ↑ Cardápios revoltos - Jornal do Brasil - Pág. 43 (16 de Junho de 1988)
  20. ↑ 'Flerte' de Rita Lee deixa Maracanãzinho em êxtase - O Globo (15 de Dezembro de 1987)
  21. ↑ Um longo e divertido adeus - Manchete - Pág. 111 (19 de Dezembro de 1987)
  22. ↑ Rita Lee e Roberto no Geraldão na próxima quinta - Diário de Pernambuco - Pág. 23 (23 de Agosto de 1987)
  23. ↑ Rita Lee canta - Folha de São Paulo (24 de Agosto de 1987)
  24. ↑ Rita Lee e Roberto de Carvalho - Diário do Pará - Pág. 22 (02 de Setembro de 1987)
  25. ↑ Show - O Pioneiro - Pág. 11 (04 de Novembro de 1987)
  26. ↑ Rita Lee e Etta James se apresentam em SP - Folha de São Paulo (21 de Setembro de 1987)
  27. ↑ Os acordes atraentes do calendário musical - Correio Braziliense - Pág. 50 (13 de Dezembro de 1987)
  28. ↑ Rita especial - O Globo (11 de Dezembro de 1987)
  29. ↑ Concentração - Folha de São Paulo (01 de Dezembro de 1987)
  30. ↑ Rita Lee - Uma Autobiografia - O mesmo do diferente - Pág. 276 (2016)
  31. ↑ Rita em trânsito - Jornal do Brasil - Pág. 48 (26 de Novembro de 1987)
  32. ↑ Faltou ser mais Rita Lee, mas valeu - O Globo (17 de Junho de 1988)
  33. ↑ Rita Lee ensaia para Montreux em show no Aeroanta - Folha de São Paulo (15 de Junho de 1988)
  34. ↑ Rita Lee : Maracanãzinho/RJ : Radio Globo 5/12/87 - YouTube (13 de Maio de 2023)
  35. ↑ Rita Lee - Ao Vivo Em Montreux - 1988 (Veja Descrição) - YouTube (14 de Agosto de 2020)
  36. ↑ Gargalhada fatal - O Estado de São Paulo - Pág. 45 (14 de Fevereiro de 1988)
  37. ↑ Canto do Cisne - Folha de São Paulo (01 de Setembro de 1987)
  38. ↑ Quem diria... - O Estado de São Paulo - Pág. 56 (27 de Fevereiro de 1988)
  39. ↑ Rita Lee e Roberto estão de volta para um "Flerte Fatal" - Diário de Pernambuco - Pág. 21 (24 de Agosto de 1987)
  40. ↑ - Diário do Pará - Pág. 31 (13 de Setembro de 1987)
  41. ↑ Vírus derruba a cantora que ia balançar o ginásio - Correio Braziliense - Pág. 23 (10 de Setembro de 1987)
  42. ↑ Vida de artista - Folha de São Paulo (25 de Setembro de 1987)
  43. ↑ - A noite em que Adriana Calcanhotto fez uma performance nua no show da Rita Lee em Porto Alegre
  44. ↑ O mesmo do diferente - Rita Lee - Uma Autobiografia - Pág. 213 e 214 (2016)
  45. ↑ Show - O Pioneiro - Pág. 25 (07 de Novembro de 1987)
  46. ↑ Rita e Roberto, atração musical do final de semana - O Pioneiro - Pág. 30 (07 de Novembro de 1987)
  47. ↑ Rita e Roberto, ludicidade e imaginação num show divertido - O Pioneiro - Pág. 13 (11 de Novembro de 1987)
  48. ↑ Rita Lee: antes do adeus, o rockarnaval - Manchete - Pág. 105 (12 de Dezembro de 1987)
  49. ↑ Rita, figurinos bregas e 'revival' leve - Folha de São Paulo (26 de Setembro de 1987)
  50. ↑ Um longo e divertido adeus - Manchete - Pág. 64 (12 de Setembro de 1987)
  51. ↑ Rita Lee e Roberto de Carvalho no show Flerte Fatal - Diário de Pernambuco - Pág. 05 (24 de Agosto de 1987)
  52. ↑ Flerte Fatal - Diário do Pará - Pág. 23 (28 de Agosto de 1987)
  53. ↑ Rita Lee, dia 4 em Belém - Diário do Pará - Pág. 27 (26 de Agosto de 1987)
  54. ↑ Agenda Paulistana - A Tribuna - Pág. 15 (22 de Setembro de 1987)
  55. ↑ Rita pendura a chuteira - O Estado de São Paulo - Pág. 49 (26 de Setembro de 1987)
  56. ↑ Shows - O Estado de São Paulo - Pág. 84 (27 de Setembro de 1987)
  57. ↑ Agenda entrevista Rita Lee
  58. ↑ Música - Correio de Notícias - Pág. 13 (03 de Novembro de 1987)
  59. ↑ A festa de Rita - O Globo (02 de Novembro de 1987)
  60. ↑ Disco autografado e carona com a banda: memórias de um show de Rita Lee em Caxias do Sul nos anos 1980
  61. ↑ Show da Xuxa em Campinas? relembre o ‘xou’ da Rainha dos Baixinhos em 1987 na Ponte Preta - A Cidade On (04 de Agosto de 1987)
  62. ↑ Rita Lee: Dois dias para uma festa total - A Tribuna - Pág. 33 (20 de Novembro de 1987)
  63. ↑ Shows - Folha de São Paulo (28 de Novembro de 1987)
  64. ↑ Rita Lee interrompe a turnê e agita amanhã o Projeto Leste I - O Estado de São Paulo - Pág. 39 (27 de Novembro de 1987)
  65. ↑ Shows - O Estado de São Paulo - Pág. 57 (28 de Novembro de 1987)
  66. ↑ Adeus, ovelha negra! - Jornal do Brasil - Pág. 112 (29 de Novembro de 1987)
  67. ↑ Shows - O Estado de São Paulo - Pág. 74 (16 de Junho de 1988)
  68. ↑ Flerte Fatal - Correio Braziliense - Pág. 25 (09 de Setembro de 1987)
  69. ↑ Rita Lee Volta à Estrada - Jornal do Brasil - Pág. 45 (18 de Agosto de 1987)
  70. ↑ Correio Braziliense - Pág. 26 (23 de Setembro de 1987)
  71. ↑ Rita Lee e Roberto de Carvalho: Só não dá flerte com a censura - Diário do Pará - Pág. 27 (05 de Setembro de 1987)