
Trastes (português brasileiro) ou trastos (português europeu) são pequenas "divisões" atualmente de metal (já foram utilizados trastes móveis, feitos com cordas amarradas em torno do braço) de certos instrumentos de cordas, tais como: baixo elétrico (guitarra baixa), guitarra, violão, viola caipira, bandolim, cavaquinho entre outros.
Cada corda quando tocada livremente produz uma nota fundamental. Se o músico desejar tocar uma nota mais aguda ele precisa dividir a corda em partes menores para que ela soe em uma frequência maior. Alguns instrumentos, como o violino, não têm trastes, ou seja, cabe ao músico colocar o dedo exatamente sobre o ponto de divisão da corda. Isso permite executar qualquer nota possível dentro da extensão da corda, com variações microtonais, mas torna a execução muito difícil. Em instrumentos que possuem trastes, basta que o músico coloque o dedo em um ponto antes do traste para que a corda, apoiada sobre ele, seja dividida exatamente na medida determinada pelo fabricante do instrumento. Isso permite uma execução rápida e precisa, mas por outro lado, torna impossível a execução de notas intermediárias e a microcorreção de afinação.
Nos instrumentos ocidentais, os trastes são comumente montados para permitir que a corda seja dividida em intervalos de semitom.
Os trastes modernos são feitos de uma liga metálica (geralmente níquel-prata ou aço inoxidável) encravada em ranhuras abertas ao longo da escala, o componente de madeira colado sobre o braço do instrumento. Historicamente, alguns instrumentos de corda, como o alaúde e certos violões antigos, usavam trastes móveis feitos de tripa ou corda amarrada em volta do braço, o que permitia ao músico reposicioná-los para ajustar a temperança do instrumento. Com o tempo, os trastes de metal fixos se tornaram o padrão pela maior precisão e durabilidade.
O número de trastes varia conforme o instrumento e o estilo musical a que se destina. Violões clássicos costumam ter entre 19 e 20 trastes, enquanto guitarras elétricas variam tipicamente entre 21 e 24. Como cada traste corresponde a um semitom, 12 trastes equivalem a uma oitava completa a partir da corda solta; uma guitarra com 24 trastes, portanto, oferece duas oitavas completas em qualquer corda, enquanto uma com 22 trastes fica a dois semitons de completar a segunda oitava.
Em guitarras elétricas, a quantidade de trastes também influencia a posição de montagem do captador mais próximo da ponte: braços mais longos, com mais trastes, deslocam esse captador para mais perto do cavalete, o que tende a realçar frequências mais agudas no som captado.
Os trastes se desgastam com o uso, especialmente nas posições mais tocadas, formando pequenos sulcos onde a corda desliza durante bends e mudanças de nota. Trastes desgastados ou desnivelados entre si podem causar um ruído metálico conhecido como trastejamento (em inglês, fret buzz), quando a corda vibrando encosta em um traste antes do ponto esperado. O problema também pode ter outras causas, como a altura das cordas em relação ao braço (ação) ajustada baixa demais ou a curvatura do braço fora do ideal, regulada por uma barra de tensão interna chamada tensor (truss rod). Quando o desgaste é acentuado, os trastes podem ser nivelados ou substituídos por um luthier, procedimento comum de manutenção em instrumentos de uso frequente.
Alguns instrumentos utilizam um traste adicional logo após a pestana, chamado traste zero, que cumpre a mesma função de apoio da pestana para as cordas soltas, ajudando a manter a altura das cordas uniforme ao longo de todo o braço.
Já o capotraste é um acessório removível que pressiona todas as cordas contra um traste específico, funcionando como uma pestana móvel. Ao encurtar o comprimento vibrante das cordas, ele eleva a afinação geral do instrumento em um número de semitons igual à casa em que é posicionado, permitindo tocar as mesmas formas de acorde em tons diferentes sem alterar as digitações.