| Torneio de Caracas | |
| Dados gerais | |
|---|---|
| Organização | FVF |
| Edições | 10 |
| Local de disputa | |
| Número de equipes | 3 |
| Sistema | pontos corridos e eliminatórias |
O Troféu Triangular de Caracas, Torneio de Caracas, ou ainda Triangular de Caracas, são nomes genéricos de 10 torneios disputados entre 1958 e 1981 entre clubes e seleções, principalmente de países de língua espanhola ou portuguesa. Eram torneios amistosos de pré-temporada, mas que foram bastantes prestigiados na época.
Já participaram nesses torneios grandes clubes como: Real Madrid, Barcelona, Peñarol, Benfica, Sporting, Porto, Botafogo, Cruzeiro, Grêmio, Vasco e Independiente. E seleções como: Seleção Argentina, Seleção Soviética e Seleção Colombiana.
O clube com maior número de títulos no torneio foi o Botafogo, que conquistou o troféu em três ocasiões. Em 2020, o mesmo clube anunciou pedido de reconhecimento das referidas conquistas junto à FIFA.
A realização da edição de 1967 teria decorrido, em parte, do interesse gerado por partidas amistosas anteriores na região: o clube carioca já havia vencido confrontos realizados em Caracas contra o Santos, equipe que contava com o jogador Pelé. Na edição de 1967 participaram também o Peñarol — nesta época campeão sul-americano e vencedor da Copa Intercontinental — e o Barcelona, então com prestígio reforçado por títulos europeus de expressão (notadamente a Taça das Cidades com Feiras). Alguns sites citaram que a ideia de promover a confrontação entre Botafogo e Peñarol teria surgido pelo desejo de promover um "tira-teima" entre este último e o futebol brasileiro (pois o clube uruguaio havia se sagrado campeão sul-americano e mundial sem enfrentar equipes brasileiras, uma vez que não houve participação brasileira na Copa Libertadores de 1966), e que o convite ao Botafogo (em vez do Santos, campeão da Taça Brasil de 1965, e que portanto seria o representante brasileiro na Libertadores de 1966) foi decorrência das duas supacitadas vitórias botafoguenses sobre os santistas em 1966; porém, até o presente momento não foram apresentados jornais ou documentos da própria época que confirmem a hipótese, ou que comprovem que, quando dos confrontos amistosos entre Botafogo e Santos em 1966, os clubes já estivessem cientes que a vitória resultaria em classificação ao torneio de 1967.
Nas edições de 1968 e 1970 o torneio contou com a presença de adversários europeus e seleções nacionais relevantes para o período: figuraram entre os participantes o Benfica, a Seleção Argentina, a Seleção Soviética e o FC Spartak Trnava. A inclusão de seleções nacionais em algumas edições é apontada como um elemento atípico quando se trata de pretensões relativas a títulos de caráter estritamente “mundial de clubes”.
O pedido de reconhecimento das conquistas do torneio como “títulos mundiais de clubes” suscitou debate sobre a compatibilidade dessa qualificação com a cronologia das competições intercontinentais. Desde 1960 a Copa Intercontinental era amplamente entendida como o enfrentamento entre campeões europeus e sul-americanos, entendimento que, desde sua primeira edição em 1960 até sua última edição em 2004, contou com o aval formal das confederações UEFA e CONMEBOL, e que foi objeto de reconhecimento posterior pela FIFA em 2017. A coexistência de competições intercontinentais estabelecidas pelas instituições confederativas oficiais, UEFA e CONMEBOL, e de torneios amistosos com participantes mistos (clubes e seleções), como o Triangular de Caracas, é um dos fatores invocados por historiadores e organismos esportivos para distinguir troféus de prestígio regional ou amistoso de títulos oficiais reconhecidos como “mundiais de clubes”. Em que pese ser de amplo conhecimento que UEFA e CONMEBOL sempre reconheceram todas as edições da Copa Intercontinental, e que a mesma foi em 2017 reconhecida também pela FIFA, frequentemente o debate é permeado por tentativas de igualar competições sem nenhum reconhecimento oficial, como o Triangular de Caracas, à citada Intercontinental, sob o argumento de não haverem sido organizadas pela FIFA.
Observou-se que, na década de 1960, decisões da Confederação Brasileira de Desportos sobre indicações para a Copa Libertadores influenciaram a participação de clubes brasileiros em competições continentais. A CBD proibiu a participação de clubes brasileiros nas edições da Libertadores de 1969 e 1970; tais decisões, segundo relatos de época e textos posteriores, teriam alterado o quadro competitivo e motivado reações de diferentes clubes. Também são mencionadas desistências e alterações de calendário por parte de participantes como o Santos e o Palmeiras, bem como a disputa paralela de outros torneios nacionais, como a Taça Brasil e o Robertão, que influenciaram a dinâmica das vagas internacionais.
Tal contexto se liga ao pleito botafoguense de reconhecimento dos torneios, quando o mesmo é cotejado ao supracitado senso geral de que, a partir do surgimento da Copa Intercontinental, seriam amistosos torneios euro-sul-americanos sem o endosso de FIFA, UEFA ou CONMEBOL, o que inviabilizaria a postulação referente ao Torneio de Caracas. O Botafogo não emitiu manifestação oficial a respeito. Contudo, um site não-institucional, que se dedica a temas referentes ao clube, publicou matéria que aborda a questão. Segundo a mesma, o Botafogo venceu a Taça Brasil de 1968, porém teve seu presumido direito à vaga na Copa Libertadores, e por conseguinte a possibilidade de vaga na Intercontinental, bloqueado pela supracitada decisão da CBD de proibir a participação de clubes brasileiros nas citadas taças internacionais de 1969 e 1970, e à luz disso, haveria restado ao clube "conquistar o mundo" via "outros torneios". Os fatos apontados na aludida matéria são verídicos, cabendo, para a completa representação dos fatos, citar que a decisão da CBD de vetar times brasileiros nas Libertadores de 1969/1970 é de dezembro de 1968, e acarretou Santos e Palmeiras desistirem da Taça Brasil de 1968 em fevereiro de 1969, sem dúvida facilitando o percurso que doravante o Botafogo teria para, em outubro de 1969, conquistar a Taça de Brasil de 1968. Outras matérias do mesmo site sustentam que o Botafogo não teria vencido a Copa Libertadores nos anos 1960 por desinteresse.
Em discussões específicas sobre o período, cita-se ainda que o triunfo do clube em torneios amistosos ou de exibição (por exemplo, resultados frente a adversários consagrados em competições internacionais) serviu para alimentar narrativas de prestígio — narrativa essa por vezes divulgada por veículos ou sites vinculados ao próprio clube — mas que não substitui, do ponto de vista institucional, a homologação de títulos por órgãos oficiais internacionais. A despeito do prestígio resultante do renome e mérito técnico dos participantes, o Botafogo não apresentou uma narrativa, muito menos evidências historiográficas que a embasassem, que permitissem visualizar a competição como um Mundial de Clubes; a título de comparação com casos mais divulgados, a Copa Rio dos anos 1950 foi situada historicamente como uma tentativa de criar uma "versão clubes" da Copa do Mundo da FIFA, com apoio de dirigentes da cúpula da citada entidade; o mesmo haveria sido, supostamente, o caso da International Soccer League dos anos 1960; ao passo que a Copa Intercontinental seria a confrontação dos clubes campeões oficiais das duas confederações continentais consideradas as mais relevantes no futebol, as únicas duas únicas cujos países haviam vencido Copas do Mundo antes de 1960. Nada semelhante foi divulgado pelo Botafogo quando da divulgação do pedido de reconhecimento, havendo ocorrido apenas manifestações de cunho meramente emocional, como "uma ode à nossa gloriosa História", "grandes adversários" e "constelação de ídolos que merece reverência", considerações subjetivas que poderiam ser aplicadas a um sem-número de torneios amistosos, ou afirmações de que o torneio haveria sido tratado como Mundial de Clubes, o que não parece corroborado pelas fontes primárias da época.
Em 2020, quando o Botafogo anunciou o pedido de reconhecimento, surgiram, em diversos locais da Internet, supostas páginas de jornais da época em que o Botafogo teria sido chamado de campeão mundial. O Correio da Manhã teria publicado a manchete "Fogo em Caracas! Botafogo Campeão do Mundo", o Mundo Esportivo teria estampado "Botafogo - Campeão do Mundo - 2 x 1" (portanto referência à edição de 1970, única com partida neste placar), o Correio da Manhã teria publicado "Taça do Mundo de Caracas 1967 - Botafogo vence Barcelona por 3 a 2 e é campeão", e o português Record teria destacado "Botafogo Campeão do Mundo" em alusão à vitória sobre o Benfica. Contudo, há evidências de inveracidade das supostas páginas de jornais. A primeira das páginas supracitadas, do Correio da Manhã, traz um texto sobre o título do Botafogo, abaixo da manchete, que é igual a um texto do Jornal dos Sports, não do Correio da Manhã, texto este do Jornal dos Sports que não estampa "Campeão do Mundo" nem nada semelhante ou correlato; ademais, excetuando-se a parte relativa ao Botafogo (manchete, foto e texto abaixo da manchete), ou seja, no que diz respeito às demais notícias, a página é idêntica a uma do Correio da Manhã de 1966 que não traz nenhuma notícia sobre o Botafogo, com outro tema preenchendo o espaço que é ocupado pelo Botafogo na "versão Internet" da página. A segunda suposta matéria de jornal supramencionada, do Mundo Esportivo, traz foto da delegação do Botafogo, que é a mesma foto constante na suposta página do Correio da Manhã, e que mostra alguém muito semelhante a Gérson, que não participou do torneio de 1970. A terceira suposta página, a do Correio da Manhã referente ao Botafogo 3 x 2 Barcelona, é idêntica a uma do Jornal do Brasil, idêntica na manchete "Botafogo vence Barcelona por 3 a 2 e é campeão", na foto abaixo da manchete e nas outras notícias constantes na página, entretanto com a manchete do Jornal do Brasil não estampando "Taça do Mundo de Caracas 1967". Por fim, a suposta página do Record faz menção às passagens de Madjer no Porto e de Eriksson no Benfica, ocorridas na década de 1980.
Em resumo, o pleito do Botafogo referente ao Torneio de Caracas possui controvérsias: a não-comprovação, com jornais ou documentos da época, da supracitada hipótese de que o torneio de 1967 tenha sido um "tira-teima" entre o Peñarol e o futebol brasileiro, e da hipótese das supramencionadas partidas entre Botafogo e Santos terem sido disputadas com o espírito de classificatórias ao torneio de 1967; a não-explicação ao fato de que, se o objetivo da competição fosse consagrar um campeão mundial de clubes, o porquê de convidar Seleções às edições de 1968 e 1970, arriscando consagrar uma Seleção campeã mundial de clubes; uma comparação com a então coexistente Copa Intercontinental, que omite o fato da citada Intercontinental ter sido sempre reconhecida, desde 1960, por UEFA e CONMEBOL, reconhecimento jamais tido pelo Torneio de Caracas; uma alegação de que o clube, proibido pela CBD de disputar as Copas Libertadores e Intercontinental de 1969 e 1970 mesmo sendo campeão da Taça Brasil de 1968, teve que "conquistar o mundo por outros torneios", omitindo-se o fato da citada proibição da CBD ter acarretado a desistência de Santos e Palmeiras do certame nacional e portanto "facilitado" o caminho do Botafogo ao título nacional de 1968; por fim a, até o presente momento, inexistência de registros comprovadamente verídicos de que a imprensa brasileira da época tenha tratado o clube como campeão mundial.
O pleito não obteve acolhimento pela entidade responsável pelo futebol mundial, a FIFA.
Em síntese, a historiografia do Troféu Triangular de Caracas reconhece o torneio como um evento internacional de prestígio e relevo para os clubes participantes, mas a qualificação das suas edições como "títulos mundiais de clubes" não foi reconhecido institucionalmente pelas entidades internacionais competentes, nem há evidência documental inequívoca que sustente tal reconhecimento segundo os critérios estabelecidos para títulos intercontinentais oficiais.
| Ano | Campeão | Vice | 3.º lugar | Nome do Torneio |
|---|---|---|---|---|
| 1958 Detalhes |
Bangu |
Malmö FF |
Osasuna |
Copa Navidad de Caracas |
| 1967 Detalhes |
Botafogo |
Barcelona |
Peñarol |
Taça Círculo de Periódicos Esportivos |
| 1968 | Botafogo |
Argentina |
Benfica |
Troféo Julio Bustamante e Oldemario Ramos |
| 1969 | Dínamo de Moscou |
Deportivo Itália |
Vasco da Gama |
Copa Carnaval de Caracas |
| 1970 | Botafogo |
União Soviética |
Spartak Trnava |
Torneo Triangular de Caracas |
| 1970 | Cruzeiro |
Porto |
Celta de Vigo |
Torneo Triangular de Caracas |
| 1976 | Deportivo La Coruña |
Deportivo Itália |
Millonarios |
Torneo Triangular de Caracas |
| 1977 | Cruzeiro |
Grêmio |
Independiente |
Torneo Triangular de Caracas |
| 1980 | Real Madrid |
Benfica |
Colômbia |
Copa Ciudad de Caracas |
| 1981 | Sporting |
Valencia |
Millonarios |
Copa Ciudad de Caracas |
| Campeão | Títulos |
| 3 (1967, 1968 e 1970) | |
| 2 (1970 e 1977) | |
| 1 (1958) | |
| 1 (1969) | |
| 1 (1976) | |
| 1 (1980) | |
| 1 (1981) |
| País | Títulos |
| 6 (1958, 1967, 1968, 1970, 1970 e 1977) | |
| 2 (1976 e 1980) | |
| 1 (1969) | |
| 1 (1981) |
| País | Número de edições |
| 7 (1958, 1967, 1968, 1969, 1970, 1970 e 1977) | |
| 6 (1958, 1967, 1970, 1976, 1980 e 1981) | |
| 4 (1968, 1970, 1980 e 1981) | |
| 3 (1976, 1980 e 1981) | |
| 2 (1968 e 1977) | |
| 2 (1969 e 1970) | |
| 2 (1969 e 1976) | |
| 1 (1958) | |
| 1 (1967) | |
| 1 (1970) |