Trova

A trova é uma forma poética da tradição da poesia popular em língua portuguesa, cujas origens remontam ao trovadorismo medieval medieval e que, na tradição literária brasileira contemporânea, designa um poema autônomo sem título composto por quatro versos em redondilha maior (heptassílabos) com rimas e sentido completo. Caracteriza-se pela concisão, musicalidade e condensação do pensamento poético, sendo uma das formas da poesia breve em língua portuguesa.

A trova moderna desenvolveu-se a partir da tradição da poesia popular em língua portuguesa, cuja formação remonta ao trovadorismo medieval. Ao longo do século XX, o termo trova passou a ser empregado no Brasil para designar uma modalidade específica dessa forma poética. O uso contemporâneo tem sido difundido por escritores e entidades dedicadas ao gênero, como a União Brasileira de Trovadores (UBT).

Fernando Pessoa considera que "a trova é o vaso de flores que o povo põe à janela de sua alma."

Para Waldir Neves,

"A Trova é a arte de acomodar o infinito nos limites de um grão de areia."

— Waldir Neves

Estrutura

Trova é um poema monóstrofo (contém uma estrofe apenas) com quatro versos heptassílabos (redondilha maior), sem título, que se completa em seus quatro versos, como nos exemplos a seguir, de Pedro Ornellas:

O acerto, sim, amedronta,
mas creio que estamos quites:
Para os meus erros sem conta
Deus tem perdão sem limites.

A situação tá tão feia,
minha grana tão escassa,
que o vizinho churrasqueia
e eu passo o pão na fumaça.

A trova também é chamada de "quadra" ou "quadrinha", mas esta sinonímia não é perfeita, uma vez que as regras rígidas da trova não se fazem necessariamente na quadra. Entre os atuais cultores desta forma de poema, é preferível o termo "trova" como designativo.

Há a necessidade de se diferenciar a trova da quadra que compõe um poema maior, uma vez que a trova se completa em si, sem aceitar mais nenhuma estrofe.

O esquema rímico da trova é de rimas alternadas ou cruzadas (ABAB) ou interpoladas (opostas) (ABBA).

Desde a Idade Média chamava-se Trova todo o tipo de poema e canção. Trovador era aquele que fazia a Trova, na maioria das vezes acompanhada de um tipo de violão que na época do Trovadorismo era chamado de Alaúde. Nos dias atuais podemos definir a Trova como uma forma de Poesia com regras rígidas. Assim a definição correta é que a Trova é uma composição poética de quatro versos, ou seja, de quatro linhas, com sete sílabas poéticas cada (sílabas contadas pelo som), com rima e sentido completo. A Trova é um poema autônomo de quatro versos em redondilha maior.

O Escritor Jorge Amado dizia:

Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais.

Referências

  1. ↑ Moisés, Massaud (2004). Dicionário de termos literários 12 ed. São Paulo: Cultrix
  2. ↑ Cavalheiro, Maria Juraci Maia. «O gênero discursivo quadra popular». Universidade Estadual de Londrina. Entretextos
  3. ↑ Goldstein, Norma (2004). Versos, sons, ritmos. São Paulo: Ática
  4. ↑ Moisés, Massaud (2004). Dicionário de termos literários 12 ed. São Paulo: Cultrix
  5. ↑ Cavalheiro, Maria Juraci Maia. «O gênero discursivo quadra popular». Entretextos
  6. ↑ Wanke, Eno Teodoro (1973). A trova. Rio de Janeiro: Livraria São José
  7. ↑ Wanke, Eno Teodoro (1973). A trova. Rio de Janeiro: Livraria São José
  8. ↑ Abritta, Luiz Carlos (2013). Trova: raízes e florescimento. Belo Horizonte: UBT
  9. ↑ ABRITTA, Luiz Carlos - Trova: Raízes e Florescimento. Belo Horizonte:UBT,2013
  10. ↑ Antonio Miranda. «Waldir Neves». Consultado em 9 de abril de 2024
  11. 1 2 3 Paulo Camelo (19 de agosto de 2005). «Trova - teoria». Recanto das Letras. Consultado em 9 de abril de 2024
  12. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno dicionário de arte poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  13. ↑ HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro:Objetiva, 2001
  14. ↑ BORGES, Clério José - "O trovismo capixaba. Rio de Janeiro:Codpoe, 1990.
  15. ↑ Universidade Federal de Santa Catarina (20 de julho de 2018). «18 de julho: Dia do trovador». Entrevero Cultural. Consultado em 9 de abril de 2024
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