Ubai ibne Calafe ibne Uabe Alcoraxi Aljumai (em árabe: أبي بن خلف بن وهب القرشي الجمحي; romaniz.: Ubayy ibn Khalaf ibn Wahb al-Qurashī al-Jumaḥī; 625) foi um aristocrata coraixita do clã dos jumaítas e um dos mais destacados adversários de Maomé durante o período mecano. Juntamente com seu irmão Omaia ibne Calafe, figurou entre os principais líderes da oposição ao islã, participando das tentativas de impedir a pregação do Profeta, da conspiração para assassiná-lo antes da Hégira e das campanhas militares travadas pelos coraixitas contra os muçulmanos. As tradições islâmicas o relacionam à revelação de diversas passagens do Alcorão, sobretudo em razão de seus questionamentos sobre a ressurreição dos mortos e de sua hostilidade a Maomé. Também é lembrado por sua influência sobre Uqueba ibne Abi Muaite, a quem pressionou para romper publicamente com o Profeta, e por seu papel na mobilização dos coraixitas antes da Batalha de Uude. Na batalha de Uude, lançou um ataque direto contra Maomé, mas foi atingido por uma lança arremessada pelo próprio Profeta e morreu durante o retorno do exército coraixita a Meca. A tradição islâmica apresenta sua morte como o cumprimento da profecia segundo a qual seria morto por Maomé.
Ubai ibne Calafe pertencia ao clã dos jumaítas, um dos principais ramos dos coraixitas, e figurava entre os líderes de Meca por ocasião do surgimento do islã. As fontes o descrevem como um homem influente que frequentemente empregava seu prestígio para prejudicar pessoas socialmente vulneráveis. Um episódio atribuído ao período posterior à última Guerra Sacrílega relata que adquiriu mercadorias de um homem da tribo dos soleimitas, recusando-se a efetuar o pagamento. Após o comerciante apelar em vão aos habitantes de Meca, Abu Sufiane ibne Harbe e Alabás ibne Abede Almotalibe intervieram e obtiveram de Ubai a quantia devida. Juntamente com seu irmão Omaia ibne Calafe, tornou-se um dos mais ativos opositores de Maomé desde o início da pregação islâmica. Segundo a tradição, apresentou a Maomé um osso apodrecido, reduziu-o a pó e perguntou ironicamente quem seria capaz de devolver-lhe a vida depois de desfeito. O episódio é associado por diversas fontes à revelação dos versículos 78 e 79 da sura Ya-Sin e também do versículo 66 da sura Mariã. Outras tradições o relacionam ainda às circunstâncias da revelação das suras al-An'am, al-Infitar e al-Furqan, refletindo sua constante oposição à mensagem de Maomé. Sua estreita amizade com Uqueba ibne Abi Muaite também é destacada pelas fontes. Quando soube que o amigo havia conversado com Maomé e, segundo algumas versões, pronunciado a profissão de fé para que Maomé aceitasse um convite para uma refeição, Ubai ameaçou romper definitivamente a amizade caso Uqueba não renegasse publicamente o islã e insultasse Maomé. Uqueba acabou cedendo à pressão, episódio que a tradição relaciona aos versículos 27 a 29 da sura al-Furqan. Antes da Hégira, participou ainda da reunião realizada na Dar Anadua que decidiu assassinar Maomé e integrou o grupo encarregado de cercar sua residência durante a noite.
Após a migração para Medina, continuou a combater os muçulmanos. Algumas tradições afirmam que foi capturado na Batalha de Badre e libertado mediante resgate, mas outras, consideradas mais consistentes, sustentam que o prisioneiro foi seu filho Abedalá e que o próprio Ubai apenas se deslocou a Medina para pagar o resgate. Em uma dessas visitas, ou segundo outras versões ainda antes da Hégira, declarou a Maomé que criava um cavalo especialmente para matá-lo. Maomé respondeu que, se Deus quisesse, seria ele quem o mataria enquanto estivesse montado naquele animal. Ubai desempenhou papel importante nos acontecimentos que antecederam a Batalha de Uude, persuadindo o poeta Abu Aza Aljumai, libertado após Badre sob a promessa de não mais combater os muçulmanos, a participar novamente da campanha e incentivar os coraixitas com sua poesia. Durante a batalha, matou diversos combatentes muçulmanos, sendo-lhe atribuída por algumas tradições a morte de Muçabe ibne Omeir. Na segunda fase do combate, quando os muçulmanos recuavam para as encostas do monte Uude, lançou-se a cavalo contra Maomé, gritando que não sobreviveria se Maomé escapasse. Maomé ordenou que seus companheiros o deixassem aproximar-se, tomou a lança de Alharite ibne Sima — segundo outras versões, de Azobair ibne Alauame — e arremessou-a contra Ubai, atingindo-o gravemente. Embora algumas tradições afirmem que o ferimento tenha sido superficial e que a queda do cavalo tenha provocado a fratura de suas costelas, Ubai acreditava que a profecia de Maomé se cumpriria e repetia: "Maomé matou-me!". Morreu pouco depois, quando o exército coraixita regressava a Meca, em Sarife ou Marre Azarã. Segundo uma interpretação tradicional, o versículo "Não foste tu quem lançou quando lançaste, mas Deus lançou" (Alcorão 8:17) refere-se ao golpe desferido por Maomé contra Ubai. Ubai era casado com Asma binte Alharite, irmã de Maimuna binte Alharite, uma das esposas de Maomé. Entre seus descendentes destacaram-se seu neto Maomé ibne Abederramão ibne Safuane, que exerceu o cargo de cádi de Medina, e o bisneto Ubaide Alá ibne Maomé ibne Safuane, que foi cádi de Baguedade durante o califado de Almançor (r. 754–775) e, posteriormente, de Medina no reinado de Almadi (r. 775–785).