Vananda

Armênia em 150. Airarate situa-se mais ao centro

Vananda (em armênio: Վանանդ; romaniz.: Vanand) ou Vandi (em georgiano: ვანდი), segundo a Geografia de Ananias de Siracena (século VII), segundo a Geografia de Ananias de Siracena (século VII), foi um gavar (cantão) da província de Airarate, na Armênia.

Geografia

Vananda estava situado na metade norte do vale do Acuriã, entre Acuriã e Ciro Superior. É possível que, de início, fizesse parte do cantão de Bassiana, visto que os romanos não conheciam o topônimo, ainda que conhecessem bem a geografia da zona na qual estava situado, e por vezes é referido como Alta Bassiana. Englobava área de 4 725 quilômetros quadrados. Para Moisés de Corene, seu nome deve ter se originado dos hunos onogures que ali parcialmente se assentaram desde o século V, mas o nome já é citado antes do período, o que torna a etimologia improcedente.

História

Dinar de Sapor III (r. 373–378)
Soldo de Teodósio I (r. 378–395)

Nos séculos IX e VIII a.C., o território do futuro cantão era ocupado pelos taocos. Se sabe que sob Menua (r. 810–786 a.C.) e Arguisti I (r. 786–764 a.C.) de Urartu, os urartitas atacaram o seu rei Utupursi. Quatro séculos depois, em 401-400 a.C., Xenofonte dá indícios de que ainda povoavam ali. É a última menção a eles como povo e depois, ao que parece, migraram ao norte, ocupando os territórios de Taique (Tao) e Javaquécia, situadas a norte e noroeste de Vananda, respectivamente. Essa migração deve ter ocorrido devido à expansão da Armênia sob a dinastia orôntida.

Segundo Moisés de Corene, no tempo do mítico Valarsaces I, o rei permitiu que Velendur Bulgar Vunde instalasse uma colônia no distrito e se deu nome derivou o topônimo Vananda. No século IV, Vananda foi um Estado principesco. É possível que a região foi evangelizada por Gregório, o Iluminador. Desde 387, com a Paz de Acilisena celebrada pelo imperador Teodósio I (r. 378–395) e pelo xainxá Sapor III (r. 383–388), Vananda pertenceu à Armênia sob domínio do Império Sassânida. Ársaces III (r. 378–387), rei-cliente dos romanos, invadiu a Armênia a partir de Vananda para depor Cosroes IV (r. 385–389), rei-cliente dos iranianos, mas foi derrotado na planície de Erevel.

Em cerca de 575, o marzobã Glones Mirranes e o príncipe Filipe Siuni atacaram a vila de Otemus, em Vananda, mas foram derrotados. Em 579, provavelmente confrontando os generais bizantinos Curs e João Mistacão, o marzobã Varaz Vezur fez o mesmo movimento, sendo inicialmente repelido, mas então venceu. Em 591, com a nova divisão da fronteira na Armênia entre os Impérios Bizantino e Sassânida no rescaldo da guerra iniciada em 572, o imperador Maurício (r. 582–602) recebeu Vananda do xainxá Cosroes II (r. 590–628), que foi incluída na província da Armênia Inferior, que corresponde, grosso modo, à extinta província armênia de Airarate. Por sua localização, na rota comercial norte entre o Planalto Iraniano, a Anatólia e o mar Negro, prosperaria na Idade Média. Na década de 640, quando o imperador Constante II (r. 641–668) conduziu expedições militares no Oriente para impedir o avanço do Califado Ortodoxo, se encontrou com os príncipes de Vananda para coordenar os esforços.

No fim, a região foi anexada no Emirado da Armênia. No século VIII, passou aos bagrátidas. Em 962, o rei Asócio III (r. 951–977) cedeu Vananda ao seu irmão Musel I, que fundou um reino independente. Em 1064, Cacício abdicou em favor do Império Bizantino e entregou a sua capital Cars, que no ano seguinte foi conquistada pelo Império Seljúcida antes de ser tomada pelo Reino da Geórgia e integrar o distrito de Cari (Kari). No século XIII, foi tomada pelo Império Mongol antes de deixar de existir como entidade separada. Brevemente pertenceu aos senhores turcomanos e então caiu sob controle do Império Otomano.

Referências

  1. ↑ Hewsen 2001, p. 103, 204.
  2. ↑ Hewsen 2001, p. 204.
  3. ↑ Hewsen 2001, p. 110, nota 21.
  4. ↑ Hewsen 2001, p. 206.
  5. ↑ Moisés de Corene 2006, p. 133, nota 39.
  6. ↑ Toumanoff 1963, p. 240.
  7. ↑ Moisés de Corene 2006, p. 303-304.
  8. ↑ Grousset 1973, p. 245.
  9. ↑ Greatrex 2002, p. 162; 289.
  10. ↑ Hewsen 2001, p. 212.
  11. 1 2 Hewsen 2001, p. 148; 214.
  12. ↑ Sebeos 1999, p. 137.
  13. ↑ Hewsen 2001, p. 214.

Bibliografia